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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Mercado da Costa Nova

Há duas estradas que levam ao mercado: a marginal, de onde se vê o mar pelos intervalos de dunas e edifícios, e uma paralela, que atravessa praças e condomínios mal projectados. É por esta que segue Daniel, porque acordou frágil de tanto sonho, porque não está pronto para azuis infinitos.
Na rua conhecem-no e cumprimentam-no com simpatia. As senhoras são gentis e sorriem muito, algumas atrevem-se em piropos, os homens são formais, os velhos levantam as boinas enquanto os jovens inclinam cabeças e sorrisos desconfiados.
Daniel circula por entre as bancas do mercado e escolhe coisas simples e boas. Vive com pouco dinheiro e gosta que assim seja , porque o obriga a escolher e decidir. Toca as cebolas e as laranjas, cheira-as e por vezes as vendedeiras dão-lhe alguma a provar.
Vai até às bancas do peixe e a senhora chama-o lá de longe, ele aproxima-se e ela dá-lhe uma saca com peixe dentro, Chamo-me São, se gostar dos bichos reze pela minha alminha. Ele sorri-lhe e diz-lhe que esteja descansada, se o peixe for fresco não há alma que se não salve.
As mulheres são espertas de viver, pensa Daniel, sempre foram. Deixam aos homens a manutenção do sagrado, os ritos e as palavras com que se fala a Deus, mas é a voz delas que fala na sua, são seus os rogos e graças, só elas Lhe sabem falar a modo.
Daniel volta depois pelo lado da água. Vêem-se alguns raios de sol e sente-se o frio a voar. O areal de pescadores a dançar com o mar, três passos para lá, a cana em arco, três passos para trás. São todos homens na praia, em casa as mulheres cozinham ou tratam dos filhos. Para elas são os peixes que lhes pescam os maridos.

Nuno Camarneiro/ Debaixo de algum céu

A par do mercado das Caldas, este é o nosso mercado preferido! Nele encontras quase tudo o que precisas para confeccionar maravilhosas refeições de peixe.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

São Gonçalinho

Lá fora o fogo de artifício anuncia o fim das festas em honra de São Gonçalinho, uma romaria que dura cinco dias e se realiza no fim-de-semana mais próximo do dia 10 de Janeiro, dia em que se comemora a morte do santo. Sei que não se escolhe o dia em que se morre, mas bem que o santinho podia ter morrido mais perto da Primavera, quando o frio  junto à ria é mais fácil de suportar...
O santo é casamenteiro, ajuda na fertilidade e protege na saúde. A mim houve um desejo que me escapou nas passas de fim de ano e por isso ontem fui lá pedir-lhe uma ajudinha... Se o "nosso menino", como é carinhosamente tratado pelas gentes da beira-mar, cumprir com a sua parte do nosso acordo, para o ano lá subirei a escada de caracol, que leva ricos e pobres até à cúpula da capela de São Gonçalinho, para de lá serem feitos os arremesos de cavacas, como pagamento das promessas ao santo. As cavacas, duras como cavacos de madeira, representam o pão lançado pelo santo aos pobres e os sinos da capela anunciam os lançamentos, aguardados pacientemente pelos populares, munidos de camaroeiros e guarda-chuvas invertidos.
Dizem que as cavacas lançadas para o chão estão abençoadas e devem ser guardadas durante um ano, para obteres protecção. Como é óbvio, cá em casa este é um feito impossível, já que o Miguel dá logo cabo delas, obtendo protecção imediata para a sua barriga.
A festa, que une todos os aveirenses, é muito mais do que uma oportunidade para cumprir as promessas feitas ao santo, e por estes dias nem as montras do comércio tradicional escapam aos festejos, "vestindo-se" a rigor com o santo e as cavacas.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Come chocolates, pequena

Desde pequena que sou uma gulosa inveterada e no topo das gulodices sempre esteve o chocolate, de todas as cores, formas e feitios! Também em pequena, apaixonei-me por Óbidos. O Festival Internacional de Chocolate é por isso a desculpa ideal para juntar dois amores antigos. Desta vez foi também a oportunidade perfeita para um doce fim-de-semana em família.
O melhor é chegar à vila de manhã, para se conseguir ver as coisas antes das extensas filas e da grande confusão. É dentro da cerca do castelo que a maior parte da magia acontece, ou não fosse a Disney o tema deste ano. A par dos pontos de venda a grande atracção são as esculturas de chocolate. Podes ver esculturas do Pirata das Caraíbas, do Nemo e, a mais espectacular de todas, do Castelo da Bela Adormecida. Não faltam actividades ligadas a este ingrediente, como espectáculos de dança, workshops e cursos de chocolataria. Eu fiz o de nível I e logo à entrada fiquei um pouco desiludida com a pouca complexidade do curso. Mesmo sendo um nível muito básico deu para aprender alguns truques e no final comemos um bocado de brownie e de trufa italiana.  
Nas barraquinhas encontras todo o tipo de comida e bebidas "condimentadas" com chocolate, nem mesmo o queijo escapa ao rei da festa. A oferta é tanta que o difícil é mesmo escolher... Abrimos as hostes com uma ginja em copo de chocolate e depois do almoço, com vista para as muralhas, dividi um crepe de nutella e morangos com a minha irmã. Para casa trouxe uma caixa de estimulador de paciência (Funmácia) e uma caixa sortida de bom-bokas, que têm sido saboreadas devagar.
Nem imaginam as saudades que tinha destas bombas de chocolate... As que se vendem nos supermercados não chegam nem aos calcanhares das antigas da Imperial, mas as que vieram do festival chegam bem lá perto e fazem mesmo lembrar as bom-bokas da minha infância. Ainda me lembro da alegria que senti quando, numa viagem de comboio com os meus avós para Lisboa, um casal que ia na mesma carruagem que nós me ofereceu uma caixa inteira de bom-bokas de morango. Deliciei-me com todas elas e devo ter ficado como as crianças que vi a passear no festival, de olhos a brilhar e toda lambuzada de chocolate...

domingo, 3 de julho de 2011

Feira do Mirtilo

Hoje foi o último dos três dias da Feira do Mirtilo, em Sever do Vouga. Era a nossa estreia na feira e íamos cheios de vontade de ver a chef Leonor de Sousa Bastos e comprar mirtilos para fazer umas experiências culinárias, mas a coisa não correu bem como nós tínhamos planeado.
Para começar, quando chegámos às 15h00 para assistir ao workshop da autora do Flagrante Delícia, na tenda estava um homem a fazer um caril de gambas. Poucos minutos depois chegou a desilusão, quando descobrimos que não ia haver nenhuma sobremesa espectacular feita pela chef Leonor. Desconfio que, apesar do nome dela constar do programa, ela nunca tenha estado para vir. No livro de receitas "Mirtilo à Mesa" não vem lá nenhuma receita dela e era suposto estarem lá todas as receitas apresentadas nos workshops realizados durante a feira. A fotografia dela também não aparecia no programa, tal como não aparecia o nome dela no placar com os workshops à entrada da tenda.
Deixámos a tenda e fomos dar uma volta pela feira. O Parque Urbano de Sever do Vouga é um espaço muito agradável, no entanto demasiado pequeno para tantos que se deslocaram no Domingo até à feira. Parecíamos formiguinhas num carreiro e não dava para ver nada... A maioria das estantes das barracas encontravam-se vazias e o tempo de espera nas filas era interminável e cheio de encontrões! Enquanto esperávamos na fila para provar uma fatia de tarte de mirtilos e morangos, estava lá um senhor há mais de meia hora à espera de broa e pães de mirtilo (os pães quentes eram deliciosos, já frios não tinham grande piada) e depois de nos virmos embora com 10 pães no saco e cada um com a sua fatia de tarte o senhor ainda lá ficou à espera da broa pelo menos mais outra meia hora.
Com a tarte já no papo regressámos à tenda dos workshops para assistir ao chef Gonçalo Costa a confeccionar duas versões dum "Magret de pato com foie gras e chutney de mirtilos". A primeira versão era com uma salada quente de rúcula e espargos e na segunta o magret de pato era acompanhado por uma salada fria de rúcula e espinafres. O Miguel provou e não achou nada de especial, mas talvez por não ser grande apreciador de foie gras.
No final do workshop ainda estava para vir a grande surpresa do dia... Fomos até à zona da venda de mirtilos e por inacreditável que pareça não havia mirtilos. Como é que é possível que se deixe acabar o ingrediente principal da feira?!?!?! Tristes lá viemos embora de copo de sumo de mirtilo na mão...  Fazendo um balanço, a feira tem todas as condições para ser um grande acontecimento mas para nós foi um fracasso...

domingo, 14 de novembro de 2010

Mercado da Fruta das Caldas da Rainha

Por altura do São Martinho a minha família vai toda até São Martinho do Porto para um almoço, onde não falta o cozido à portuguesa, bom vinho, caramujos, ovos moles e castanhas assadas. Este ano fomos com os meus pais um bocado mais cedo para antes do almoço irmos às Caldas da Rainha, ao Mercado da Fruta.

Na Praça da República das Caldas, realiza-se todas as manhãs um mercado ao ar livre onde vais encontrar agricultores a venderem fruta, legumes e flores, mas também queijo, pão, cerâmica e cestos em verga. Como estamos em tempo de magusto também havia castanhas assadas, onde não faltava um copinho de vinho de mesa para acompanhar.

Os produtos frescos e cheios de sabor, como a fruta saborosa que encontramos na região do Oeste, podem fazer toda a diferença numa receita. A minha ideia era dar uma primeira volta a ver o que havia para venda e depois decidir o que levar numa segunda volta, só que o meu pai começou a ficar impaciente e com pressa e já não houve segunda volta para ninguém...
Saimos de lá com uma mão-cheia de ingredientes magníficos para futuras experiências culinárias. Trouxemos clementinas para repetir o doce de abóbora de Natal que fizemos no ano passado e umas malaguetas, em forma de sino, para fazer uma entrada com requeijão. As malaguetas foram compradas numa pequena banca de agricultura biológica, com umas cores... Deu-me vontade de comprar de tudo, mas como sei que actualmente o tempo para cozinhar não é muito, tive de resistir à tentação de comprar a banca toda à rapariga. Também comprámos batata branca pequenina para fazer batata a murro um dia destes.

Gostei muito de voltar a esta praça e morro de inveja dos caldenses, que podem usufruir dela todos os dias, percorrendo a calçada portuguesa à procura dos ingredientes certos para as suas refeições. Tenho pena de em Aveiro não existir nenhum mercado deste género, já que nós adoramos vaguear pelos mercados, no meio do cheiro a fruta, da cor intensa dos legumes e das pessoas... Os mercados de rua, como este, são um património cultural que nunca se devia perder, por serem sítios onde só de olharmos para os produtos poisados nas bancas, seja fruta ou peixe, nos cresce água na boca e que dão vida às cidades!

domingo, 26 de setembro de 2010

Feira das Cebolas

Ontem foi dia de feiras! De manhã fui à feira da Costa Nova e à tarde fiz a minha estreia na Feira das Cebolas, que tem lugar no último sábado de Setembro, na Praça Melo Freitas (a praça ao pé dos Arcos).

A feira pretende recriar a desaparecida Feira das Cebolas realizada no século XIX e começa logo de manhã, terminando quando não houver nada para vender. Por lá vendem-se cebolas em "tranças", mas não só... Usando trajes tradicionais apregoavam-se alhos, couves, abóboras, pimentos, o viagra do século XIX (piri-piri), coelhos e galinhas. Também havia petiscos, arroz doce e brinquedos de madeira para mostrar como se brincava noutros tempos.

Eu comprei meia "trança" de cebolas, meia abóbora e meio quilo de pimentos. Houve um coelho que me fez olhinhos e que eu tive de me conter para não o trazer para casa. Ainda tentei convencer a minha irmã a trazermos o "Óscar" para casa (não me perguntem porquê, mas sempre quis ter em casa um coelho chamado Óscar... pancas) mas ela não foi em cantigas.

A feira é uma excelente iniciativa da Junta de Freguesia da Vera Cruz e mostra-nos como é que era o ambiente das antigas feiras, no tempo em que não havia hipermercados. Faz-nos pensar se não seria melhor voltarmos a esses tempos, quando os populares se concentravam ao ar livre, em vez de nos enfiarmos em centros comerciais de ambiente controlado.

Adorei a experiência e deixo-vos aqui o conselho que me deram, para o ano dêem lá um salto de manhã, que é quando há mais animação e também mais comes e bebes.