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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Genius Barcelona

Alguém por aí anda a planear uma ida a Barcelona? À procura de um hotel ou de um sítio para repousar entre uma obra de Gaudí e outra? Estás cheio de sorte! Hoje, Dia Mundial do Pão, temos um espaço de fazer crescer água na boca. Bem no bairro modernista da cidade, assim coladinho à La Pedrera e a uns metritos da Casa Batlló, alguém teve a ideia de génio de abrir um hotel, com uma padaria no lugar da recepção. Uma recepção como destino e não apenas como local de passagem.
Este hotel, a par das obras de Gaudí e de uma gelataria em Barceloneta, faz-nos querer voltar a esta cidade criativa. Já imaginaste como deve ser aconchegante despertares num quarto de hotel, assim num dia chuvoso, e sentires o cheiro a pão quente ainda na cama? Como te deve aquecer a alma, poderes refugiar-te nesta padaria entre uma visita à Casa Batlló e à Casa Milá? Ou antes de seguires em frente até à Sagrada Família e ganhares forças para subir às suas torrres? Podes parar para tomar o pequeno-almoço, para almoçar ou para lanchar. Podes passar a correr ou aproveitar para descansar, enquanto observas a dedicação dos padeiros a amassar o pão. 
Parámos no Praktik Bakery Hotel depois de admirarmos toda a genialidade de Gaudí na La Pedrera. Foi uma visita para comprar pão para uma sandes, com o presunto que tínhamos comprado no dia anterior. Aproveitámos para tomar um café e um granizado, enquanto desfrutávamos do encanto especial da recepção. Num ambiente industrial, o hotel mistura o minimalismo nórdico com a geometria dos azulejos mediterrânicos e, por instantes, faz-nos esquecer que estamos no distrito frenético de L'Eixample.
Hotel Praktik Bakery
Carrer de Provença, 279

Casa Batlló
Passeig de Grácia, 43
Metro: Passeig de Grácia (L2, L3, L4)

Casa Milá
Carrer Provença, 261-265
Metro: Diagonal (L3, L5)

La Sagrada Família
Carrer Marina
Metro: Sagrada Família (L5)

domingo, 30 de junho de 2013

Doce e Salgado na Praia

Se os dias na praia pudessem ser apenas um som, seria a buzina que anuncia a passagem da senhora dos bolos. Bem arrumados num carrinho branco, percorrem todo o areal, ao longo do dia. Deitada na toalha, a apanhar banhos de sol, este som sobrepõe-se ao das brincadeiras das crianças, ao das conversas dos adultos, ao das bolas a bater nas raquetes... E a bola de Berlim, com ou sem creme e sempre com muito sal, comida em pequenas dentadas, faz desaparecer todos os sons da praia à nossa volta. É como no anúncio, fecho os olhos e tudo pára.
Na minha infância este som seria antes o do pregão a anunciar as batatas fritas. As batatas fritas da praia fazem parte do imaginário de todos os aveirenses que foram crianças nos anos 80. Os mais novos não fazem ideia da felicidade que era ver uma cesta, poisada na areia, cheia de pequenos pacotes transparentes, atados com um cordão branco ou vermelho, que sinalizava o picante. Só que houve um Verão que trouxe de volta os dias na praia, mas que deixou para trás os cordões branco e vermelho...
Regressada de uns dias em São Martinho do Porto, com direito à bola de Berlim no areal, descobrir um bar de praia a vender estas batatas fritas, foi um regresso ao passado... Ai que tempos felizes! A correria quando víamos o vulto branco de cesta na cabeça. A alegria de trincar aquelas batatas fritas estaladiças, com um crocante extra vindo da areia que cobria as nossas pequenas mãos...
Bolas de Berlim e batatas fritas. Porque será que na praia tudo sabe melhor? Será que a comida se transforma?, numa espécie de alquimia arquitectada pelos mergulhos no mar.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Namorar em Amares

"Amares, o lugar ideal para amares!", podia ser o slogan dum regresso à Quinta do Esquilo, o refúgio perfeito para uns dias a dois.
Em tempos idos a quinta funcionou como casa de retiro dos frades beneditinos do imponente Mosteiro de Rendufe. Onde em tempos se rezava, agora recebe-se os hóspedes com simpatia e alimenta-se-lhes o corpo e o espírito.  Na casa principal da quinta funciona a recepção, o bar e o restaurante, onde é servido o pequeno-almoço, com croissants, pão, compotas, sumo e cereais. Durante o dia sabe bem sentar junto ao fontanário a ler um livro ou uma revista, enquanto o sol de Inverno, que há-de derreter a água ainda congelada do lago, nos aquece. Já as noites frias "empurram-nos" para o aconchego dos quartos ou até à sala de convívio, o espaço de eleição para um jogo de Scrabble.
Só deixámos a quinta para um passeio até Vila Verde, à procura do bolo dos namorados e dos chocolates inspirados nos lenços dos namorados. Na Aliança Artesanal - um verdadeiro museu vivo do amor - indicaram-nos a Pastelaria Luena para comprar o bolo dos namorados e a Pastelaria da Vila para os chocolates. Este último espaço só vale a pena pelos chocolates que não se encontram em mais nenhum local. Mas a Pastelaria Luena faz-nos querer voltar. É uma boa pastelaria, marcada pela passagem do tempo e com bolos que são réplicas quase perfeitas dos lenços. Verdadeiras obras de arte para comer! (Além de pastelaria também tem dormida e restaurante. Pena já termos almoçado, porque a refeição neste espaço prometia...)
De volta à quinta esperava-nos um jantar antecipado de São Valentim, já que não devemos esperar pelo dia para termos mais um abraço, mais um beijo, mais uma jura de amor...  pequenos deleites para serem celebrados todos os dias e não apenas num dia! O bom do restaurante da quinta é que tem várias salas, por isso conseguimos comemorar o nosso Dia dos Namorados sem estarmos rodeados por casalinhos pseudo-apaixonados, pudemos conversar e discutir à vontade! Pudemos falar das pequenas coisas que nos acontecem todos os dias, que nos fazem felizes e que nos inquietam... e depois das pazes desejar ainda mais quem está ao nosso lado.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Paris

Fui ver o filme de Woody Allen "Meia-Noite em Paris". A meio do filme lembrei-me que nunca cheguei a fazer um post sobre a visita que fiz à Cidade Luz com a minha mãe, talvez por não ter ficado deslumbrada com a cidade. Dos bairros percorridos fui completamente conquistada por dois: Montmartre e Ile de Saint-Louis! Momartre pelas suas ruas estreitas com a cúpula do Sácre-Coeur sempre à espreita, pela vida imprimida pelos artistas à place de Tertre e pela atmosfera boémia. A Ile de Saint-Louis pela tranquilidade, pelo ambiente de aldeia no meio da grande cidade e pelas pequenas lojas ao longo da rua principal.
A ponte que liga a Ile de Saint-Louis à Ile de la Cité é o sítio ideal para uma pausa enquanto ouves algum conjunto que por lá esteja a tocar e pensas que sabor escolher na famosa casa de gelados Berthillon, mesmo à entrada da ilha. (Em Agosto está fechada, no entanto isso não é problema pois há muitos cafés espalhados pela cidade que vendem os seus gelados, nomeadamente o Le Flore en l'Ile mesmo ao lado.) Na minha opinião, vale a pena tirares uma manhã ou uma tarde para passeares nesta zona e conheceres as suas lojas. A que mais gostei foi a Olivier&Co, uma loja repleta de excelentes produtos mediterrânicos, como o azeite de limão que trouxemos para casa ou as bolachas de azeite, e muito mais simpática do que A l'Olivier que vem na maioria dos guias.
No que às refeições diz respeito não é fácil conseguir almoçar bem, por bom preço e sem uma multidão de turistas em volta. A boa notícia é que na Ile de Saint-Louis podes fazer um almoço sossegado e barato nas margens do Sena. Senta-te no muro da Quai de Béthune enquanto desfrutas duma baguete comprada na Boulangerie des Deux Ponts e dum sumo de laranja natural comprado numa frutaria lá ao lado, tudo acompanhado pelas notas soltas dos músicos na ponte. Finaliza aquela que pode ser a melhor refeição da tua estadia com uma bola de gelado na Amorino. Outro sítio onde também podes almoçar longe da confusão é no Cococook, um espaço clean na zona de St-Germais-des-Prés, com comida a condizer - saudável e gourmet - entre mini-tartes e sumos naturais.
Embora Paris não me tenha seduzido, há por lá uma coisa maravilhosa, a impossibilidade de não se comer chocolate todos os dias, seja nos gelados, nos macarons ou num reconfortante chocolate quente. Esta bebida acompanhada por um crossaint é uma óptima opção para um lanche. Naquele que foi o dia de regresso a casa, o chocolate quente do Angelina soube-nos a despedida.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

São Martinho do Porto

Gosto de chegar a São Martinho do Porto de comboio. Não é a forma mais cómoda, nem mesmo a mais chique, mas é de longe a mais interessante. É tão bom poder olhar pela janela e ver as praias de arroz, enquanto vais ouvindo as famílias a tomar conta das carruagens. Mais os seus farnéis, os sacos dos brinquedos e os gritos das crianças. Todos preparadíssimos para um dia de praia no "bidé das marquesas".
Quando aqui passei as minhas primeiras férias não morri de amores pela vila. Achei que eram lisboetas a mais. Muito colégio privado, mas pouca educação. Muitos nomes sonantes, mas também muitas vidas de aparências. Lembro-me de as pessoas olharem para mim e para a minha irmã como se fossemos de outro planeta. Vinhamos do Norte, trocávamos o "v" pelo "b" e tratavamo-nos por "tu", coisa pouco conhecida nestas bandas, onde até o cão e o gato são tratados por "você". Enfim, betinhos de Lisboa... Só que como diz o poeta "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Agora é raro o ano que não damos um salto a São Martinho, onde recordo com saudade aqueles dias de Verão.
Para um regresso ao passado o frenesim do 15 de Agosto é o ideal. Posso estar anos sem aqui vir, mas sei que quando regressar vai estar tudo igual. Vou ver os mesmos meninos burgueses, com as mesmas camisolas pelos ombros, a mesma calcinha beje, o mesmo sapato de vela e exactamente o mesmo penteado. Não sei se ainda se mudam para aqui de armas, bagagens e criadagem, mas sei que em São Martinho Agosto não muda, apesar da passagem dos anos. De manhã desce-se à baía, o final da tarde é passado numa das esplanadas da marginal a beber um fino, depois de jantar desce-se a ladeira até à Rua dos Cafés e quando a fome aperta vai de crise (salsicha, ovo estrelado e batatas fritas).
Dito assim até parece que é um sítio desagradável, mas não é! Não foi à toa que as antigas famílias abastadas de Lisboa construíram aqui os seus palacetes de Verão. Além disso, a par destes palacetes e da baía, a imutabilidade dá-lhe um certo charme. Adoro São Martinho! Até gosto dos dias de Verão enublados e de ouvir os miúdos de quatro anos a tratarem-se por você. E gosto também dos rituais que fomos criando com o passar dos anos.
Não podemos ir a São Martinho sem parar na Casa do Pão de Ló de Alfeizerão.  Mesmo antes da entrada da A8 é a paragem ideal para um café ou um lanche antes de regressarmos a Aveiro. Se formos com os meus pais sei que quando acordar vão estar à nossa espera pães de leite fresquinhos, trazidos do mercado pelo meu pai. E, por falar em mercado, havendo tempo aproveitamos para ir à Praça da Fruta (Caldas da Rainha) para nos abastecermos de fruta e legumes.
Também é certo que vamos à Pastelaria Concha, uma pequena maravilha em bolos perto da igreja matriz. Aqui reina quase sempre a confusão (tens de tirar senha para seres atendido), principalmente ao domingo, antes e depois da hora da missa ou ao fim da tarde quando chega a hora de muitos regressarem a casa. Com ou sem confusão esta é uma paragem obrigatória para comer uma trança e trazer argolas (podes precisar de encomendar), miniaturas de palmiers, bolachas e areias para acompanhar um chá. Igualmente imperdível é o russo, a torta de chocolate e os palmiers recheados com creme de manteiga fresca, iguaizinhos aos que comia no ciclo e que me levam numa verdadeira viagem ao passado! Difícil é escolher o que comer...
Se procuras descanso e boa gastronomia São Martinho do Porto é um excelente destino de férias ou de fim-de-semana, mas se andas atrás de água e tempo quentes, então o microclima de São Martinho não é para ti, já que é aqui que o Inverno vem passar férias, com ou sem criados.

domingo, 31 de julho de 2011

Aldeia da Mata Pequena

Estávamos a precisar de passar uns dias num sítio onde pudéssemos não fazer nada e onde o tempo parasse... Encontrámos esse lugar na Aldeia da Mata Pequena, uma aldeia à moda de antigamente, onde o tempo andou para trás. Nestes dias só chegámos perto do fogão para fazer chá ou café e a nossa única preocupação foi garantir que os gatos que por ali andavam não entravam em casa ou levavam a comida…
Quem nos “contou” sobre esta aldeia perdida em Mafra foi a Evasões de Junho de 2011. Antes de te fazeres ao caminho confirma que tens tudo o que precisas para a estadia, pois assim que te tiveres instalado vais ter pouca vontade de sair! Para lá chegares o melhor é ignorares as novas tecnologias e apontares as indicações que vêm no site da aldeia. É preferível seguires indicações como “a seguir a um moinho vire à direita” do que colocar as coordenadas no GPS que te vai mandar para caminhos de cabras e de terra batida.
À chegada fomos recebidos pelo Diogo que nos falou da recuperação da aldeia e nos “abriu” a porta para a Casa do Feno. Mal atravessámos a porta de madeira ficámos apaixonados! A casa era simplesmente deliciosa e estava cheia de pormenores à espera de serem descobertos. Ali tínhamos tudo o que necessitávamos para uns dias desligados do Mundo e sem hora marcada para nada, nem sequer para o pequeno-almoço.
O primeiro dia amanheceu ligeiramente encoberto, mas isso não nos preocupou. Ainda em pijama tomámos o pequeno-almoço na varanda da casa e deliciámo-nos com o pão saloio, pendurado todos os dias na porta dentro de um saco de pano. Depois disso deixámo-nos estar na antiga eira a ler.
A aldeia disponibiliza muitas actividades, mas não aderimos a nenhuma delas. Não existiu vontade para nada, excepto para desfrutar da vista e ouvir o silêncio, apenas interrompido pelo cantar das carriças ou o zurrar dos burros. Houve um dia que iamos perdendo a cabeça e que quase cozinhámos. Levantámo-nos das espreguiçadeiras para ir fazer uma bruschetta de tomate cereja, só que o pão era tão saboroso que à medida que o fomos cortando em fatias também o fomos comendo…
No meio da nossa inércia conseguimos encontrar forças para fazer um pequeníssimo passeio pela aldeia e petiscar qualquer coisa na Tasca do Gil. A tasca fica logo no inicio da aldeia e pode ser um excelente aliado para quem não quer cozinhar. Também têm serviço de take way, para os que levam a preguiça mesmo a sério e cestos de piquenique.
Após estes dias perfeitos foi difícil vir embora. A tarefa de arrumar as malas que vieram com roupa que não chegou a ver a luz do dia e tirar do frigorífico os ingredientes que nunca viram o tacho foi quase penosa... Ficámos completamente enamorados e pretendemos voltar um dia a esta aldeia que não é nossa, mas nos faz sentir em casa!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ourense

No fim-de-semana fomos passear até Ourense. Por coincidência calhou irmos num fim-de-semana cheio de festas. Nas ruas e praças da zona histórica da cidade tínhamos o VII Mercado Medieval, incluído nas Festas Ourense 2011. Na vila de Allariz, a cerca de 20 km de Ourense, decorria a Festa do Boi. A única coisa que não ajudou a nenhuma das festas foi o calor que se fazia sentir naquele vale da Galiza e que só deu para suportar graças aos banhos nas termas.
Desde que foi para Ourense de Erasmus a minha irmã J. não falava doutra coisa se não das termas e nós estávamos um bocado curiosos. Quando de manhã saímos a correr de casa para apanhar o comboio turístico (0,78€ bilhete de ida, mais ou menos 40 minutos de viagem) nunca sonhavamos que íamos encontrar um pequeno paraíso. O ambiente das termas é muito zen, não só por causa das suas águas mas também por toda a envolvente verde. Os pequenos jardins que temos de percorrer até chegar às "piscinas" de água quente ou fria, as árvores que fornecem sombra em dias de calor e o rio Minho que corre aos nossos pés são os ingredientes perfeitos para atingir um estado de puro relaxe. Infelizmente naquele dia não tinhamos muito tempo para os banhos, mas ainda assim deu para nos refrescar naquelas águas fantásticas e no espaço público muito bem cuidado.
De volta à cidade e ao calor recuámos no tempo numa das barracas do Mercado Medieval. O cheirinho que vinha do grelhador era inebriante e os contrastes de cor entre os tons castanhos e o verde vivo dos pimentos padrão também eram muito chamativos.
Aproveitando a sombra debaixo das arcadas  comemos uns ossos que estavam muito bons, mais umas salsichas frescas, tudo acompanhado de batatas fritas. Depois de almoço eramos para ir ver as tendas de artesanato, mas esquecemo-nos que aqui nesta parte do mundo existe uma coisa chamada sesta e por isso não havia nada aberto. Como em Roma sê romano, a seguir a um gelado fomos para casa dormir uma sesta e devido ao calor (40ºC à sombra) cancelámos os planos da tarde de ir ver as corridas de bois.
À noite e ainda com 35ºC na rua fomos até Allariz, para jantar na Festa do Boi, uma celebração já antiga, que foi recuperada no ano de 1983, onde se vê muita gente a cair de bêbeda. Tirando isso o ambiente da festa é alegre e a pequena vila é muito bonita, toda em pedra e de ruas estreitas. Fomos à procura de um sítio para comer, mas não estava fácil... As bodegas estavam todas a abarrotar e decidimos ir procurar um sítio no meio da feira, o que se revelou uma má opção, já que para esses lados a comida não era grande coisa, sendo que a carne estava basicamente crua. Mas nem tudo era mau, num evento que dá pelo nome de Festa do Boi o melhor que se conseguia comer era polvo cozido.
Os pratos de polvo que viamos passar tinham um aspecto delicioso e como tinhamos ficado desconsolados com a carne fui para a fila do pulpo.  Apesar da longa fila, a espera valeu a pena e consolámo-nos com a iguaria simples de polvo cozido, apenas temperado com sal, piri-piri e azeite. Quem também se ía consolar por lá era a ASAE, visto que as condições de higiene e de conservação dos alimentos eram inexistentes. A carne estava guardada em várias geleiras, a levar com o calor dos grelhadores. O polvo era cozido numa panela gigantesca no meio dos caminhos de passagem (aos Domingos é possível ver destas panelas nas ruas de Ourense) e a senhora que estava a cortar o polvo, que saía directamente da panela por baixo da tábua de cortar, era a mesma que recebia o dinheiro e nos dava o troco, tudo isto sem lavar as mãos uma única vez!
Para terminar o fim-de-semana em beleza voltámos às termas, mas desta vez para passar lá o dia todo. Primeiro banhos, depois sandocha de atum à sombra das árvores, seguida de sesta, mais banhos nas piscinas, leitura à sombra e contemplação do espaço. Por outras palavras, não fizemos nada, foi só descansar e ganhar forças para o regresso a casa e para mais uma semana de trabalho... 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lisboa

Lembram-se do post das pipocas e da importância de conseguirmos desligar duma semana de trabalho? Pois bem este fim-de-semana rumámos até Lisboa. Fomos ter com o F. e o Z. e foram dois dias de puro relax e sem horas para nada.
Demos início a uma manhã de sobe e desce pelo centro de Lisboa no Quiosque de Refresco do Largo de Camões (todos os dias, das 7h30 à 1h00), onde parámos para um café e um delicioso queque de baunilha. Já há muito tempo que eu queria ir conhecer os antigos quiosques e antes de partir para a capital tinha planeado ir até ao Quiosque do Príncipe Real, mas vai que o do Largo de Camões se atravessou primeiro no nosso caminho e uma paragem na sua esplanada cheia de vida pareceu-nos uma boa maneira de começar o nosso passeio. Este é um sítio onde se vendem refrescos e sabores tradicionais portugueses e onde se pode descontrair de dia ou de noite, sem corantes nem conservantes. No Domingo, antes de regressarmos para Aveiro, voltámos lá para comprar uma garrafa de xarope de groselha e dois queques para a viagem, trazendo connosco um pouco dos sabores da nossa infância e um cheirinho das horas de dolce far niente.
De queque no bucho arrancámos para o Príncipe Real para irmos espreitar o Mercado Biológico, que funciona todos os Sábados de manhã no Jardim do Princípe Real (das 8h00 às 14h00), deambularmos pelas suas ruas e apreciarmos as vistas sobre Lisboa. Numa dessas ruas fomos dar com uma gulosa surpresa... a pequena chocolataria Claudio Corallo (Rua Cecílio de Sousa, 85; 2ª a 6ª, das 10h00 às 19h00, Sábado, das 10h00 às 14h00).
O nome não me era estranho e veio-me à memória a foto dum gelado. Estava calor e eu começava a ficar cansada de andar rua acima e rua abaixo, por isso fomos até lá para um gelado de chocolate. Azar dos azares a sorveteira estava avariada e não havia gelado para ninguém. A senhora apresentou-nos como alternativa um chocolate quente. Apesar do calor claro que aceitei a sugestão, o chocolate era maravilhoso, no entanto soube a pouco e com tanto chocolate à vista era pecado ficar apenas por ali. Com a lista de chocolates na mão decidimo-nos por um bocado de chocolate com frutos secos, uns quadradinhos de chocolate com café e uma tira de chocolate com avelãs. É difícil sair desta loja sem perder a cabeça e já de saquinha na mão e conta a começar a ser feita não consegui resistir às mini fatias de salame que estavam à minha frente. Por minha vontade assentávamos arraiais na loja, mas tínhamos de seguir caminho e partir para outras paragens. Voltámos até ao Chiado e depois descemos a Rua do Alecrim até ao Cais do Sodré, para darmos uma volta junto ao rio Tejo e pelo Mercado da Ribeira.

Ao descer a rua dois espaços chamaram a minha atenção, um devido à porta vermelha da entrada e à montra com um cesto de pão com um aspecto maravilhoso (Quinoa, padaria biológica, mas também casa de chá e loja gourmet) e outro devido ao mega Galo de Barcelos que tinha na parede. Ao fazermos o regresso ao Chiado, desta vez a subir, lá comecei a choramingar uma pequena pausa para beber uma água e comermos qualquer coisa para enganar o estômago. Entrámos então no Cais do Chiado (Rua do Alecrim, 26M; 2ª a 6ª, das 8h30 à 0h00, Sábado, das 10h00 à 0h00 e Domingo, das 10h00 às 16h00), que conforme ao que fores é cafetaria, mercado biológico e restaurante e aos fins-de-semana tens direito a brunch. O espaço é agradável e podes beber uma água ou comer qualquer coisa enquanto descansas ao som da bossa-nova. O atendimento é simpático mas não me convenceu muito.
Já estávamos sentados quando pedimos um folhado de frango, uma "cestinha" de queijo de cabra (um bocado enjoativa) e uma água e o empregado nos diz que nos podiamos levantar para ir "escolher" a bebida. Ora nós já tinhamos escolhido a bebida, por isso não havia necessidade de nos levantarmos. A meu ver, uma vez o cliente estando sentado e já tendo escolhido o que vai beber, não faz muito sentido ter de se levantar para ir buscar a bebida. Mas enfim, devem ser modernices da capital, aquele género de coisas que quem vem da "santa terrinha" não entende. Apesar disso o lugar merece uma visita pelo ambiente informal ou para ganhares forças antes de chegares ao cimo da rua.
O resto do dia foi passado a não fazer nenhum, na Esplanada/ Miradouro do Adamastor (Rua de Santa Catarina; horário de Verão: todos os dias, das 10h00 às 04h00; horário de Inverno: todos os dias, das 12h00 às 21h00), enquanto comíamos um gelado, bebíamos uns finos, apreciávamos o rio Tejo a correr ao fundo e trocávamos dois dedos de conversa. Este é um sítio descontraído e ideal para recuperar dos dias de trabalho, da rotina do dia-a-dia e recarregar baterias enquanto fazes a fotossíntese em dias de sol.

Por um lado sinto uma inveja tremenda dos lisboetas por poderem usufruir de espaços como aqueles por onde passámos sempre que quiserem, por outro acho que não conseguiríamos viver ao ritmo acelerado a que eles vivem, onde tudo é a correr, sempre cheios de pressa (até mesmo ao fim-de-semana) e a buzinar por tudo e por nada...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Inverno em Veneza

Sou uma apaixonada por Itália e desde a lua-de-mel que a vontade de voltar a Veneza era muita. Desejava percorrer as suas ruas estreitas e que não se sabe bem onde vão dar, descansar nas numerosas praças, espreitar os pátios e observar os estendais virados para os canais nas zonas menos turísticas. E ansiava sobretudo pelo cair da noite, quando as ruas ficam desertas e Veneza é só nossa.
O regresso foi feito com a minha irmã J. para ela ir visitar a sua amiga I. (obrigada pela companhia e pela estadia) e porem a conversa em dia. Partimos do Porto com pouco mais do que uma mochila e a máquina fotográfica. Além das fotografias trouxemos connosco o cansaço de uma visita relâmpago e a promessa, feita numa Piazza San Marco vazia, de um dia voltar com mais tempo. Quando isso acontecer quero andar sem pressas no Mercado do Rialto, perder-me por um dia na zona leste do sestiere de Dorsoduro e quem sabe andar de gôndola...
Para a minha irmã viajar significa lojas e recuerdos, mas para mim significa passear tranquilamente pelas ruas, parar numa esplanada para uma bebida, passear pelas praças, descansar num jardim, andar pelos mercados e comer gelados. E nenhum sítio é melhor para isso do que Itália, pena termos descoberto que em Veneza a maioria das gelatarias artesanais está fechada entre o dia de Reis e o Carnaval. Foi este facto que nos levou ao Dorsoduro, um dos lugares mais genuínos de Veneza.
Depois duma refeição desastrosa num restaurante gerido por chineses, mas disfarçado de trattoria tradicional, tudo o que eu queria era um bom gelado. Estávamos no sestiere de Santa Croce e a gelataria Alaska ficava perto, só que quando lá chegámos estava fechada. Após uma consulta rápida ao guia que levávamos e que tinha algumas indicações tiradas da internet, apanhámos um vaporetto para Záttere para irmos à gelataria Nico. Porém, ao vermos os toldos azuis da gelataria reparámos que esta também estava encerrada. Na parede tinha um papel que informava que abririam na segunda-feira seguinte, se tivessem vontade (voglia). A coisa não estava a correr bem e eu continuava sem gelado. 
O povo diz que "Deus dá com uma mão e tira com a outra", no entanto a nós aconteceu exactamente o contrário. Tirou-nos a Alaska e a Nico mas deu-nos o que mais nos marcou pela positiva nesta viagem, o Squero di S. Trovaso, local onde são recuperadas as gôndolas e, virando à direita para a Fodamenta Nani, a gelataria Lo Squero. A gelataria não nos conquistou logo e ainda tivemos vai não vai para não entrar, mas como eu precisava mesmo dum gelado decidimos entrar. E ainda bem que o fizemos. Os gelados eram muito bons e descobrimos que a gelataria é frequentada pela Angelina Jolie nas suas idas à cidade. Os sabores variam conforme a época e são confeccionados de forma artesanal. É verdade que a loja não tem lá grande aspecto, mas quem vê caras não vê sabores, e eu deliciei-me com uma bola de pêra e outra de avelâ.
Quando cumprirmos a promessa feita numa noite fria e voltarmos a este bocado de Itália quero visitar a Galeria dell'Accademia, onde é possível apreciar a pintura veneziana do séc. XIV ao séc. XVIII, o Palazzo Venier dei Leoni, que alberga a colecção de arte moderna de Peggy Guggenheim e, na foz do Grande Canal, a Chiesa di Santa Maria della Salute, obra-prima da arquitectura dedicada à S. Maria della Salute depois desta ter libertado os venezianos da peste de 1630. A seguir à visita a estas três pérolas do Dorsoduro faço tençao de contornar a Punta  D. Dogma, onde se encontram os armazéns da outrora alfândega marítima, e iniciar uma longa caminhada pela Fondamenta Záttere que me vai levar de novo ao cantinho mais pitoresco de Veneza, o Squero di S. Trovaso e à gelataria Lo Squero para saborear um gelado enquanto descanso num dos mais belos jardins da Sereníssima, por trás da Chiesa di San Trovaso.
Até que esse dia chegue vou continuando a sonhar com mais um Inverno em Veneza...

domingo, 19 de abril de 2009

Lua-de-mel em Itália

Já lá vão dois meses desde a nossa maravilhosa lua-de-mel por terras italianas e é com saudades que recordamos esses dias cansativos, mas felizes! Aqui ficam as nossas sugestões...

Roma
Pizzeria Bella Napoli 2, Viale Giulio Cesare 120 (na zona do Vaticano)
Típico restaurante italiano. Boas saladas, boas pizzas e muita simpatia. Só é pena também ser um bocadinho barulhento, mas se assim não fosse, também não seria verdadeiramente italiano. Depois de pagarmos 20€ pelo almoço estávamos prontos para voltar para o Vaticano e ir visitar a Basílica de São Pedro.
La Familia, Via Gaeta 66 (perto da estação de Termini)
Depois dum último gelado na cidade de Roma, junto à Piazza di Spagna, foi também tempo da última refeição. Eu comi o melhor spaghetti alla vongole da minha vida e só foi pena não ter pãozinho português para molhar. A massa era fresca e além das ameijoas também tinha mexilhões. O Miguel deliciou-se com uma porchetta, carne de porco assado com batatinhas assadas, e terminou a refeição com um montblanc, uma espécie de natas do céu mas com chocolate. A refeição foi maravilhosa e no total pagámos 32€, o que para um jantar em Itália não é mesmo nada mau.

Milão
Pierrot, Via Giuseppe Ripamonti, 21 (na zona da Porta Romana)
Fomos duas vezes a este pequeno restaurante. Démos com ele enquanto andávamos às voltas à procura dum sítio perto do hotel onde pudessemos ter um jantar calmo e reconfortante, para compensar do fim de dia atribulado. Na segunda vez, fomos lá para experimentar a pizza de 4 queijos, depois de termos passado a manhã a vaguear por um mercado de rua, situado mesmo em frente ao hotel, que tinha de tudo: legumes, carne, peixe, marisco e até mesmo novelos de lã... Temos pena de não ter fotos deste mercado magnifico e muito bem frequentado por senhoras já de certa idade, que passeavam os seus animais de estimação, leia-se, "lulus" e casacos de peles!lol
Tre Gazelle, Corso Vitorio Emanuele II (por trás do Duomo)
É "a" gelataria em Milão! Quando entrámos nesta gelataria ficámos um bocado desorientados com a quantidade de sabores, mas logo nos decidimos por sabores clássicos como fragola (morango) e nocciola (avelã). Depois duma visita ao Duomo, nada sabe melhor do que descansar no seu interior enquanto saboreamos um delicioso gelado artesanal e apreciamos a sua decoração. Pagámos 12€ pelos gelados.

Verona
Esta foi a única cidade onde só estivemos um dia e onde também não comemos fora. Ficámos em casa do A., um amigo da minha tia que vive em Itália, a quem estamos muito agradecidos por nos ter mostrado a cidade de uma ponta à outra e pelo trabalho que teve a fazer o jantar. Passámos uma excelente noite na sua companhia e a comida caseira soube-nos às mil maravilhas. Maravilhoso foi também o gelado que comemos vindo duma gelataria perto da Arena.

Veneza
Muro, Pizza & Cucina, Campiello dello Spezier, Santa Croce (perto da igreja Santa Maria Mater Domini)
Quando vimos esta pizzaria, vindos da Praça de São Marcos, foi amor à primeira vista e decidimos que era ali que íamos jantar na 2a feira de Carnaval! Esta pizzaria cosmopolita só tem um problema, mesmo com o nome da rua e mesmo já tendo passado no sítio, não é nada fácil dar com ela. Mas isto não é culpa da pizzaria, mas sim uma característica de Veneza. Por isso o nosso conselho é que quando virem um sítio que gostem, não esperem para ir lá noutro dia, pois correm o risco de não conseguir dar com ele... Para não variar muito, comemos pizza e terminámos a refeição com uma magnífica tábua de queijos com compotas. A nível de preços este foi o sítio mais puxado onde fomos, pagámos 50€.

Florença
Andrea Bianchini, La Bottega del Cioccolato Firenze, Via de Macci 50 (para os lados de Santa Croce)
Tenho de admitir que se não fosse a determinação do Miguel para encontrar uma loja de pesca em Itália, nunca teríamos dado com esta chocolataria. Também é verdade que à conta desta sua vontade andámos uma tarde inteira para trás e para a frente em Veneza, a tentar descobrir uma loja que ninguém conhecia e para chegar ao endereço e a loja ter fechado, tempos antes, para todo o sempre. Mas voltando à chocolataria. A loja é pequenina e elegante, podendo passar despercebida aos olhares menos atentos e o seu chocolateiro, Andrea Bianchini, ganhou variadíssimos prémios e é considerado um dos melhores chocolateiros de Itália. E os chocolates? Bem, são suaves, delicados e o seu sabor dura horas, sendo que o difícil é mesmo escolher por onde começar a provar. Eu experimentei o bombom de violeta e limão e o Miguel provou um de rum e ficámos apaixonados. 65€ depois voltámos para o hotel, felizes e contentes da nossa vida, com duas sacas cheias de chocolate, para mais tarde saborear e ofertar. A melhor opção é trazeres as caixinhas sortidas, com vários tamanhos à escolha e não podes perder as tabletes, sendo que a de chocolate de leite e flor de sal é qualquer coisa do outro mundo! O chocolate desfaz-se lentamente na boca e de vez em quando és surpreendido pelas pedras de flor de sal, que contrastam com a doçura do chocolate... Humm...que saudades!