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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Beringela

No regresso às aulas, uma caixa nova de lápis de cor fazia-me acreditar num mundo melhor. Ficava seduzida pelos bicos de carvão perfeitamente alinhados e sentia-me encantada com as cores contidas num pequeno rectângulo de lata. Muitas vezes via nos lápis de carvão um beijo suave da Mãe Natureza, que derramava dos seus lábios as suas cores vibrantes.

Claro que havia cores mais interessantes do que outras e algumas atraiam o meu olhar como um íman... O beringela sempre foi uma dessas cores! Só tenho pena do sabor da beringela não ter o mesmo magnetismo que a sua cor.

Todos os anos, enquanto os mais novos começam a pensar no regresso à escola, eu penso como é que vou fazer as beringelas que a C. me vai trazer e interrogo-me se esse será o ano em que vou aprender a gostar delas. Já experimentei recheada, salteada e em patê. Ontem foi a vez de as grelhar e misturar, em pequenos pedaços caramelizados, num risotto de cogumelos.

Mantive a esperança até à última garfada, mas no final fiquei triste por ainda não ter sido desta que o sabor e textura da beringela me conquistaram. Talvez para o ano seja diferente, quem sabe...

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Eira e o Loureiro

Após uma pausa para nos dedicarmos a outros afazeres, retomámos os trabalhos no quintal. À nossa espera tínhamos a eira, com muita terra para ser retirada. A enxada, a pá e o carrinho-de-mão foram ferramentas indispensáveis, mas não sei o que teria sido de nós sem a "ajuda" do Lasko - o novo cão dos meus pais. Aquilo é que é um animal que gosta de trabalhar... pouco! Para ele o trabalho no campo é andar aos saltos ao nosso lado, encher-nos de terra, correr no meio das galinhas e descansar, muito, do esforço despendido no quintal.
Mesmo com o Lasko a empatar o trabalho, no final da manhã a eira já começava a dar o ar da sua graça. A maioria da terra já tinha sido espalhada pelo quintal e estava na hora de pensarmos no almoço. Era preciso decidir se mandávamos vir comida ou se nos dávamos ao trabalho de cozinhar alguma coisa. Estávamos nesta indecisão quando a minha irmã se lembrou, e bem, que podíamos aproveitar os paus de loureiro que tinham sido cortados para fazermos umas espetadas.
Assim que as minhas irmãs saíram para comprar a carne, o Miguel libertou o Bear Grylls que há dentro dele. Depois de varrer a eira, improvisou uma churrasqueira com uns blocos de granito e para as brasas utilizou uns paus que estavam de lado para a lareira. Num piscar de olhos o lume estava acesso e os lombos no espeto. Enquanto a carne grelhava restava-nos esperar e ir pensando em aprender alguma coisa com as capacidades de "sobrevivência" do Miguel. Improvisar um almoço no quintal não é um feito digno do Guinness, mas é bom saber que com ele por perto vou estar sempre safa. Aqui que ninguém nos ouve, em parte foi por isso que me casei com ele! Admiro muito a maneira como ele olha para coisas perfeitamente banais e as transforma naquilo que lhe convêm ou como está atento à natureza, aproveitando aquilo que ela lhe dá...
Conheci esta sua faceta bem cedo, ainda antes de namorarmos, quando  o vi a apanhar uma truta, dentro de um pequeno tanque, com uma rede de pingue-pongue. Quem assistiu ficou impressionado com a sua habilidade para a pesca e nesse dia eu fiquei a saber que com ele o almoço é sempre garantido, mesmo que estejamos no meio do nada. Desta vez estávamos bem perto de casa, por isso era mais fácil pôr comida no prato. O almoço na eira estava impecável e é para repetir mais vezes, até porque ainda temos muito trabalho para fazer no quintal.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dia Nacional do Mar

Sou filha de embarcado, sou neta e bisneta de homens do mar. Por causa desta ligação familiar, e pela sua proximidade, tenho desde criança uma paixão muito grande pelo mar. Mesmo que por causa dele, em muitas viagens que duravam meses, o único contacto que tinha com o meu pai era através de cartas ou postais que atravessavam o oceano.
No dia em que regressava a terra costumávamos ir com a minha mãe para os Pilotos da Barra esperar por ele. Eu aguardava sempre a sua chegada com ansiedade. Gostava de ir a correr abrir o saco dele para sentir o cheiro a mar, misturado com o cheiro a gasóleo, que vinha agarrado às suas roupas. Claro que também esperava encontrar por lá alguma prenda.
Pensando que podia continuar a tradição familiar, mas numa vertente diferente, no secundário escolhi a área de "Produção Aquática", onde aprendi a conhecer as potencialidades do mar, a necessidade de protegermos os seus recursos e a fazer redes.  Com este conhecimento vieram as primeiras discussões lá em casa sobre a exploração excessiva dos recursos marinhos, a legislação que vinha da CEE e a falta de uma política de pesca sustentável. 

Recordo estes tempos porque hoje comemora-se o Dia Nacional do Mar e discute-se sobre como criar valor com os oceanos e sobre a economia do mar. Agora que o meu pai é recém reformado já não falamos tanto acerca do futuro dos oceanos, mas é impressionante como tantos anos depois a questão da sustentabilidade do pescado ainda continua tão presente.

Enquanto consumidores não devemos ficar à espera que o poder político encontre soluções, temos sim de escolher o peixe certo para o nosso prato. Com o gráfico "Which fish are okay to eat?", no site InformationIsBeautiful, ou numa versão mais portuguesa Que peixe comer?, podemos descobrir que peixes podemos incluir nas nossas refeições do dia-a-dia, contribuindo para que outros pais continuem a sair para o mar e a regressar com peixe nas suas redes.

domingo, 23 de outubro de 2011

O Quintal e as Silvas

Era uma vez um quintal cultivado pelo meu avô e que era abundante em frutas e legumes saborosos. Após a sua morte esse quintal começou a ser engolido pelas silvas e pelas ervas daninhas. Debaixo do matagal estão guardadas muitas memórias e brincadeiras, entre elas os lanches com figos, tomados na eira sob o olhar atento do nosso avô. Podiamos brincar mas não podiamos estragar...
Recordando com saudade o tempo em que o quintal se parecia com um jardim, decidimos despertá-lo do seu sono profundo para o voltar a cultivar e para que a geração que vem a caminho o encha de novas memórias e brincadeiras...
Foi uma primeira manhã de muito trabalho dividido por toda a família. Limpar o chão, arrancar silvas, cortar árvores secas e fazer montes de lenha para o Inverno. Hoje as dores no corpo são muitas, tal como a alegria de fazer algo de novo. O único que percebe alguma coisa do assunto é o Miguel, que até sabe o nome das alfaias, mas este é um esforço conjunto de ver nascer vida na nossa terra. Para a semana espera-nos mais uma manhã de muito trabalho...

sábado, 15 de maio de 2010

Naturaleza Viva

O Mercado Velho convidou o Chef Aranda Sanchez para um menu de degustação com produtos da Primavera e nós fomos até lá ver o que é que se ía passar...

Horta e Cultura - mini ensalada en plantel - veio com uma excelente apresentação e a azeitona desidratada dava-lhe um toque especial.

Vieiras en Crema de su Coral e Espuma de Agriões - a entrada não obteve consenso. Houve quem tivesse gostado muito, mas também quem não tenha achado nada por aí além, sendo que eu e o Miguel pertencemos ao último grupo. Achámos que se tivesse vindo quente talvez o sabor fosse diferente. Aliás, os pratos frios foram uma constante neste menu.

Sardinas a Tres Tiempos - tempura, marinada, escabeche - A ideia da sardinha confeccionada de três formas diferentes é original, mas sardinha crua não é mesmo comigo, apesar do Miguel ter adorado. Alguém devia ter avisado o chef que esta não é a melhor altura para a sardinha, já que a sardinha usada era muito seca. Este pormenor notou-se especialmente na sardinha de escabeche.

Shot de Pirolito Petazeta e Cereza - MARAVILHOSO!!! Desde o sabor à sensação das petazetas a "borbulhar" no interior da boca. Apesar de não ter sido servido no final do menu, este foi para todos a cereja no topo da refeição.

Al Mar e a la Montaña - pollo de corral y gambas selvages - este prato foi meio salvo pelo molho e pelas gambas, porque o frango do campo estava lá a destoar. O frango era rijo e dava um péssimo aspecto ao prato, o que num menu destes não pode acontecer, já que os olhos comem mais do que o estômago...

Jardin Atlântico - helados (eucalipto e piña), suspiros, flores e algas - bem, não sei muito bem o que dizer da sobremesa... Estávamos todos à espera dos suspiros, brancos e estaladiços, mas afinal os suspiros eram mesmo nossos. A ideia é boa e até tem graça, mas ficámos com água na boca e a suspirar pelos suspiros. Gostava de ter algumas palavras simpáticas para dar ao gelado de eucalipto, no entanto não me ocorre nada de agradável para dizer sobre ele. O sabor era muito muito estranho e misturado com o gelado de ananás ainda ficava pior.

E para terminar falta falar do Café e Mignardizes, que não passavam de umas bolachas duras de roer, mas que deram para entreter o estômago.

No geral o jantar correu bem, mas demoraram muito tempo entre cada prato. Como disse a M., e tendo em conta que era um menu de degustação, parecia um casamento mas sem a comida.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Aniversário

Hoje o Três Galos na Cozinha faz dois aninhos. O nosso bebé está crescido...

A ideia para o blog surgiu enquanto víamos uma emissão continua da série "24 horas" e tudo por causa do bolo de iogurte que aparece no nosso primeiro post. Na altura eu estava desempregada e de vez em quando dava-me para fazer bolos e esse tinha saído com um aspecto tão apetitoso que me apeteceu fotografá-lo. Depois fiquei a olhar para a foto a pensar "O que raio é que vou fazer com isto?" Foi quando nos lembrámos do blog. Só nos faltava escolher um nome.

O nome tem uma explicação muito simples. Quando morava com os meus pais descobri um gosto escondido pela cozinha, gosto esse que trouxe comigo quando vim para o apartamento. Entretanto veio o Miguel e cada vez que eu estava a cozinhar ele tinha de mandar sempre o seu palpite. Na brincadeira lá lhe dizia que a cozinha só tinha lugar para um galo. É que temos maneiras muito distintas de cozinhar, ele cresceu a cozinhar com a mãe os pratos tradicionais portugueses e eu comecei a cozinhar seguindo uma receita, já que a minha mãe não é lá muito dada a cozinhados. (Desculpa mãezinha, é a mais pura verdade. Mas fazes uns bifes fritos e um salame de chocolate como ninguém!) A culpa não é dela e sim do meu pai, que só come bifes com batatas fritas, arroz e ovo estrelado.

E o terceiro galo? Esse é o Galo de Barcelos que partilha connosco a cozinha, bem lá no alto do seu poleiro para ver se finalmente havia ordem no "capoeiro". Com o tempo lá aprendemos a partilhar a cozinha e dessa aprendizagem nasce o blog.

domingo, 15 de novembro de 2009

Jantares Desastre

Quando iniciamos este blog o nosso objectivo era colocar aqui todas as receitas que nos gostamos, por isso todas as experiências que correm mal não vem aqui parar. Isto não quer dizer que de vez em quando não aconteçam uns desastres na cozinha. Hoje ao ler um capítulo do livro "Julie&Julia" onde ela descreve dois jantares que não correram como planeado, não conseguia deixar de pensar em dois jantares onde nos aconteceu mais ou menos o mesmo.

O primeiro já foi há uns anos e o objectivo era fazer uma torta de ervas aromátias, sendo esta a minha primeira aventura no mundo da comida vegetariana. 15 minutos antes da minha famelga chegar para o petisco concluímos que a tarte estava uma valente "porcaria" e que a pasta de ervas estava era boa para ir para o lixo. Era hora de improvisar e de ver o que havia no congelador... Por sorte ainda tinhamos uma saca das famosas ameijoas do meu pai e ninguém se lembrou que tinham sido convidados para um prato vegetariano. Aliás, acho que bem lá no fundo alguns elementos da família devem ter agradecido o fracasso da torta.

O segundo foi uma experiência mais recente. No meu aniversário fui presenteada com um cabaz gourmet. Do cabaz constava pasta de tinta de choco, pasta de algas, molho mexicano, vinagreta de trufas e uma casca de ouriço. Combinei logo com a E. e o C. que ia procurar receitas para a pasta de tinta de choco e que depois combinava um jantar para experimentarmos. Fiz algumas pesquisas na internet e também nos meus livros de receita e acabei por me decidir pela receita que tinha num livro de massas italianas, já que são eles os especialistas no que a massas diz respeito. Mais tarde a escolha veio a revelar-se nada feliz!

No dia marcado desafiei o B. e a M. para jantarem connosco, na condição de levarem um pacote de pasta de tinta de choco. Eles aceitaram o desafio e lá foram comprar a massa enquanto eu fui começar a fazer o jantar. Comecei por fazer um caldo com água, limão, malagueta, cebola, alho e azeite, que ia ser usado para cozer os vários mariscos e no fim era aproveitado para cozer a massa. Aparentemente tudo corria bem e já todos nos íamos deliciando com uns mini-hamburgueres com molho mexicano, quando chegou a altura de por a massa a cozer. Na versão italiana indicavam que eram precisos 3 minutos para a cozedura, já na versão traduzida eram necessários 6... Optámos por ir experimentando e quando achássemos que estava boa escorriamos e misturávamos com os frutos do mar, só que distrai-me com a conversa e a massa acabou por ficar para lá de cozida, já para não falar na quantidade (parecia que ia ter um batalhão em casa para jantar). Primeira garfada à boca e desilusão total! Os frutos não tinham nenhum molho e por isso os sabores não se misturaram, tendo ficado desenxabido. O que nos valeu foram os mini-hamburgueres e a companhia, que foram a salvação do jantar. Ficou a promessa de uma nova tentativa...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

De onde vem o que comemos?

O nosso post de hoje é bastante diferente do habitual, mas não podiamos deixar de o colocar, até porque tem a ver com comida.

Eu já tinha guardado este selo há uns tempos porque achei que estava engraçado, mas acho que só ontem percebi o seu verdadeiro significado...

Estava eu muito bem a "pastar" no sofá enquanto fazia um zapping quando vejo na RTP2 pintainhos em tapetes numa "linha de produção" como se fossem parafusos. Fiquei logo chocada e mais ainda quando vi os pintainhos a serem atirados, como se fossem bolas de ténis, para uma caixa, daquelas de plástico donde normalmente escolhemos a fruta no hipermercado. Os pintainhos não eram os únicos protagonistas do documentário. As vacas, os porcos, as couves, os pimentos e outros produtos também tiveram o seu tempo de antena. Aliás houve uma parte em que mostraram imagens de um matadouro e de uma senhora cuja a única função era estar sentada com uma tesoura na mão para cortar as patas aos porcos. O documentário chama-se "O Nosso Ganha Pão" e vai voltar a passar na RTP2 no dia 1 de Agosto às 12h30. Se se lembrarem vejam-no. O documentário é muito parado, ao estilo de um filme de Manoel de Oliveira, mas alerta para uma questão: De onde vem o que comemos?

Uma coisa vos digo... acho que esta semana não vou conseguir comer carne. Muito menos frango!