domingo, 4 de julho de 2010

Gambozinos, Reserva 2005

Visto que a comida e vinho estão intimamente ligados, hoje iniciamos uma nova rubrica, onde pretendo partilhar o que penso sobre os nectares portugueses que se vão abrindo aqui em casa. Como a Sara não "pesca" nada de vinhos estas são as minhas palavras de estreia no blog.

A garrafa de Gambozinos foi-nos oferecida pela família C.S. no Natal de 2009 e repousava calmamente na nossa garrafeira, à espera da refeição certa. E a verdade é que acompanhou na perfeição o risotto de abóbora e frango com romã.

Este é um vinho encorpado, de sabor prolongado que vai bem com pratos de carne ou então como aperitivo a acompanhar queijos fortes e condimentados.

Produzido em: Rio Torto
Região: Douro
Tipo: Tinto
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca

sábado, 26 de junho de 2010

Peixe ao Sal

Qualquer peixe pode ser assado inteiro no sal, mas é preciso arranjá-lo primeiro. Também tens de ter cuidado para não deixar o sal em contacto com nenhuma parte interior do peixe, se não corres o risco do peixe ficar demasiado salgado, como nos aconteceu no outro dia. O Miguel fez para o jantar um robalo assado no sal, mas não sei o que é que lhe passou pela cabeça ao fazer uns cortes no lombo do peixe... Resultado: robalo hiper mega salgado, quase que nem dava para comer. Como não chegámos a nenhum concenso sobre a melhor maneira de conseguir uma boa crosta de sal pedimos ajuda ao Jamie Oliver (em Itália), que nos sugeriu uma crosta perfumada.

Para 4 a 6 pessoas
- 2 kg de peixe, limpo e amanhado
- ervas aromáticas (usámos salsa e aneto)
- 2 limões, 1 às rodelas e a raspa do outro
- 3 kg de sal grosso
- raspa de 1 laranja
- 1 ovo batido
- azeite

1. Pré-aquece o forno a 220ºC.

2. Recheia a cavidade com a mistura de ervas aromáticas e rodelas de limão.

3. Mistura o sal com a raspa de limão e de laranja e o ovo. Deita uns pingos de água e amassa bem a mistura, até parecer areia molhada.

4. Faz uma camada de 1 cm com o sal num tabuleiro de ir ao forno. Pincela a pele do peixe com azeite e põe por cima da cama de sal. Põe o resto do sal por cima, carregando com as mãos para apertar bem. Não é preciso tapares a cabeça e a cauda. Assa o peixe no forno durante 20 a 40 minutos.

5. Serve à mesa, partindo a crosta de sal em frente dos teus convidados, e acompanha com salada.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Lulas com Batata Doce

Ultimamente o tempo para cozinhar não tem sido muito e confesso que temos comido poucas vezes em casa. Comer fora pode ser muito prático mas ao fim de uns dias farta e não há nada como a comida caseira, nem que para isso seja preciso almoçar às quatro da tarde...

Se os ingredientes estiverem prontos de véspera, este prato é muito rápido de preparar e um excelente petisco.

Para 2 pessoas

- 200 g batata doce, cortada às rodelas

- 400 g de lulas, limpas e cortadas em tiras finas

- sal

- sumo de 1 limão

- azeite

1. Tempera as lulas e os tentáculos com sal e o sumo de limão. Deixa marinar durante 30 minutos. Num wok salteia as lulas em azeite bem quente, até estarem estaladiças.

2. Frita as rodelas de batata doce (com pele) em azeite. Seca-as em papel de cozinha e mantém-as quentes, até as lulas estarem prontas.

3. Dispõe num prato as batatas, depois as lulas e rega com um fio de bom azeite.

Toucinho

A família rumou mais uma vez a Santarém, desta vez para assistir ao Festival de Tunas Femininas e para cantar os parabéns à minha mana mais nova. No Domingo fomos almoçar ao mítico Toucinho, em Almeirim.

Para se almoçar no Toucinho tem que se marcar ou então estar preparado para uma longa espera. Mesmo marcando tem que se chegar a horas ou então perde-se a mesa, já que a clientela é muita. Quando se entra é impossível não perceber que ali se respira festa brava, já que as paredes das salas estão carregadas de artigos alusivos à tourada. O serviço não prima pela simpatia e é um bocado a despachar, mas assim que o pão caseiro e quentinho vem para a mesa já nem pensamos nisso...

A especialidade é a sopa da pedra, que é suficiente como refeição. Para os que acham que só uma sopita não basta, recomendamos as carnes que são saborosas e de qualidade. Desta vez comemos uns lombinhos de porco na vara (pau de loureiro) que estavam muito bem confeccionados. Como tínhamos bolo de aniversário ninguém se aventurou nas sobremesas, mas recomendo que provem a tarte de natas.

A comida é realmente boa e só assim nos conseguimos abstrair do barulho e da confusão que nos rodeia. A relação qualidade/preço é boa, 12€/pessoa, sendo garantido que se sai do n.º 20 da Rua de Timor de barriga cheia, sem espaço para mais nada que não seja um café.

domingo, 23 de maio de 2010

Salame de Chocolate e Frutos Secos

Havia uma coisa que me vinha intrigando há já algum tempo... porque é que a minha mãe tinha deixado de fazer salame? Foi enquanto partia as bolachas para a receita que obtive resposta para a minha pergunta: já não tem as filhas em casa para lhe partir a bolachita Maria! Bem me lembro dos trabalhos forçados a que éramos sujeitas sempre que a senhora nossa mãe se lembrava de fazer salame... Foi nesse momento que conclui que os senhores da bolacha Maria andam distraídos. Será que ainda nenhum se lembrou de fazer uns pacotes de 200 g com bolacha Maria já partida aos bocados? Não deve ser difícil de fazer e ainda podiam aproveitar as bolachas que se partissem no processo de produção. Além disso, todos os filhos das mães "salameiras" deste país iam ficar eternamente gratos pelos pacotitos.

Mas falando do salame... já tinha feito algumas tentativas para alterar a receita da minha mãe, mas todas elas sem sucesso. Umas vezes porque era manteiga a mais, outras porque o chocolate em barra não dava ou então porque as passas davam um aspecto de pastilha elástica. Enfim... lá tive de me render ao chocolate em pó e acho que foi desta que acertei. Mantive as quantidades da minha mãe, substitui um pacote de bolacha Maria por frutos secos(sempre é menos um pacote para partir), juntei-lhe o vinho de Porto e voilá, fez-se o salame de chocolate e frutos secos.

Para 2 salames médios

- 1 pacote de bolacha Maria, partida grosseiramente

- 100 g de avelã palitada

- 100 g de pistachios

- 200 g de açúcar

- 2 ovos

- 150 g de manteiga derretida

- 2 cálices de vinho de Porto

- 200 g de chocolate em pó (ou então mistura de chocolate e cacau em pó)

1. Mistura numa taça a bolacha partida, as avelãs e os pistachios. Reserva.

2. Bate os ovos com o açúcar. Junta a manteiga derretida, o vinho do Porto e o chocolate em pó. Bate até obteres uma mistura homogénea. Junta os secos e envolve bem.

3. Numa folha de papel vegetal estendida coloca o preparado e dá-lhe a forma de um salame. Leva ao frigorífico durante umas horas.

Nota: Podes optar por usar framboesas no salame que fica espectacular! Se o fizeres substitui 100 g de frutos secos por 100 g de framboesas. Neste caso não uses cacau em pó, se não fica muito amargo e adiciona as framboesas só no fim, depois de teres juntado os secos.

sábado, 15 de maio de 2010

Taberna & Mercearia Sebastião

Hoje foi a benção das pastas da minha "Pequenina" e lá foi a famelga toda até Santarém. Quando perguntava à minha irmã onde é que iamos almoçar ela só me dizia "Vamos à Taberna". Vai daí preparei-me para o pior, já que quando andava a estudar taberna queria dizer comida barata e de pouca qualidade, com a batata frita a escorrer óleo. Mas a miúda tratou-nos bem. Quando cheguei ao local fiquei bastante suprendida, pela positiva, com o espaço. Pena que nem toda a comida tivesse estado à altura do mesmo.

Quando entramos parece que estamos a entrar numa antiga mercearia, com armários de rede e caixas de vegetais do lado esquerdo e à direita duas mesas altas para morder uns petiscos. Passando ao espaço de refeição entramos numa verdadeira taberna moderna, com ar limpo, arranjadinho e onde apetece ficar a petiscar eternamente.

Os petiscos eram bons, e pareceu-me ser esta a especialidade da casa, bem como o polvo à lagareiro que estava macio e saboroso. Já o prego no prato e a espetada mista não agradou a quem comeu. A carne vinha fria e era rija e seca.

Não sei bem explicar onde é que fica o estaminé, só sei dizer que fica numa das ruelas no centro de Santarém, lá para os lados do Minipreço. Se não derem com o sítio podem sempre perguntar a quem passa na rua ou então telefonar a pedir indicações, tel. 243 302 444. Está aberta de Segunda a Sábado das 10h à 1h e o preço da refeição ronda os 10€ por pessoa, mais ginja menos ginja.

E já que estão para aqueles lados dêem um saltinho à pastelaria Bijou e aproveitem para comprar uns pampilhos, o doce regional.

Naturaleza Viva

O Mercado Velho convidou o Chef Aranda Sanchez para um menu de degustação com produtos da Primavera e nós fomos até lá ver o que é que se ía passar...

Horta e Cultura - mini ensalada en plantel - veio com uma excelente apresentação e a azeitona desidratada dava-lhe um toque especial.

Vieiras en Crema de su Coral e Espuma de Agriões - a entrada não obteve consenso. Houve quem tivesse gostado muito, mas também quem não tenha achado nada por aí além, sendo que eu e o Miguel pertencemos ao último grupo. Achámos que se tivesse vindo quente talvez o sabor fosse diferente. Aliás, os pratos frios foram uma constante neste menu.

Sardinas a Tres Tiempos - tempura, marinada, escabeche - A ideia da sardinha confeccionada de três formas diferentes é original, mas sardinha crua não é mesmo comigo, apesar do Miguel ter adorado. Alguém devia ter avisado o chef que esta não é a melhor altura para a sardinha, já que a sardinha usada era muito seca. Este pormenor notou-se especialmente na sardinha de escabeche.

Shot de Pirolito Petazeta e Cereza - MARAVILHOSO!!! Desde o sabor à sensação das petazetas a "borbulhar" no interior da boca. Apesar de não ter sido servido no final do menu, este foi para todos a cereja no topo da refeição.

Al Mar e a la Montaña - pollo de corral y gambas selvages - este prato foi meio salvo pelo molho e pelas gambas, porque o frango do campo estava lá a destoar. O frango era rijo e dava um péssimo aspecto ao prato, o que num menu destes não pode acontecer, já que os olhos comem mais do que o estômago...

Jardin Atlântico - helados (eucalipto e piña), suspiros, flores e algas - bem, não sei muito bem o que dizer da sobremesa... Estávamos todos à espera dos suspiros, brancos e estaladiços, mas afinal os suspiros eram mesmo nossos. A ideia é boa e até tem graça, mas ficámos com água na boca e a suspirar pelos suspiros. Gostava de ter algumas palavras simpáticas para dar ao gelado de eucalipto, no entanto não me ocorre nada de agradável para dizer sobre ele. O sabor era muito muito estranho e misturado com o gelado de ananás ainda ficava pior.

E para terminar falta falar do Café e Mignardizes, que não passavam de umas bolachas duras de roer, mas que deram para entreter o estômago.

No geral o jantar correu bem, mas demoraram muito tempo entre cada prato. Como disse a M., e tendo em conta que era um menu de degustação, parecia um casamento mas sem a comida.

domingo, 9 de maio de 2010

Tagliatelle Nero com Camarão e Tomate

À segunda é de vez! É importante ter cuidado com o tempo de cozedura da massa, pois se for demasiado cozida fica tipo borracha. Desta vez acertámos com o tempo de cozedura e também com o molho. Ficou bastante saboroso e digno de ser repetido.

Para 4 pessoas

- 1 embalagem de tagliatelle nero

- 1 kg de camarão 20/30 descascado

- 1 caixa de tomates cereja

- 1 dente de alho laminado

- azeite

- salsa ou manjericão picado

- 1 copo de vinho branco

- vinagre de trufa

1. Salteia os camarões numa frigideira com um fundo de azeite. Cozinha os camarões até ganharem cor. Adiciona o alho, os tomates cereja, o vinho e o sal.

2. Quando os camarões estiverem quase prontos coze a massa conforme as instruções da embalagem. Enquanto a massa coze, envolve bem os camarões e os tomates.Escorre a massa e adiciona à frigideira.

3. Envolve bem, polvilha com salsa ou manjericão e um salpico de vinagre de trufa.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Risotto de Camarão e Curgete

Há ingredientes que uma pessoa não se lembra de juntar, mas a blue cooking lembra-se. Na revista de Janeiro/ Fevereiro vem uma receita de massa que mistura curgete com camarão, com uma foto muito tentadora. Nós transformámos a massa em risotto e juntámos-lhe vodka. Maravilhoso!

Para 2 pessoas

- azeite

- 1 curgete pequena, cortada em meia-lua

- 250 g camarão médio, cozido e descascado

- 1/2 limão, raspa e sumo

- manteiga

- 1 dente de alho picado

- 150 g de arroz arborio

- 1 copo de vodka

- 500 ml de caldo de peixe

- queijo da ilha ralado

1. Numa frigideira aquece o azeite em fogo médio. Refoga a curgete cerca de 5 minutos. Junta o miolo de camarão e refoga durante mais 5 minutos. Adiciona a raspa de limão e borrifa com um pouco de vodka. Reserva o camarão e a curgete.

2. Refoga o alho em duas colheres de sopa de manteiga. Junta o arroz e deixa fritar ligeiramente. Acrescenta o copo de vodka e mexe até esta ter evaporado. Junta uma concha de caldo e mexe constantemente. Assim que o caldo evaporar, volta a juntar outra concha e assim sucessivamente. Antes de adicionar a última concha de caldo junta o camarão e a curgete. Mistura delicadamente.

3. Retira do lume e junta o sumo de limão e o queijo da ilha.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

D'Oliva Al Forno

No D'Oliva, em Matosinhos, a comida é italiana e com ingredientes de qualidade. Destacam-se as massas, os risottos e as pizzas, mas também há lugar para os sabores portugueses. Eu recordei o sabor do fetuccini com amêijoas e o Miguel ficou-se pelas costeletas de borrego com risotto de limão. As sobremesas ficaram para outra visita pois tínhamos lanchado bem e não nos sentimos tentados por nenhuma.

Talvez por desta vez ter ido num Domingo e haver demasiado espaço disponível senti-me pouco à vontade. Enquanto comia tinha a sensação que havia sempre um empregado a observar-nos e a ver-nos a levar uma garfada de fetuccini ou de risotto à boca. Por isso numa próxima vez vamos a uma 6ª ou a um Sábado, mas para isso temos de decidir com tempo e marcar (tel. 22 9351005/6/7).

A par da comida a música ambiente é a banda sonora ideal para saborear a refeição e combina na perfeição com o espaço cosmopolita deste antigo armazém, com ambiente tranquilo mas sofisticado. Os empregados são atenciosos, tendo no entanto uma simpatia quase ensaiada. O preço da refeição anda à volta dos 30€ por pessoa, mas são euros bem gastos.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mousse de Chocolate Branco com Frutos Vermelhos

Já tenho o livro "Flagrante Delícia"! Tal como no blogue as fotos fazem crescer água na boca. E claro que com o livro na mão não podia deixar de experimentar uma receita. A estreia deu-se com esta mousse fantástica que todos adoraram. Na nossa opinião o doce de frutos vermelhos fica um pouco "ácido" demais, um pouco mais de açúcar resolva o problema, mas tirando isso estava perfeito.

Para 6 pessoas

Doce de frutos vermelhos

- 1 folha de gelatina

- 250 g de frutos vermelhos

- 30 g de açúcar

Mousse de chocolate branco

- 2 folhas de gelatina

- 2 gemas de ovo

- 100 ml de leite

- 180 g de chocolate branco, partido em pequenos pedaços

- 450 ml de natas

Doce de frutos vermelhos

1. Lava e hidrata a gelatina em água fria. Escorre bem e reserva.

2. Numa frigideira, salteia os frutos vermelhos até que comecem a soltar sumo. Retira do lume e coa os frutos vermelhos, reservando o sumo. Aquece o sumo com o açúcar numa caçarola e dissolve a gelatina. Retira do lume, mistura com os frutos e refrigera.

Mousse de chocolate branco

3. Lava e hidrata as folhas de gelatina em água fria. Escorre bem e reserva.

4. Bate as gemas com o leite. Leva ao lume numa caçarola, sem deixar ferver e mexendo continuadamente até engrossar (o creme estará no ponto quando cobrir as costas de uma colher). Retira do lume e mistura a gelatina e o chocolate, mexendo até homogeneizar. Deixa que o creme arrefeça até aos 35-37ºC (ao pôr um dedo no creme a temperatura não se deve sentir).

5. Numa taça, bate as natas até que fiquem firmes. Mistura 1/3 das natas batidas com o creme de chocolate, usando uma espátula. Incorpora as natas restantes em duas vezes, com movimentos suaves.

6. Distribui o doce de frutos vermelhos pela base de cada copo e cobre com a mousse. Refrigera até que a mousse fique firme. Decora com lascas de chocolate branco.

domingo, 11 de abril de 2010

Mercado Velho

O post de hoje é completamente inesperado e nada planeado. Aliás, se fosse seguir os meus planos ia estar agora a postar uma sobremesa, mas como a vida é feita de surpresas a massa de chocolate vai ter de ficar para outro dia, talvez amanhã.

Saímos de Aveiro às 12h30 em direcção a Vagos para deixar a minha avó em Santo António num almoço de Pascoela. Depois de deixarmos a "encomenda" no seu destino era chegada a altura de decidir onde almoçar. Decidimos ir experimentar um sítio que descobri por acaso, enquanto dei formação em Ouca.

A primeira vez que reparei no espaço estava parada num semáforo à espera que o sinal ficasse verde, chamou-me a atenção a parede do edifício. Só umas semanas depois, mais uma vez parada no semáforo, dei conta que era um restaurante e logo fiquei com vontade de o visitar. Não sei bem porque motivo, mas acabei por nunca lá ir durante o tempo que dei formação para aqueles lados. Se calhar faltou-me a coragem de ir sozinha, para além daquela parede tão chamativa. Mas quis Deus, com a contribuição da avó R. que hoje fosse o dia de transpor a porta n.º 54 da Praça da República (tel. 234 791 575) e de finalmente descobrir, ao som dos Deolinda, o que havia por trás daquela parede que tanto me fascinara.

Nem nos meus maiores sonhos podia adivinhar que nos esperava uma ementa tão rica de ingredientes e palavras. Aberta a dita fui logo conquistada e fiquei com vontade de provar tudo. Mas como tal não seria possível a escolha da entrada tinha de ser bem pensada.

Optámos por navegar entre mares desconhecidos e embarcámos numas "Vieiras gratinadas com mozzarella e molho cocktail em cama de juliana de alface e vinagrete de romã". Arre nome comprido para uma entrada tão pequena! Mas como diz o ditado "as mulheres não se medem aos palmos", tal como esta entrada que nos abriu o apetite para o resto da viagem. Seguimos muito bem acompanhados por um rosbife alto e um filet mignon escoltado por gambas, amêijoas e vieiras, onde cada garfada era uma lufada de sabor.

Mas o capítulo das sobremesas era por mim o mais aguardado, ou não fosse eu uma gulosa inveterada... Na hora de escolher seguimos a sugestão de quem nos serviu de guia nesta refeição e não nos arrependemos. Não me lembro do nome completo das sobremesas, por isso fica apenas a versão resumida: panacotta de licor Beirão com petazetas de coca-cola, colin de chocolate com gelado de cardamomo e cheesecake morno de maracujá com gelado de baunilha envolto em kiwi caramelizado.

Há quem diga que os grandes chefs de cozinha são homens, só que toda a regra tem a sua excepção e aqui quem lidera a cozinha é uma mulher. E como num restaurante nem só a ementa conta resta-nos dar os parabéns a quem teve a ousadia de abrir um restaurante cheio de qualidade e simpatia, fora dum centro urbano. No final pagámos cerca de 20€ cada um e saímos muito satisfeitos, prontos para passar o resto do Domingo esticados ao sol.

domingo, 4 de abril de 2010

Cupcakes de Chocolate

A receita destes cupcakes é do blog "Italian Foodies", que tem excelentes receitas de comida italiana, especialmente massas. O objectivo era fazer uns cupcakes de Páscoa, só que a coisa não correu muito bem. Antes de colocar a massa no forno "espetei" no interior um ovo de chocolate da Páscoa em cada forma, com esperança que o ovo fosse derreter tipo petit gateau, mas no final os ovos derreteram e o chocolate ficou todo no fundo. A cobertura dos cupcakes também não ficou tão escura como na fotografia da receita original, tendo ficado mais parecida com mousse de chocolate instântanea, pálida e fofa. Apesar de tudo isso os cupcakes ficaram saborosos, mesmo não tendo morrido de amores por eles. Juntámos os cupcakes ao folar da Páscoa, que a minha avó me dá todos os anos e a uns croissants e fizemos um lanche de Páscoa.

Para 12 cupcakes

- 150 g da manteiga

- 50 g de chocolate derretido

- 2 c. de sopa de leite

- 150 g de açúcar baunilhado

- 2 ovos grandes

- 115 g de farinha com fermento

- 35 g de cacau em pó

- 1 c. de chá de fermento em pó

1. Pré-aquece o forno a 190ºC e coloca as forminhas de papel nas formas para queque.

2. Derrete o chocolate juntamente com a manteiga e o leite em lume muito fraco.

3. Bate os ovos com o açúcar até teres um creme esbranquiçado. Adiciona o chocolate e a manteiga derretida, mistura bem. Junta a farinha, o fermento e o cacau em pó e bate bem até obteres um creme homogéneo.

4. Divide pelas forminhas de papel e leva ao forno durante 20 minutos.

Para a cobertura

- 30 g de manteiga

- 100 g de açúcar em pó

- 200 g de queijo creme

- 1 c. de sopa de cacau em pó

5. Para fazeres a cobertura mistura todos os ingredientes, espalha por cima dos bolos e decora com amêndoa laminada.

terça-feira, 30 de março de 2010

Chili com Carne & Chocolate

Este foi o prato principal do jantar de aniversário da minha irmã. É uma receita do Jamie Oliver do livro "Dias Felizes". Segundo o Jamie o prato sabe melhor no dia a seguir e tem toda a razão. Como sobrou bué de chili, voltámos a comer no domingo e os sabores estavam muito mais apurados. À receita original acrescentámos a paprika, o colorau, o sumo de lima e o molho de chocolate.

Para 4 pessoas
- 2 cebolas médias
- 1 dente de alho
- azeite
- 2 c. de chá de piripiri em pó
- 1 malagueta vermelha fresca, sem sementes e picada
- 1 c. de sopa de cominhos em pó
- 1 c. de sopa de colorau
- 1 c. de sobremesa de paprika
- sal
- 500 g de carne picada
- 1 frasco de tomates secos ao sol, em conserva de azeite (há no Pingo Doce, no corredor da polpa de tomate)
- 1 lata grande de tomate pelado
- 1 pacote pequeno de polpa de tomate
- 1 pau de canela
- 1 lata grande de feijões vermelhos
- sumo de 1 lima

1. Tritura as cebolas e o alho num processador de alimentos e refoga num pouco de azeite até amolecerem. Junta o piripiri em pó, a malagueta, os cominhos, o colorau, a paprika e um pouco de sal. Depois junta a carne picada e mexe sempre até ganhar cor.

2. Tritura os tomates secos com o azeite do frasco para fazer uma pasta. Acrescenta-os à carne, junta com os tomates em lata, o pau de canela e um copo de água. Rectifica os temperos, se necessário.

3. Deixa levantar fervura, tapa com a tampa do tacho e a seguir reduz o lume para o minímo e deixa cozer durante 1 hora e meia. Junta os feijões de lata e deixa cozer mais meia hora. Retira do lume e mistura o sumo de lima.

4. Serve com pão rústico e uma colherada de molho de chocolate.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Leite Creme

Esta receita é do meu pai. Ontem foi o aniversário da minha irmã A. e eu pedi-lhe para ele vir cá a casa fazer o leite creme. Claro que teve que trazer o tacho dele, porque acha que se for feito noutro tacho que não aquele onde faz o leite creme há anos a coisa não corre bem. Não foi muito fácil conseguir transformar a confecção deste leite creme em receita, pois o Sr. T. faz tudo a olho. Farinha a olho, açúcar a olho, leite um litro mais um bocado a olho... Mas depois de muito esforço lá conseguimos. Quando descobri que só tinha açúcar baunilhado vi a coisa mal parada, mas ontem o meu pai estava muito experimental e nem reclamou. Digo-vos que o açúcar baunilhado levou este leite creme, que já é maravilhoso, a outro nível.

- 4 colheres de sopa (bem cheias) de farinha

- 6 colheres de sopa de açúcar (podes usar açúcar normal ou baunilhado, fica ao teu critério)

- 4 gemas de ovo

- 2 cascas grandes de limão

- 1,5 litros de leite

- 1 colher de sopa margarina

- canela e açúcar q.b. para polvilhar

1. Junta num tacho a farinha, o açúcar, as gemas e o leite. Mistura tudo muito bem com a varinha mágica. Junta as cascas delimão e leva a ferver sobre lume brando para engrossar.

2. Quando o leite começar a "borbulhar" retira do lume e verte o leite creme para uma travessa. Deixa arrefecer.

3. Depois de frio polvilha o leite creme com açúcar e canela misturados e queima com um ferro em brasa, próprio para o efeito, ou com um maçarico.

sábado, 13 de março de 2010

Risotto de Morangos

Aqui está algo que eu nunca me lembraria de fazer... juntar morangos a arroz, mas quem teve esta ideia até nem tava maluco de todo. A receita é do livro "Taberna 2780", livro pelo qual estou verdadeiramente apaixonada! Sugerimos uma pequena alteração que é juntar os bocados de morangos depois de tirar o risotto do lume e cortar os morangos em pedaços maiores. De resto a receita está aprovada.

Para 2 pessoas

- 150 g de arroz arborio

- 300 g de morangos, grosseiramente cortados

- 1 cebola picada

- 1 dente de alho picado

- 3 colheres de sopa de manteiga

- 50 g de queijo da ilha

- 1 copo de vodka

- 500 ml de caldo de carne

- sal

- hortelã picada

1. Refogar as cebolas e o alho em duas colheres de sopa de manteiga. Juntar o arroz e deixar fritar ligeiramente. Em seguida acrescentar o copo de vodka, mexer até este ter sido absorvido.

2. Juntar uma concha de caldo (que deverá estar bem quente) e ir mexendo constantemente. Assim que o caldo evaporar, voltar a juntar outra concha e assim sucessivamente até o arroz estar al dente. Em seguida juntar os morangos e a hortelã. Tirar imediatamente do lume e juntar a última colher de manteiga e o queijo da ilha e no final o cheirinho de vodka. Rectificar o sal.

sábado, 6 de março de 2010

Pizza de Espinafres e Cogumelos

Mais uma pizza... com espinafres. Para quem gostar de cogumelos crus não é preciso levá-los ao forno ao mesmo tempo que a base da pizza, basta colocá-los crus por cima dos espinafres. Se tiveres tempo em vez de levares os cogumelos ao forno juntamente com a massa podes saltea-los num pouco de azeite. Eu opto por levá-los ao forno por ser mais prático e rápido, e também porque assim lavo menos louça.

Para 2 pessoas

- 1 base para pizza

- azeite com tomilho

- queijo mozzarela ralado

- folhas de espinafres

- cogumelos laminados

1. Pré-aquece o forno a 200ºC.

2. Desenrola a base para pizza e coloca no tabuleiro do forno. Pica a massa com um garfo, cobre com um pouco de azeite com tomilho e leva ao forno durante 10 minutos. Ao mesmo tempo leva ao forno os cogumelos laminados.

3. Retira a massa de pizza do forno, cobre com o queijo mozzarela ralado, as folhas de espinafres, grosseiramente rasgadas, e os cogumelos laminados. Leva novamente ao forno durante 15 ou 20 minutos.

Pizza de Frango, Espinafres e Três Queijos


E se de repente alguém lhe oferecer espinafres?... Foi o que nos aconteceu. A minha mãe deu-nos uma saca de espinafres e agora temos de os usar. A ideia era utilizá-los numa sopa mas até ver acabaram por ir parar a duas pizzas. Para esta pizza trouxemos de casa dos meus pais um bocado de frango assado que tinha sobrado dois dias antes.

Para 2 pessoas

- 1 base de pizza

- molho de tomate

- folhas de espinafres

- frango assado desfiado

- fatias de queijo gouda

- queijo da ilha ralado

- queijo mozzarela ralado

1. Pré-aquece o forno a 200ºC.

2. Desenrola a massa para pizza e coloca-a no tabuleiro de forno. Pica a massa com um garfo e leva ao forno durante 10 minutos.

3. Retira a massa do forno e espalha o molho do tomate. Faz uma camada com as folhas de espinafres, por cima o frango desfiado e as fatias de queijo gouda partidas em pedaços de forma a cobrir toda a pizza. Por último coloca o queijo da ilha e o mozzarela ralado. Leva ao forno duante mais 15 minutos ou 20 minutos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cheesecake de Lima e Chocolate

A inspiração para os sabores veio do programa da Nigella que dá na Sic Mulher, só que a versão dela vai ao forno e o recheio fica amarelo e para mim, cheesecake que é cheesecake tem de ser branco. Depois de muito procurar por recheio que preenchesse os meus requisitos lá me lembrei que a minha irmã do Oeste de vez em quando faz cheesecake e é branco e não vai ao forno e também é bom. Portanto, para começar, servia muito bem. No final só tive de fazer umas adaptações por causa da lima. Servimos as fatias cobertas com coulis de manga mas podes usar qualquer outra cobertura que combine com lima e chocolate, como por exemplo, polpa de maracujá ou doce de framboesa ligeiramente aquecida no microondas, para ficar líquida.

- 2 caixas de bolachas Oreo

- 8 colheres de sopa de manteiga

- 2 pacotes de natas

- 1 pacote de queijo creme (tipo philadelphia)

- 1 lara de leite condensado

- 5 folhas de gelatina

- 100 ml de sumo de lima

- 2 colheres de sopa de açúcar

1. Para a base do cheesecake, mistura a bolacha Oreo triturada com a manteiga derretida até formar uma massa homogénea. Cobre a base de uma forma de fundo amovível, previamente untada, com essa massa e leva ao frigorífico enquanto fazes o recheio.

2. Para o recheio bate as natas e adiciona o queijo creme e o leite condensado. Num pequeno fervedor coloca o sumo de lima juntamente com o açúcar e leva ao lume. Quando tiver fervido adiciona as folhas de gelatina, já demolhadas em água fria e escorridas, e mexe bem. Junta o sumo às natas.

3. Verte o recheio por cima da base de bolachas Oreo e leva ao frigorífico de um dia para o outro ou então, se tiveres a fazer a sobremesa em cima da hora, ao congelador por umas horas.

4. Serve fresco com a cobertura que mais gostares.

COULIS DE MANGA

- 1 manga madura

- 6 colheres de sopa de açúcar

1. Corta a manga em bocados e ao lume com o açúcar. Quando tiver fervido, retira do lume e tritura com a varinha mágica. Leva ao frigorífico até à hora de servir.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Omelete de Legumes no Forno

Esta omelete começou por ser uma fritada de legumes do Henrique Sá Pessoa do livro "Legumes sem Desculpas", à qual eu tirei a batata. Mas depois de fazer a fritada registei algumas alterações que queria fazer quando voltasse a repetir o prato. Na receita original os legumes eram cortados em cubos e iam ao forno, para trás ficaram os brócolos e o pimento e juntaram-se à festa os cogumelos. Na versão do chef português primeiro a fritada era feita na frigideira e por último ia ao forno só para gratinar o queijo, mas como o meu jeitinho para omeletes não é muito optei por a omelete ir logo ao forno. Também misturei o queijo no ovo, em vez de colocar só por cima no fim. Apesar de o ponto onde começou não estar nem perto do resultado final acho que está muito bom.

Para 4 pessoas

- 8 ovos

- 1/2 curgete cortada em juliana

- 1 cenoura média cortada em juliana

- 125 g de cogumelos laminados

- 2 hastes de tomilho fresco (só as folhas)

- 1 colher de sopa de manjericão picado

- 1/2 chávena de queijo da ilha ralado

- azeite

1. Pré-aquecer o forno a 170ºC. Untar com azeite o recipiente onde vai colocar a mistura de ovos.

2. Numa frigideira saltear em azeite a curgete, a cenoura e os cogumelos laminados cortados em tiras. Desligar o lume e adicionar o tomilho, o manjericão e o queijo. Numa tigela à parte bater os ovos e depois juntar aos vegetais, misturar bem.

3. Deitar a mistura no recipiente untado e levar ao forno cerca de 30 minutos ou até estar cozinhado. A meio do processo abrir o forno e mexer com uma colher de pau para a omelete ficar cozinhada de igual forma.

4. Servir acompanhada de uma salada de rúcula e tomate.