sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Duo de Maçã

Como é que um fruto tão corriqueiro consegue representar tantas mudanças no mundo? O pecado original, a noção de gravidade, o sonho de uns visionários... Quando olho para uma maçã, é difícil não ver nela conhecimento e simplicidade. Agora vejo também a minha primeira geleia bem sucedida! Para muitos será um êxito minúsculo, mas para mim era algo que me andava a fugir por entre os dedos, como a areia na praia, e consegui-lo foi importante.

Doce de Maçã (6 frascos)
- 2 kg de maçã, descascada e cortada em cubos
- 700 g de açúcar
- 200 ml de sumo de laranja
- 2 paus de canela

1. Junta todos os ingredientes numa panela grande, tipo o panelão usado pelas nossas mães para fazer sopa. Leva ao lume até o açúcar se dissolver. Guarda no frigorífico durante 8 horas.

2. Leva a panela novamente ao lume e deixa a mistura cozer durante 1h30. À medida que a fruta vai cozendo vai esmagando com a colher de pau. Se a fruta não estiver desfeita em puré, retira os paus de canela e passa pela varinha mágica. Leva outra vez ao lume, durante 5 minutos, e confirma que o doce atingiu a consistência desejada. (Ao passares a colher de pau no meio da calda, deves conseguir ver o fundo, como se se abrisse uma estrada. Se quiseres uma compota mais líquida, deves procurar uma estrada estreita, de sentido único e apenas uma via. Se gostares da compota mais espessa, o que tu queres é mais uma via rápida.) Retira do lume.

3. Com cuidado, para não te queimares, passa o doce para frascos esterilazados. Deixa-os arrefecer virados para baixo.

Geleia de Maçã (6 frascos)
- 2 l de sumo de maçã*
- 1,6 kg de açúcar

1. Num tacho grande junta o açúcar e o sumo de maçã. Leva ao lume e vai mexendo regularmente (no início não é preciso estares sempre a mexer, mas convém não ires para longe. Tipo, ir para a sala ler um livro...). Quando o líquido começar a espeçar mexe com mais regularidade. Nesta altura vai medindo a temperatura e não deixes ultrapassar os 100ºC, se gostares dela mais líquida, ou os 105ºC, se gostares dela mais espessa.

2. Verte a geleia para frascos esterelizados. Enche os frascos até cima, fecha-os e deixa-os arrefecer virados para baixo.

* Cozes as cascas e os caroços em água abundante, deixando reduzir a água para metade. Coas o líquido, com um coador fino ou um pano, e espremes. Medes o líquido. Se não tiveres os 2 l de sumo de maçã o segredo é usar 1 kg de açúcar por cada litro de sumo, mas podes fazer como eu, que "roubei" um bocado no açúcar para não ficar tão doce.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Beringela

No regresso às aulas, uma caixa nova de lápis de cor fazia-me acreditar num mundo melhor. Ficava seduzida pelos bicos de carvão perfeitamente alinhados e sentia-me encantada com as cores contidas num pequeno rectângulo de lata. Muitas vezes via nos lápis de carvão um beijo suave da Mãe Natureza, que derramava dos seus lábios as suas cores vibrantes.

Claro que havia cores mais interessantes do que outras e algumas atraiam o meu olhar como um íman... O beringela sempre foi uma dessas cores! Só tenho pena do sabor da beringela não ter o mesmo magnetismo que a sua cor.

Todos os anos, enquanto os mais novos começam a pensar no regresso à escola, eu penso como é que vou fazer as beringelas que a C. me vai trazer e interrogo-me se esse será o ano em que vou aprender a gostar delas. Já experimentei recheada, salteada e em patê. Ontem foi a vez de as grelhar e misturar, em pequenos pedaços caramelizados, num risotto de cogumelos.

Mantive a esperança até à última garfada, mas no final fiquei triste por ainda não ter sido desta que o sabor e textura da beringela me conquistaram. Talvez para o ano seja diferente, quem sabe...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sumo de Tomate, Morango e Pêssego

Amores de Verão num copo! E só meus, já que não dividi este líquido precioso com ninguém... Incrivelmente delicioso, transmite o que a fruta fresca tem de melhor. Sim, porque o tomate também é fruta!

Para 2 pessoas
- 300 g de tomate maduro, sem pele e sem sementes
- 150 g de pêssego, sem pele
- 150 g de morangos
- 150 g de açúcar
- 1/2 vagem de baunilha
- sumo de 1 laranja
- 4 folhas de manjericão

1. Num tacho coloca os morangos, arranjados e cortados ao meio, o açúcar, as sementes de baunilha e o sumo de laranja. Leva a lume fraco até o açúcar se dissolver.

2. Num copo misturador, junta o tomate e o pêssego grosseiramente cortados, a calda de morangos e a folha de manjericão. Passa tudo com a varinha mágica e leva ao frigorífico. Serve bem fresco, numa tarde de Verão.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Batido de Amora e Pêssego

A fruta exposta nas bancas da praça era fresca, mas o sol ardia na pele. Num dia quente como este só apetece deitar ao comprido na relva ou megulhar no mar. Para apaziguar o calor, fizemos um batido de amoras e pêssego, usando as frutas acabadas de comprar. 

Para 2 pessoas
- 2 pêssegos
- 250 g de amoras
- 1 iogurte de coco
- 2 medidas de iogurte de leite

Num copo coloca o pêssego cortado em pedaços, as amoras e o iogurte. Tritura com a varinha mágica. Adiciona o leite e mistura. Serve fresco a acompanhar uma salada leve ou sozinho, a anteceder um mergulho no mar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Chutney de Mirtilos

É tempo de começar a guardar em frascos as doces memórias do Verão, que nos agracia com uma enorme quantidade de fruta sumarenta. A nós não nos faltam frascos nem fruta, falta-nos é tempo. É que os dias quentes, os mesmos que nos trazem a fruta, gritam por instantes passados lá fora, a aproveitar o sol.

E, mesmo reservando uma boa parte do tempo passado em casa à conservação dos sabores únicos do Verão, não há meio de me ver livre dos frascos acumulados. Eu bem queria que eles desaparecem-se, mas parece que a montanha fica maior a cada dia que passa. Até ando desconfiada que eles se reproduzem quando viro costas... É a única explicação que encontro!

Para contrariar esta reprodução assexuada, meio quilo de mirtilos de Sever do Vouga foi parar a um frasco, transformado em chutney e agora guardado no frigorífico. O chutney é excelente para acompanhar carne de porco e lembranças do Verão.

Para 1 frasco
- 1 cebola média, picada
- 500 g de mirtilos
- 125 ml de vinho do Porto
- sumo de 1 limão
- 1 c. de sopa de açúcar amarelo
- 250 ml de água
- 1 pau de canela
- azeite
- sal

1. Num tacho refogar a cebola em azeite, até estar translúcida. Adicionar os mirtilos e envolver no refogado. Juntar o vinho do Porto, a sumo de limão, o açúcar amarelo, o pau de canela e a água. Temperar com sal e deixar reduzir durante 1h30 (pode ser mais um bocado, eu já não me lembro bem porque me distraí na conversa com as minhas irmãs, enquanto comiamos uma compota picante que trouxe das Caldas!).

2. Quando tiver atingido a consistência desejada, verte o chutney para um frasco e deixa arrefecer com o frasco virado para baixo. Acompanha o chutney com carne de porco e salada.

sábado, 28 de julho de 2012

Maratona

Caldas da Rainha, norte da região Oeste. É aqui que se encontra a maior concentração de ingredientes de sabor autêntico do país, quem sabe do mundo, e isso reflecte-se na qualidade da restauração. No final de uma manhã passada a comprar fruta e legumes na praça, esperava-nos uma refeição magnífica no Maratona. O restaurante é moderno e cosmopolita e, passando os olhos na carta, é impossível não virem à memória imagens de Itália... O menu é claramente de inspiração mediterrânica e inclui tempura de camarão e cogumelos, queijo de cabra assado, trouxas de frango, filet mignon, diferentes bifes e hamburgueres, caril de camarão, lombo de bacalhau confitado, massas e risottos. Tudo delicioso e com nomes originais!
Nesta segunda visita, começámos com uma couvert simples composta por azeite, manteiga (que varia conforme o dia) e pasta de azeitona para barrar no pão, enquanto esperávamos pelas bochechas de porco com novelo de batata frita e pelo risotto de pato com frutos secos. O final foi feliz, num sítio destes só podia, eu com um cheesecake desconstruido e o Miguel com um gelado.
Maratona
Praça 25 de Abril, n.º15 (perto da igreja)
2500-110 Caldas da Rainha
Tel.: 262 841 483
Preço médio: 20€/pessoa (com bebidas, mas sem ser vinho)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Salada de Agrião e Rebentos

Andávamos a passear pelo Mercado das Caldas da Rainha, a tentar decidir se jantávamos em casa ou fora, quando o Miguel dá de caras com a banca dos rebentos da Hortazul. Jantar resolvido logo na hora! Em casa, uma salada simples com os rebentos, a acompanhar uns escalopes temperados apenas com umas pedras de sal. Um jantar levezinho, perfeito para um dia de Verão, com ingredientes frescos e deliciosos.
- mistura de rebentos (girassol, alfafa, feno grego, lentilhas)
- folhas de agrião
- sumo de laranja
- raspa de limão
- azeite
- sal

Prepara as folhas de agrião e lava-as bem em água corrente. Numa tigela mistura o agrião com os rebentos. Tempera com um fio de azeite, sumo de laranja, raspas de limão e sal.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Ameixas Assadas

Bom dia, era o que dizia o perfume que chegava até nós, vindo do cesto de ameixas colhidas ontem. E nada podia ser mais perfeito para iniciar o dia, ganhando uma alma nova a cada colherada!

Para 4 pessoas (adaptado de agoisfoto)
- 6 ameixas
- 2 hastes de tomilho-limão
- 4 c. sopa de açúcar baunilhado
- 2 c. sopa de manteiga
- iogurte grego ou natural
- granola

1. Pré-aquece o forno a 180ºC.

2. Corta as ameixas ao meio e retira-lhes o caroço. Coloca as ameixas num pirex, com a pele virada para baixo. Por cima das ameixas mistura o tomilho-limão, o açúcar e a manteiga em pequenos pedaços. Leva ao forno e assa durante 20-30 minutos, até a fruta estar tenra. Retira o tomilho-limão.

3. Serve com iogurte e granola, a acompanhar um BOM DIA!

sábado, 30 de junho de 2012

Gelado de Mirtilo e Framboesa

Um dia o meu pai chegou a casa e estava uma cabra prenha no quintal. De início ninguém achou piada à ideia da cabra a passear pelo quintal, mas entretanto nasceu o cabrito e tudo mudou, pelo menos para mim...

Uma semana depois de nascer o Nada (assim baptizado pela G.) fui aos meus pais com a minha afilhada para ela brincar com o cabrito e os pintainhos. Foi uma verdadeira alegria! O entusiasmo dela contagiou-me e voltar ao quintal fez-me perceber que era hora de regressarmos à terra e planearmos o quintal de maneira a incluir a cabra. Nessa tarde também descobri que o cabrito só mamava duma teta e que o meu pai andava a deitar o leite da outra para a terra. Que desperdício... Pesquisei e descobri um sem número de possibilidades para o leite de cabra, algumas já ancestrais e conhecidas pela rainha Cleópatra, mesmo não sendo concensual se no seu banho era usado o leite de cabra ou o leite de burra.

Para conseguir aproveitar este líquido só tinha de saber quais os passos correctos para ordenhar a cabra e como fazer para pasteurizar o leite (para receitas em que o leite tenha de coalhar não se pode ferver o leite - ultrapasteurização).

Para ordenhar a cabra:
- limpar as tetas com água morna e umas gotinhas de líxivia. Secar bem com um pano ou uma toalha;
- deitar fora os dois primeiros esguichos, para ajudar a livrar de algumas bactérias;
- ordenhar o leite para uma taça;
- tapar a taça, coar imediatamente o leite e fervê-lo (no caso de não precisares do leite pasteurizado, como acontece com esta receita).

A primeira ordenha foi feita a três e foi bastante atribulada, principalmente quando o Nada achou por bem ir mamar enquanto estávamos a tentar tirar o leite à sua mãe.

Apesar de andar fascinada com este leite ainda não me sinto com coragem de o beber. O Miguel diz que tem um sabor muito intenso e que eu não vou gostar. Por isso, para primeira experiência decidi misturá-lo com coisas que eu gosto. Fiz estes sorvetes usando uma medida de leite de cabra e três de iogurte. O resultado final ficou muito bom, mas sabia demasiado a iogurte grego, mascarando assim todos os outros ingredientes. Por isso reduzi as quantidades de iogurte na receita. O copo de café acaba por dar uma dose muito grande por isso podes partilhar o gelado ou então usar copos de shot.

Para 6 gelados
- 1 copo de iogurte grego
- 1 copo de leite de cabra
- 1 copo de mirtilos
- 1 copo de framboesas
- 4 c. sopa de açúcar baunilhado
- sumo de 1 limão

- 6 copos de café (de plástico)
- 6 palitos

1. Numa taça mistura o iogurte, o leite e as frutas. Com a varinha mágica tritura as frutas. Adiciona o sumo de limão e o açúcar. Mistura tudo muito bem. 

2. Verte o líquido para os copos de plástico. Tapa os copos com folha de alumínio e espeta o palito no centro. Leva ao congelador até o gelado ficar sólido. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tarte de Limão e Framboesa

"Uma nêspera estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia.
Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera e zás comeu-a!
É o que acontece às nêsperas que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece."
Mário-Henrique Leiria

Quando nos deixamos ficar deitados, calados, à espera do que acontece sujeitamo-nos a perder as oportunidades e ver a vida passar-nos ao lado... Acontece às nêsperas e às pessoas também, mas não foi o que aconteceu aos limões do nosso limoeiro. Mesmo estando calados, à espera que ninguém desse por eles, foram apanhados e transformados em tarte (Gourmande in the Kitchen). Mas não foi uma tarte solitária, tiverem por companhia o doce de framboesa, que intensificou a acidez do limão. Para a próxima temos de pensar noutra companhia, uma que contraste com essa acidez e dê alguma doçura à tarte. Talvez doce de morango.
Para 8 a 10 fatias
- 1 embalagem de massa quebrada
- 4 ovos, à temperatura ambiente
- 150 g de açúcar
- 100 ml de sumo de limão
- 100 ml de natas
- 1 frasco de doce de framboesa

1. Forra uma forma de tarte, de fundo amovível, com a massa quebrada, à medida da forma. Coloca um pouco de papel vegetal por cima da massa e cobre com feijão seco, para a massa não empolar. Enquanto fazes o recheio leva a massa a cozer no forno a 190ºC durante 8 a 10 minutos. Retira o feijão seco e o papel vegetal. Reserva.

2. Numa taça bate ligeiramente os ovos. Adiciona o açúcar e o sumo de limão. Mistura tudo até os ingredientes estarem bem combinados. Junta, lentamente, as natas e mistura até estarem bem incorporadas.

3. Verte o recheio para a tarte previamente cozida e leva ao forno para cozer durante 20 minutos ou até o recheio estar cozido e apenas ligeiramente cru no centro. Retira do forno e deixa arrefecer.

4. Aquece o doce de framboesa no microondas, até começar a ficar líquido. Espalha o doce uniformemente por cima do recheio de limão. Leva ao frigorífico até à hora de servires.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Bacalhau à Gomes de Sá

Será que alguém se esqueceu de avisar o Verão que amanhã é dia de ele vir?!?! Por favor, alguém o notifique! Gostava de acordar amanhã com um Sol tão amarelo e resplandecente como este bacalhau à Gomes de Sá...

Para 2 pessoas
- 300 g de bacalhau desfiado
- 4 batatas pequenas
- 2 ovos cozidos
- 1 cebola média, cortada em meias-luas
- 2 dentes de alho, picados
- 1 folha de louro
- azeite
- sal
- salsa picada
- azeitonas pretas

1. Numa panela com água e sal coze as batatas com a pele. Depois de cozidas deixa-as arrefecer. Descasca-as e corta-as em quartos. Na mesma água das batatas, coze os ovos e corta-os em rodelas. Reserva.

2. Corta a cebola em meia-luas e pica os dentes de alho. Refoga num wok com bastante azeite e a folha de louro, até a cebola começar a alourar. Tempera com sal e junta o bacalhau desfiado. Quando o bacalhau estiver cozinhado, junta as batatas e deixa os sabores envolverem-se bem. Retira a folha de louro.

3. Dispõe a mistura numa telha ou num tabuleiro de ir ao forno. Rega com azeite. Leva ao forno pré-aquecido a 200ºC, até o azeite estar a borbulhar.

4. Termina com as rodelas de ovo, a salsa picada e as azeitonas pretas. Serve quente.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Bruschetta de Puré de Ervilhas e Requeijão

Houve um tempo em que não gostava de ervilhas. Quando andava no infantário, normalmente era a última a sair da mesa e lembro-me de esperar estar longe da vista das educadoras para pôr as ervilhas nos bolsos do bibe, para depois as deitar na sanita. Não sei se é por ser o mês da criança ou por a minha mana "pequenina" fazer anos, mas hoje tenho sentido uma enorme vontade de voltar a esses tempos, quando a J. adormecia no meu colo, com o bater do meu coração. Vontade de voltar aos dias em que acreditava que os dragões protegiam as princesas e sonhava percorrer o universo numa nave espacial...

- fatias de pão caseiro ou de Mafra
- alho
- azeite
- sal fino
- ervilhas, cozidas
- manjericão
- queijo da ilha
- sumo de limão

1. Torra as fatias de pão numa torradeira até estarem marcadas dos dois lados. Retira-as da torradeira e esfrega um dente de alho cortado ao meio, rega com um fio de azeite e polvilha com sal.

2. Num 1,2,3 tritura as folhas de manjericão com as ervilhas, até obteres um puré granuloso. Junta o queijo da ilha ralado e mistura com uma colher. Adiciona um fio de azeite e sumo de limão. Barra as bruschettas com o puré de ervilhas, dispõe o requeijão desfarelado por cima e polvilha com sal.

domingo, 27 de maio de 2012

Salada de Meloa e Presunto

Há fotografias que me enfeitiçam. A última a ter esse efeito foi a do coração de pavlova que fiz para o dia da mãe. Ele conta-me uma história, transmite-me paz! Depois do coração de pavlova, as minhas fotografias não andavam a contar nenhuma história ou se contavam era uma história apagada e sem vida... As saborosas bochechas de porco no forno, feitas para um jantar de semana com a família, tinham o mesmo aspecto que comida para cão. Os pasteis de salmão e batata doce, para aproveitar o salmão que trouxemos de casa do C. depois da experiência de um jantar asiático, pareciam insípidos e sem cor. 

Começava a pensar que estaria condenada a não conseguir voltar a dar vida aos pratos que fazemos, quando pensei que uma salada talvez pudesse ajudar a resolver o problema... Não ficou nenhuma obra prima, mas pelo menos ficou publicável e dá para sonhar que um dia voltarei a ser seduzida pelas minhas fotos.

- meloa, em fatias
- presunto, em fatias finas e sem a gordura
- requeijão
- folhas de manjericão
- azeite de limão
- sal

Com as mãos corta em pedaços a meloa, o presunto, o requeijão e o manjericão. Tempera com azeite e sal. Mistura bem e serve num dia enevoado, enquanto sonhas com a vinda do Verão.

sábado, 5 de maio de 2012

Pavlova de Framboesa e Pistácio

Para mim o Dia da Mãe, e o do pai também, não é amanhã, mas sim no dia do meu aniversário. Foi nesse dia maravilhoso que eles se tornaram pai e mãe, até lá eram um homem e uma mulher! Claro que com isto quem ganha são eles, que recebem prenda duas vezes, das minhas irmãs nos dias "normais" e depois noutro dia minha. Quem fica a perder sou eu, que não posso dividir prenda com as maninhas e tenho que pensar sozinha no que oferecer... É por este motivo que normalmente não ligo muito a estes dias, mas este ano é diferente. É o primeiro Dia da Mãe da minha irmã,  reunindo três gerações de mães à mesa!
Para as mães da nossa família e para todas as mães do mundo deixamos uma sugestão muito doce (The Kitchy Kitchen), em forma de coração...

Para 8-10 pessoas
- 4 claras de ovo
- 220 g de açúcar baunilhado
- 2 c. de sopa de maizena
- 1 c. de chá de vinagre branco

- 200 ml de natas
- 1 c. de sopa de açúcar
- 1 caixa de framboesas
- pistácios
- molho de framboesa*

1. Pré-aquece o forno a 150ºC.

2. Bate as claras até começarem a ficar brancas. Adiciona o açúcar, dividido por quatro vezes, e bate até formarem picos bem firmes e brilhantes. Junta a maizena e o vinagre e mistura com um salazar, apenas o suficiente para incorporar bem a mistura.

3. Num papel vegetal desenha um coração grande! Preenche o coração com  o merengue. No meio faz uma espécie de ninho (coisa que eu não fiz e não correu lá muito bem) para que a pavlova consiga aguentar com o creme.

4. Reduz o forno para 120ºC e leva o coração ao forno durante 1h20. Deixa o coração arrefecer no forno. (O ideal é fazer a pavlova de véspera, para que possa arrefecer com tempo)

5. Bate as natas com o açúcar até formarem picos suaves. Um pouco antes de servires, espalha as natas por cima da pavlova. Encima com as framboesas e os pistácios. Verte o molho de framboesa.

*Mistura meia caixa de framboesas com açúcar e leva a lume médio, durante 5 a 10 minutos. Passa por um coador para retirar as grainhas e deixa arrefecer ligeiramente antes de verteres.

domingo, 29 de abril de 2012

Creme de Ervilhas

Já somos tios e quando olho para a minha sobrinha, nova princesa da família e pequena como uma ervilha, lembro-me do meu conto de fadas favorito, A Princesa e a Ervilha. Sempre fui apaixonada por este conto pois ele era mesmo um conto de fadas, não havia bruxas más, nem ninguém a querer caçar ninguém. Nele apenas existe um princípie que deixa o seu castelo à procura da sua alma-gémea, uma princesa à procura de abrigo no meio da tempestade e uma mãe que quer ajudar o filho a encontrar a felicidade... Era puro e cor-de-rosa! Mostra como por vezes corremos o mundo à procura da nossa felicidade e ela está mesmo à nossa porta, podendo aparecer quando menos esperamos. Também nos fala de como podemos perceber quem é verdadeiramente importante para nós através de pequenas coisas, como a partilha de um creme de ervilhas aveludado.
Para 4 pessoas
- azeite
- 1 cebola, cortada em meia-luas
- 2 dentes de alho, laminados
- 1 c. de café de sementes de erva-doce
- 1/2 c. de café de piri-piri em pó
- sal
- 600 g de ervilhas (frescas ou congeladas)
- 1,5 l de caldo de legumes
- leite (opcional)

- 8 ovos de codorniz, cozidos
- tostas

1. Cobre o fundo de uma panela com azeite. Leva ao lume com a cebola, o alho, as sementes de erva-doce, o piri-piri e o sal. Deixa refogar durante 10 minutos. Adiciona as ervilhas e deixa-as cozinhar durante 5 minutos, para absorver todos os sabores. Acrescenta o caldo de legumes, deixa levantar ferfura e deixa cozinhar durante 15 minutos.

2. Retira parte do caldo para  uma taça. Reserva também algumas ervilhas inteiras. Passa o creme com a varinha mágica. Se tiveres princesas em casa passa o creme por um coador para retirar possíveis cascas que tenham ficado por passar. Se o creme estiver muito grosso acrescenta ou pouco mais do caldo que reservaste ou leite. Rectifica os temperos.

3. Coloca em pratos de sopa e serve com os ovos de cordoniz, ervilhas e tostas.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bolo de Chocolate e Framboesas

O Miguel completou 30 anos de vida e festejámos com uma "montanha" de chocolate!

No meu último aniversário já tinha tentado fazer este bolo só que não correu muito bem, o bolo ficou demasiado cozido e o creme de mascarpone demasiado líquido. Como desta vez o bolo era para uma data especial tinha que ficar o mais perto possível da perfeição, daí ter acrescentado um ovo à receita original, a amêndoa ao creme para o tornar mais espesso e também as framboesas que ajudam a dar mais estabilidade às camadas. O resultado final agradou bastante e só faltaram mesmo as velas para assinalar a entrada nos trinta...

Creme de Mascarpone
- 2 pacotes (400 g) de natas
- 1 embalagem (250 g) de mascarpone
- 100 g de açúcar
- 50 g de amêndoa moída

Bate as natas até estarem firmes. Adiciona o mascarpone, o açúcar e a amêndoa até ficar uma mistura homogénea. Leva ao frigorífico durante mais ou menos 3 horas, para ter a consistência desejada para barrar.

Ganache de Chocolate
- 200 g de chocolate, partido em bocados pequenos
- 150 ml de natas

Coloca os bocados de chocolate numa taça resistente ao calor. Leva as natas ao lume e aquece-as até começarem a ferver. Retira do lume e verte por cima do chocolate. Deixa repousar durante 1 minuto e mexe até teres uma mistura homogénea.

Bolo de Chocolate
Acrescenta um ovo a esta receita. Em vez de uma forma de fundo amovível utiliza uma forma de mola (o bolo fica mais "direito" e mais alto). Deixa o bolo arrefecer antes de o retirares da forma. Divide o bolo em três camadas.

Montagem
- doce de framboesa
- framboesas frescas
- raspas de chocolate

Coloca a base do bolo num prato de servir. Espalha o doce de framboesa e a seguir o creme de mascarpone na primeira camada de bolo. Junta uma mão-cheia de framboesas por cima do creme. Cobre com a segunda camada de bolo e repete o recheio. Cobre com o topo do bolo e espalha a ganache de chocolate e decora com mais framboesas e raspas de chocolate. Leva o bolo ao frio até à hora de servir.

sábado, 7 de abril de 2012

Salada de Espargos e Ervilhas

Abençoada chuva de Páscoa que veio regar os espargos do nosso quintal e assim "ajudá-los" a ganharem corpo. Os espargos foram plantados há muitos anos pelo meu avô e, devido ao antigo domínio das silvas, a minha avó já os dava por perdidos. Foi com muita alegria que ela os descobriu compridos e fininhos lá no meio do quintal, mas ainda fraquinhos para serem colhidos. Enquanto esperamos por eles vamos-nos enganando com os espargos de supermercado, nesta salada luminosa tirada do livro "As Voluptuosas Receitas de Miss Dahl", de Sophie Dahl, um livro cheio de pratos descomplicados!

Para 2 pessoas
- 2/3 de molho de espargos
- 1 chávena de chá de ervilhas, congeladas
- 1 mão-cheia de rúcula
- 1 ramo de hortelã fresca, picada
- 2 c. de sopa de azeite
- 2 c. de sopa de sumo de laranja
- 1 c. de chá de mel
- sal
- 50g de queijo da ilha, cortado em lascas

1. Coloca as ervilhas num tacho com água a ferver e sal e deixa-as ferver durante 5 minutos. Adiciona os espargos e deixa-os ferver durante 2 minutos. Escorre e lava bem com água fria.

2. Numa pequena taça mistura o azeite, com o sumo de laranja, o mel e o sal. Mexe bem até o mel de dissolver no líquido.

3. Coloca as pontas dos espargos e as ervilhas numa pequena saladeira e junta a hortelã e arúcula. Deita o molho e envolve bem as verduras. Adiciona o queijo.

$. Serve simples ou a acompanhar uns lombinhos grelhados.

sábado, 31 de março de 2012

Macarons de Chocolate

quase tão trabalhoso como conseguir o macarron perfeito.
Já queria experimentar fazer macarons há uns anitos, mas como parecia que uns singelos macarons tinham tanta ciência como uma equação de Schrödinger fui deixando-os na gaveta. No inicio do mês decidi que era altura de lhes dar uma hipótese e tenho sentido o mesmo fascínio por estes pequenos biscoitos de amêndoa, como o que sentia, nos meus tempos de estudante de física, pela teoria da relatividade de Einsten, fractais, poços de potencial ou equação de Schrödinger.
tal como com os macarons, no inicio não se acerta logo com o resultado,
mas a prática leva-nos lá.
Iniciei a confecção dos macarons como quem resolve uma equação... Primeiro analisa-se o problema (ou seja, ler a receita), de seguida faz-se uma lista dos dados e das variáveis (leia-se, mise-en-place) e depois então começa-se a resolver o problema (neste caso, mãos à obra e macarons para o forno). Em física enquanto não conseguia resolver um qualquer exercício andava com ele às voltas até chegar à solução. Enquanto isso não acontecesse andava com as folhas dos livros para trás e para a frente, na esperança de descer sobre mim uma inspiração divina. Chegava a sonhar com os exercícios e houve até uma vez que cheguei a sonhar com a solução para o exercício, acho que era mesmo a equação de Schrödinger, e rabisquei-a meia a dormir num papel. Claro que quando acordei, o que tinha gatafunhado não me deixou mais perto de resolver a equação...
Com os macarons passa-se mais ou menos a mesma coisa. As variáveis para conseguir O Macaron perfeito são quase tantas como as da equação de Schrödinger e há duas noites sonhei que trabalhava na Ladurée de Saint-Germain de Prés! Claro que quando acordei a realidade era outra e ainda não tinha conseguido fazer uns macarons em condições.
Os primeiros que fiz tinham o tão desejado pé, mas devido ao tempo excessivo a descansar estalaram todos e o sabor não era aquela delicia que se espera. Na segunda tentativa já consegui que ficassem deliciosos, só que perdi o pé (descansaram pouco tempo) e continuei sem obter uns biscoitos agradáveis à vista. Acho que me está a faltar mesmo um Pai Nosso e uma Avé Maria para ver se entra alguma inspiração divina no forno.

Para 20 Macarons
Ganache de Chocolate (retirado de London Eats)
- 200 g de chocolate, partido em bocados
- 130 g de natas
- 25 g de açúcar baunilhado
- 38 g de azeite de baunilha

1. Coloca os bocados de chocolate numa taça à prova de calor.

2. Aquece as natas e o açúcar num púcaro. Deixa ferver durante 30 segundos e verte sobre o chocolate. Deixa repousar durante 1 minuto e mexe até que a mistura fique lustrosa e homogénea. Deixa a mistura arrefecer ligeiramente e adiciona o azeite baunilhado, mexendo constantemente.

3. Leva ao frigorífico enquanto fazes as conchas.

Conchas (retirado de David Lebovitz)
- 100 g de claras de ovo, à temperatura ambiente
- 50 g de amêndoa em pó
- 100 g de açúcar em pó
- 25 g de cacau em pó
- 65 g de açúcar granulado

1. Marca 20 círculos de 3 cm de diâmetro e separados 3 cm em duas folhas de papel vegetal. Coloca as folhas num tabuleiro de forno, com os círculos virados ao contrário. Num copo alto prepara um saco de pasteleiro.

2. Começa por peneirar a amêndoa, o açúcar em pó e o cacau em pó para uma taça. Mistura bem os três pós num 1,2,3 para garantir que fica tudo bem misturado e fininho.

3. Numa taça bate as claras até começarem a ficar em castelo. Junta o açúcar granulado e bate as claras até ficarem bem firmes e ganharem a consistência de merengue.

4. Com um salazar mistura cuidadosamente os ingredientes secos, em duas vezes, às claras batidas. Quando a mistura estiver suave pára de misturar e passa-a para o saco de pasteleiro e "fecha" o saco com uma mola para sacos (assim prevines que o creme saia por cima se te distraires, que foi o que me aconteceu da primeira vez).

5. Espreme o saco de pasteleiro e preenche os círculos que desenhaste. Bate com o tabuleiro na banca para retirar o ar dos macarons e deixa-os descansar durante 30 minutos. (Entretanto pré-aquece o forno a 150ºC). Passado esse tempo leva-os ao forno durante 15-18 minutos. Retira do forno e deixa-os arrefecer completamente antes de os retirares do tabuleiro.

Quando a ganache estiver a ficar firme, mas ainda ligeiramente fluída, passa metade para um saco de pasteleiro (guarda a outra metade no frigorífico para outra fornada). Cobre uma concha de macaron com a ganache e coloca outra concha por cima, como se fosse uma sandes. Espera pelo dia seguinte para saboreares e apreciares a tua obra de arte (ou não).

domingo, 25 de março de 2012

Frango Cremoso com Cogumelos

Hoje o ponteiro das horas avançou sorrateiro durante a noite e deixou o nosso "relógio" desorientado. Para o nosso almoço/lanche/quase jantar, já perto das 6h da tarde, optámos por repetir esta receita de frango do blog Food Figure. Da primeira vez a fotografia ficou horrorosa e a mim pareceu-me uma boa maneira de aproveitar este primeiro dia de anoitecer mais tardio.

Fizemos pequenas alterações, como por exemplo, não adicionámos o bacon frito todo ao molho. O bacon acrescenta sabor ao molho mas também perde a sua componente estaladiça, daí termos guardado algum para adicionar só no fim. Também não acrescentámos sal, pois o bacon e o caldo de galinha já têm sal mais do que suficiente.

Para 2 pessoas
- 2 peitos de frango sem pele, cortados em tiras grossas
- 1 embalagem de cogumelos, cortados em quartos
- 6 fatias de bacon, cortadas em tiras grossas
- azeite
- 3 dentes de alho picados
- 1 chávena de caldo de galinha
- 1 pacote de natas
- salsa picada

1. Num wok untado com um pouco de azeite cozinha o bacon em lume médio até estar estaladiço e dourado (cerca de 5 minutos). Retira o bacon do wok e reserva.

2. Adiciona 1 c. de sopa de azeite ao wok e junta os cogumelos. Cozinha os cogumelos até que eles comecem a ganhar cor (10 minutos). Retira os cogumelos do wok e reserva.

3. Adiciona mais uma c. de sopa de azeite e junta os peitos de frango. Salteia o peito de frango durante mais ou menos 5 minutos.

4. Acrescenta os cogumelos, metade das tiras de bacon, o caldo de galinha e as natas. Deixa o molho reduzir durante 10 a 15 minutos em lume alto ou até ter a consistência pretendida.

5. Polvilha o frango com a salsa picada e o restante bacon. Serve acompanhado com pão saloio ou arroz branco.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Come chocolates, pequena

Desde pequena que sou uma gulosa inveterada e no topo das gulodices sempre esteve o chocolate, de todas as cores, formas e feitios! Também em pequena, apaixonei-me por Óbidos. O Festival Internacional de Chocolate é por isso a desculpa ideal para juntar dois amores antigos. Desta vez foi também a oportunidade perfeita para um doce fim-de-semana em família.
O melhor é chegar à vila de manhã, para se conseguir ver as coisas antes das extensas filas e da grande confusão. É dentro da cerca do castelo que a maior parte da magia acontece, ou não fosse a Disney o tema deste ano. A par dos pontos de venda a grande atracção são as esculturas de chocolate. Podes ver esculturas do Pirata das Caraíbas, do Nemo e, a mais espectacular de todas, do Castelo da Bela Adormecida. Não faltam actividades ligadas a este ingrediente, como espectáculos de dança, workshops e cursos de chocolataria. Eu fiz o de nível I e logo à entrada fiquei um pouco desiludida com a pouca complexidade do curso. Mesmo sendo um nível muito básico deu para aprender alguns truques e no final comemos um bocado de brownie e de trufa italiana.  
Nas barraquinhas encontras todo o tipo de comida e bebidas "condimentadas" com chocolate, nem mesmo o queijo escapa ao rei da festa. A oferta é tanta que o difícil é mesmo escolher... Abrimos as hostes com uma ginja em copo de chocolate e depois do almoço, com vista para as muralhas, dividi um crepe de nutella e morangos com a minha irmã. Para casa trouxe uma caixa de estimulador de paciência (Funmácia) e uma caixa sortida de bom-bokas, que têm sido saboreadas devagar.
Nem imaginam as saudades que tinha destas bombas de chocolate... As que se vendem nos supermercados não chegam nem aos calcanhares das antigas da Imperial, mas as que vieram do festival chegam bem lá perto e fazem mesmo lembrar as bom-bokas da minha infância. Ainda me lembro da alegria que senti quando, numa viagem de comboio com os meus avós para Lisboa, um casal que ia na mesma carruagem que nós me ofereceu uma caixa inteira de bom-bokas de morango. Deliciei-me com todas elas e devo ter ficado como as crianças que vi a passear no festival, de olhos a brilhar e toda lambuzada de chocolate...