sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Robalo Assado com Manjericão e Hortelã

Este ano Agosto não está para praia, mas pelo menos tem dado para a pesca! De ano para ano este é o mês para o Miguel ir à procura dos robalos. Para ele só o robalo pescado à linha é que é bom, por isso se quero comer robalo em casa esta é a altura, já que é muito difícil convencê-lo a comprar robalo. Entendo que pescado à linha o robalo é consumido muito mais fresco, já que não leva gelo e também não anda aos trambolhões dentro duma rede, mas não sou tão fundamentalista quanto ele. É uma luta da qual saio sempre perdedora quando me apetece robalo fora da época. Assim tenho de aproveitar enquanto ele anda aqui pelas nossas águas.
Há muitas maneiras de comer este peixe, mas o melhor é mantê-lo simples. Nós gostamos dele grelhado na brasa e acompanhado por batatas ou uma salada. Mas, mais uma vez, quis aproveitar esta maré de abundância e de sorte do Miguel para experimentar outra receita. 
Desta vez inspirámos-nos numa receita da Mafalda Pinto Leite do livro "Dias com Mafalda".
Para 4 pessoas
- 2 robalos médios
- 2 limões, em rodelas
- 1 mão-cheia de folhas de manjericão
- 8 ramos de hortelã
- 6 dentes de alho laminados
- sal
- 1 copo de vinho branco
- 2 c. sopa de azeite
- papel vegetal

1. Aquece o forno a 180ºC. Por cima de uma travessa de ir ao forno coloca uma folha de papel vegetal.

2. Por cima da folha dispõe metade do limão, do alho, da hortelã e do manjericão. Coloca o peixe por cima desta cama aromática. Tempera com sal. Cobre o peixe com o restante manjericão, hortelã, alho e limão. Polvilha com mais sal. Rega com o vinho e o azeite. Embrulha bem com o papel.

3. Leva ao forno durante 30 minutos, abre o embrulho com cuidado e deixa dourar por uns minutos ou até estar cozinhado. Serve acompanhado de uma salada.

Nota: Se quiseres obter um aroma mais intenso coloca as ervas aromáticas na barriga do robalo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

São Martinho do Porto

Gosto de chegar a São Martinho do Porto de comboio. Não é a forma mais cómoda, nem mesmo a mais chique, mas é de longe a mais interessante. É tão bom poder olhar pela janela e ver as praias de arroz, enquanto vais ouvindo as famílias a tomar conta das carruagens. Mais os seus farnéis, os sacos dos brinquedos e os gritos das crianças. Todos preparadíssimos para um dia de praia no "bidé das marquesas".
Quando aqui passei as minhas primeiras férias não morri de amores pela vila. Achei que eram lisboetas a mais. Muito colégio privado, mas pouca educação. Muitos nomes sonantes, mas também muitas vidas de aparências. Lembro-me de as pessoas olharem para mim e para a minha irmã como se fossemos de outro planeta. Vinhamos do Norte, trocávamos o "v" pelo "b" e tratavamo-nos por "tu", coisa pouco conhecida nestas bandas, onde até o cão e o gato são tratados por "você". Enfim, betinhos de Lisboa... Só que como diz o poeta "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Agora é raro o ano que não damos um salto a São Martinho, onde recordo com saudade aqueles dias de Verão.
Para um regresso ao passado o frenesim do 15 de Agosto é o ideal. Posso estar anos sem aqui vir, mas sei que quando regressar vai estar tudo igual. Vou ver os mesmos meninos burgueses, com as mesmas camisolas pelos ombros, a mesma calcinha beje, o mesmo sapato de vela e exactamente o mesmo penteado. Não sei se ainda se mudam para aqui de armas, bagagens e criadagem, mas sei que em São Martinho Agosto não muda, apesar da passagem dos anos. De manhã desce-se à baía, o final da tarde é passado numa das esplanadas da marginal a beber um fino, depois de jantar desce-se a ladeira até à Rua dos Cafés e quando a fome aperta vai de crise (salsicha, ovo estrelado e batatas fritas).
Dito assim até parece que é um sítio desagradável, mas não é! Não foi à toa que as antigas famílias abastadas de Lisboa construíram aqui os seus palacetes de Verão. Além disso, a par destes palacetes e da baía, a imutabilidade dá-lhe um certo charme. Adoro São Martinho! Até gosto dos dias de Verão enublados e de ouvir os miúdos de quatro anos a tratarem-se por você. E gosto também dos rituais que fomos criando com o passar dos anos.
Não podemos ir a São Martinho sem parar na Casa do Pão de Ló de Alfeizerão.  Mesmo antes da entrada da A8 é a paragem ideal para um café ou um lanche antes de regressarmos a Aveiro. Se formos com os meus pais sei que quando acordar vão estar à nossa espera pães de leite fresquinhos, trazidos do mercado pelo meu pai. E, por falar em mercado, havendo tempo aproveitamos para ir à Praça da Fruta (Caldas da Rainha) para nos abastecermos de fruta e legumes.
Também é certo que vamos à Pastelaria Concha, uma pequena maravilha em bolos perto da igreja matriz. Aqui reina quase sempre a confusão (tens de tirar senha para seres atendido), principalmente ao domingo, antes e depois da hora da missa ou ao fim da tarde quando chega a hora de muitos regressarem a casa. Com ou sem confusão esta é uma paragem obrigatória para comer uma trança e trazer argolas (podes precisar de encomendar), miniaturas de palmiers, bolachas e areias para acompanhar um chá. Igualmente imperdível é o russo, a torta de chocolate e os palmiers recheados com creme de manteiga fresca, iguaizinhos aos que comia no ciclo e que me levam numa verdadeira viagem ao passado! Difícil é escolher o que comer...
Se procuras descanso e boa gastronomia São Martinho do Porto é um excelente destino de férias ou de fim-de-semana, mas se andas atrás de água e tempo quentes, então o microclima de São Martinho não é para ti, já que é aqui que o Inverno vem passar férias, com ou sem criados.

domingo, 7 de agosto de 2011

Robalo ao Vapor com Baunilha e Kumquat


O bom de se viver numa cidade perto do mar é conseguirmos com facilidade peixe fresco, seja comprado num dos mercados de peixe (Aveiro ou Costa Nova), trazido do mar pelo meu pai ou pescado à linha pelo Miguel. Não há nada que se compare à qualidade do peixe mesmo fresquinho, quando numa só garfada conseguimos sentir todo o sabor do mar. Como o meu pai é embarcado, habituei-me desde cedo ao encanto  deste pequeno prazer. Se à 6ª feira ligo à minha mãe a perguntar o que é o jantar, responde-me sempre: "Depende do que o vosso pai trouxer...". Lá no fundo rezo para que ele traga carapauzinho pescado no dia e que a minha mãe tenha vontade de o fritar... O Miguel, mesmo não tendo um pai que ande ao mar, também está acostumado ao sabor fresco do peixe. Toda a família pratica pesca desportiva e sabem bem como conseguir as maravilhas que o mar e a ria têm para oferecer.
Esta é a altura de o mar dar robalos e ontem à noite o Miguel e o irmão foram ver se apanhavam algum. A pesca não correu tão bem como tinham planeado, mas ainda assim deu para ele trazer um robalo para o nosso jantar. O Miguel queria escalá-lo para depois o grelhar, mas a mim apetecia-me algo diferente. Sugeri uma receita do Jamie Oliver que tinha guardada há mais de quatro anos. Um prato delicado e sofisticado de robalo cozido ao vapor, perfeito para supreender alguém especial. Substituímos o limão por kumquat de Sever do Vouga e o alho francês por espargos. Também reduzimos a quantidade de baunilha e achamos melhor cozer as cenouras juntamente com as batatas. No final obtens uma refeição saudável, com um robalo muito suculento e ligeiramente adocicado pela baunilha.

Para 2 pessoas
- 2 filetes de robalo
- 1/2 vagem de baunilha
- sumo e casca de 4 kumquats
- 1 c. sopa de azeite
- 500 ml de leite
- 8 espargos
- 2 cenouras, cortadas em palitos
- 6 batatas novas pequenas
- sal

1. Faz uns cortes nos filetes de robalo. Retira as sementes da vagem de baunilha e coloca tanto as sementes como a vagem num prato, com o sumo e a casca dos kumquats e o azeite. Com um garfo mistura bem as sementes de baunilha no líquido. Coloca o peixe no prato e cobre bem os filetes com esta marinada.

2. Coze as batatas e a cenoura em água a ferver com sal. Quando estiverem quase cozidas escorre a água. Mistura com os espargos e uma pitada de sal.

3. Num tacho coloca o leite com a vagem de baunilha em lume brando e por cima do tacho a panela de bambu. No primeiro andar da panela coloca a mistura de vegetais e no segundo andar os filetes de robalo, com a pele virada para cima. Abre os cortes feitos na pele do robalo e despeja por cima o molho da marinada (sem a casca de kumquat). Coloca a tampa e deixa cozinhar no vapor do leite durante 15 minutos.

domingo, 31 de julho de 2011

Aldeia da Mata Pequena

Estávamos a precisar de passar uns dias num sítio onde pudéssemos não fazer nada e onde o tempo parasse... Encontrámos esse lugar na Aldeia da Mata Pequena, uma aldeia à moda de antigamente, onde o tempo andou para trás. Nestes dias só chegámos perto do fogão para fazer chá ou café e a nossa única preocupação foi garantir que os gatos que por ali andavam não entravam em casa ou levavam a comida…
Quem nos “contou” sobre esta aldeia perdida em Mafra foi a Evasões de Junho de 2011. Antes de te fazeres ao caminho confirma que tens tudo o que precisas para a estadia, pois assim que te tiveres instalado vais ter pouca vontade de sair! Para lá chegares o melhor é ignorares as novas tecnologias e apontares as indicações que vêm no site da aldeia. É preferível seguires indicações como “a seguir a um moinho vire à direita” do que colocar as coordenadas no GPS que te vai mandar para caminhos de cabras e de terra batida.
À chegada fomos recebidos pelo Diogo que nos falou da recuperação da aldeia e nos “abriu” a porta para a Casa do Feno. Mal atravessámos a porta de madeira ficámos apaixonados! A casa era simplesmente deliciosa e estava cheia de pormenores à espera de serem descobertos. Ali tínhamos tudo o que necessitávamos para uns dias desligados do Mundo e sem hora marcada para nada, nem sequer para o pequeno-almoço.
O primeiro dia amanheceu ligeiramente encoberto, mas isso não nos preocupou. Ainda em pijama tomámos o pequeno-almoço na varanda da casa e deliciámo-nos com o pão saloio, pendurado todos os dias na porta dentro de um saco de pano. Depois disso deixámo-nos estar na antiga eira a ler.
A aldeia disponibiliza muitas actividades, mas não aderimos a nenhuma delas. Não existiu vontade para nada, excepto para desfrutar da vista e ouvir o silêncio, apenas interrompido pelo cantar das carriças ou o zurrar dos burros. Houve um dia que iamos perdendo a cabeça e que quase cozinhámos. Levantámo-nos das espreguiçadeiras para ir fazer uma bruschetta de tomate cereja, só que o pão era tão saboroso que à medida que o fomos cortando em fatias também o fomos comendo…
No meio da nossa inércia conseguimos encontrar forças para fazer um pequeníssimo passeio pela aldeia e petiscar qualquer coisa na Tasca do Gil. A tasca fica logo no inicio da aldeia e pode ser um excelente aliado para quem não quer cozinhar. Também têm serviço de take way, para os que levam a preguiça mesmo a sério e cestos de piquenique.
Após estes dias perfeitos foi difícil vir embora. A tarefa de arrumar as malas que vieram com roupa que não chegou a ver a luz do dia e tirar do frigorífico os ingredientes que nunca viram o tacho foi quase penosa... Ficámos completamente enamorados e pretendemos voltar um dia a esta aldeia que não é nossa, mas nos faz sentir em casa!

domingo, 24 de julho de 2011

Sumo de Amoras Vermelhas

Sabe tão bem estar de FÉRIAS!!! Podermos acordar tarde, tomar o pequeno almoço descontraidamente no sofá, acompanhar momentos relaxantes com um sumo natural fresco, recordar o Tarzan na televisão e lembrar que amanhã não é dia de trabalho...

Para 2 copos
- 1 embalagem (125 g) de amoras vermelhas congeladas
- 1 banana
- 250 g de sumo de maçã

Num copo misturador tritura o sumo de maçã, a banana cortada em bocados e as amoras congeladas. Divide o sumo por dois copos e bebe fresco.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bolachas de Chocolate

Somos uns padrinhos desnaturados e só agora é que demos à nossa afilhada o folar deste ano e do ano passado. Diga-se a nosso favor que no ano passado, por altura da Páscoa, a G. estava do outro lado do Atlântico e por isso é que não teve o folar. O tempo foi passando e a certa altura decidimos acumular as prendas. Acho que ela não se chateou muito com isso, até porque assim parece que recebeu muitas prendas. Oferecemos um kit infantil para bolachas (com formas, rolo da massa, tabuleiro, etc.) que é uma fofura e um avental da Sushie Design que fez um sucesso. Equipados a rigor passámos um belo fim de tarde todos juntos na cozinha a fazer bolachas, que ficaram rústicas e um bocado amargas, mas que mesmo assim a G. achou que estavam muito boas (o bom de cozinhar com crianças é elas gostarem sempre daquilo que é feito por elas)!
Duas coisas contribuíram para o pequeno fracasso das bolachas. A primeira foi falha humana, usei cacau em pó em vez de chocolate em pó e a segunda foi culpa do material, a nossa balança, que é muito muito linda, não se dá bem com pesagens pequenas e mais precisas, por isso pode-se dar o caso de ter posto açúcar a menos e cacau a mais...

Apesar desse pequeno pormenor conseguimos atingir o objectivo que era passarmos juntos uma tarde divertida na cozinha a pesar os ingredientes, partir ovos e fazer bolinhas de chocolate. Depois de termos estado com as mãos na massa, ainda houve tempo para ouvir a "chuva" de peças do Master Mind a cair, "jogar" às cartas, mandar torres de paralelepípedos a baixo e brincar com bolas de sabão gigantes...  

Para cerca de 20 bolachas
- 50 g de açúcar em pó
- 150 g de manteiga, à temperatura ambiente
- 200 g de farinha
- 50 g de chocolate em pó
- 1 ovo

1. Pré-aquece o forno a 170ºC.

2. Numa taça junta o açúcar com a manteiga, cortada em pequenos pedaços. Bate bem até obteres um creme. Adiciona a farinha e o chocolate até obteres uma mistura homogénea. Por fim, junta o ovo, batendo sempre. Tapa a taça com película aderente e leva ao frigorífico durante 30 minutos ou até a massa estar dura.

3. Faz bolas com a massa e achata-as com as palmas da mão, formando bolachas. Distribui as bolachas por um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal. Leva ao forno durante cerca de 15 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer as bolachas no tabuleiro.

domingo, 3 de julho de 2011

Feira do Mirtilo

Hoje foi o último dos três dias da Feira do Mirtilo, em Sever do Vouga. Era a nossa estreia na feira e íamos cheios de vontade de ver a chef Leonor de Sousa Bastos e comprar mirtilos para fazer umas experiências culinárias, mas a coisa não correu bem como nós tínhamos planeado.
Para começar, quando chegámos às 15h00 para assistir ao workshop da autora do Flagrante Delícia, na tenda estava um homem a fazer um caril de gambas. Poucos minutos depois chegou a desilusão, quando descobrimos que não ia haver nenhuma sobremesa espectacular feita pela chef Leonor. Desconfio que, apesar do nome dela constar do programa, ela nunca tenha estado para vir. No livro de receitas "Mirtilo à Mesa" não vem lá nenhuma receita dela e era suposto estarem lá todas as receitas apresentadas nos workshops realizados durante a feira. A fotografia dela também não aparecia no programa, tal como não aparecia o nome dela no placar com os workshops à entrada da tenda.
Deixámos a tenda e fomos dar uma volta pela feira. O Parque Urbano de Sever do Vouga é um espaço muito agradável, no entanto demasiado pequeno para tantos que se deslocaram no Domingo até à feira. Parecíamos formiguinhas num carreiro e não dava para ver nada... A maioria das estantes das barracas encontravam-se vazias e o tempo de espera nas filas era interminável e cheio de encontrões! Enquanto esperávamos na fila para provar uma fatia de tarte de mirtilos e morangos, estava lá um senhor há mais de meia hora à espera de broa e pães de mirtilo (os pães quentes eram deliciosos, já frios não tinham grande piada) e depois de nos virmos embora com 10 pães no saco e cada um com a sua fatia de tarte o senhor ainda lá ficou à espera da broa pelo menos mais outra meia hora.
Com a tarte já no papo regressámos à tenda dos workshops para assistir ao chef Gonçalo Costa a confeccionar duas versões dum "Magret de pato com foie gras e chutney de mirtilos". A primeira versão era com uma salada quente de rúcula e espargos e na segunta o magret de pato era acompanhado por uma salada fria de rúcula e espinafres. O Miguel provou e não achou nada de especial, mas talvez por não ser grande apreciador de foie gras.
No final do workshop ainda estava para vir a grande surpresa do dia... Fomos até à zona da venda de mirtilos e por inacreditável que pareça não havia mirtilos. Como é que é possível que se deixe acabar o ingrediente principal da feira?!?!?! Tristes lá viemos embora de copo de sumo de mirtilo na mão...  Fazendo um balanço, a feira tem todas as condições para ser um grande acontecimento mas para nós foi um fracasso...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ourense

No fim-de-semana fomos passear até Ourense. Por coincidência calhou irmos num fim-de-semana cheio de festas. Nas ruas e praças da zona histórica da cidade tínhamos o VII Mercado Medieval, incluído nas Festas Ourense 2011. Na vila de Allariz, a cerca de 20 km de Ourense, decorria a Festa do Boi. A única coisa que não ajudou a nenhuma das festas foi o calor que se fazia sentir naquele vale da Galiza e que só deu para suportar graças aos banhos nas termas.
Desde que foi para Ourense de Erasmus a minha irmã J. não falava doutra coisa se não das termas e nós estávamos um bocado curiosos. Quando de manhã saímos a correr de casa para apanhar o comboio turístico (0,78€ bilhete de ida, mais ou menos 40 minutos de viagem) nunca sonhavamos que íamos encontrar um pequeno paraíso. O ambiente das termas é muito zen, não só por causa das suas águas mas também por toda a envolvente verde. Os pequenos jardins que temos de percorrer até chegar às "piscinas" de água quente ou fria, as árvores que fornecem sombra em dias de calor e o rio Minho que corre aos nossos pés são os ingredientes perfeitos para atingir um estado de puro relaxe. Infelizmente naquele dia não tinhamos muito tempo para os banhos, mas ainda assim deu para nos refrescar naquelas águas fantásticas e no espaço público muito bem cuidado.
De volta à cidade e ao calor recuámos no tempo numa das barracas do Mercado Medieval. O cheirinho que vinha do grelhador era inebriante e os contrastes de cor entre os tons castanhos e o verde vivo dos pimentos padrão também eram muito chamativos.
Aproveitando a sombra debaixo das arcadas  comemos uns ossos que estavam muito bons, mais umas salsichas frescas, tudo acompanhado de batatas fritas. Depois de almoço eramos para ir ver as tendas de artesanato, mas esquecemo-nos que aqui nesta parte do mundo existe uma coisa chamada sesta e por isso não havia nada aberto. Como em Roma sê romano, a seguir a um gelado fomos para casa dormir uma sesta e devido ao calor (40ºC à sombra) cancelámos os planos da tarde de ir ver as corridas de bois.
À noite e ainda com 35ºC na rua fomos até Allariz, para jantar na Festa do Boi, uma celebração já antiga, que foi recuperada no ano de 1983, onde se vê muita gente a cair de bêbeda. Tirando isso o ambiente da festa é alegre e a pequena vila é muito bonita, toda em pedra e de ruas estreitas. Fomos à procura de um sítio para comer, mas não estava fácil... As bodegas estavam todas a abarrotar e decidimos ir procurar um sítio no meio da feira, o que se revelou uma má opção, já que para esses lados a comida não era grande coisa, sendo que a carne estava basicamente crua. Mas nem tudo era mau, num evento que dá pelo nome de Festa do Boi o melhor que se conseguia comer era polvo cozido.
Os pratos de polvo que viamos passar tinham um aspecto delicioso e como tinhamos ficado desconsolados com a carne fui para a fila do pulpo.  Apesar da longa fila, a espera valeu a pena e consolámo-nos com a iguaria simples de polvo cozido, apenas temperado com sal, piri-piri e azeite. Quem também se ía consolar por lá era a ASAE, visto que as condições de higiene e de conservação dos alimentos eram inexistentes. A carne estava guardada em várias geleiras, a levar com o calor dos grelhadores. O polvo era cozido numa panela gigantesca no meio dos caminhos de passagem (aos Domingos é possível ver destas panelas nas ruas de Ourense) e a senhora que estava a cortar o polvo, que saía directamente da panela por baixo da tábua de cortar, era a mesma que recebia o dinheiro e nos dava o troco, tudo isto sem lavar as mãos uma única vez!
Para terminar o fim-de-semana em beleza voltámos às termas, mas desta vez para passar lá o dia todo. Primeiro banhos, depois sandocha de atum à sombra das árvores, seguida de sesta, mais banhos nas piscinas, leitura à sombra e contemplação do espaço. Por outras palavras, não fizemos nada, foi só descansar e ganhar forças para o regresso a casa e para mais uma semana de trabalho... 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Limonada de Mirtilos

Na semana passada começou o Verão e naquele que é o dia mais longo do ano fomos até à praia da Barra para relaxar um bocado. O Miguel foi à pesca e eu fui "pescar" uns finos e uma empalhada. A pesca, como devem imaginar, correu melhor a mim do que a ele. Os meus finos estavam maravilhosos e ele só apanhou peixe pequeno que devolveu ao mar.

Enquanto descontraía numa esplanada junto ao farol e com vista para o mar, ía fazendo pequenos intervalos do livro que tinha como companhia para observar o que se passava à minha volta. Havia um escritor na mesa de trás que sonha um dia ganhar o prémio Saramago, um homem musculado que aproveitava o final do dia para passear o seu caniche no passadiço, mas também uns putos irritantes com as hormonas aos saltos... Ao longe, o areal era partilhado pelos pescadores, por uns "noivos" a tirar as fotografias da praxe para finalizar o album de casamento e os casalinhos à espera do pôr-do-sol.

Com o aproximar do final do dia o tempo começava a arrefecer e era hora de ir procurar o Miguel e descobrir como lhe tinha corrido a pescaria. Pelo caminho ainda me cruzei com um mega grupo que tomou conta da praia para uma sardinhada, talvez para comemorarem o início da nova estação, pois em Portugal não há nada que represente melhor o Verão do que o cheiro a sardinha assada.

Outra coisa que para nós significa Verão são as refeições ao ar livre e as limonadas. E como parece que anda aí muita gente com excesso de limões, está já a sair uma limonada especial, para beber bem fresca em casa ou num piquenique.

Para 1,5 l
- 1 chávena (250 ml) de água
- 1 chávena de açúcar
- 1 chávena de mirtilos
- 250 ml de sumo de limão
- 750 ml de água
- folhas de hortelã
- gelo

1. Começa por fazer um xarope com os mirtilos. Num pequeno tacho coloca a água, o açúcar e os mirtilos. Leva a lume médio até o líquido começar a ganhar cor (5/10 minutos, dependendo da intensidade do lume). Passa o líquido por um coador para retirar as cascas dos mirtilos. Deixa arrefecer completamente e leva ao frigorífico durante 1 hora.

2. Para fazer a limonada. Num jarro junta o sumo de limão, a água e o xarope de mirtilos. Prova e adiciona mais água ou açúcar conforme o gosto. Leva ao frigorífico até à hora de servir.

3. Antes de servires adiciona o gelo e as folhas de hortelã.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Espargos Assados com Mini-tartes de Tomate


Fico doida quando nalgum livro de receitas vejo a lista de ingredientes e depois olho para a foto e vejo ingredientes que por mais que procure não se encontram na tal listinha. Que não queiram partilhar com os comuns mortais todos os seus truques de chefs eu até entendo, mas pelo menos antes de lançarem os livros confirmem se bate tudo certo. É o minímo...

Parte desta receita, adaptada do livro "Dias Felizes com Jamie Oliver", é um exemplo disso. Quando percorremos a lista de ingredientes não vemos nenhuma referência a tomates cereja, só que ao olhar para a foto lá estão eles, vermelhos e viçosos. A primeira vez que fiz os espargos assados incluí os tomates cereja, já que davam cor ao prato. Na altura achei que com algumas alterações o prato tinha potencial como entrada ou como um almoço tardio de domingo. As alterações de base já estavam há uns tempos na minha cabeça, só que não conseguia decidir se usava tarte com tomates crus ou tomates assados, daí a receita final ter demorado a materializar-se.

Desta vez usei uma haste de alecrim, como indicado na receita original, mas como tive um trabalhão a "catar" as pontas de alecrim que ficaram coladas aos espargos da próxima vez vou usar o azeite de alecrim que a minha irmã nos deu pelo Natal, penso que a diferença no sabor não será muita. A lista de ingredientes é longa mas o prato é simples de fazer e bastante saboroso.

Para 4 pessoas
- 24 espargos
- azeite de alecrim
- 4 fatia de presunto
- 1/2 limão
- 1 base de massa quebrada
- 24 tomates cereja, cortados ao meio
- 24 azeitonas, sem caroço
- manjericão, grosseiramente picado
- azeite
- queijo da ilha ralado
- 1 noz de manteiga

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.
 
2. Apara os pés dos espargos, dobrando-os e partindo por onde estalarem naturalmente. Envolve bem todos os pés no azeite de alecrim. Pega em 6 espargos e enrola a fatia de presunto à volta do centro para atar tudo. Faz outros três molhos iguais e alinha-os num tabuleiro de forno com meio limão. Reserva.
 
3. Corta a base de massa quebrada ao meio (guarda a outra metade no congelador para outra altura). Corta a base em 8 tiras. Coloca as tiras de massa quebrada no centro de 8 formas de queque e com a ajuda dos  polegares pressiona e molda as tiras de massa de maneira a esta cobrir a forma toda. Pica a massa com um grafo. Leva os espargos e a massa quebrada ao forno.

5. Entretanto, numa taça, mistura os tomates cereja com as azeitonas e o manjericão. Adiciona um fio de azeite e reserva.

6. Quando a massa estiver dourada (mais ou menos 10 minutos) retira as formas do forno e usa uma colher para pressionar a massa de volta aos lados da forma (cuidado para não te queimares, que foi o que me aconteceu). Distribui a mistura de tomate pelas formas e polvilha com o queijo da ilha.

7. Leva as mini-tartes de novo ao forno até o presunto ficar estaladiço e o queijo gratinado (aproximadamente mais 10 minutos). Tira do forno, junta uma noz de manteiga e espreme o sumo de limão assado sobre os espargos e serve-os ainda quentes, acompanhados com as mini-tartes.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tarte de Requeijão e Morangos

Hoje almocei com a minha amiga A.P. e esta foi a nossa sobremesa. Já andava para postar a receita da tarte de requeijão há algum tempo. Da primeira vez as fotos não ficaram bem, da segunda não sobrou tarte a tempo de ser fotografada e entretanto já tive os ingredientes para a fazer e acabei por deixar passar o prazo.

A semana passada li numa revista que segundo um estudo da ONU um terço da comida produzida em todo o mundo é desperdiçada. Nos países em desenvolvimento a maioria das perdas acontece na produção ou no aprovisionamento, enquanto que nos países industrializados grande parte do desperdício acontece já em nossas casas, onde muita comida acaba no lixo. Não nos orgulhamos disso mas ao ler o estudo sabemos que contribuimos para este número tão assustador. Infelizmente, devido ao ritmo de trabalho e à falta de tempo ou perguiça para cozinhar, ultimamente temos deixado estragar alimentos mais do que o normal. Algumas vezes compramos produtos frescos a achar que nessa semana vamos fazer mais refeições em casa ou pomos peixe a descongelar para o jantar e depois por algum motivo acabamos por não o confeccionar e com uma "dor na alma" lá vai a comida para o lixo.`

Conversámos e combinámos que isto de deitar alimentos fora tinha de  acabar, nem que para isso tenhamos de ir mais vezes ao mercado e que vamos passar a planear as refeições ao fim-de-semana, tendo em conta os nossos horários. Claro que imprevistos vão surgir sempre mas se tivermos um "guião" para seguirmos isso é mais difícil de acontecer e não nos sentimos tão tentados a mandar vir comida de fora ou a optar por refeições que é só pôr no microondas e plim "está pronto".

Tendo isso em mente, este fim-de-semana não deixei escapar os ingredientes para este post, já que tinha o género de ingredientes que não se podem deixar estragar: morangos muito saborosos trazidos pelo Miguel do quintal dos pais e requeijão de Seia comprado religiosamente todos os sábados pela minha avó.

Para 8 fatias
- 1 requeijão de Seia
- 5 ovos
- 50 g de manteiga derretida
- 100 g de açúcar
- 100 g de farinha
- 15 morangos, arranjados e cortados em quartos

1. Pré-aquece o forno a 180ºC.

2. Bate o requeijão esfarelado com as gemas. Junta a manteiga e mexe. Adiciona o açúcar, a farinha e por fim as claras em castelo. Envolve os morangos na mistura anterior.

3. Verte a mistura para uma forma redonda untada e leva ao forno durante 45 minutos ou até sair um palito limpo. Deixa arrefecer antes de desenformares.

sábado, 28 de maio de 2011

Palitos de Curgete com Ovo Escalfado

E ao vigésimo dia eis que surge uma nova receita... que pode servir como salada numa refeição leve ou então como entrada.
A receita é do Henrique Sá Pessoa, para o programa Ingrediente Secreto, num episódio dedicado à curgete. É mais ou menos o que nós vamos andar a fazer nos próximos dias para podermos gastar as curgetes que a minha "irmã" do Oeste nos trouxe, directamente do quintal dos pais dela, juntamente com nozes e alecrim. Os ovos vieram das galinhas dos meus pais que ultimamente andam muito poedeiras!

Para 2 pessoas
- 4 curgetes pequenas
- azeite
- 3 cubos de manteiga
- sal
- 2 ovos
- cebolinho picado
- vinagre
- 1 iogurte natural

1. Utiliza o exterior das curgetes e corta-o em forma de palitos grossos. Aquece o azeite numa frigideira com a manteiga. Quando estiver bem quente, junta as curgetes e tempera com uma pitada de sal. Vai mexendo os palitos de curgete e quando estiverem dourados junta o cebolinho, mexe e retira do lume.

2. Entretanto, coloca água a ferver para fazer o ovo escalfado. Quando a água estiver a ferver junta o vinagre (para 10 partes de água junta 1 parte de vinagre). Mexe a água com as varas no sentido dos ponteiros do relógio. Baixa o lume da água e coloca o ovo no centro do remoinho. Escalfa o ovo durante 2/3 minutos. Retira o ovo pronto e escorre-o. Tempera com uma pitada de sal.

3. Serve tudo com um pouco de iogurte natural e um fio de azeite.

domingo, 8 de maio de 2011

Compota de Pêssego e Cardamomo

Ontem fomos ao mercado procurar ruibarbo para fazer compota de morangos e ruibarbo, mas como não encontrámos e pareceu-nos que não sabiam bem do que estávamos a falar, mudámos de ideias. Comprámos os legumes que precisávamos para a sopa, fruta para durante a semana e uns pêssegos carecas que estavam mesmo a olhar para nós. Como já devem ter percebido os pêssegos tiveram como destino a panela e adicionei-lhes umas sementes de cardamomo que andava mortinha por usar. 

A combinação é perfeita! A doçura dos pêssegos e o travo a citrinos do cardamomo tornam a compota uma explosão de frescura e ao abrirmos o frasco sentimos um suave perfume a Primavera. Para tornares o sabor ainda mais intenso, serve a compota com queijo amanteigado de vaca e ovelha por cima duma língua de veado estaladiça...

Para 2 frascos
- 1 kg de pêssegos cortados (precisas de mais ou menos 1,5 kg de pêssegos inteiros)
- 500 g de açúcar
- 4 sementes de cardamomo

1. Numa panela de tamanho médio coloca o pêssego cortado em cubos e o açúcar. Leva a lume médio durante 5 minutos. Retira do lume e junta as sementes de cardamomo partidas, dentro duma bola de rede para chá (assim é mais fácil depois retirares as sementes). Deixa repousar de um dia para o outro.

2. Leva a panela a lume médio durante meia hora, mexe de vez em quando e vai esmagando o pêssego com a ajuda de um garfo.

3. Quando tiveres obtido a consistência desejada (eu gosto da compota mais líquida), passa a mistura para frascos esterilizados e enche até cima. Fecha os frascos com a compota ainda quente e vira-os ao contrário até arrefecerem.

sábado, 30 de abril de 2011

Requeijão Assado

Foto: P.P.
Ontem algumas ruas da capital, a dos meus tios incluida, vestiram-se de branco e para não ficarmos a destuar fizemos uma entrada da cor da neve para o pré-almoço de Dia da Mãe.
A entrada foi um sucesso, principalmente junto do meu cunhado J. que gosta de coisas picantes, e é um mix de inspiração entre a receita com queijo feta do The Closet Chef e da receita de requeijão assado da Mafalda Pinto Leite.

Para 4 a 6 pessoas
- 1 requeijão de Seia
- 1 mão-cheia de ervas aromáticas - salsa, coentros, manjericão, etc.
- 1 malagueta vermelha fresca, picada e sem sementes
- raspa de 1/2 limão
- azeite de piri-piri
- sal

1. Pré-aquece o forno a 200ºC.

2. Cobre um prato de ir ao forno com azeite. Coloca o requeijão no prato, polvinha com as ervas aromáticas, tempera com sal e rega com um pouco mais de azeite. Leva ao forno durante 15 minutos, até o requeijão ficar ligeiramente dourado.

3. Numa tigela junta a malagueta picada, a raspa de limão, azeite e sal. Serve o requeijão assado quente, com o molho de malagueta por cima, sobre fatias de pão.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sandes de Presunto

Hoje não trabalhei de manhã. Depois de levar o Miguel ao trabalho, ainda meio ensonada, voltei para casa e aproveitei para tomar o pequeno-almoço com calma enquanto via as notícias da manhã e desfolhava pela n-ésima vez o livro "2780 Taberna - Cozinha Experimental".  Consigo passar horas a desfolhar este livro, para mim é um excelente livro de receitas, com uma apresentação retro e muito sentido de humor.  

Pastar no sofá estava a saber muito bem só que estava bom tempo e por isso decidi ir dar uma volta até ao mercado para comprar fruta e legumes. Ia na ideia de comprar espargos para uma salada, mas como não havia no mercado e não me apetecia enfiar num supermercado tinha de pensar numa alternativa. Não sabia muito bem o que havia de ser, mas alguma coisa me havia de ocorrer enquanto bebia uma água numa das esplanadas do mercado e lia umas páginas do livro "O Elefante Evapora-se" do Haruki Murakami.

E foi isso mesmo que aconteceu... lá me lembrei dum folhado de presunto que tinha marcado hoje de manhã com um post it no livro da Taberna. Como me tinha distraído com as leituras não tinha muito tempo para preparar o almoço e comprar os ingredientes em falta, por isso fiz algumas adaptações à receita. Substituí o folhado com sementes de sésamo por pão de sementes e a compota feita com figos secos e vinho do Porto por doce de figo.

A sandes é uma combinação simples e deliciosa de ingredientes. O picante da rúcula combina muito bem com a doçura do doce de figo e com o salgado do presunto e do queijo da ilha.

Para 1 pessoa
- pão de sementes
- rúcula
- presunto em fatias
- queijo da ilha em lascas
- compota de figo

Abre o pão ao meio e coloca folhas de rúcula, fatias de presunto, queijo da ilha em lascas (usa um descascador de legumes para conseguires lascas fininhas) e compota de figo ao teu gosto.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lisboa

Lembram-se do post das pipocas e da importância de conseguirmos desligar duma semana de trabalho? Pois bem este fim-de-semana rumámos até Lisboa. Fomos ter com o F. e o Z. e foram dois dias de puro relax e sem horas para nada.
Demos início a uma manhã de sobe e desce pelo centro de Lisboa no Quiosque de Refresco do Largo de Camões (todos os dias, das 7h30 à 1h00), onde parámos para um café e um delicioso queque de baunilha. Já há muito tempo que eu queria ir conhecer os antigos quiosques e antes de partir para a capital tinha planeado ir até ao Quiosque do Príncipe Real, mas vai que o do Largo de Camões se atravessou primeiro no nosso caminho e uma paragem na sua esplanada cheia de vida pareceu-nos uma boa maneira de começar o nosso passeio. Este é um sítio onde se vendem refrescos e sabores tradicionais portugueses e onde se pode descontrair de dia ou de noite, sem corantes nem conservantes. No Domingo, antes de regressarmos para Aveiro, voltámos lá para comprar uma garrafa de xarope de groselha e dois queques para a viagem, trazendo connosco um pouco dos sabores da nossa infância e um cheirinho das horas de dolce far niente.
De queque no bucho arrancámos para o Príncipe Real para irmos espreitar o Mercado Biológico, que funciona todos os Sábados de manhã no Jardim do Princípe Real (das 8h00 às 14h00), deambularmos pelas suas ruas e apreciarmos as vistas sobre Lisboa. Numa dessas ruas fomos dar com uma gulosa surpresa... a pequena chocolataria Claudio Corallo (Rua Cecílio de Sousa, 85; 2ª a 6ª, das 10h00 às 19h00, Sábado, das 10h00 às 14h00).
O nome não me era estranho e veio-me à memória a foto dum gelado. Estava calor e eu começava a ficar cansada de andar rua acima e rua abaixo, por isso fomos até lá para um gelado de chocolate. Azar dos azares a sorveteira estava avariada e não havia gelado para ninguém. A senhora apresentou-nos como alternativa um chocolate quente. Apesar do calor claro que aceitei a sugestão, o chocolate era maravilhoso, no entanto soube a pouco e com tanto chocolate à vista era pecado ficar apenas por ali. Com a lista de chocolates na mão decidimo-nos por um bocado de chocolate com frutos secos, uns quadradinhos de chocolate com café e uma tira de chocolate com avelãs. É difícil sair desta loja sem perder a cabeça e já de saquinha na mão e conta a começar a ser feita não consegui resistir às mini fatias de salame que estavam à minha frente. Por minha vontade assentávamos arraiais na loja, mas tínhamos de seguir caminho e partir para outras paragens. Voltámos até ao Chiado e depois descemos a Rua do Alecrim até ao Cais do Sodré, para darmos uma volta junto ao rio Tejo e pelo Mercado da Ribeira.

Ao descer a rua dois espaços chamaram a minha atenção, um devido à porta vermelha da entrada e à montra com um cesto de pão com um aspecto maravilhoso (Quinoa, padaria biológica, mas também casa de chá e loja gourmet) e outro devido ao mega Galo de Barcelos que tinha na parede. Ao fazermos o regresso ao Chiado, desta vez a subir, lá comecei a choramingar uma pequena pausa para beber uma água e comermos qualquer coisa para enganar o estômago. Entrámos então no Cais do Chiado (Rua do Alecrim, 26M; 2ª a 6ª, das 8h30 à 0h00, Sábado, das 10h00 à 0h00 e Domingo, das 10h00 às 16h00), que conforme ao que fores é cafetaria, mercado biológico e restaurante e aos fins-de-semana tens direito a brunch. O espaço é agradável e podes beber uma água ou comer qualquer coisa enquanto descansas ao som da bossa-nova. O atendimento é simpático mas não me convenceu muito.
Já estávamos sentados quando pedimos um folhado de frango, uma "cestinha" de queijo de cabra (um bocado enjoativa) e uma água e o empregado nos diz que nos podiamos levantar para ir "escolher" a bebida. Ora nós já tinhamos escolhido a bebida, por isso não havia necessidade de nos levantarmos. A meu ver, uma vez o cliente estando sentado e já tendo escolhido o que vai beber, não faz muito sentido ter de se levantar para ir buscar a bebida. Mas enfim, devem ser modernices da capital, aquele género de coisas que quem vem da "santa terrinha" não entende. Apesar disso o lugar merece uma visita pelo ambiente informal ou para ganhares forças antes de chegares ao cimo da rua.
O resto do dia foi passado a não fazer nenhum, na Esplanada/ Miradouro do Adamastor (Rua de Santa Catarina; horário de Verão: todos os dias, das 10h00 às 04h00; horário de Inverno: todos os dias, das 12h00 às 21h00), enquanto comíamos um gelado, bebíamos uns finos, apreciávamos o rio Tejo a correr ao fundo e trocávamos dois dedos de conversa. Este é um sítio descontraído e ideal para recuperar dos dias de trabalho, da rotina do dia-a-dia e recarregar baterias enquanto fazes a fotossíntese em dias de sol.

Por um lado sinto uma inveja tremenda dos lisboetas por poderem usufruir de espaços como aqueles por onde passámos sempre que quiserem, por outro acho que não conseguiríamos viver ao ritmo acelerado a que eles vivem, onde tudo é a correr, sempre cheios de pressa (até mesmo ao fim-de-semana) e a buzinar por tudo e por nada...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Linguine de Azeitonas Pretas

Sou perdida por azeitonas, então pretas e rijinhas, venham elas! Quando andava a estudar comia azeitonas com quase tudo, com pão, com banana, com iogurte... Aliás toda a minha família tem uma paixão por azeitonas, tanto que se comprou uma taça azul com tampa da tupperware só para as azeitonas. E quando a minha mãe ia ao sábado de manhã à praça não saía de lá sem uma saquinha cheia de azeitonas, que era suposto durar para toda a semana. Há famílias que têm de ter sempre pão na mesa às refeições, nós temos de ter azeitonas.

Outra coisa que também adoro é massa, por isso juntar estes dois ingredientes num prato é ouro sobre azul!

Para ficar ainda melhor recomendo manjericão fresco no final. Eu queria ter usado, mas como não havia no supermercado teve de ser mesmo só com oregãos em pó. O prato é rápido e simples de preparar e muito saboroso. É ideal para um almoço solitário de dia de semana, naqueles dias que nos apetece comida caseira mas não grande tempo para pratos muito elaborados.

Para 1 pessoa
- 60 g de linguine
- azeite
- 1 dente de alho esmagado
- sal
- 1 c. de chá de pasta de azeitonas pretas
- 1 c. de café de oregãos em pó
- 1 gema de ovo
- azeitona pretas em rodelas
- folhas de manjericão fresco

1. Coze o linguine num tacho com água a ferver, sal, o dente de alho e um fio de azeite até estar al dente.

2. Enquanto a massa coze, junta a pasta de azeitona com os oregãos, a gema de ovo e adiciona um fio de azeite e mistura muito bem.

3. Escorre a massa, deita num prato fundo, mistura com a pasta anterior e mexe de maneira a que o linguine fique todo coberto pela pasta. Serve polvilhado com a azeitona às rodelas e o manjericão fresco.