sábado, 15 de junho de 2013

Esparguete à Bolonhesa

A beleza é o inverso do conformismo, o inverso de estar fechado numa caixa a seguir as regras à risca. É sinónimo de gosto e teimosia, visível na Natureza e nas ruas, dentro de nós e nas palavras, nos contornos do corpo e nas mãos que trabalham, no ritmo da música e no que nos alimenta... Beleza é estilo e qualidade, simplicidade e complexidade, sem seguir modas ou tendências. Beleza é coragem de seres tu mesmo, não teres vergonha de quem és!
(Actualizado a 24/06/2013: Vim passar uns dias a São Martinho do Porto, com a minha irmã A. e a minha sobrinha. O tempo para me ligar à net não é muito e é sempre a correr. Quando vim ao blog para ver como andava o movimento deu-me uma coisinha má... Grande parte do texto deste post tinha desaparecido. Eu sei o que aconteceu, dado o adiantado da hora e o sono, devo ter carregado em algo que não devia. O texto que aparece em baixo não é igualzinho ao original - tenho de começar a fazer backups - mas reflecte a sua essência.)

Também existe muita beleza numa armação e em quem a usa com orgulho! Claro que não são todas as pessoas que conseguem admirar a excelência nas linhas curvas e minimalistas duma armação, mas enfim, não sabem o que perdem e às tantas anda-lhes a fazer falta uns óculos. Um dos dias mais felizes da minha adolescência foi aquele em que o oftalmologista me disse que ia precisar de usar óculos. Que não me preocupasse que era só para ler, que tinha a vista cansada e tal. Discurso perdido! Desde o tempo do ciclo que eu tinha um fascínio por armações e só aguardava pacientemente o dia em que começasse a ver mal para o quadro. Tinha a certeza que esse dia havia de chegar. Com um nome a iniciar pela letra S, estavam-me reservados os lugares do fundo da sala, além disso muitas pessoas da minha família usavam óculos. Era apenas uma questão de tempo...

Tempo e dinheiro. Apaixono-me invariavelmente por armações de preços acima do desejável, normalmente feitas à mão. Como o modelo de Anne et Valentin, pelo qual me apaixonei numa visita a casas de óptica com a minha amiga I., para escolhermos uma armação para ela. Quando andei, no final do ano passado, a experimentar óculos para mim cheguei a ver a coisa mal parada, todos estavam bem acima do que podia gastar na altura. Depois de muitos ver, lá dei por mim a falar com uma armação da Vogue - marca mais económica e que gosto muito. Pedi-lhe por favor que me ficasse bem, já que gostei logo dela e, o mais importante naquele momento, tinham um preço bastante simpático. Segundos depois estava feliz, finalmente tinha encontrado uns óculos que me faziam sentir novamente segura, algo que não me estava a parecer fácil de conseguir, ainda mais depois de ter estado a desfolhar um catálogo delicioso da colecção de Andy Wolf, que misturava duas paixões minhas: óculos e comida.
Chegada a casa do périplo com a minha amiga lembrei-me desse catálogo - IT's All About Taste - e de o ir rever. Nele aparecem pessoas de diferentes belezas a apresentar uma receita sua. A última receita é de esparguete à bolonhesa e aqui apresentamos a nossa versão. Em vez de usarmos apenas um tipo de carne picada, misturamos carne de porco e de vaca, usamos cerveja em vez de vinho branco, queijo emmental em substituição do queijo parmesão e massa pimentão, bem mais português do que o molho Worcestershire.
Para 4 pessoas
- 300 g de carne de porco, picada
- 300 g de carne de vaca, picada
- 1 cenoura grande, ralada
- 2 chávenas de chá de polpa de tomate
- 1 cebola, picada
- 2 dentes de alho, picados
- 1 cerveja mini
- 2 chávenas de chá de caldo de legumes
- queijo emmenttal, ralado
- oregãos, secos
- 1 c. de sopa de massa pimentão
- tabasco
- azeite
- sal

1. Refoga a cebola e o alho em azeite, temperada com sal, numa panela larga. Quando a cebola estiver translúcida junta a carne picada. Deixa a carne ganhar cor e cozinhar bem.

2. Junta a cerveja e cozinha a carne até o líquido ter evaporado. Adiciona os oregãos secos, a massa pimentão, o tabasco, o puré de tomate e a cenoura ralada. Mexe e deixa apurar ligeiramente. Termina com o caldo de legumes quente. Mexe bem e deixa o molho cozinhar tapado durante 1 hora, acrescentando caldo se achares necessário.
3. Serve o molho bolonhesa polvilhado com queijo emmenttal ralado, acompanhado de esparguete cozinhado al dente e saboreia as coisas simples e belas!

domingo, 9 de junho de 2013

Porquinhos na Lama

Quando pensas na tua infância o que te vem à cabeça? Eu lembro-me de muitas coisas, sobretudo memórias boas. Entre elas estão os tempos passados no infantário e os trabalhos que fazíamos, como as brincadeiras na areia, as pinturas com os dedos, os trabalhos em picotado e as moldagens com plasticina. Apesar das artes plásticas nunca terem sido o meu forte, com os meus olhos de criança aquilo que eu desenhava e moldava parecia-me espectacular. Claro que hoje já não tenho esse olhar e reconheço que os meus desenhos são um medo. Não sei o que acontece, mas existe uma clara falha de comunicação entre o meu cérebro e os meus dedos.

Sorte a minha casei-me com um homem dado às artes e foi ele que me ajudou a modelar estas porquitas, mesmo sem ferramentas à altura dos seus dotes! As porquitas foram um sucesso  no aniversário da "minha pequenina" e são para repetir, para a próxima com o uso de estecas para não haver reclamações do artista. A parte mais trabalhosa é a modelagem dos animais em pasta de açúcar e a montagem do bolo também exige alguma paciência...

- pasta de açúcar rosa claro
- 1 receita de bolo de chocolate
- 1/2 receita de mousse de chocolate
- 2 embalagens de mini Kit Kat
- 500 g de cerejas, descaroçadas
- 2 c. de sopa de açúcar
- 1 m de fita rosa claro

1. Na véspera molda os porquitos (inspirámo-nos aqui para a modelagem) e deixa-os secar.

2. Começa por fazer o bolo de chocolate. Quando o bolo estiver no forno faz a mousse de chocolate e leva ao frigorífico, para começar a espessar. Entretanto, quando o bolo estiver pronto retira-o do forno e deixa arrefecer. Assim que a mousse tiver ganho consistência suficiente para barrar, cobre os lados do bolo e vai "colando" os mini Kit Kats. Depois de teres coberto todo o bolo ata a fita à volta dos Kit Kats.

3. Mistura as cerejas com o açúcar e cobre o bolo com a fruta e depois com a mousse de chocolate. Leva ao frigorífico. Pouco antes de servires distribui os teus porquinhos pela "lama".

sábado, 1 de junho de 2013

Bolo de Cenoura com Cobertura de Queijo Creme

O que acontece se oferecermos ao melhor do mundo um bolo só para elas? Muita CHAFURDICE e também uma grande FESTA!
No aniversário da minha sobrinha fiz um bolo de cenoura, para ela fazer com ele o que lhe apetecesse, e foi um sucesso!!! Mal a pusemos ao lado do bolo, foi logo meter o dedo na cobertura e lamber a vela. Lambia a vela, molhava-a na cobertura, lambia mais um bocadinho, voltava a mergulhá-la na cobertura, como quem molha o pão nas sopas. Entretanto pensou que era estranho estar a mexer em comida, com tanta gente a ver, sem ninguém lhe dizer "não mexe" ou lhe tirar o bolo da frente e então começou a olhar para nós com um ar desconfiado. Amei!!!
No final havia tanto creme espalhado por ela e pelo vestido, como pelo bolo! É algo que dá algum trabalho, mas é divertido e vale bem a pena! É uma maneira original de cantares os primeiros parabéns aos pequenotes da tua vida ou então de festejar com eles o Dia da Criança!

Para 1 criança
- 250 g de cenoura
- 250 g de açúcar
- 250 g de farinha
- 150 g de óleo
- 4 ovos
- 1 pitada de sal

1.  Descasca a cenoura e corta-a em rodelas finas. Coze a cenoura, num púcaro com água até meio, até só teres só um fundinho de água. No 1,2,3 pica a cenoura, de maneira a obteres um puré homogéneo.

2. Pré-aquece o forno a 180ºC.

3. Numa taça coloca as gemas de ovo, o açúcar e o óleo. Bate bem até obteres uma mistura homogénea e esbranquiçada. Junta o puré de cenoura e a pitada de sal, mistura. Adiciona a farinha, envolve no creme, primeiro com a batedeira desligada e depois mistura bem, já com a batedeira ligada, até o creme "fazer olhinhos".

4. Bate as claras em castelo e envolve aos poucos no creme de gemas e cenoura. Verte o creme para uma forma untada (se achares que uma dose inteira de bolo é um desperdício podes dividir a massa em duas e fazer dois bolos mais pequenos, um para a criança e outro para ti. Porque não?, também mereces e afinal de contas todos temos uma criança dentro de nós!). Leva ao forno pré-aquecido durante 45 minutos ou até espetares um palito e este sair seco. Retira do forno e deixa-o arrefecer.

Cobertura
- 1 embalagem de queijo creme
- 4 c. de sopa de manteiga à temperatura ambiente
- 1 a 2 chávenas de açúcar em pó
- sumo de meio limão
- 1 c. de chá de essência de baunilha

1. Numa taça bate o queijo creme e a manteiga, de maneira a obteres uma mistura sem grumos. Adiciona o sumo de limão, a essência de baunilha e uma chávena de açúcar em pó, mistura. Vai adicionando, aos poucos, mais açúcar em pó, até conseguires a consistência desejada. (Nas primeiras vezes tive dificuldade em acertar com a consistência da cobertura, mas agora já sai perfeita! Queres um creme fluído, mas sem ser líquido.) Leva o creme ao frigorífico durante 1 a 2 horas e cobre todo o bolo.

Nota: O ideal é o bolo estar à temperatura ambiente quando o dás à criança e, se quiseres, podes deixá-lo um pouco mal cozido para ser mais fácil de ela desmanchar o bolo. E não te esqueças de ter toalhitas por perto e uma muda de roupa...

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Gelado de Alperce, Mel e Alfazema

Que tipo de sacrifícios serão necessários para apaziguar o espírito dos deuses e eles tragam a Primavera?! Estou tão fartinha da roupa quente, de não saber o que vestir, do vento que faz voar o estendal... Apetece-me tanto deitar no meio de campos em flor, fazer piqueniques, comer gelados, sentir apenas uma ligeira brisa no cabelo...
Será que se derramarmos o sangue de um cordeiro, Éolo, deus dos Ventos, pára de soprar forte? Será que temos de dançar? Ou será que sacrificar uns quantos ingredientes é suficiente? Se for este o caso eu já cumpri com a minha quota parte nas últimas experiências na cozinha! Fiz um bolo de limão e alfazema que não correu lá muito bem, também tentei fazer mel de alfazema, mas não tive grande sucesso nas proporções, finalmente aventurei-me num gelado de alfazema que correu mal! Estava farta de desperdiçar tempo e ingredientes quando me decidi a inspirar numa receita de gelado da Tartelette. Não segui a receita à risca, mas desta vez correu bem!!!

Para 1 litro
- 8 alperces
- 1 c. de sopa de mel
- 200 ml de natas
- 200 ml de leite gordo
- 100 g de mel
- 2 c. de chá de alfazema
- 200 ml de iogurte grego

1. Num tacho junta o alperce cortado em bocados e a colher de mel. Leva ao lume durante 5 minutos. Retira do lume e desfaz o alperce em puré. Reserva.

2. Num tacho leva ao lume as natas, o leite, o mel e a alfazema, até começar a ferver. Coa o líquido. Reserva.

3. Quando o puré de damasco e a base do gelado tiverem arrefecido, mistura-os e junta o iogurte grego. Leva ao congelador e, nas primeiras 3 horas vai mexendo de meia em meia hora, para não formar cristais. Deixa congelar e retira do congelador uns minutos antes de servires para amolecer um pouco.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Brumester DOC 2010

Nada melhor que um bom vinho tinto para acompanhar a chouriça caseira da minha mãe, que trouxe de casa dos meus pais para assar em álcool. A Sara tinha comprado há uns tempos uma garrafa de Burmester tinto e pensei em experimentá-lo, para ver se fazia jus à chouriça. 
 
Quando menos esperamos coisas boas acontecem, como a hora dos enchidos saírem do fumeiro e serem acompanhados por um vinho discreto e equilibrado! A chouriça, perfumada pela carqueija e pelo louro verde queimado. O vinho, com aroma intenso a frutas vermelhas, leves notas florais, fim longo e suave.
 
O vinho vai bem com petiscos, como a chouriça e queijos, mas também com caça ou sardinha assada, agora que se aproximam os santos populares.
 
Produzido em: Cima Corgo e Douro Superior
Região: Douro
Tipo: Tinto
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional

domingo, 12 de maio de 2013

Panna Cotta de Coco e Jasmim

Santa Joana Princesa, padroeira da cidade de Aveiro. A 12 de Maio assinala-se a sua morte, chorada pelo povo de Aveiro e pelas flores cuidadas por si em vida, pelo menos assim reza a lenda. Princesa de Portugal, aos 20 anos recolheu-se no Mosteiro de Jesus de Aveiro e aí viveu, longe das grandezas e vaidades da corte, sendo um exemplo de simplicidade e caridade.
É um dos meus dias de Primavera preferidos. A azáfama na cidade, a procissão, o cheiro a erva-doce, as pétalas de flores pelo chão, as pequenas versões da Infanta e, acima de tudo, os passos da minha irmã pelas ruas da cidade. Desde pequenina que participa na procissão, tendo interpretado diferentes papeis na grande encenação da vida da padroeira, que foram mudando à medida que foi crescendo. Agora é Irmã, a minha pequenina!
Simples, tal com a princesa e pequena, tal como eu vejo a minha eterna princesa, é esta panna cotta de coco e jasmim. Achei que os homens não fossem muito devotos de flores, mas, para grande surpresa minha, foram eles quem mais apreciou a sobremesa.

Para 4 pessoas
- 200 ml de natas
- 200 ml de creme de coco
- 60 g de açúcar
- 1 c. de sopa de chá de jasmim
- 1,5 folhas de gelatina
- 6 morangos
- 3 c. de sopa de açúcar

1. Amolece as folhas de gelatina num copo de água fria.

2. Num tacho cozinha as natas, o creme de coco e o açúcar, até que ferva. Retira do lume e "chora" sobre o creme o chá de jasmim. Deixa em infusão durante 2 minutos, mas não mais do que isso. Coa o creme e dissolve a gelatina escorrida. Distribui o creme por taças pequenas e deixa repousar no frigorífico durante 3 horas.

3. Arranja os morangos e corta-os em fatias finas. Leva-os a lume baixo juntamente com o açúcar, até este se dissolver. Quando a panna cotta já tive solidificado, cobre-as com os morangos e deixa repousar mais um pouco no frigorífico.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Scones

Margarida aproxima-se de Constança e segura-lhe as mãos. Não se apoquente, menina, a vida de um casal é muito difícil, mas a solidão é bem pior, a solidão é uma noite muito longa e luz que já não volta. Olhe que sofrer é como respirar, se estivermos sempre a pensar nisso parece que não há mais nada, mas se nos esquecermos a vida segue sem darmos por ela. Ainda mais nós, que somos mulheres, ó menina, a dor é pão que nós comemos.
Constança dá um beijo a Margarida e agradece-lhe, não concorda com as palavras mas são bonitas e sinceras. Margarida é uma boa mulher, uma mulher-mãe que nunca o foi.
Nuno Camarneiro/ Debaixo de algum céu
Fosse toda a dor um scone comido a dois e seria menor a amargura no mundo.
Para 20 a 25 scones
- 100 ml de leite, mais um pouco para pincelar
- 200 ml de natas
- 1 ovo
- 3 c. de sopa de açúcar
- 4 chávenas de farinha (com fermento, aliás toda a farinha referida no blog é com fermento)
- 1 pitada de sal
1. Pré-aquece o forno a 220ºC.

2. Numa taça bate o leite, as natas e o ovo, até obteres uma concistência aveludada. Junta o açúcar, a pitada de sal e uma chávena de farinha de cada vez. Entre cada adição de farinha mistura a massa.

3. Coloca a massa numa superfície enfarinhada e amassa-a ligeiramente, até formar uma bola. (É extraordinária a leveza da massa e a sensação que tens ao amassá-la!) Sem pressionares muito, estende a massa numa espécie de círculo com 2 cm de espessura. Corta círculos usando um copo ou um cortador de pastelaria, pressionando o cortador ma sem o torcer. Alinha-os, juntinhos - para se apoiarem uns aos outros enquanto crescem, num tabuleiro de ir ao forno coberto com uma folha de papel vegetal.

4. Pincela o topo com leite e leva os scones ao forno, no nível superior, durante 12 a 15 minutos. Quando estiverem douradinhos retira-os do forno. Serve-os quentes, com chá, acompanhados de doce, manteiga e uns dedos de conversa entre amigas ou com a tua mãe, no dia que é só dela!

domingo, 28 de abril de 2013

Raia Confitada em Azeite, Tomate Seco e Alperces

O ruído branco do mar àquela hora, areia no chão e nos olhos, uma doideira de velho aquilo, um último objecto, uma falta dele. Não redes, nem cordas, nem paus, nem vidros, outra coisa. Passos ainda, o Sol a levantar-se, perdido ele também, esforçoso por chegar às pessoas. Moço descendo à espuma à cata de brilhos, as mãos agarram água e espalham-na na cara, para que veja, para que melhor encontre. Que ideias as de um homem, que som manco esse, que coisa?

A sirene do farol soa três vezes, cuidado aos barcos e a quem neles segue. Cuidado a ti, velho, que cais ao mar e por lá ficas. A água entra pelas botas e frio, Moço pensa em voltar, mas segue ainda, os olhos vão em perguntas de pés atrás, só mais um pouco e finalmente encontra.

É um rectângulo negro aumentando nos cantos, liso e brilhante, como um besouro grande. Moço pega-lhe e lava-o de areias, é um ovo de raia, uma coisa rara e bela e estranha. Pode voltar e terminar a máquina, já nada falta para que espante.

Nuno Camarneiro/ Debaixo de algum céu

Os passos para a confecção desta receita são simples, mas é preciso estares atento a cada pormenor. O azeite que resulta da cozedura da raia é impressionante e compensa a demora do prato!

Para 4 pessoas (Portugal, O Melhor Peixe do Mundo)
- 1,2 kg de asa de raia, limpa e sem pele
- azeite virgem extra
- 3 dentes de alho laminado
- 2 tomates secos, em óleo de girassol, picados
- 50 g de alperces secos, cortados em tirinhas
- 75 g de azeitonas verdes, cortados em rodelas finas
- sumo de 1 limão
- sal
- 1,5 molhos de espargos

1. Pré-aquece o forno a 150ºC.

2. Num tabuleiro de ir ao forno tempera a raia com sal e sumo de 1/2 limão. Numa frigideira aquece bem o azeite e salteia o alho, os tomates secos, os alperces e as azeitonas. Rega a raia com este molho e acrescenta mais azeite até cubrir a raia até meio. Leva ao forno, com a tampa durante cerca de 20 minutos ou coberta com folha de alumínio durante 1 hora. A meio da cozedura vira as asas de raia. Assim que a raia esteja cozinhada, desliga o forno e reserva o peixe dentro do azeite, enquanto tratas dos espargos.

3. Aquece bem um grelhador. Apara a parte mais fibrosa dos espargos, dobrando-os e partindo por onde quebrarem. Numa taça tempera-os com sal, sumo de 1/2 limão e azeite. Leva os espargos a grelhar 3 minutos de cada lado.

4. Dispõe os espargos no prato, cobre com a raia e rega com o azeite da cozedura. No final da refeição aproveita o azeite aromatizado que fica no prato, molhando nele o pão.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Mercado da Costa Nova

Há duas estradas que levam ao mercado: a marginal, de onde se vê o mar pelos intervalos de dunas e edifícios, e uma paralela, que atravessa praças e condomínios mal projectados. É por esta que segue Daniel, porque acordou frágil de tanto sonho, porque não está pronto para azuis infinitos.
Na rua conhecem-no e cumprimentam-no com simpatia. As senhoras são gentis e sorriem muito, algumas atrevem-se em piropos, os homens são formais, os velhos levantam as boinas enquanto os jovens inclinam cabeças e sorrisos desconfiados.
Daniel circula por entre as bancas do mercado e escolhe coisas simples e boas. Vive com pouco dinheiro e gosta que assim seja , porque o obriga a escolher e decidir. Toca as cebolas e as laranjas, cheira-as e por vezes as vendedeiras dão-lhe alguma a provar.
Vai até às bancas do peixe e a senhora chama-o lá de longe, ele aproxima-se e ela dá-lhe uma saca com peixe dentro, Chamo-me São, se gostar dos bichos reze pela minha alminha. Ele sorri-lhe e diz-lhe que esteja descansada, se o peixe for fresco não há alma que se não salve.
As mulheres são espertas de viver, pensa Daniel, sempre foram. Deixam aos homens a manutenção do sagrado, os ritos e as palavras com que se fala a Deus, mas é a voz delas que fala na sua, são seus os rogos e graças, só elas Lhe sabem falar a modo.
Daniel volta depois pelo lado da água. Vêem-se alguns raios de sol e sente-se o frio a voar. O areal de pescadores a dançar com o mar, três passos para lá, a cana em arco, três passos para trás. São todos homens na praia, em casa as mulheres cozinham ou tratam dos filhos. Para elas são os peixes que lhes pescam os maridos.

Nuno Camarneiro/ Debaixo de algum céu

A par do mercado das Caldas, este é o nosso mercado preferido! Nele encontras quase tudo o que precisas para confeccionar maravilhosas refeições de peixe.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Bolo de Chocolate

Um prédio chegado à praia e um Inverno pesado e frio, de cobertores húmidos e doenças nos pulmões que silvam ao respirar. O mar ouve-se de bravo e, quando não é o mar, é o vento a imitar-lhe a raiva. Dentro do prédio procura-se calor no que há: caldeiras, fogo, corpos e alimento.
Fujo à questão, não me lembro de qual é a questão. Porque como tanto chocolate? Que parte de mim guarda todo este açúcar e o que fará com ele? É energia de que não preciso, que não gasto em nada que me sirva. Para o gasto da vida chega bem o resto, pouco de tudo, só para acordar outra vez e de novo transportar o corpo para os lugares que já conhece. Levo os dias sem precisar de mapas complicados porque não vou aonde não estive. São dias unidireccionais, sempre em frente, tão atenta ao caminho que nem vejo cruzamentos ou desvios. Uma vida de burro cigano, desfazendo à noite o caminho da manhã, um dia e outro e sempre assim.

Nuno Camarneiro/ Debaixo de algum céu

Abril é o mês do livro e do lançamento da nova obra do Nuno Camarneiro, vencedor do Prémio Leya 2012. O livro lê-se de uma assentada, como quem devora uma caixa de bombons...  

Para 8 a 10 pessoas (José Avillez)
- 250 g de manteiga
- 240 g de chocolate negro
- 180 g de açúcar
- 50 g de farinha
- 6 ovos
- açúcar em pó q.b.

1. Pré-aquece o forno a 180ºC. Unta  com manteiga uma forma redonda grande ou 10 formas de queque.

2. Em lume muito baixo, derrete a manteiga e o chocolate. Separa as claras das gemas. Bate as gemas com o açúcar, até obteres uma massa esbranquiçada. Envolve cuidadosamente o chocolate nas gemas batidas. Junta a farinha e, por fim, as claras batidas em castelo.

3. Deita a mistura na forma, ou nas formas, e leva ao forno durante 35 minutos, no caso de um bolo único, ou 20 minutos, no caso de quereres bolos individuais. Retira do forno e serve morno, polvilhado com açúcar em pó. Acompanha o bolo com uma bola de gelado de nata ou uma pêra em calda de especiarias, para atenuares a culpa de cada colherada.

domingo, 31 de março de 2013

Pesto de Grelos com Ovo de Folar

"Carnaval fora, dia santo em casa." É um ditado popular que o meu avô gostava muito de nos lançar quando nos queixávamos de chuva na Páscoa. Não é que a ele lhe interessasse muito o estado do tempo, o que queria mesmo dizer é que não podemos andar sempre em folias e que a vida está cheia de pequenos compromissos e cedências. Tal como o princípio de incerteza de Heisenberg nos diz que não podemos conhecer com precisão e em simultâneo a localização e a velocidade de uma partícula, o meu avô lembrava-nos que não podemos, no mesmo ano, andar na rua a festejar o Carnaval e a Páscoa!

Esta era uma das frases preferidas dele, a par do "Eu devia era ter nascido agora" ou "Eu devia era ter ido para padre", não que ele fosse muito devoto a Deus. Aliás, o meu avô não era pessoa de ir à missa, nem sequer no Natal ou na Páscoa. Não é preciso entrar numa igreja para celebrarmos o nascimento e a morte de Jesus Cristo, a Sua crucificação pode muito bem ser assinalada com a entrega de um folar às netas, ainda hoje cumprida, religiosamente, pela minha avó. 

E foi o folar deste ano que usei para esta receita, para aproveitar os grelos que sobraram do carneiro de Páscoa e os ovos do folar. Não vou colocar quantidades porque foi tudo feito a olho, seguindo o instinto e mergulhando os dedos... Esta foi uma das receitas que mais me maravilhou nos últimos tempos, pela forma espontânea como surgiu, pelo gosto e pela nova vida que é possível darmos aos restos. 

- grelos cozidos
- folhas de salsa
- alho (muita moderação na quantidade de alho, porque se exagerares sobrepõe-se a todos os outros sabores)
- pinhões torrados
- azeite de limão (se não tiveres usa azeite normal e um pouco de sumo de limão)
- queijo da ilha
- sal
- fatias de folar de Vale de Ílhavo, cortadas o mais fino que conseguires
- ovo de folar

1. No 1,2,3, coloca os grelos, as folhas de salsa, os pinhões torrados, o alho e o queijo da ilha. Tritura até obteres uma pasta grosseira. Tempera com sal.

2. Aquece o forno a 190ºC. Coloca as fatias de folar de Vale de Ílhavo num tabuleiro e leva ao forno até ficarem douradas. Retira as fatias do forno, esfrega um dente de alho cortado ao meio no folar e pincela com azeite. 

3. Dispõe as fatias de folar no prato ou travessa de servir, espalha o pesto e, por cima, coloca o ovo de folar aberto ao meio. Antes de levares para a mesa, polvilha com lascas de queijo da ilha e boa Páscoa.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Lágrimas de Limão e Morango com Merengue

Acho que foi António Lobo Antunes que disse que morremos quando deixamos de ser lembrados pelos outros... No caso do meu avô a melhor forma de o manter vivo é estando no seu quintal. No ano passado começámos a árdua tarefa de limpar o quintal, mas por motivos que não são mais do que desculpas nunca chegámos a terminar. Ontem passei a manhã toda no quintal à procura do Pancinhas, que decidiu pregar-nos um susto. Por momentos até pensámos que alguém o tinha levado durante a noite, para ser servido no Domingo de Páscoa. Ao final da manhã, depois de ter procurado em tudo o que era buracos e recantos lá apareceu o cabrito, vindo do nada. Devo dizer que procurar por ele encheu-me de tristeza, pela angústia de não saber do bicho, não saber se estava bem, se estaria preso nalgum sítio a precisar de ajuda, e por ver o estado de destruição em que a minha casa de infância - outro lugar cheio de histórias - se encontra.

Todos os dias, vindo no seu Fiat 127 verde, o meu avô ia a nossa casa, o seu ponto de passagem para as lides do quintal. Uma delas está bem presente, o sulfatar dos limoeiros. Depois de tirar o boné e de trocar de roupa, colocava a máquina de sulfatar às costas, subia o carreiro até ao topo do quintal e espalhava um líquido que eu achava estranho nos limoeiros. Uns meses mais tarde os limões eram limpos no pátio da casa velha, para posteriormente serem entregues em alguns mini-mercados locais, já que nós não conseguíamos dar vazão aos limões produzidos pelos cinco limoeiros. Destes cinco agora só resta um, que dá uns limões muito amargos, tal e qual o sabor da perda de alguém com um papel tão importante na nossa vida...

Para 20 a 25 lágrimas
Creme de limão (adaptado de Tartelette)
- 125 ml de sumo de limão
- raspa de 1/2 limão
- 125 g de açúcar
- 1 c. de chá de extracto de baunilha
- 3 ovos
- 2 c. de sopa de manteiga

- 300 g de morangos, arranjados e cortados em quartos (no caso de serem grandes)
- 150 g de açúcar
- 1 folha de gelatina
- 2 claras
- 120 g de açúcar

1. Num tacho pequeno mistura o sumo e a casaca de limão, o açúcar e o extracto de baunilha. Leva ao lume até o açúcar se dissolver. Entretanto bate ligeiramente os ovos. Assim que a mistura de sumo de limão estiver quente, retira do lume e verte um pouco por cima dos ovos, mexendo vigorosamente, para que os ovos não cozam. Junta os ovos à mistura de sumo de limão e devolve o tacho ao lume baixo. Mexe continuamente até a mistura engrossar, sem nunca deixar ferver. Retira a mistura do lume e adiciona a manteiga e envolve-a até que esteja completamente derretida. Passa a mistura por um coador e distribui o creme de limão pelas lágrimas.

2. Amolece a folha de gelatina num copo com água fria. Leva um tacho ao lume com os morangos e o açúcar, até o açúcar se ter dissolvido. Retira do lume e adiciona a folha de gelatina escorrida. Mexe bem e distribui os morangos por cima do creme de limão.

3. Bate as claras em castelo com metade do açúcar. Assim que tiveres as claras montadas, adiciona o restante açúcar e bate as claras até o açúcar estar bem incorporado. Passa o merengue para um saco de pasteleiro e cubra os morangos. Com um maçarico de cozinha queima ligeiramente o merengue. Serve e saboreia o contraste entre o doce e o amargo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Risotto de Espinafres com Pinhões e Queijo de Cabra

Como as memórias que tenho do meu avô no quintal, de volta das suas árvores e plantas. O sol a queimar-lhe o rosto, mas sem perder o seu sorriso e o seu bom-humor. Ou as memórias trazidas pelos pinheiros, plantados por ele nos diferentes jardins da família, que se tornam mais reais quando como os seus pinhões, neste risotto simples e cheio de sabor...
Para aquecer 1 pessoa
- 1 mão-cheia de pinhões
- 2 c. de sopa de azeite de limão
- 1/2 cebola, finamente picada
- 1 dente de alho pequeno, picado
- 1/2 copo de arroz arbóreo
- 1 copo de vinho branco
- 1 púcaro de caldo de legumes
- 3 mãos-cheias de espinafres
- queijo de cabra esfarelado
- 1 c. de chá de raspa de limão
- 1 c. de sopa de queijo da ilha ralado
- 1 noz de manteiga

1. Aquece uma frigideira anti-aderente. Quando estiver bem quente, coloca os pinhões e deixa-os tostar. Não percas a frigideira de vista e vai mexendo, para que os pinhões tostem uniformemente. Retira os pinhões tostados da frigideira e reserva-os.

2. Na frigideira onde tostaste os pinhões, aloura a cebola e o alho no azeite. Junta o arroz e envolve-o bem no azeite. Quando os bagos de arroz estiverem translúcidos, adiciona o vinho branco e deixa evaporar. Assim que o vinho tiver evaporado, começa a adicionar o caldo, uma concha de cada vez. Vai mexendo até o arroz estar cozido, mas ainda al dente.

3. Mistura as folhas de espinafre e deixa-as ser abraçadas pela cremosidade do risotto. Retira do lume e junta a raspa de limão, o queijo de cabra, o queijo da ilha e a noz de manteiga. Deixa o risotto descansar, tapado, durante 3 minutos. Aconchega-te no sofá e saboreia-o ainda a fumegar.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Azeite de Limão

KISS... ultimamente tenho andado um pouco esquecida disto, de manter as coisas simples e de ser mais beijoqueira. 

Este mês fez 10 anos que o meu avô A. morreu, e pensei aproveitar para o recordar através dos alimentos que me trazem à memória todos os momentos passados junto dele e me lembram da pessoa que ele foi. Nunca fui grande beijoqueira, mas com ele era diferente, tornava-me mais meiga, mais afectuosa. Isso também acontece com a minha irmã J. e agora com a minha sobrinha - ai que vontade de a cobrir de beijos.

A pensar nele tinha planeado uma sobremesa espectacular, não na receita em si mas na forma e no significado "lágrimas de limão e suspiro". À primeira vista era uma sobremesa fácil de compor, mas o creme de limão não correu como queria... Ao ver o creme de limão longe daquilo que idealizei, senti-me desorientada e desanimada. Assim que desbloqueei, decidi não complicar e aromatizar o azeite da CARM que temos cá em casa com limão, usando limões do único limoeiro que se mantém do tempo do meu avô!

- azeite de boa qualidade
- cascas de limão (a quantidade depende da intensidade que quiseres)

Corta as cascas de limão em tiras muito finas. Coloca as tiras num frasco e cobre com azeite. Fecha e deixa aromatizar, num local sem luz directa, durante 1 mês. Ao fim deste tempo o azeite está pronto para o usares em saladas, crostinis, peixe ou até num bolo de azeite, e à medida que os dias passam o aroma a limão vai ficando mais forte.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Mini-Tarte de Folhas de Beterraba e Frango

Apaixonei-me pelo molho de folhas de beterraba, assim que as vi viçosas na banca do mercado. A senhora por trás da banca vendeu-me-as para uma sopa, mas entretanto eu perdi a coragem de arriscar numa sopa vermelha, já que podia não conseguir o vermelho certo - o vermelho do romance, da paixão. Cada dia lembrava-me de uma receita diferente, até que me tinha decidido por fazer uns crostinis, para um brunch de domingo, que depois passou para um almoço de semana, mas... os meus planos saíram completamente furados.
Tinha combinado com a minha mãe fazer os crostinis para o nosso almoço do dia seguinte. Que a ia buscar a casa a meio da manhã e que almoçávamos juntas em minha casa. Tudo planeado! Mas, o que é que acontece? A meio da tarde a minha mãe liga-me a dizer que a cabra já tinha parido e que tinham nascido dois cabritinhos muito, muito fofinhos. Só que havia um problema, eles não estavam a mamar, não tinham o instinto de se alimentarem... Assim que saímos do trabalho, lá fui eu e o Miguel ver dos cabritinhos, a ver se os púnhamos a mamar. Nada, não tivemos sucesso.
Saí dos meus pais preocupada com os "bebés". Estava muito frio, eles não se tinham alimentado de maneira a aguentar a noite gélida e não sabíamos se a mãe ia ter leite para amamentar os filhotes. Todas as minhas esperanças estavam depositadas num nascer do dia cheio de sol, para lhes afastar o frio nocturno. Quando cheguei aos meus pais lá estavam eles, fraquinhos, sem mamar mas aquecidos pelos raios de sol. E foi assim que, enquanto os "obrigava" a mamar, decidi trocar os crostinis por estas mini-tartes, douradas e redondas como o Sol que tem aquecido a Totó e o Pancinhas, que entretanto já mamam, e os tem ajudado a manter activos.
 
Para 12 mini-tartes
- 1 molho de folhas de beterraba, sem os caules
- 2 peitos de frango
- 2 bases de massa quebrada
- sal
- azeite
- 1/2 cebola média, picada
- 2 dentes de alho, picados
- 1 c. de chá de paprika em pó
- 1 cálice de vodka
- 1 queijo de cabra pequeno
- 1 ovo, batido
 
1. Numa frigideira anti-aderente, aloura a cebola e o alho em azeite, com a paprika em pó e o sal. Junta os peitos de frango, cortados em pequenos cubos, e deixa alourar. Refresca o frango com a vodka e deixa o álcool evaporar. Enquanto o álcool evapora, corta as folhas de beterraba em juliana. Junta as folhas de beterraba ao frango e deixa cozinhar, em lume médio tapado.
 
2. Entretanto pré-aquece o forno a 180ºC e vai preparando a massa quebrada. Usando dois copos de tamanhos diferentes corta 24 círculos de massa quebrada - 12 grandes e 12 mais pequenos. Distribui os 12 círculos pequenos num tabuleiro de ir ao forno, coberto com papel vegetal. Reserva os outros 12.
 
3. Assim que as folhas de beterraba estiverem cozinhadas, mais ou menos 20 minutos, desliga o lume e distribui o recheio pela massa quebrada, deixando uma pequena margem nos círculos. Esfarela o queijo de cabra por cima do recheio. Com o dedo passa o ovo batido à volta dos círculos. Cobre o recheio com os restantes círculos e sela bem as mini-tartes.
 
4. Espalha o resto do ovo batido nas mini-tartes e leva ao forno durante 30 minutos. Serve-as ainda quentes, a solo ou acompanhadas por uma salada.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Profiteroles

Não ficaram tão perfeitos como os comprados nas melhores pastelarias, mas, tal como no amor, o que interessa é a sua beleza interior. E eles estavam lindos por dentro, com um sabor que nos arrebata (receita adaptada do blog Gourmets Amadores).

Para a massa
- 175 ml de água
- sementes de 10 vagens de cardamomo
- 85 g de manteiga
- 1 c. de sopa de açúcar
- 125 g de farinha
- 4 ovos

1. Começa por aromatizar a água. Ferve 200 ml de água com as sementes de cardamomo. Retira do lume e deixa aromatizar, durante pelo menos 1 hora.

2. Pré-aquece o forno a 220ºC.

3. Coloca a água, a manteiga e o açúcar num tacho e leva a ferver. Retira do lume e adiciona a farinha toda de uma vez. Mexe energeticamente com uma colher de pau, até a mistura despegar dos lados do tacho. Passa a mistura para a taça da batedeira e deixa arrefecer ligeiramente. Bate a mistura, com as varas para massas, de maneira a se desmanchar um pouco. Adiciona um ovo de cada vez e mistura até obteres uma massa homogénea.

4. Transfere a massa para um saco de pasteleiro. Num tabuleiro de ir ao forno, coberto com papel vegetal, faz bolas com a massa (mais ou menos com 2 cm de diâmetro) e espaçadas entre si. Leva ao forno durante 10 minutos. Reduz a temperatura do forno para 180ºC e deixa cozer durante mais 15 minutos, ou até os profiteroles estarem dourados. Retira do forno e deixa arrefecer sobre uma grelha metálica.

Para o creme
- 225 ml de leite
- 2 c. de sopa de maizena
- 100 g de açúcar
- 1 ovo
- 2 gemas de ovo
- 30 g de manteiga
- 1 c. de sopa de extracto de baunilha
- sumo de 4 maracujás

1. Dissolve a maizena num pouco do leite. Mistura o restante leite com o açúcar e leva ao lume, até ferver. Retira do lume.

2. Bate o ovo e as gemas. Combina os ovos com a farinha maizena. Lentamente verte o leite sobre esta mistura e mexe constantemente para os ovos não cozerem. Devolve o tacho ao lume brando e não pares de mexer até o creme engrossar, sem deixar que este ferva. Retira do lume e junta a manteiga e o extracto de baunilha. Adiciona o sumo de maracujá e envolve bem no creme. Cobre o tacho e leva ao frigorífico, até à hora de o usares.

Para a montagem
- 200 g de chocolate derretido

Abre os profiteroles ao meio e recheia-os com o creme de maracujá e baunilha. Dispõe-os num prato de pé alto, em forma de pirâmide. Verte o chocolate derretido sobre a pirâmide. Serve e saboreia de imediato.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Geleia de Tomarilho

Não, não se enganaram no blog! Este é o nosso primeiro post inspirado num filme. Digo primeiro, porque há outros a bailar na minha cabeça, estou é a ter algumas dificuldades para os colocar em prática. Por coicidência, o dia em que fomos ver o último episódio da saga Twilight, foi o dia em que transformei os tomarilhos da E. em geleia. Ainda decorria o primeiro minuto de filme e eu já sabia que tinha que juntar os dois, só não tinha ideia como.

Esta é uma história que nos foi conquistando aos poucos. Não entendiamos a febre à volta do filme, mas quando vimos o primeiro episódio gostámos do romance e sentimo-nos atraídos pelas paisagens e pela fotografia do filme. Muitas vezes sonhamos trocar as nossas vidas por  um amor e uma cabana, algures no Alasca. No nosso imaginário romântico, o Miguel sai de casa cedo para pescar o nosso almoço, deixando-me a lareira acessa; eu espero por ele, em pijama, com uma chávena de chá quente e enrolada numa manta, ora no sofá em frente à lareira, ora num baloiço de madeira, no exterior da cabana. Sendo a casa dos Cullen uma versão muito sofisticada e moderna deste amor poético, é óbvio que nos interessámos pela saga.
Vimos os primeiros quatro episódios em casa, mas desta vez não estava a conseguir esperar pelo desfecho da história. Torcia fortemente para que a Bella ficasse com o Jacob - um rapaz quente e que transpira saúde por todos os poros, ao contrário do Edward, gélido e branquela - e estava em pulgas por conhecer o destino do "lobinho" e o que mudava com a nascença de Renesmee. Não foi o fim que eu ambicionava, mas serve um final feliz ao moço. Jacob torna-se numa espécie de padrinho da filha dos "vampirinhos" e junta-se ao clã para proteger a criança. A saga completa é um bom programa para um Domingo chuvoso, como o que está previsto para amanhã, ou para se adiantarem ao Dia dos Namorados. E para acompanhar os cinco episódios, nada como uma geleia da cor do sangue.

Para 6 frascos
- 1,5 l de sumo de tomarilho
- 1 kg de açúcar
- sumo de 1 limão

1. Começa por preparar o sumo de tomarilho. Descasca os tomarilhos e corta-os em rodelas finas. Cobre com água e leva ao lume, até obteres a concentração desejada. Coa o sumo e mede.

2. Leva o sumo de tomarilho ao lume, com o açúcar e o sumo de limão. Vai mexendo, mais frequentemente à medida que te vais aproximando do final, até o líquido atingir os 105ºC.

3. Transfere a geleia para frascos esterilizados e deixa-os arrefecer, virados para baixo. Serve sobre bolachas de canela ou a acompanhar queijo.
 
Nota: as fotos da saga foram retiradas da galeria de fotos deste site.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

São Gonçalinho

Lá fora o fogo de artifício anuncia o fim das festas em honra de São Gonçalinho, uma romaria que dura cinco dias e se realiza no fim-de-semana mais próximo do dia 10 de Janeiro, dia em que se comemora a morte do santo. Sei que não se escolhe o dia em que se morre, mas bem que o santinho podia ter morrido mais perto da Primavera, quando o frio  junto à ria é mais fácil de suportar...
O santo é casamenteiro, ajuda na fertilidade e protege na saúde. A mim houve um desejo que me escapou nas passas de fim de ano e por isso ontem fui lá pedir-lhe uma ajudinha... Se o "nosso menino", como é carinhosamente tratado pelas gentes da beira-mar, cumprir com a sua parte do nosso acordo, para o ano lá subirei a escada de caracol, que leva ricos e pobres até à cúpula da capela de São Gonçalinho, para de lá serem feitos os arremesos de cavacas, como pagamento das promessas ao santo. As cavacas, duras como cavacos de madeira, representam o pão lançado pelo santo aos pobres e os sinos da capela anunciam os lançamentos, aguardados pacientemente pelos populares, munidos de camaroeiros e guarda-chuvas invertidos.
Dizem que as cavacas lançadas para o chão estão abençoadas e devem ser guardadas durante um ano, para obteres protecção. Como é óbvio, cá em casa este é um feito impossível, já que o Miguel dá logo cabo delas, obtendo protecção imediata para a sua barriga.
A festa, que une todos os aveirenses, é muito mais do que uma oportunidade para cumprir as promessas feitas ao santo, e por estes dias nem as montras do comércio tradicional escapam aos festejos, "vestindo-se" a rigor com o santo e as cavacas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Bolachas de Natal

O dia de Reis assinala o fim das festas e de fechar os olhos aos doces ingeridos. É dia de desmanchar a árvore de Natal e arrumar os ornamentos natalícios em caixas, menos estas deliciosas bolachas, comidas enquanto pensamos em começar a cumprir com as resoluções de ano novo. Bom 2013 para todos!

Para as bolachas
- 100 g de manteiga, à temperatura ambiente
- 100 g de açúcar baunilhado
- 50 g de mel, liquidificado
- 1 ovo
- 250 g de farinha (pode ser preciso acrescentar mais, conforme a consistência da massa)
- 2 c. de café de mistura de especiarias em pó (canela, noz moscada, anis, cravinho)
- raspa de 1/2 limão

1. Com a ponta dos dedos amassa o açúcar e a manteiga. Junta o mel e bate com a batedeira. Acrescenta o ovo inteiro e continua a bater a mistura. Junta a farinha, as especiarias e a raspa de limão. Mistura até a massa estar homogénea e acrescenta mais farinha, se vires que a massa se cola nas mãos (quando tem a consistência certa a massa começa a formar uma bola). Cobre a massa com "papel" filme e leva ao frigorífico durante 30 minutos.

2. Numa superfície enfarinhada, estende a massa até obteres a espessura desejada (meio centímetro é uma boa espessura). Corta a massa com a forma desejada, usando formas de Natal ou corta em estilo livre. Faz um buraco no cimo de cada bolacha, para passares a fita de cetim. Coloca a massa num tabuleiro coberto com papel vegetal. Leva o tabuleiro ao forno, pré-aquecido a 170ºC, até as bolachas começarem a alourar nas pontas (o tempo depende do tamanho das bolachas, podendo ir de 10 a 20 minutos).

Para o glacé real
- 150 g de açúcar em pó
- 1/2 clara de ovo
- 1 c. de café de sumo de limão
- 1 c. de café de extracto de baunilha

Quando as bolachas tiverem arrefecido começa a fazer o glacé real. Bate todos os ingredientes até obteres a consistência desejada. Passa a mistura para um saco de pasteleiro. Corta a ponta do saco de pasteleiro bem fina e decora as bolachas ao teu gosto. Deixa o glacé secar e pendura na árvore ou embrulha para oferecer.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Robalo à Bulhão Pato

5 anos de vida... Quando iniciámos este blog a ideia era manter um registo da comida que vamos fazendo aqui por casa e termos uma maneira rápida de partilhar as nossas receitas com os amigos. Agora, se alguém nos pergunta o que é que o Miguel pôs no pica-pau, ou quer saber que ingredientes leva o meu cheesecake, basta dizermos "vai ao blog".
 
Quando, há cinco anos, estávamos sentados no sofá a escrever o primeiro post, não imaginávamos que um dia pessoas tão longe de nós, como no Japão ou Israel, iriam seguir as nossas receitas. A globalização tem destas coisas e estamos muito gratos por isso, pois as vossas visitas fazem-nos crescer e fazem-nos querer melhorar e chegar mais além. Não sabemos até que ponto as receitas que aqui colocamos depois são reproduzidas nas vossas cozinhas, mas pelo menos esperamos inspirar-vos a pegar nos tachos. Alguns dos pratos que temos feito são simples e memoráveis, como o risotto de abóbora e frango, outros são um fiasco completo, como a primeira vez que experimentámos tagliatelle nero e outros são saborosos mesmo não sendo transcendentes, como este prato de robalo.
 
O Miguel pescou o robalo, amanhou-o e fez os filetes (só Deus sabe o que lhe deve ter custado, tal era a ressaca). Eu fui ao mercado da Costa Nova comprar o resto dos ingredientes. O peixe fica mais rico com as amêijoas, mas é um prato com muito espaço para melhorias. Há dois cuidados a ter nesta receita. O primeiro é garantir que o molho das amêijoas fica bem apurado, para não empapar o peixe e os sabores se misturarem harmoniozamente com o azeite das batatas a murro. O segundo é não deixar o peixe cozinhar muito, para não ficar seco e absorver bem os molhos.
 
Para 4 pessoas
- 4 filetes de robalo
- 1 kg de batatas novas
- 4 dentes de alho picados
- alho em pó
- azeite
- sal
 
1. Pré-aquece o forno a 190ºC.
 
2. Coze ligeiramente as batatas com pele, numa panela de água a ferver temperada com sal. Escorre as batatas e deixa-as arrefecer um pouco. Dá um murro em cada batata (nesta parte o Miguel deve ter-me visualizado nas batatas, por o fazer amanhar peixe e cozinhar de directa) e coloca-as, numa só camada, num tabuleiro de ir ao forno. Rega com um generoso fio de azeite, mistura o alho picado e tempera com sal. Leva ao forno para acabar de cozinhar, até as batatas estarem douradas.
 
3. Tempera os filetes de robalo com sal e alho em pó. Leva ao grill, até estes ganharem uma cor dourada, mas sem deixar cozinhar muito.
 
4. Faz as amêijoas à bulhão pato, deixando apurar bem o molho.
 
5. Quando tudo estiver pronto, serve os filetes de robalo, com as batatas a murro e regados com as amêijoas. Serve quente, acompanhado por um bom vinho branco fresco.