sábado, 28 de maio de 2011

Palitos de Curgete com Ovo Escalfado

E ao vigésimo dia eis que surge uma nova receita... que pode servir como salada numa refeição leve ou então como entrada.
A receita é do Henrique Sá Pessoa, para o programa Ingrediente Secreto, num episódio dedicado à curgete. É mais ou menos o que nós vamos andar a fazer nos próximos dias para podermos gastar as curgetes que a minha "irmã" do Oeste nos trouxe, directamente do quintal dos pais dela, juntamente com nozes e alecrim. Os ovos vieram das galinhas dos meus pais que ultimamente andam muito poedeiras!

Para 2 pessoas
- 4 curgetes pequenas
- azeite
- 3 cubos de manteiga
- sal
- 2 ovos
- cebolinho picado
- vinagre
- 1 iogurte natural

1. Utiliza o exterior das curgetes e corta-o em forma de palitos grossos. Aquece o azeite numa frigideira com a manteiga. Quando estiver bem quente, junta as curgetes e tempera com uma pitada de sal. Vai mexendo os palitos de curgete e quando estiverem dourados junta o cebolinho, mexe e retira do lume.

2. Entretanto, coloca água a ferver para fazer o ovo escalfado. Quando a água estiver a ferver junta o vinagre (para 10 partes de água junta 1 parte de vinagre). Mexe a água com as varas no sentido dos ponteiros do relógio. Baixa o lume da água e coloca o ovo no centro do remoinho. Escalfa o ovo durante 2/3 minutos. Retira o ovo pronto e escorre-o. Tempera com uma pitada de sal.

3. Serve tudo com um pouco de iogurte natural e um fio de azeite.

domingo, 8 de maio de 2011

Compota de Pêssego e Cardamomo

Ontem fomos ao mercado procurar ruibarbo para fazer compota de morangos e ruibarbo, mas como não encontrámos e pareceu-nos que não sabiam bem do que estávamos a falar, mudámos de ideias. Comprámos os legumes que precisávamos para a sopa, fruta para durante a semana e uns pêssegos carecas que estavam mesmo a olhar para nós. Como já devem ter percebido os pêssegos tiveram como destino a panela e adicionei-lhes umas sementes de cardamomo que andava mortinha por usar. 

A combinação é perfeita! A doçura dos pêssegos e o travo a citrinos do cardamomo tornam a compota uma explosão de frescura e ao abrirmos o frasco sentimos um suave perfume a Primavera. Para tornares o sabor ainda mais intenso, serve a compota com queijo amanteigado de vaca e ovelha por cima duma língua de veado estaladiça...

Para 2 frascos
- 1 kg de pêssegos cortados (precisas de mais ou menos 1,5 kg de pêssegos inteiros)
- 500 g de açúcar
- 4 sementes de cardamomo

1. Numa panela de tamanho médio coloca o pêssego cortado em cubos e o açúcar. Leva a lume médio durante 5 minutos. Retira do lume e junta as sementes de cardamomo partidas, dentro duma bola de rede para chá (assim é mais fácil depois retirares as sementes). Deixa repousar de um dia para o outro.

2. Leva a panela a lume médio durante meia hora, mexe de vez em quando e vai esmagando o pêssego com a ajuda de um garfo.

3. Quando tiveres obtido a consistência desejada (eu gosto da compota mais líquida), passa a mistura para frascos esterilizados e enche até cima. Fecha os frascos com a compota ainda quente e vira-os ao contrário até arrefecerem.

sábado, 30 de abril de 2011

Requeijão Assado

Foto: P.P.
Ontem algumas ruas da capital, a dos meus tios incluida, vestiram-se de branco e para não ficarmos a destuar fizemos uma entrada da cor da neve para o pré-almoço de Dia da Mãe.
A entrada foi um sucesso, principalmente junto do meu cunhado J. que gosta de coisas picantes, e é um mix de inspiração entre a receita com queijo feta do The Closet Chef e da receita de requeijão assado da Mafalda Pinto Leite.

Para 4 a 6 pessoas
- 1 requeijão de Seia
- 1 mão-cheia de ervas aromáticas - salsa, coentros, manjericão, etc.
- 1 malagueta vermelha fresca, picada e sem sementes
- raspa de 1/2 limão
- azeite de piri-piri
- sal

1. Pré-aquece o forno a 200ºC.

2. Cobre um prato de ir ao forno com azeite. Coloca o requeijão no prato, polvinha com as ervas aromáticas, tempera com sal e rega com um pouco mais de azeite. Leva ao forno durante 15 minutos, até o requeijão ficar ligeiramente dourado.

3. Numa tigela junta a malagueta picada, a raspa de limão, azeite e sal. Serve o requeijão assado quente, com o molho de malagueta por cima, sobre fatias de pão.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sandes de Presunto

Hoje não trabalhei de manhã. Depois de levar o Miguel ao trabalho, ainda meio ensonada, voltei para casa e aproveitei para tomar o pequeno-almoço com calma enquanto via as notícias da manhã e desfolhava pela n-ésima vez o livro "2780 Taberna - Cozinha Experimental".  Consigo passar horas a desfolhar este livro, para mim é um excelente livro de receitas, com uma apresentação retro e muito sentido de humor.  

Pastar no sofá estava a saber muito bem só que estava bom tempo e por isso decidi ir dar uma volta até ao mercado para comprar fruta e legumes. Ia na ideia de comprar espargos para uma salada, mas como não havia no mercado e não me apetecia enfiar num supermercado tinha de pensar numa alternativa. Não sabia muito bem o que havia de ser, mas alguma coisa me havia de ocorrer enquanto bebia uma água numa das esplanadas do mercado e lia umas páginas do livro "O Elefante Evapora-se" do Haruki Murakami.

E foi isso mesmo que aconteceu... lá me lembrei dum folhado de presunto que tinha marcado hoje de manhã com um post it no livro da Taberna. Como me tinha distraído com as leituras não tinha muito tempo para preparar o almoço e comprar os ingredientes em falta, por isso fiz algumas adaptações à receita. Substituí o folhado com sementes de sésamo por pão de sementes e a compota feita com figos secos e vinho do Porto por doce de figo.

A sandes é uma combinação simples e deliciosa de ingredientes. O picante da rúcula combina muito bem com a doçura do doce de figo e com o salgado do presunto e do queijo da ilha.

Para 1 pessoa
- pão de sementes
- rúcula
- presunto em fatias
- queijo da ilha em lascas
- compota de figo

Abre o pão ao meio e coloca folhas de rúcula, fatias de presunto, queijo da ilha em lascas (usa um descascador de legumes para conseguires lascas fininhas) e compota de figo ao teu gosto.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lisboa

Lembram-se do post das pipocas e da importância de conseguirmos desligar duma semana de trabalho? Pois bem este fim-de-semana rumámos até Lisboa. Fomos ter com o F. e o Z. e foram dois dias de puro relax e sem horas para nada.
Demos início a uma manhã de sobe e desce pelo centro de Lisboa no Quiosque de Refresco do Largo de Camões (todos os dias, das 7h30 à 1h00), onde parámos para um café e um delicioso queque de baunilha. Já há muito tempo que eu queria ir conhecer os antigos quiosques e antes de partir para a capital tinha planeado ir até ao Quiosque do Príncipe Real, mas vai que o do Largo de Camões se atravessou primeiro no nosso caminho e uma paragem na sua esplanada cheia de vida pareceu-nos uma boa maneira de começar o nosso passeio. Este é um sítio onde se vendem refrescos e sabores tradicionais portugueses e onde se pode descontrair de dia ou de noite, sem corantes nem conservantes. No Domingo, antes de regressarmos para Aveiro, voltámos lá para comprar uma garrafa de xarope de groselha e dois queques para a viagem, trazendo connosco um pouco dos sabores da nossa infância e um cheirinho das horas de dolce far niente.
De queque no bucho arrancámos para o Príncipe Real para irmos espreitar o Mercado Biológico, que funciona todos os Sábados de manhã no Jardim do Princípe Real (das 8h00 às 14h00), deambularmos pelas suas ruas e apreciarmos as vistas sobre Lisboa. Numa dessas ruas fomos dar com uma gulosa surpresa... a pequena chocolataria Claudio Corallo (Rua Cecílio de Sousa, 85; 2ª a 6ª, das 10h00 às 19h00, Sábado, das 10h00 às 14h00).
O nome não me era estranho e veio-me à memória a foto dum gelado. Estava calor e eu começava a ficar cansada de andar rua acima e rua abaixo, por isso fomos até lá para um gelado de chocolate. Azar dos azares a sorveteira estava avariada e não havia gelado para ninguém. A senhora apresentou-nos como alternativa um chocolate quente. Apesar do calor claro que aceitei a sugestão, o chocolate era maravilhoso, no entanto soube a pouco e com tanto chocolate à vista era pecado ficar apenas por ali. Com a lista de chocolates na mão decidimo-nos por um bocado de chocolate com frutos secos, uns quadradinhos de chocolate com café e uma tira de chocolate com avelãs. É difícil sair desta loja sem perder a cabeça e já de saquinha na mão e conta a começar a ser feita não consegui resistir às mini fatias de salame que estavam à minha frente. Por minha vontade assentávamos arraiais na loja, mas tínhamos de seguir caminho e partir para outras paragens. Voltámos até ao Chiado e depois descemos a Rua do Alecrim até ao Cais do Sodré, para darmos uma volta junto ao rio Tejo e pelo Mercado da Ribeira.

Ao descer a rua dois espaços chamaram a minha atenção, um devido à porta vermelha da entrada e à montra com um cesto de pão com um aspecto maravilhoso (Quinoa, padaria biológica, mas também casa de chá e loja gourmet) e outro devido ao mega Galo de Barcelos que tinha na parede. Ao fazermos o regresso ao Chiado, desta vez a subir, lá comecei a choramingar uma pequena pausa para beber uma água e comermos qualquer coisa para enganar o estômago. Entrámos então no Cais do Chiado (Rua do Alecrim, 26M; 2ª a 6ª, das 8h30 à 0h00, Sábado, das 10h00 à 0h00 e Domingo, das 10h00 às 16h00), que conforme ao que fores é cafetaria, mercado biológico e restaurante e aos fins-de-semana tens direito a brunch. O espaço é agradável e podes beber uma água ou comer qualquer coisa enquanto descansas ao som da bossa-nova. O atendimento é simpático mas não me convenceu muito.
Já estávamos sentados quando pedimos um folhado de frango, uma "cestinha" de queijo de cabra (um bocado enjoativa) e uma água e o empregado nos diz que nos podiamos levantar para ir "escolher" a bebida. Ora nós já tinhamos escolhido a bebida, por isso não havia necessidade de nos levantarmos. A meu ver, uma vez o cliente estando sentado e já tendo escolhido o que vai beber, não faz muito sentido ter de se levantar para ir buscar a bebida. Mas enfim, devem ser modernices da capital, aquele género de coisas que quem vem da "santa terrinha" não entende. Apesar disso o lugar merece uma visita pelo ambiente informal ou para ganhares forças antes de chegares ao cimo da rua.
O resto do dia foi passado a não fazer nenhum, na Esplanada/ Miradouro do Adamastor (Rua de Santa Catarina; horário de Verão: todos os dias, das 10h00 às 04h00; horário de Inverno: todos os dias, das 12h00 às 21h00), enquanto comíamos um gelado, bebíamos uns finos, apreciávamos o rio Tejo a correr ao fundo e trocávamos dois dedos de conversa. Este é um sítio descontraído e ideal para recuperar dos dias de trabalho, da rotina do dia-a-dia e recarregar baterias enquanto fazes a fotossíntese em dias de sol.

Por um lado sinto uma inveja tremenda dos lisboetas por poderem usufruir de espaços como aqueles por onde passámos sempre que quiserem, por outro acho que não conseguiríamos viver ao ritmo acelerado a que eles vivem, onde tudo é a correr, sempre cheios de pressa (até mesmo ao fim-de-semana) e a buzinar por tudo e por nada...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Linguine de Azeitonas Pretas

Sou perdida por azeitonas, então pretas e rijinhas, venham elas! Quando andava a estudar comia azeitonas com quase tudo, com pão, com banana, com iogurte... Aliás toda a minha família tem uma paixão por azeitonas, tanto que se comprou uma taça azul com tampa da tupperware só para as azeitonas. E quando a minha mãe ia ao sábado de manhã à praça não saía de lá sem uma saquinha cheia de azeitonas, que era suposto durar para toda a semana. Há famílias que têm de ter sempre pão na mesa às refeições, nós temos de ter azeitonas.

Outra coisa que também adoro é massa, por isso juntar estes dois ingredientes num prato é ouro sobre azul!

Para ficar ainda melhor recomendo manjericão fresco no final. Eu queria ter usado, mas como não havia no supermercado teve de ser mesmo só com oregãos em pó. O prato é rápido e simples de preparar e muito saboroso. É ideal para um almoço solitário de dia de semana, naqueles dias que nos apetece comida caseira mas não grande tempo para pratos muito elaborados.

Para 1 pessoa
- 60 g de linguine
- azeite
- 1 dente de alho esmagado
- sal
- 1 c. de chá de pasta de azeitonas pretas
- 1 c. de café de oregãos em pó
- 1 gema de ovo
- azeitona pretas em rodelas
- folhas de manjericão fresco

1. Coze o linguine num tacho com água a ferver, sal, o dente de alho e um fio de azeite até estar al dente.

2. Enquanto a massa coze, junta a pasta de azeitona com os oregãos, a gema de ovo e adiciona um fio de azeite e mistura muito bem.

3. Escorre a massa, deita num prato fundo, mistura com a pasta anterior e mexe de maneira a que o linguine fique todo coberto pela pasta. Serve polvilhado com a azeitona às rodelas e o manjericão fresco.

sábado, 26 de março de 2011

Pipocas de Piri-Piri

Ouvir o barulho das pipocas a estoirar dentro do tacho fez-me pensar nas nossas vidas rotineiras casa-trabalho e onde os fins-de-semana passam a correr e nem sequer dão para aliviarmos a pressão e suprimir o cansaço duma semana de trabalho. Tal como o milho das pipocas por vezes é preciso livrarmo-nos do stress e recarregarmos baterias para evitar "estoirarmos" e hoje está a ser um desses dias...

Há fins-de-semana que só me apetece ficar a pastar por casa, ir até ao café e não ter horas para nada, nem mesmo para comer, mas este não foi o caso. Comecei por me levantar bem cedo para ir até Salreu fazer uma caminhada de 11 km organizada pela Adefacec. Este percurso não é novo para mim, apesar de hoje ter ido por um caminho mais longo, mas na minha opinião menos bonito do que aquele que costumo fazer. Não foi por isso que deixou de ser uma manhã muito bem passada entre os arrozais e donde vim como nova. Claro que o cansaço físico era muito e a meio do percurso as pernas já se estavam a queixar, mas nada que não tenha sido compensado pela horas passadas a pôr a conversa em dia com o meu amigo K. (a língua trabalhou quase tanto como as pernas), pelo voo das cegonhas e das garças-reais e pelo contacto com a Natureza.
Chegada a casa o corpo pedia descanso, já que ainda me esperava uma noite de gaijas (para exercitar mais um pouco a língua, pois as pernas já deram o que tinham a dar). Para tal nada melhor do que um longo banho de imersão, uma massagem e uma taça de pipocas especiais...

Pelo Natal a minha irmã A. ofereceu-nos dois azeites do José Gourmet e ainda não tinhamos experimentado nenhum deles. Decidimos usar o de piri-piri nas pipocas, para fujir da rotina. Eu quis juntar açúcar com uma mistura de especiarias que também recebemos pelo Natal, só que o esquisito do Miguel não foi na cantiga. Nestas coisas ele não é nada aventureiro e é muito conservador. As pipocas ficaram um estoiro e para quem as preferir salgadas pode perfeitamente substituir o açúcar por sal e juntar pimenta ou ainda piri-piri em pó.

Para 2 pessoas
- 75 g de milho para pipocas
- 3 c. de sopa de azeite aromático de piri-piri
- 4 c. sopa de açúcar baunilhado

Aquece o azeite em lume médio num tacho de fundo grosso. Junta o milho e tapa o tacho. Quando o milho começar a estoirar agita o tacho. Assim que deixares de ouvir o milho a estoirar desliga o lume, retira o testo e espalha o açúcar, misturando bem. Transfere as pipocas para uma taça grande e come-as ainda quentes.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Panaché" de Frutas com Manjericão

Finalmente chegou a Primavera e o tempo quente. E tempo quente pede saladas frescas com os primeiros frutos da estação. Esta soube às mil maravilhas depois de uma manhã primaveril de limpeza da mata, plantação de árvores e apanha de pinhas, numa comemoração do Dia Mundial da Árvore.

A receita foi adaptada dum livro do Expresso da colecção "Boa Cama, Boa Mesa", com receitas de sobremesas do José Avillez. A receita original utiliza poejo, mas como não havia no mercado tomei a liberdade de substituir por manjericão, que também vai bem em saladas de fruta. O sorvete de limão dá-lhe o toque final e quando se mistura no fim com o sumo da laranja fica sublime.

Para 8 pessoas
- 2 maçãs Grammy Smith
- 2 pêssegos maduros
- 40 bagos de uva
- 20 morangos
- 4 folhas de manjericão (se forem folhas pequeninas usa 8)
- 4 c. de sopa de açúcar
- sumo de 4 laranjas
- 8 bolas de sorvete de limão

1. Retira o pedúnculo e corta os morangos em quartos. Corta as uvas em metades e retira as grainhas. Descasca e corta os pêssegos em cubos. Descasca e parte a maçã também em cubos. Junta a fruta numa saladeira e acrescenta o sumo das laranjas.

2. Num almofariz desfaz as folhas de manjericão com o açúcar. Acrescenta à salada e deixa no frigorífico a aromatizar durante uma hora.

3. Retira do frigorífico 15 minutos antes de servires e divide o "panaché" por oito copos. Finaliza com uma bola de sorvete de limão e serve de imediato.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Frango Assado com Rosmaninho e Tomilho

Continuamos na saga de esvaziar o congelador. Esta semana foi a vez de despacharmos os frangos que por lá andavam. Achei que por esta altura a tarefa já estivesse concluída, mas não... tem sido um entra e sai no congelador e esvaziá-lo não está a ser tão simples como pareceu no início.

Os dias têm estado solarengos e pedem pratos que nos reconfortem e que nos recordem a Primavera, que chega já no próximo mês. Este frango é uma excelente opção para uma refeição enquanto aproveitamos os dias quentes neste Inverno. O frango fica suculento e sentes as notas das ervas aromáticas com um toque de citrinos, tornando-se numa refeição muito fresca.

Para 4 pessoas
- 1 frango
- 2 limões
- azeite
- 6 hastes de tomilho
- 3 hastes de rosmaninho
- 3 dentes de alho

1. Pré-aquece o forno a 180ºC.

2. Pica grosseiramente três hastes de tomilho e mistura-as com uma quantidade generosa de azeite. 

3. Coloca o frango numa travessa de ir ao forno. Espreme o sumo de limão e reserva as cascas. Pincela o frango com o azeite aromatizado. Enche a cavidade com o rosmaninho, as restantes hastes de tomilho, os dentes de alho esmagados com a casca e as metades de limão cortadas às rodelas.

4. Assa o frango durante duas horas ou até a pele ficar dourada e estaladiça. Serve com uma salada ou acompanhado de batatas novas assadas com rosmaninho.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Canastra do Fidalgo

"Neste brinde se deseija uma longa uniao e que juntos sempre andem o meu e o teu curação"*

Dois anos depois, brindámos ao mesmo, com o espumante que nos foi oferecido à chegada da Canastra do Fidalgo. Há restaurantes cujo valor vai muito além daquilo que nos servem e que não nos conquistam só pelo estômago. E este é um desses restaurantes, onde tudo parece perfeito e onde podemos encontrar o nosso norte. Lembrando as refeições que aqui já fizemos pergunto-me como seria não termos conhecido este espaço que tanto marcau o início "oficial" da nossa vida a dois.
O restaurante é informal e existe sempre um sorriso no rosto de quem nos recebe. A decoração do espaço remete-nos para os icones da região: as típicas casas às riscas da Costa Nova, alinhadas de frente para a ria, as velas de moliceiros e as canastras, usadas para nos apresentar a ementa. Junto às janelas, ou então na esplanada, é possível ver a Ria de Aveiro, mesmo do outro lado da estrada. Não fossem os carros estacionados mesmo em frente e mais se poderia ver deste grande espelho de água.

Então, e a comida? É tradicional e cada garfada é um prazer! O destaque vai para os pratos de peixe, desde as enguias fritas, como entrada ou acompanhadas por arroz de tomate, aos chocos fritos ou ao peixe fresco grelhado. A carne também deve ser boa, mas nunca fomos por aí. Quando lá vamos o Miguel escolhe sempre o magnífico bacalhau à canastra e eu costumo acompanhá-lo, só que desta vez apetecia-me variar. Escolhi o polvo à lagareiro e não me arrependi nadinha.
Se há uns anos atrás me tivessem dito que um dia o polvo à lagareiro ia ser um dos meus pratos favoritos, teria mandado internar a pessoa na hora. Nesses tempos, a simples imagem da minha mãe a molhar o pão no azeite arrepiava-me toda, quanto mais pensar em comer algo a nadar em azeite. Mas agora abri as portas do meu paladar ao ouro líquido e aqui comi o melhor polvo à lagareiro da minha vida. Era tenro e a faca cortava aqueles tentáculos maravilhosos como se fossem manteiga.  
A terminar a refeição, chegada a hora da sobremesa, as natas do céu são a escolha certa. De tão leves e fofas levam-nos até ao paraíso, que pode muito bem ser ali, entre a ria e o mar...

Canastra do Fidalgo
Av. José Estevão, n.º 240 r/c
Costa Nova, Ílhavo
Tel.: 234 394 859
Preço médio: 30€/pessoa

* Os erros nesta quadra são propositados, não vá alguém ficar a pensar que andamos para aqui a assassinar a nossa língua.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ovos Mexidos com Compota de Piripiri

Na 5ª feira aproveitei que estava um lindo dia de sol, para recuperar um hábito antigo, passear sem destino por Aveiro. Os meus passos levaram-me até à loja de mercearia fina Pé de Videira.

A montra alusiva ao Dia dos Namorados estava tão bonita, com os corações em feltro, os cupcakes e o lenço dos namorados, que entrei para ver se encontrava alguma coisa para supreender o Miguel.  Trouxe um frasco de geleia e um dos novos produtos em loja, a compota de piripiri da marca Maria Gourmet.

Enquanto pagava começámos a falar dos lenços dos namorados e das suas escritas de amor e de como é uma pena muitas pessoas não conhecerem a história que está por trás desta tradição minhota e da sua escrita peculiar. No decorrer da conversa lembrei-me do lenço que nos foi oferecido pela G. no dia do nosso casamento, quando estávamos cobertos de pétalas e de arroz e que tem uma frase relativa ao Dia dos Namorados. Perguntei se queriam que o emprestasse e foi assim que o nosso lenço foi parar à montra da loja e por lá deve ficar até ao final do mês. 

Saí da loja bem disposta e continuei a minha caminhada a pensar no que iria fazer com a compota. Só quando cheguei a casa é que me lembrei dum post de pequeno-alomoço do Donal Skehan que envolvia ovos mexidos e compota de piripiri. Como andamos há muito tempo a falar de  experimentar um pequeno-almoço diferente esta receita pareceu-nos perfeita para começar a comemorar o Dia dos Namorados.
Nós sabemos que o dia é só amanhã, mas decidimos começar já hoje a acender a chama, com estes ovos mexidos que nos puseram "on fire" logo pela "manhã".

A compota tem uma textura muito suave e ao início nem parece muito picante, mas passado uns minutos é mesmo de chamar os bombeiros. Eu como sou um bocado fraquinha fiquei-me só por uma torrada, a outra barrei-a com manteiga e pus os ovos por cima.

Para 2 pessoas
- 4 ovos
- 3 c. sopa de leite
- sal q.b.
- 1 c. sopa de manteiga
- 2 padas, cortadas ao meio e torradas
- 4 c. de sopa de compota de piripiri

1. Numa taça bate os ovos para misturares as claras e as gemas. Junta o leite e uma pitada de sal. Bate energeticamente até obteres uma mistura homogénea.

2. Numa frigideira antiaderente derrete a manteiga. Junta os ovos e mexe com uma colher de pau, evitando que a mistura solidifique. Quando os ovos começarem a ficar cozinhados retira do lume e espalha-os por cima da pada torrada, barrada com a compota de piripiri.

3. Se estiveres a servir os ovos ao pequeno-almoço acompanha com um copo de leite, mas se for uma refeição ligeira serve com uma mini fresquinha.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Risotto de Ananás e Tâmaras com Bacon

Tâmaras com bacon é sem dúvida alguma um aperitivo que não precisa de grande apresentação, mas aqui há uns meses ocorreu-nos transformá-lo numa refeição.

Quando tivemos esta ideia soubemos logo que o acompanhamento tinha de ser risotto. Começámos por experimentar com um risotto simples de queijo da ilha, no entanto a combinação não resultou. Precisávamos de alguma coisa que cortasse o doce das tâmaras. Depois de muito puxarmos pela cabeça fomos buscar inspiração ao "2780 Taberna - Cozinha Experimental" e encontrámos lá exactamente o que procurávamos, risotto de ananás!

A junção é brutal e só ficou mesmo a faltar a hortelã, que nos esquecemos de comprar na véspera e não nos apeteceu sair de casa só por causa dum ingrediente. Foi pena, porém a vontade de passar o dia todo a pastar em pijama falou mais alto.

Para 4 pessoas
- 1 ananás dos Açores
- 0,75 l de caldo de legumes
- 200 g de arroz arborio
- 2 cebolas picadas
- 2 dentes de alho
- 1 copo de vodka
- azeite de limão (ou normal se não conseguires arranjar de limão)
- 1 c. sopa de manteiga
- 50 g de queijo da ilha ralado
- 1 ramo de hortelã picada
- 32 tâmaras
- 32 fatias de bacon finissímas

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.

2. Arranja o ananás descascando-o, retirando a parte dura do centro e partindo-o em pequenos cubos.

3. Retira o caroço às tâmaras. Enrola cada tâmara numa fatia de bacon e prende com um palito. Dispõe-as numa travessa que possa ir ao forno. Leva ao forno durante 20 minutos ou até o bacon estar dourado.

4. Entretanto vai fazendo o risotto. Num tacho começa por saltear em azeite as cebolas e o alho bem picados, juntamente com o ananás. Junta o arroz e envolve bem até começar a ficar translúcido. Nesta altura junta a vodka e mexe até que o álcool evapore. Adiciona o caldo bem quente, concha a concha, mexendo sempre em redor de todo o tacho. Quando estiver a ficar al dente junta a hortelã bem picada, o queijo ralado e no final a colher de manteiga.

5. Serve de imediato, acompanhado pelas tâmaras com bacon.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Inverno em Veneza

Sou uma apaixonada por Itália e desde a lua-de-mel que a vontade de voltar a Veneza era muita. Desejava percorrer as suas ruas estreitas e que não se sabe bem onde vão dar, descansar nas numerosas praças, espreitar os pátios e observar os estendais virados para os canais nas zonas menos turísticas. E ansiava sobretudo pelo cair da noite, quando as ruas ficam desertas e Veneza é só nossa.
O regresso foi feito com a minha irmã J. para ela ir visitar a sua amiga I. (obrigada pela companhia e pela estadia) e porem a conversa em dia. Partimos do Porto com pouco mais do que uma mochila e a máquina fotográfica. Além das fotografias trouxemos connosco o cansaço de uma visita relâmpago e a promessa, feita numa Piazza San Marco vazia, de um dia voltar com mais tempo. Quando isso acontecer quero andar sem pressas no Mercado do Rialto, perder-me por um dia na zona leste do sestiere de Dorsoduro e quem sabe andar de gôndola...
Para a minha irmã viajar significa lojas e recuerdos, mas para mim significa passear tranquilamente pelas ruas, parar numa esplanada para uma bebida, passear pelas praças, descansar num jardim, andar pelos mercados e comer gelados. E nenhum sítio é melhor para isso do que Itália, pena termos descoberto que em Veneza a maioria das gelatarias artesanais está fechada entre o dia de Reis e o Carnaval. Foi este facto que nos levou ao Dorsoduro, um dos lugares mais genuínos de Veneza.
Depois duma refeição desastrosa num restaurante gerido por chineses, mas disfarçado de trattoria tradicional, tudo o que eu queria era um bom gelado. Estávamos no sestiere de Santa Croce e a gelataria Alaska ficava perto, só que quando lá chegámos estava fechada. Após uma consulta rápida ao guia que levávamos e que tinha algumas indicações tiradas da internet, apanhámos um vaporetto para Záttere para irmos à gelataria Nico. Porém, ao vermos os toldos azuis da gelataria reparámos que esta também estava encerrada. Na parede tinha um papel que informava que abririam na segunda-feira seguinte, se tivessem vontade (voglia). A coisa não estava a correr bem e eu continuava sem gelado. 
O povo diz que "Deus dá com uma mão e tira com a outra", no entanto a nós aconteceu exactamente o contrário. Tirou-nos a Alaska e a Nico mas deu-nos o que mais nos marcou pela positiva nesta viagem, o Squero di S. Trovaso, local onde são recuperadas as gôndolas e, virando à direita para a Fodamenta Nani, a gelataria Lo Squero. A gelataria não nos conquistou logo e ainda tivemos vai não vai para não entrar, mas como eu precisava mesmo dum gelado decidimos entrar. E ainda bem que o fizemos. Os gelados eram muito bons e descobrimos que a gelataria é frequentada pela Angelina Jolie nas suas idas à cidade. Os sabores variam conforme a época e são confeccionados de forma artesanal. É verdade que a loja não tem lá grande aspecto, mas quem vê caras não vê sabores, e eu deliciei-me com uma bola de pêra e outra de avelâ.
Quando cumprirmos a promessa feita numa noite fria e voltarmos a este bocado de Itália quero visitar a Galeria dell'Accademia, onde é possível apreciar a pintura veneziana do séc. XIV ao séc. XVIII, o Palazzo Venier dei Leoni, que alberga a colecção de arte moderna de Peggy Guggenheim e, na foz do Grande Canal, a Chiesa di Santa Maria della Salute, obra-prima da arquitectura dedicada à S. Maria della Salute depois desta ter libertado os venezianos da peste de 1630. A seguir à visita a estas três pérolas do Dorsoduro faço tençao de contornar a Punta  D. Dogma, onde se encontram os armazéns da outrora alfândega marítima, e iniciar uma longa caminhada pela Fondamenta Záttere que me vai levar de novo ao cantinho mais pitoresco de Veneza, o Squero di S. Trovaso e à gelataria Lo Squero para saborear um gelado enquanto descanso num dos mais belos jardins da Sereníssima, por trás da Chiesa di San Trovaso.
Até que esse dia chegue vou continuando a sonhar com mais um Inverno em Veneza...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Lula Recheada na Telha

Janeiro já vai a mais de meio, mas aqui estamos nós para iniciar 2011 com uma missão: esvaziar o congelador.

A nossa estratégia é simples: abrimos o congelador, tiramos o que estiver à mão e depois decidimos o que fazer. Apesar de prático este método não é infalível. Ontem quando estava a tirar alguma coisa para o jantar saiu-me um sargo e um carapau, que não é coisa que combine. Tive sorte que à terceira surgiu outro carapau. Assim, o sargo voltou para o congelador e os carapaus foram para a grelha.

A "limpeza" foi iniciada pelo Miguel e a primeira coisa que agarrou foi uma mega lula, pescada por ele e que aguardava por ser recheada. Era a oportunidade perfeita para estrear a telha que a minha mãe me deu no Natal.

No caso de não conseguires encontrar uma lula grande, podes substituir pela mesma quantidade de lulas mais pequenas.

Para 4 pessoas
- 800 g de lula inteira
- azeite q.b.
- 1 cebola picada
- 1 dente de alho picado
- 4 fatias de bacon, cortadas em palitos
- 180 g de frango desfiado (podes usar sobras doutro tipo de carne)
- sal e piri-piri q.b.
- 2 ovos cozidos, grosseiramente picados
- 1/2 frasco de azeitonas às rodelas

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.

2. Amanha a lula de forma a que o corpo desta fique como um "tubo". Escalda o saco da lula, os tentáculos e as abas numa panela de água a ferver. Retira a lula da água e pica grosseiramente os tentáculos e as abas da lula.

3. Leva ao lume uma panela com o azeite, a cebola e o alho e deixa refogar. Quando a cebola estiver translúcida junta o bacon, os tentáculos e as abas da lula, o frango e deixa refogar mais um bocado. Adiciona a polpa de tomate e o vinho branco e cozinha durante mais 15 minutos. Tempera com sal e piri-piri. Retira do lume e acrescenta o ovo cozido, as azeitonas e mistura tudo muito bem.

4. Com a ajuda duma escumadeira retira o recheio do molho do estufado e recheia o saco da lula. Coloca a lula na telha e rega-a com o molho que ficou na panela. Leva ao forno durante 20 minutos.

5. Retira do forno corta a lula às rodelas e acompanha com batatas cozidas ou puré de batata.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Papa de Banana, Bolacha e Laranja

Estamos em época natalícia, altura em que desejamos a todos momentos passados com muita paz, amor, alegria, saúde e, como não podia deixar de ser, muitas prendas no sapatinho. O Pai Natal não se esqueceu de nós e trouxe-nos muitas coisas boas para usarmos em futuras criações na nossa cozinha, mas contemplou-me com um presente completamente desnecessário, uma amigdalite! E, a avaliar pela quantidade de pessoas que ontem se encontravam no hospital, não fui a única a receber tão extraordinária prenda. Por isso, lembrei-me de postar algo que ajude nas melhoras de todos os que se encontram doentes nesta época de festas.

Desde que existo que os meus avós fazem esta espécie de papa sempre que uma das netas se encontra doente. A papa que vêem na foto foi-me trazida hoje pela minha avó juntamente com uns rebuçados Dr. Bayard. A senhora acredita que esta mistura ajuda mais na minha recuperação do que a "farmácia" que neste momento me acompanha. Portanto, se tens algum ente querido que se encontre doente presenteia-o com esta mistura e vais ver que ele fica bom num abrir e fechar de olhos!

Para 1 doente
- 2 bananas
- sumo de 1 laranja
- 4 a 6 bolachas torradas
- canela em pó (opcional)

Corta a banana às rodelas para um prato. Adiciona as bolachas grosseiramente partidas e o sumo de laranja. Com um garfo esmaga a banana e a bolacha até obteres uma espécie de papa. Se quiseres dar-lhe um toque de Natal, finaliza com um pouco de canela em pó.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Bolo de Laranja

O bolo de hoje é para um grupo de senhoras exemplar!

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas.
Um dia vou construir um castelo."

Fernando Pessoa

Continuem a ser as autoras da vossa história...

Para 12 pessoas
- 5 ovos
- 250 g de açúcar baunilhado
- 250 g de manteiga derreitda
- 300 ml de sumo de laranja (200 ml + 100 ml)
- 250 g de farinha

1. Pré-aquece o forno a 190ºC e unta uma forma rectangular.

2. Numa taça bate os ovos com o açúcar baunilhado. Adiciona a manteiga e 200 ml de sumo de laranja, batendo bem. Junta a farinha e envolve bem os ingredientes. Verte a mistura para a forma rectangular e leva ao forno durante 25 minutos ou até um palito sair seco.

3. Rega o bolo ainda quente com o restante sumo de laranja açúcarado a gosto. Quando estiver frio desenforma o bolo e corta em fatias. Decora as fatias com chantilly e bagos de romã.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Niepoort LBV 2005

Nestas tardes e noites frias de Outono, nada sabe melhor do que estar em casa a ouvir a chuva a cair lá fora. O cenário outonal melhora muito se nos fizermos acompanhar por uns chocolatitos e um bom vinho do Porto, como é o caso deste LBV que trouxemos do almoço em S. Martinho do Porto.
Para quem é apreciador de vinho esta tradição de magusto da família da Sara é o Céu! Todos os anos assistimos a um desfile de vinhos, cuidadosamente escolhidos pelo J.P., que termina sempre com um fabuloso vinho do Porto, a acompanhar os pasteis de tentugal, os doces levados de Aveiro e as castanhas assadas. Este ano as honras finais couberam a este néctar da Niepoort, que tivemos o prazer de "provar" repetidas vezes.

No final, a segunda garrafa ficou a meio e nós fomos os felizes contemplados para a trazer para casa. Este vinho é delicado, de cor rubi intensa, com predomínio dos frutos negros e com um toque de chocolate, o que faz com que vá muito bem com qualquer coisa que envolva chocolate amargo de qualidade.

É sem dúvida mais um grande Porto, para abrires em qualquer altura que precises de impressionar alguém e com a garantia de que não vais fazer má figura!

Produzido em: Cima Corgo
Região: Douro
Tipo: Vinho do Porto
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Romã e Mascarpone com Almendrados

Não fora o trabalho que dá separar os bagos das romãs, provavelmente a romã seria a minha fruta favorita. Gosto da cor das suas bagas, gosto da frescura que explode dentro da boca quando as trincamos e também gosto do atrevimento que as bagas dão a esta sobremesa.

O creme é perfeito e no meio do mascarpone espreitam pequenos rubis que chamam por nós e que nos segredam ao ouvido "Saboreia-me devagar..." e nos fazem crescer água na boca. Outra coisa que me agrada nesta sobremesa é o contraste entre a leveza do creme e a intensidade dos almendrados. Não tenham medo, experimentem e vão ver que não se vão arrepender...

Para 6 pessoas
- 1 embalagem (250 g) de mascarpone
- 1 pacote (200 ml) de natas frescas
- 4 c. sopa de açúcar baunilhado
- bagas de 1 romã + 1/2 para enfeitar
- 250 g de almendrados
- 6 c. de sobremesa de geleia de marmelo

1. Bate bem as natas. Adiciona o mascarpone e o açúcar baunilhado. Mistura bem até obteres um creme homogéneo. Junta as bagas da romã e envolve bem na mistura anterior. Leva ao frigorífico até à hora de servires.

2. Na hora de servir distribui metade dos almendrados, grosseiramente partidos, por taças ou por copos individuais. Faz camadas alternadas de almendrados e de creme. Termina com uma camada geleia de marmelo e de bagas de romã. Serve fresco com mais almendrados inteiros.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mercado da Fruta das Caldas da Rainha

Por altura do São Martinho a minha família vai toda até São Martinho do Porto para um almoço, onde não falta o cozido à portuguesa, bom vinho, caramujos, ovos moles e castanhas assadas. Este ano fomos com os meus pais um bocado mais cedo para antes do almoço irmos às Caldas da Rainha, ao Mercado da Fruta.

Na Praça da República das Caldas, realiza-se todas as manhãs um mercado ao ar livre onde vais encontrar agricultores a venderem fruta, legumes e flores, mas também queijo, pão, cerâmica e cestos em verga. Como estamos em tempo de magusto também havia castanhas assadas, onde não faltava um copinho de vinho de mesa para acompanhar.

Os produtos frescos e cheios de sabor, como a fruta saborosa que encontramos na região do Oeste, podem fazer toda a diferença numa receita. A minha ideia era dar uma primeira volta a ver o que havia para venda e depois decidir o que levar numa segunda volta, só que o meu pai começou a ficar impaciente e com pressa e já não houve segunda volta para ninguém...
Saimos de lá com uma mão-cheia de ingredientes magníficos para futuras experiências culinárias. Trouxemos clementinas para repetir o doce de abóbora de Natal que fizemos no ano passado e umas malaguetas, em forma de sino, para fazer uma entrada com requeijão. As malaguetas foram compradas numa pequena banca de agricultura biológica, com umas cores... Deu-me vontade de comprar de tudo, mas como sei que actualmente o tempo para cozinhar não é muito, tive de resistir à tentação de comprar a banca toda à rapariga. Também comprámos batata branca pequenina para fazer batata a murro um dia destes.

Gostei muito de voltar a esta praça e morro de inveja dos caldenses, que podem usufruir dela todos os dias, percorrendo a calçada portuguesa à procura dos ingredientes certos para as suas refeições. Tenho pena de em Aveiro não existir nenhum mercado deste género, já que nós adoramos vaguear pelos mercados, no meio do cheiro a fruta, da cor intensa dos legumes e das pessoas... Os mercados de rua, como este, são um património cultural que nunca se devia perder, por serem sítios onde só de olharmos para os produtos poisados nas bancas, seja fruta ou peixe, nos cresce água na boca e que dão vida às cidades!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Trifle de Maracujá

Finalmente chegou o dia... Hoje festejamos o nosso post 100 e, nem de propósito,  foi também o dia em que a P. me entregou os chocolates que pedi para nos trazer de Florença. Digam lá, há melhor maneira de festejar do que com chocolate, enquanto admiramos a "obra" feita?!?!... 

Olhando para trás, vemos que foi uma longa caminhada, cheia de aprendizagens. A coisa mais importante que aprendemos, foi mesmo a maneira de partilharmos os dois a cozinha. Não foi fácil, mas chegámos lá! Aprendemos que os pratos nem sempre correm como nós queremos e que lidar com os fracassos culinários faz parte da viagem. A par disso aprendi a melhor maneira de fotografar os pratos, respeitando os limites da nossa máquina fotográfica, uma Olympus FE115, fui descobrindo os melhores spots fotográficos, de acordo com a hora do dia e também as condições de luz disponíveis, aprendi que é melhor experimentar receitas novas ao almoço, que é quando ainda temos luz natural e que nisto de blogs de comida é melhor fazer sobremesas, pois dá para fazer para o jantar dum dia e fotografar no dia seguinte, basta deixar uma porção de lado ou então rezar para que sobre qualquer coisita para a sessão fotográfica...

Para assinalar este marco tão importante, fiz algo que já não fazia há muitos anos e que foi a primeira coisa que confeccionei em toda a minha vida, pão-de-ló. Juntei-lhe natas e maracujá e puff!... fez-se Trifle de Maracujá, da Nigella Lawson.
Foi a minha avó R. quem me ensinou a fazer pão-de-ló e, a par de outras coisas que ela me ensinou, a aluna superou a professora. No final fiquei a fazer pão-de-ló muito melhor do que ela e acho que ela levou isso a peito e, por isso, nunca me ensinou a fazer arroz doce...

O pão-de-ló é capaz de ser  a receita mais fácil de se fazer, sendo excelente para pôr os mais novos no meios das formas e de avental. Mas, por favor, não façam como a minha avó que me "obrigava" a bater as claras em castelo à mão. Achava esse trabalho muito estúpido, tendo em conta que alguém se tinha dado ao trabalho de inventar a batedeira eléctrica! Também não gostava nada do salazar, onde é que já se viu eu a ter o trabalho todo a fazer o bolo e a querer ficar com um pouco de massa na taça para rapar e não, vinha o raio do salazar e rapava tudo para dentro da forma. Como era difícil a vida de criança...

Pão-de-Ló

- 6 ovos
- 12 colheres de açúcar
- 6 colheres de farinha

1. Pré-aquece o forno a 190ºC. Unta uma forma (normalmente uso uma forma redonda com buraco no meio, mas para esta receita é mais prático usares a forma do tipo bolo inglês).

2. Separa as claras das gemas e bate as claras em castelo. Mistura as gemas com o açúcar até obteres um creme esbranquiçado. Junta as claras em castelo e envolve bem. Adiciona a farinha e bate até que a massa faça olhinhos (esta parte demorava eternidades quando tinha de fazer tudo sem recurso à batedeira eléctrica).

3. Verte a massa para dentro da forma e leva ao forno durante 45 minutos ou até um palito sair limpo e seco.

Trifle de Maracujá

- 400 g de pão-de-ló
- 125 ml de sumo de laranja
- 500 ml de natas
- 4 c. sopa de açúcar em pó
- 8 maracujás

1. Corta o pão-de-ló em bocados pequenos e distribui metade num prato alto, despeja metade do sumo sobre o bolo. Faz uma segunda camada com o restante bolo e despeja o resto do sumo.

2. Bate as natas com o açúcar em pó, até estarem firmes. Mistura a polpa de dois maracujás e espalha esta mistura para cima do pão-de-ló húmido. Espalha a polpa dos 6 maracujás restantes por cima do creme branco e leva o trifle ao frigorífico até à hora de servires.