quinta-feira, 8 de março de 2012

Mousse M

Hoje os convites sabem a chocolate negro, sabem a rosas e a suspiros. E os instantes são femininos e delicados...

Para 6 a 8 mulheres
- 200g de chocolate
- 3 c. sopa de leite
- 6 ovos
- 6 c. sopa de açúcar
- 3 c. de sopa de azeite de baunilha (se não tiveres deixa marinar, durante 15 minutos, no azeite as sementes de baunilha)
- suspiros
- geleia de rosas
- framboesas

1. Em banho-maria derrete o chocolate partido em bocados com o leite. Mexe bem até a mistura estar homogénea.

2. Parte os ovos e separa as claras das gemas. Bate as claras em castelo e reserva.

3. Bate as gemas com o açúcar e o azeite de baunilha, até a mistura começar a ficar esbranquiçada. Junta o chocolate derretido e mexe bem. Com a ajuda do salazar envolve bem as claras em castelo. Verte para uma taça e leva ao frigorífico até ficar firme.

4. Serve a mousse de chocolate e baunilha com os suspiros desfeitos em bocados, a geleia de rosas e as framboesas.

terça-feira, 6 de março de 2012

Compota de Banana e Pêra

A continuar assim um dia destes temos de mudar o nome do blog para "Três Galos Fora da Cozinha". Ultimamente temos andado afastados dos tachos e das experiências culinárias... Não quer isto dizer que não nos andemos a alimentar, apenas significa que a inspiração para testar novos pratos tem sido pouca. Mas ainda assim uma pessoa tem que comer e, de cada vez que ia à cozinha, o monte de frascos de compota vazios, em cima do armário, andava-me a inquietar. Vai daí, a semana passada decidi que era hora de fazer  alguma coisa para encher alguns dos frascos e assim mudá-los de sítio. Ainda pensei em fazer geleia e compota de marmelo, mas isso ia dar muito trabalho e assim nasce a compota de banana e pêra.

O bom desta compota são os pequenos pedaços de pêra mergulhados numa suave polpa de banana e o toque de citrinos. Por cima de uma bolacha faz-me voltar à infância e voar para perto do meu avô, que tinha o cuidado de garantir que havia sempre bananas em casa dos meus avós. Banana e queijo da serra amanteigado também é uma junção que me traz muitas memórias, por isso estou mortinha por juntar ao doce uma boa colher de queijo derretido...  

Para 4 frascos (de 220 ml)
- 500 g de bananas da madeira
- 500 g de pêra rocha madura
- 500 g de açúcar
- sementes de 1 vagem de baunilha
- 1 pau de canela
- 250 ml  de sumo de laranja
- casca de 1/2 laranja
- 2 cálices de champanhe

1. Corta as bananas em rodelas. Corta as pêras em quartos e depois em tiras finas. Com a ajuda de um descascador retira a casca a meia laranja e depois corta em tiras muito fininhas.

2. Coloca todos os ingredientes numa panela e deixa marinar durante 15 minutos. Leva a panela a lume médio, mexendo suavemente. Deixa a mistura cozer durante 1h15min. Retira o pau de canela e verte a compota para frascos esterelizados. Enche bem os frascos e fecha-os logo de seguida, com a compota ainda quente. Deixa-os virados para baixo até arrefecerem.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sargo da Galega

Às vezes o verdadeiro luxo encontra-se em coisas simples, como na frescura dum peixe grelhado na brasa.

Para 4 pessoas
- 4 sargos
- sal
- azeite
- 1 limão

1. Amanha o peixe. Tempera com sal no interior da barriga e na pele. Pincela a pele com azeite e umas gotas de limão antes de levar a grelhar. Coloca os sargos no meio de uma grelha bem quente. Leva a grelhar quando se tiverem formado brasas e já não houver chamas vivas. Mantém constante o calor e grelha de cada lado cerca de 10 minutos.

2. Acompanha com batata cozida e grelos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A cana, o peixe e o amanhar

Dar a cana e ensinar a pescar. Dar o peixe e ensinar a amanhar. 

Da última vez que o Miguel foi à pesca houve alguns felizes contemplados com peixinho fresco, mas recebemos uma ou outra chamada a perguntar como é que faziam para amanhar o peixe e sabemos que alguns negociaram com os pais para conseguir o peixe amanhado. Por isso o post de hoje é para aqueles que às vezes recebem peixinho pescado à linha e não sabem como o limpar e arranjar.
Corta as barbatanas e o rabo do peixe com uma tesoura de cozinha.
Coloca o peixe sobre uma tábua. Prende bem a cabeça do peixe com a mão esquerda e com uma faca na mão direita raspa as escamas desde o rabo até à cabeça (sentido contrário ao das escamas. É como depilar as pernas!). Lava bem o peixe com água corrente fria.
Com a tesoura abre a barriga ao peixe e faz um corte entre a cabeça e o corpo. Extrai-lhe as entranhas e as ovas, se houver. Corta as guelras. Lava muito bem com água corrente fria.

Depois de amanhado seca-o com cuidado e está pronto para ser consumido de imediato, guardado no frigorífico ou congelado. No frigorífico aguenta 2/3 dias, devendo de qualquer maneira ser consumido o mais fresco possível. No caso de ser para congelar divide-o por doses, conservando-o no máximo durante 3 meses.

Nota: O Miguel só corta as barbatanas e o rabo no final. Tem a mania que é macho e gosta de se picar!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Namorar em Amares

"Amares, o lugar ideal para amares!", podia ser o slogan dum regresso à Quinta do Esquilo, o refúgio perfeito para uns dias a dois.
Em tempos idos a quinta funcionou como casa de retiro dos frades beneditinos do imponente Mosteiro de Rendufe. Onde em tempos se rezava, agora recebe-se os hóspedes com simpatia e alimenta-se-lhes o corpo e o espírito.  Na casa principal da quinta funciona a recepção, o bar e o restaurante, onde é servido o pequeno-almoço, com croissants, pão, compotas, sumo e cereais. Durante o dia sabe bem sentar junto ao fontanário a ler um livro ou uma revista, enquanto o sol de Inverno, que há-de derreter a água ainda congelada do lago, nos aquece. Já as noites frias "empurram-nos" para o aconchego dos quartos ou até à sala de convívio, o espaço de eleição para um jogo de Scrabble.
Só deixámos a quinta para um passeio até Vila Verde, à procura do bolo dos namorados e dos chocolates inspirados nos lenços dos namorados. Na Aliança Artesanal - um verdadeiro museu vivo do amor - indicaram-nos a Pastelaria Luena para comprar o bolo dos namorados e a Pastelaria da Vila para os chocolates. Este último espaço só vale a pena pelos chocolates que não se encontram em mais nenhum local. Mas a Pastelaria Luena faz-nos querer voltar. É uma boa pastelaria, marcada pela passagem do tempo e com bolos que são réplicas quase perfeitas dos lenços. Verdadeiras obras de arte para comer! (Além de pastelaria também tem dormida e restaurante. Pena já termos almoçado, porque a refeição neste espaço prometia...)
De volta à quinta esperava-nos um jantar antecipado de São Valentim, já que não devemos esperar pelo dia para termos mais um abraço, mais um beijo, mais uma jura de amor...  pequenos deleites para serem celebrados todos os dias e não apenas num dia! O bom do restaurante da quinta é que tem várias salas, por isso conseguimos comemorar o nosso Dia dos Namorados sem estarmos rodeados por casalinhos pseudo-apaixonados, pudemos conversar e discutir à vontade! Pudemos falar das pequenas coisas que nos acontecem todos os dias, que nos fazem felizes e que nos inquietam... e depois das pazes desejar ainda mais quem está ao nosso lado.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Prefácio 2007

Este era mais um almoço de domingo, juntamente com parte da família, já que os meus sogros tinham ido passar o fim-de-semana a Lisboa e só eram esperados ao fim da tarde. Para que não fosse apenas mais uma refeição de frango churrasco, a Sara lembrou-se do vinho da Quinta do Pôpa que me tinha oferecido na altura do Natal.

Como já devem saber a Sara não percebe nada de vinho e compra-os pelo rótulo ou pelo nome. Depois de ver um programa de vinhos falou-me nesta quinta, mas quando foi ver a página online deles não gostou muito dos rótulos e por isso os vinhos ficaram no esquecimento até ao dia em que viu este Prefácio 2007 na Pé de Videira. Na mão, achou que a garrafa tinha melhor aspecto e então trouxe o vinho para casa. Verdade seja dita, de todos os vinhos da quinta este é o que tem o rótulo mais bonitinho, os outros são difíceis de convencer numa prateleira, se não conhecermos o vinho.

Bonitezas à parte, este é um vinho produzido nos belos solos escarpados e xistosos das encostas do Douro e que nasce do sonho de um lavrador duriense. Sonhava ter uma quinta numa das melhores regiões demarcadas e a pulso juntou pequenas parcelas de terrenos que agora compõem a Quinta do Pôpa, nome dado em homenagem ao seu pai, uma pessoa alegre e jovial, características que são transmitidas por este vinho! Mal o vertes para o copo ele pisca-te o olho com a sua cor ruby, que apetece logo levar à boca e degustar com calma. Algo difícil de fazer se tens ao teu lado alguém a pressionar-te e a perguntar "É alguma coisa de jeito o vinho?". A resposta é sim, o vinho é muito de "jeito" e tem uma boa relação qualidade preço. Quando o provas é realmente jovem, intenso e frutado, bom para acompanhar pratos de carne e ser apreciado em amena cavaqueira, na companhia de amigos ou família.

E por falar em família... Já estávamos a terminar de comer quando a minha sogra liga a perguntar se havia comida para mais dois. Regressaram antes do previsto e de barriga vazia! Em qualquer boa casa portuguesa, que tenha "pão e vinho sobre a mesa", há sempre maneira de alimentar mais duas bocas. No nosso caso, pão ainda havia muito, vinho é que já era pouco, mas mesmo assim ainda deu para o meu sogro beber dois copos, acompanhados de batatas fritas.

Produzido em: Adorigo, Tabuaço
Região: Douro
Tipo: Tinto
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Nacional

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cheesecake de Framboesas

Cheesecake de framboesa para a minha mãe que faz S? anos. Sem velas porque os anos não passam por ela e também porque já são muitas para soprar, mesmo tendo a ajuda das filhas, que este ano vão estar todas juntinho a ela enquanto pensa num desejo...

- 1 pacote de bolacha torrada
- 1/2 pacote de manteiga amolecida
- 2 pacotes de natas
- 1 pacote de queijo philadelphia
- 6 c. sopa de açúcar
- sumo de 1 laranja e raspa de 1/2
- 2 folhas de gelatina
- 2 caixas de framboesas
- 1 frasco de doce de framboesa

1. Para a base do cheesecake, tritura a bolacha torrada e mistura com a manteiga amolecida até formar uma massa homogénea. Cobre a base de uma forma redonda de mola com essa massa e leva ao forno a tostar durante 10 minutos.

2. Para o recheio bate as natas e adiciona o queijo creme e a raspa de laranja. Num pequeno fervedor coloca o sumo de laranja juntamente com o açúcar e leva ao lume. Quando tiver fervido adiciona as folhas de gelatina, já demolhadas em água fria e escorridas, e mexe bem. Junta o sumo às natas.

3. Espalha as framboesas por cima da base de bolachas torrada e verte o recheio por cima. Leva ao frigorífico de um dia para o outro ou então, se tiveres com pressa, ao congelador por umas horas.

4. Serve fresco com doce de framboesa.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Gelatina de Tangerina

Tal como a maioria das pessoas, pensávamos que boas churrascadas era só no Verão... Não sonhávamos como andávamos enganados! Em não chovendo e havendo sol, no Inverno também é possível fazer excelentes churrascos, apesar de terem que terminar mais cedo.
No segundo churrasco na eira repetimos as espetadas no pau de loureiro e voltámos a terminar o convívio com a fruta da nossa tangerineira, só que na forma de gelatina.

Para 8 pessoas
- 750 ml de sumo de tangerina
- 10 c. de sopa de açúcar baunilhado
- 5 folhas de gelatina
- 5 folhas de hortelã

1. Deixa as folhas de gelatina a amolecer num copo de água.

2. Leva o sumo de tangerina ao lume, juntamente com o açúcar baunilhado e as folhas de hortelã, durante 20 minutos. Escorre as folhas de gelatina e adiciona ao sumo de tangerina. Mexe bem até a gelatina estar bem dissolvida e incorporada no sumo.

3. Passa o sumo de tangerina para tacinhas individuais e leva ao frigorífico durante pelo menos 4 horas. Serve simples ou acompanhada com iogurte.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Brownies de Chocolate Branco com Framboesas

Lá fora chove, para não falar do frio... Mas nada disso nos importa quando temos brownies e panquecas fumegantes para partilhar com os amigos.

A receita original é da Leonor de Sousa Bastos. Quando os fiz pela primeira vez achei que sabiam demasiado a chocolate branco e que os pistachios não acrescentavam nada aos brownies. Depois de algumas experiências esta é a minha versão dos brownies de chocolate branco. Juntei amêndoas e troquei os pistachios por framboesas. O resultado final é surpreendente, com a acidez das framboesas a ser envolvida pela doçura do chocolate branco.

Para 8 pessoas
- 200g de chocolate branco, partido em bocados
- 125g de manteiga
- 150g de açúcar
- 5 ovos
- 100g de farinha
- 20g de maizena
- sumo de 1 tangerina
- 125g de framboesas congeladas
- amêndoas laminadas

1. Pré-aquece o forno a 170ºC.

2. Em lume muito brando derrete o chocolate branco com a manteiga. Mexe bem até obteres uma mistura homogénea.

3. Numa taça bate os ovos com o açúcar, até obteres uma mistura esbranquiçada. Junta o chocolate derretido com a manteiga. Incorpora a farinha e a a maizena. Adiciona o sumo de tangerina.

4. Verte a mistura para uma forma rectangular untada. Espalha as amêndoas laminadas por cima da massa. Leva ao forno durante 45 minutos.

5. Desenforma e deixa arrefecer antes de cortares em rectângulos.

Nota: Normalmente compro as framboesas frescas e depois congelo-as, para ser mais fácil envolvê-las na massa. Como estão rijas não são desfeitas pelo salazar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Eira e o Loureiro

Após uma pausa para nos dedicarmos a outros afazeres, retomámos os trabalhos no quintal. À nossa espera tínhamos a eira, com muita terra para ser retirada. A enxada, a pá e o carrinho-de-mão foram ferramentas indispensáveis, mas não sei o que teria sido de nós sem a "ajuda" do Lasko - o novo cão dos meus pais. Aquilo é que é um animal que gosta de trabalhar... pouco! Para ele o trabalho no campo é andar aos saltos ao nosso lado, encher-nos de terra, correr no meio das galinhas e descansar, muito, do esforço despendido no quintal.
Mesmo com o Lasko a empatar o trabalho, no final da manhã a eira já começava a dar o ar da sua graça. A maioria da terra já tinha sido espalhada pelo quintal e estava na hora de pensarmos no almoço. Era preciso decidir se mandávamos vir comida ou se nos dávamos ao trabalho de cozinhar alguma coisa. Estávamos nesta indecisão quando a minha irmã se lembrou, e bem, que podíamos aproveitar os paus de loureiro que tinham sido cortados para fazermos umas espetadas.
Assim que as minhas irmãs saíram para comprar a carne, o Miguel libertou o Bear Grylls que há dentro dele. Depois de varrer a eira, improvisou uma churrasqueira com uns blocos de granito e para as brasas utilizou uns paus que estavam de lado para a lareira. Num piscar de olhos o lume estava acesso e os lombos no espeto. Enquanto a carne grelhava restava-nos esperar e ir pensando em aprender alguma coisa com as capacidades de "sobrevivência" do Miguel. Improvisar um almoço no quintal não é um feito digno do Guinness, mas é bom saber que com ele por perto vou estar sempre safa. Aqui que ninguém nos ouve, em parte foi por isso que me casei com ele! Admiro muito a maneira como ele olha para coisas perfeitamente banais e as transforma naquilo que lhe convêm ou como está atento à natureza, aproveitando aquilo que ela lhe dá...
Conheci esta sua faceta bem cedo, ainda antes de namorarmos, quando  o vi a apanhar uma truta, dentro de um pequeno tanque, com uma rede de pingue-pongue. Quem assistiu ficou impressionado com a sua habilidade para a pesca e nesse dia eu fiquei a saber que com ele o almoço é sempre garantido, mesmo que estejamos no meio do nada. Desta vez estávamos bem perto de casa, por isso era mais fácil pôr comida no prato. O almoço na eira estava impecável e é para repetir mais vezes, até porque ainda temos muito trabalho para fazer no quintal.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Sumo de Romã

Devagarinho aproxima-se mais uma noite de passagem de ano. Quando damos por isso estamos a pensar nos momentos mais marcantes do ano que deixamos para trás e a olhar para o ano que se aproxima, cheio de promessas. Para quem procura uma bebida não alcoólica para brindar nesse instante repleto de nostalgia e esperança, nada melhor do que este sumo expremido de pequenos rubis. Para aqueles que preferem brindar com álcool é só acrescentar espumante ou vodka.

Para 1 jarro
- sumo de 2 romãs
- 2 garrafas de água com gás
- sumo de 1 limão
- 2 c. sopa de açúcar baunilhado
- folhas de hortelã

1. Retira os bagos às romãs. Com a varinha mágica tritura os bagos e passa a "papa" por um coador.

2. Coloca num jarro o sumo de romã. Adiciona a hortelã e o sumo de limão. Adiciona a água com gás e o açúcar baunilhado. Mexe bem com o cabo de uma colher de pau.

3. Serve o sumo com gelo e brinda a um Excelente 2012, acompanhado de boa comida.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Chutney de Ameixas

Um toque de especiarias adicionado a uma receita que vem na Visão Gourmet Outono/Inverno 2011. Para usar com carnes assadas ou simplesmente por cima de uma fatia de queijo ou de pão torrado.

Para 1 frasco
- 8 ameixas pretas
- 2 cálices de vinho de Porto
- 1 cálice de sumo de limão
- 2 sementes de cardamomo
- 1 pau de canela
- sal
- 1 c. de chá de mel

Descasca as ameixas e pica-as em cubos pequeninos. Leva a lume brando com o vinho do Porto, o sumo de limão, os grãos de cardamomo e o pau de canela. Tempera com sal e deixa reduzir durante 15 minutos, mexendo de vez em quando. Adiciona o mel e deixa caramelizar. Retira do lume. Remove o pau de canela e passa o chutney para um frasco esterelizado. Fecha o frasco e vira-o ao contrário. Deixa-o estar virado até arrefecer, de maneira a criar vácuo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Polvo à Lagareiro

Nunca imaginei que só agora é que iamos conseguir esvaziar o congelador, e assim poder ver o frigorífico completamente limpo e arrumado. A comida tem destas coisas e o nosso congelador parecia uma central de camionagem, tal era o chega e parte de peixe e carne. Cada vez que eu achava que ia poder descongelar o dito, o Miguel ia à pesca, o meu pai trazia peixe ou os meus sogros mandavam carne. Até que chegou um dia que acordei e pensei "Hoje está um dia perfeito para desligar o frigorífico!". E assim foi... Directamente do congelador para o frigorífico saíram uns peixinhos que mais tarde se transformaram em sopa de peixe e um polvo que se converteu num polvo à lagareiro, o meu substituto preferido do bacalhau cozido com todos na consoada.
Não tenho nada contra o senhor bacalhau cozido, mas quando descobri que havia zonas do país onde o rei da noite de Natal era o polvo fiquei encantada e passei a sonhar com o dia em que ia comer polvo na ceia de Natal. Esse dia chegou há dois anos atrás, pela mão da mãe do Miguel,  sob a forma de um tenrissímo polvo à lagareiro e desde aí nunca mais cheguei perto do tradicional bacalhau.

Para 4 pessoas
- 2 kg de polvo
- 1 cebola com casca
- 800g de batatas novas
- azeite
- 4 dentes de alho picados
- piri-piri em pó
- sal
- 1 molho de grelos

1. Coloca o polvo e a cebola com casca numa panela. Cobre com água e leva a panela ao lume até a cebola estar cozida e o polvo tenro (mais ou menos 30/40 minutos). Escorre o polvo e reserva-o.

2. Coze ligeiramente as batatas com pele. Depois de escorridas, deixa arrefecer um pouco e dá um murro em cada uma (podes cobrir a mão com um pano da loiça para não te queimares ao "esborrachares" as batatas. Também podes aproveitar para imaginar a cara de alguém que não gostes. Bastante terapêutico).

3. Coloca o polvo inteiro no centro de uma travessa de ir ao forno, com as batatas à volta. Coloca o alho picado, tempera com sal e piri-piri a gosto e rega com uma boa quantidade de azeite. Leva ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 30 minutos, até que as batatas estejam douradas e o polvo tostado.

4. Serve quente acompanhado com grelos cozidos e broa de abóbora.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lombo Recheado com Castanhas

Não sei se será pela falta da árvore de Natal nas pontes ou por não haver iluminações e músicas de Natal na rua, mas a verdade é que ainda não entrámos no espírito natalício. Ainda me custa acreditar que faltam poucos dias para a azáfama típica desta quadra e que não tarda vou estar a repetir este clássico do nosso almoço de Natal. O lombo recheado por si só já é um aconchego para estes dias frios, mas juntar-lhe as castanhas torna-o ainda mais reconfortante e prepara-nos para a tradicional tarde de Natal no sofá, a ver filmes e a comer chocolates.

Desde o último Natal que acho que faz falta a esta carne alguma coisa para tornar o prato mais leve. Por isso antes do grande almoço natalício decidi reproduzir a receita para experimentar o lombo com uma salada morna de maçã que vinha na Visão Gourmet. A salada é engraçada mas não ligou bem com a carne, por isso no dia de Natal vou experimentar acrescentar couves de Bruxelas. Segundo o Taste Buds e o Dicionário de Sabores este legume emparelha bem com castanhas. Vamos lá ver como é que esta alteração corre...

Para 6 pessoas
- 1,2 kg de lombo de porco (pede ao homem do talho para o abrir)
- 500 g de castanhas congeladas
- 20 ameixas secas, descaroçadas e cortadas em bocados
- 12 nozes, grosseiramente picadas
- 1 cebola, picada
- 100 g de bacon, cortado em palitos
- 2 cálices de vinho do Porto
- segurelha
- margarina
- azeite
- sal

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.

2. Tempera o lombo de porco, por dentro e por fora, com a segurelha e o sal. Deixa repousar durante 20 minutos.

3. Frita o bacon com a margarina e a cebola picada até alourar. Retira do calor e junta as nozes, metade do vinho do Porto e metade das ameixas secas. Recheia o lombo com o preparado de frutos secos. Enrola o lombo e ata-o com um fio de cozinha. Dá uns golpes na superfície do lombo e espeta bocadinhos de segurelha no centro dos cortes.

4. Coloca o lombo no centro de um tabuleiro de ir ao forno. Rodeia-o com as castanhas, rega com azeite e leva a assar em forno quente durante 30 minutos. Ao fim desse tempo junta as restantes ameixas e rega com o restante vinho do Porto. Assa até a carne estar tenra, regando de vez em quando com o molho que se vai formando. Se não houver molho suficiente refresca com um pouco mais de vinho do Porto ou com caldo de legumes.

5. Serve às fatias acompanhado com arroz branco.

Nota: Para o almoço de Natal acrescentei as couves de Bruxelas e gostei muito do resultado. No passo 4 substitui as ameixas por 400 g de couves de Bruxelas congeladas. Adiciona também 250 ml de caldo de legumes para o lombo não secar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Cupcakes de Natal

Já passaram quatro anos desde o nosso primeiro post e ainda temos tantas receitas à espera de saírem do papel e passarem para os tachos... 

Como este é sobretudo um espaço de experiências, esta semana combinámos um lanche para podermos partilhar a cozinha com mais um mini chef. Apesar da extensa lista de receitas para experimentar decidimos adaptar a nossa receita de bolo de frutos secos para cupcakes, por ser uma receita simples, sem necessidade de bater claras, e porque envolvia chocolate, sem ser preciso derretê-lo em banho-maria. Basicamente reduzi todos os ingredientes a metade, à excepção da manteiga que tem que ser igual à quantidade de açúcar e de farinha. 

Cozinhar com crianças é uma "arte", sem lugar para "nojentices", sempre divertida e gratificante. O J.G. revelou-se um mini chef muito guloso e preocupado em garantir que a massa estava mesmo saborosa, através de várias provas consecutivas. Também se mostrou muito preocupado em comprovar a qualidade dos ingredientes, tendo sido mais as nozes e avelãs que foram parar à sua barriga do que à taça dos frutos secos. A qualidade do chocolate e do granulado colorido também passou no rigorosíssimo teste da lambidela dos dedos...

No final, esta foi uma excelente forma de nos imbuirmos no verdadeiro espiríto natalício de partilha e os cupcakes de Natal ficaram mais do que aprovados!

Para 12 cupcakes
- 125g de açúcar
- 125g de manteiga amolecida
- 125 g de farinha
- 2 ovos
- 1 c. sopa de doce de figo
- 1 c. de café de canela em pó
- 75 g de frutos secos (nozes, avelãs)
- 25g de chocolate, cortado em bocados pequenos
- 1 maçã descascada, cortada em bocados pequenos

1. Pré-aquece o forno a 180ºC.
 
2. Numa taça mistura a manteiga amolecida e o açúcar. Quando obtiveres uma mistura fofa adiciona os ovos, batendo bem. Junta o doce de figo, a canela e a farinha. Mistura tudo. Junta os frutos secos, o chocolate e as maçãs. Envolve estes ingredientes com uma colher ou espátula.

3. Com a ajuda duma colher de sopa distribui a mistura por doze formas de papel. Leva ao forno durante 15 minutos ou até quando inserires um palito este saia seco. Deixa arrefecer antes de colocar a cobertura.

Ganache de Chocolate
- 100g de natas
- 100g de chocolate
- 1 c. sopa de manteiga

4. Depois de colocar a massa no forno começa a ferve as natas e verte por cima do chocolate partido grosseiramente. Mexe até que o chocolate esteja completamente derretido. Junta a manteiga e mistura até que esteja completamente incorporada.

5. Cobre os queques com o chocolate e decora generosamente com granulado colorido.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Salada de Ovo e Atum

Esta é uma "mistela" que fazíamos no Verão, nas férias em S. Martinho do Porto, e púnhamos nas bolas de pão para levarmos para a praia. No Verão apetece em sandes com alface para comer a seguir ao banho, enquanto secamos ao sol. Mas no Inverno sabe bem em dias soalheiros, no quentinho da casa, barrada em torradas ou em fatias de pão rústico.

Para 2 pessoas
- 1 lata de atum em azeite
- 2 ovos cozidos
- 2 c. sopa de rodelas de azeitonas pretas
- 1 c. sopa de iogurte natural
- 1 c. sopa de maionese

Numa taça  esmaga os ovos cozidos, com a ajuda de um garfo. Junta o atum e as rodelas de azeitona. Mistura bem. Adiciona o iogurte natural e a maionese e envolve bem. Leva a "mistela" ao frigorífico durante pelo menos meia hora para refrescar.

sábado, 26 de novembro de 2011

Dona Fátima 2010

Sexta-feira depois do trabalho apanhei a minha irmã J. na estação de comboios e fomos até à Latina Adega para comprar uma garrafa de vinho para oferecermos ao nosso tio.  (Antes de continuar, há uma coisa que precisam de saber sobre mim e a J., nós não somos as pessoas mais indicadas para mandar à loja comprar vinho. Não percebemos nadita de nada sobre o assunto, mas o que fazer, calhou-nos a nós a tarefa.)

Pouco depois de entrarmos na Adega fomos abordadas pelo dono, que nos convidou para a prova de vinhos Biomanz que ia decorrer na loja. Tentámos explicar que não éramos apreciadoras de vinho, mas com a sua simpatia convenceu-nos a participar. Enquanto a prova não começava fomos passando os olhos pelas garrafas expostas a ver se alguma delas "falava" connosco. As garrafas não "falaram" mas a gerente da garrafeira falou e prestou-nos uma ajuda muito preciosa. No final, dos vinhos aconselhados, escolhemos aquele que considerámos ter o rótulo e o nome mais bonito e um dos vinhos tintos da Biomanz.

Dizem que para apreciar um vinho temos de ter três sentidos bem apurados, visão, olfacto e paladar. Eu acrescentaria também a audição, para podermos ouvir contar a história que está por trás do líquido engarrafado. A da Biomanz é uma história de recuperação do passado vitivinícola de Cheleiros (Mafra). Começaram por comprar uma pequena vinha a uma senhora cujo marido tinha falecido e ela já não tinha forças para tratar das videiras sozinha. Na vinha existia uma casta branca inicialmente desconhecida e depois identificada como sendo uma casta portuguesa quase extinta: Uva Jampal. O enólogo da casa, Ricardo Noronha, sugeriu substituir as cepas por outras de castas tintas, felizmente André Manz, o administrador da Biomanz, não foi nessa e decidiu produzir o único vinho monocasta Jampal no mundo.  

Digo felizmente porque fiquei completamente apaixonada pelo Dona Fátima!!! Andava há muito tempo à procura de um vinho que me conquistasse e sem estar à espera encontrei-o ali num fim de dia de Outono. Não me perguntem o que é que o vinho tem de especial. Ele é apetitoso e tem uma frescura trazida pelas brisas do Atlântico. Tem também o seu quê de mistério, como qualquer objecto de paixão deve ter no início, com alguns aromas que reconheço no paladar mas que não consigo identificar.

Mas este meu apaixonado quer uma relação à moda antiga e faz-se de difícil. Temos encontro marcado para Abril, quando estará novamente disponível.

Produzido em: Cheleiros
Região: Lisboa
Tipo: Branco
Castas: 100% Jampal

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dia Nacional do Mar

Sou filha de embarcado, sou neta e bisneta de homens do mar. Por causa desta ligação familiar, e pela sua proximidade, tenho desde criança uma paixão muito grande pelo mar. Mesmo que por causa dele, em muitas viagens que duravam meses, o único contacto que tinha com o meu pai era através de cartas ou postais que atravessavam o oceano.
No dia em que regressava a terra costumávamos ir com a minha mãe para os Pilotos da Barra esperar por ele. Eu aguardava sempre a sua chegada com ansiedade. Gostava de ir a correr abrir o saco dele para sentir o cheiro a mar, misturado com o cheiro a gasóleo, que vinha agarrado às suas roupas. Claro que também esperava encontrar por lá alguma prenda.
Pensando que podia continuar a tradição familiar, mas numa vertente diferente, no secundário escolhi a área de "Produção Aquática", onde aprendi a conhecer as potencialidades do mar, a necessidade de protegermos os seus recursos e a fazer redes.  Com este conhecimento vieram as primeiras discussões lá em casa sobre a exploração excessiva dos recursos marinhos, a legislação que vinha da CEE e a falta de uma política de pesca sustentável. 

Recordo estes tempos porque hoje comemora-se o Dia Nacional do Mar e discute-se sobre como criar valor com os oceanos e sobre a economia do mar. Agora que o meu pai é recém reformado já não falamos tanto acerca do futuro dos oceanos, mas é impressionante como tantos anos depois a questão da sustentabilidade do pescado ainda continua tão presente.

Enquanto consumidores não devemos ficar à espera que o poder político encontre soluções, temos sim de escolher o peixe certo para o nosso prato. Com o gráfico "Which fish are okay to eat?", no site InformationIsBeautiful, ou numa versão mais portuguesa Que peixe comer?, podemos descobrir que peixes podemos incluir nas nossas refeições do dia-a-dia, contribuindo para que outros pais continuem a sair para o mar e a regressar com peixe nas suas redes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Castanhas Assadas

Não houve Sol a brilhar, mas as castanhas (mesmo com bicho) não podiam faltar num dia de São Martinho, alegradas com erva-doce, que além de lhes imprimir um sabor mais outonal também deixa um cheiro adocicado em toda a cozinha.

Para 4 pessoas
- 500 g de castanhas
- 500 g de sal
- 2 mão-cheias de raminhos de erva-doce

1. Pré-aquece o forno a 200ºC.

2. Lava as castanhas e enxuga-as com um pano da louça. Faz um corte na horizontal até meio da castanha.

3. Numa taça mistura o sal grosso com os raminhos de erva-doce. Cobre um tabuleiro de ir ao forno com metade do sal aromatizado. Espalha as castanhas por cima e polvilha-as com o resto do sal. Leva ao forno durante 30 a 45 minutos.

4. Come-as quentes acompanhadas por um cálice de jeropiga ou de vinho do Porto.

sábado, 5 de novembro de 2011

Pica-Pau do Campo

O Miguel costumava apanhar santieiros (cogumelos selvagens comestíveis, designação científica Macrolepiota procera) quando andava no campo à caça, depois das primeiras chuvas. Como quem vai à despensa fomos ao campo, ver se apanhávamos alguns cogumelos para o jantar. De cestinho de verga na mão, lá iamos procurando, só que a procura não estava a correr bem. O tempo passava e a única coisa que tinhamos apanhado era erva-doce, com um cheiro maravilhoso. Mas, quando eu já pensava que iamos sair dali de mãos a abanar, o Miguel lá avistou um chapéu a espreitar pelo meio da erva, salvando assim o nosso jantar!
Já tinhamos cogumelos e erva-doce, faltava-nos um pedaço de carne, que fomos "caçar" à arca congeladora dos pais do Miguel, juntamente com mais uns cogumelos que o pai dele tinha apanhado na véspera! E foi assim que trouxemos o campo para a nossa mesa, neste pica-pau delicioso!

Para 4-6 pessoas
- 500 g de peito de frango
- sal
- 3 c. sopa de manteiga
- 1 c. chá alho em pó
- 1 c. sopa massa pimentão
- 3 c. sopa azeite
- 1 cebola picada
- 500 g de santieiros, limpos e grosseiramente cortados
- 1 copo de vinho branco
- piri-piri
- 1/2 pacote de polpa de tomate
- 1 c. sopa de maisena
- 2 c. sopa de erva-doce fresca

1. Corta o peito de frango em tiras pequenas e tempera com sal. Aquece a manteiga num wok e cozinha as tiras de carne. Cozinha durante dez minutos. Acrescenta o alho em pó e a massa pimentão. Cozinha até a carne começar a ficar caramelizada. Retira do wok e reserva.

2. Aquece o azeite no mesmo wok (sem o lavar) e aloura a cebola. Junta os cogumelos e salteia-os em lume médio durante cinco minutos. Acrescenta o vinho branco, o piri-piri e a polpa de tomate. Salteia durante mais dez minutos. Mistura a farinha maisena, usando um coador para não formar grumos.

3. Acrescenta a carne e cozinha durante mais cinco minutos. Retira do lume e mistura a erva-doce.

4. Serve quente, acompanhado por fatias de pão.