segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bolachas de Chocolate

Somos uns padrinhos desnaturados e só agora é que demos à nossa afilhada o folar deste ano e do ano passado. Diga-se a nosso favor que no ano passado, por altura da Páscoa, a G. estava do outro lado do Atlântico e por isso é que não teve o folar. O tempo foi passando e a certa altura decidimos acumular as prendas. Acho que ela não se chateou muito com isso, até porque assim parece que recebeu muitas prendas. Oferecemos um kit infantil para bolachas (com formas, rolo da massa, tabuleiro, etc.) que é uma fofura e um avental da Sushie Design que fez um sucesso. Equipados a rigor passámos um belo fim de tarde todos juntos na cozinha a fazer bolachas, que ficaram rústicas e um bocado amargas, mas que mesmo assim a G. achou que estavam muito boas (o bom de cozinhar com crianças é elas gostarem sempre daquilo que é feito por elas)!
Duas coisas contribuíram para o pequeno fracasso das bolachas. A primeira foi falha humana, usei cacau em pó em vez de chocolate em pó e a segunda foi culpa do material, a nossa balança, que é muito muito linda, não se dá bem com pesagens pequenas e mais precisas, por isso pode-se dar o caso de ter posto açúcar a menos e cacau a mais...

Apesar desse pequeno pormenor conseguimos atingir o objectivo que era passarmos juntos uma tarde divertida na cozinha a pesar os ingredientes, partir ovos e fazer bolinhas de chocolate. Depois de termos estado com as mãos na massa, ainda houve tempo para ouvir a "chuva" de peças do Master Mind a cair, "jogar" às cartas, mandar torres de paralelepípedos a baixo e brincar com bolas de sabão gigantes...  

Para cerca de 20 bolachas
- 50 g de açúcar em pó
- 150 g de manteiga, à temperatura ambiente
- 200 g de farinha
- 50 g de chocolate em pó
- 1 ovo

1. Pré-aquece o forno a 170ºC.

2. Numa taça junta o açúcar com a manteiga, cortada em pequenos pedaços. Bate bem até obteres um creme. Adiciona a farinha e o chocolate até obteres uma mistura homogénea. Por fim, junta o ovo, batendo sempre. Tapa a taça com película aderente e leva ao frigorífico durante 30 minutos ou até a massa estar dura.

3. Faz bolas com a massa e achata-as com as palmas da mão, formando bolachas. Distribui as bolachas por um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal. Leva ao forno durante cerca de 15 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer as bolachas no tabuleiro.

domingo, 3 de julho de 2011

Feira do Mirtilo

Hoje foi o último dos três dias da Feira do Mirtilo, em Sever do Vouga. Era a nossa estreia na feira e íamos cheios de vontade de ver a chef Leonor de Sousa Bastos e comprar mirtilos para fazer umas experiências culinárias, mas a coisa não correu bem como nós tínhamos planeado.
Para começar, quando chegámos às 15h00 para assistir ao workshop da autora do Flagrante Delícia, na tenda estava um homem a fazer um caril de gambas. Poucos minutos depois chegou a desilusão, quando descobrimos que não ia haver nenhuma sobremesa espectacular feita pela chef Leonor. Desconfio que, apesar do nome dela constar do programa, ela nunca tenha estado para vir. No livro de receitas "Mirtilo à Mesa" não vem lá nenhuma receita dela e era suposto estarem lá todas as receitas apresentadas nos workshops realizados durante a feira. A fotografia dela também não aparecia no programa, tal como não aparecia o nome dela no placar com os workshops à entrada da tenda.
Deixámos a tenda e fomos dar uma volta pela feira. O Parque Urbano de Sever do Vouga é um espaço muito agradável, no entanto demasiado pequeno para tantos que se deslocaram no Domingo até à feira. Parecíamos formiguinhas num carreiro e não dava para ver nada... A maioria das estantes das barracas encontravam-se vazias e o tempo de espera nas filas era interminável e cheio de encontrões! Enquanto esperávamos na fila para provar uma fatia de tarte de mirtilos e morangos, estava lá um senhor há mais de meia hora à espera de broa e pães de mirtilo (os pães quentes eram deliciosos, já frios não tinham grande piada) e depois de nos virmos embora com 10 pães no saco e cada um com a sua fatia de tarte o senhor ainda lá ficou à espera da broa pelo menos mais outra meia hora.
Com a tarte já no papo regressámos à tenda dos workshops para assistir ao chef Gonçalo Costa a confeccionar duas versões dum "Magret de pato com foie gras e chutney de mirtilos". A primeira versão era com uma salada quente de rúcula e espargos e na segunta o magret de pato era acompanhado por uma salada fria de rúcula e espinafres. O Miguel provou e não achou nada de especial, mas talvez por não ser grande apreciador de foie gras.
No final do workshop ainda estava para vir a grande surpresa do dia... Fomos até à zona da venda de mirtilos e por inacreditável que pareça não havia mirtilos. Como é que é possível que se deixe acabar o ingrediente principal da feira?!?!?! Tristes lá viemos embora de copo de sumo de mirtilo na mão...  Fazendo um balanço, a feira tem todas as condições para ser um grande acontecimento mas para nós foi um fracasso...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ourense

No fim-de-semana fomos passear até Ourense. Por coincidência calhou irmos num fim-de-semana cheio de festas. Nas ruas e praças da zona histórica da cidade tínhamos o VII Mercado Medieval, incluído nas Festas Ourense 2011. Na vila de Allariz, a cerca de 20 km de Ourense, decorria a Festa do Boi. A única coisa que não ajudou a nenhuma das festas foi o calor que se fazia sentir naquele vale da Galiza e que só deu para suportar graças aos banhos nas termas.
Desde que foi para Ourense de Erasmus a minha irmã J. não falava doutra coisa se não das termas e nós estávamos um bocado curiosos. Quando de manhã saímos a correr de casa para apanhar o comboio turístico (0,78€ bilhete de ida, mais ou menos 40 minutos de viagem) nunca sonhavamos que íamos encontrar um pequeno paraíso. O ambiente das termas é muito zen, não só por causa das suas águas mas também por toda a envolvente verde. Os pequenos jardins que temos de percorrer até chegar às "piscinas" de água quente ou fria, as árvores que fornecem sombra em dias de calor e o rio Minho que corre aos nossos pés são os ingredientes perfeitos para atingir um estado de puro relaxe. Infelizmente naquele dia não tinhamos muito tempo para os banhos, mas ainda assim deu para nos refrescar naquelas águas fantásticas e no espaço público muito bem cuidado.
De volta à cidade e ao calor recuámos no tempo numa das barracas do Mercado Medieval. O cheirinho que vinha do grelhador era inebriante e os contrastes de cor entre os tons castanhos e o verde vivo dos pimentos padrão também eram muito chamativos.
Aproveitando a sombra debaixo das arcadas  comemos uns ossos que estavam muito bons, mais umas salsichas frescas, tudo acompanhado de batatas fritas. Depois de almoço eramos para ir ver as tendas de artesanato, mas esquecemo-nos que aqui nesta parte do mundo existe uma coisa chamada sesta e por isso não havia nada aberto. Como em Roma sê romano, a seguir a um gelado fomos para casa dormir uma sesta e devido ao calor (40ºC à sombra) cancelámos os planos da tarde de ir ver as corridas de bois.
À noite e ainda com 35ºC na rua fomos até Allariz, para jantar na Festa do Boi, uma celebração já antiga, que foi recuperada no ano de 1983, onde se vê muita gente a cair de bêbeda. Tirando isso o ambiente da festa é alegre e a pequena vila é muito bonita, toda em pedra e de ruas estreitas. Fomos à procura de um sítio para comer, mas não estava fácil... As bodegas estavam todas a abarrotar e decidimos ir procurar um sítio no meio da feira, o que se revelou uma má opção, já que para esses lados a comida não era grande coisa, sendo que a carne estava basicamente crua. Mas nem tudo era mau, num evento que dá pelo nome de Festa do Boi o melhor que se conseguia comer era polvo cozido.
Os pratos de polvo que viamos passar tinham um aspecto delicioso e como tinhamos ficado desconsolados com a carne fui para a fila do pulpo.  Apesar da longa fila, a espera valeu a pena e consolámo-nos com a iguaria simples de polvo cozido, apenas temperado com sal, piri-piri e azeite. Quem também se ía consolar por lá era a ASAE, visto que as condições de higiene e de conservação dos alimentos eram inexistentes. A carne estava guardada em várias geleiras, a levar com o calor dos grelhadores. O polvo era cozido numa panela gigantesca no meio dos caminhos de passagem (aos Domingos é possível ver destas panelas nas ruas de Ourense) e a senhora que estava a cortar o polvo, que saía directamente da panela por baixo da tábua de cortar, era a mesma que recebia o dinheiro e nos dava o troco, tudo isto sem lavar as mãos uma única vez!
Para terminar o fim-de-semana em beleza voltámos às termas, mas desta vez para passar lá o dia todo. Primeiro banhos, depois sandocha de atum à sombra das árvores, seguida de sesta, mais banhos nas piscinas, leitura à sombra e contemplação do espaço. Por outras palavras, não fizemos nada, foi só descansar e ganhar forças para o regresso a casa e para mais uma semana de trabalho... 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Limonada de Mirtilos

Na semana passada começou o Verão e naquele que é o dia mais longo do ano fomos até à praia da Barra para relaxar um bocado. O Miguel foi à pesca e eu fui "pescar" uns finos e uma empalhada. A pesca, como devem imaginar, correu melhor a mim do que a ele. Os meus finos estavam maravilhosos e ele só apanhou peixe pequeno que devolveu ao mar.

Enquanto descontraía numa esplanada junto ao farol e com vista para o mar, ía fazendo pequenos intervalos do livro que tinha como companhia para observar o que se passava à minha volta. Havia um escritor na mesa de trás que sonha um dia ganhar o prémio Saramago, um homem musculado que aproveitava o final do dia para passear o seu caniche no passadiço, mas também uns putos irritantes com as hormonas aos saltos... Ao longe, o areal era partilhado pelos pescadores, por uns "noivos" a tirar as fotografias da praxe para finalizar o album de casamento e os casalinhos à espera do pôr-do-sol.

Com o aproximar do final do dia o tempo começava a arrefecer e era hora de ir procurar o Miguel e descobrir como lhe tinha corrido a pescaria. Pelo caminho ainda me cruzei com um mega grupo que tomou conta da praia para uma sardinhada, talvez para comemorarem o início da nova estação, pois em Portugal não há nada que represente melhor o Verão do que o cheiro a sardinha assada.

Outra coisa que para nós significa Verão são as refeições ao ar livre e as limonadas. E como parece que anda aí muita gente com excesso de limões, está já a sair uma limonada especial, para beber bem fresca em casa ou num piquenique.

Para 1,5 l
- 1 chávena (250 ml) de água
- 1 chávena de açúcar
- 1 chávena de mirtilos
- 250 ml de sumo de limão
- 750 ml de água
- folhas de hortelã
- gelo

1. Começa por fazer um xarope com os mirtilos. Num pequeno tacho coloca a água, o açúcar e os mirtilos. Leva a lume médio até o líquido começar a ganhar cor (5/10 minutos, dependendo da intensidade do lume). Passa o líquido por um coador para retirar as cascas dos mirtilos. Deixa arrefecer completamente e leva ao frigorífico durante 1 hora.

2. Para fazer a limonada. Num jarro junta o sumo de limão, a água e o xarope de mirtilos. Prova e adiciona mais água ou açúcar conforme o gosto. Leva ao frigorífico até à hora de servir.

3. Antes de servires adiciona o gelo e as folhas de hortelã.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Espargos Assados com Mini-tartes de Tomate


Fico doida quando nalgum livro de receitas vejo a lista de ingredientes e depois olho para a foto e vejo ingredientes que por mais que procure não se encontram na tal listinha. Que não queiram partilhar com os comuns mortais todos os seus truques de chefs eu até entendo, mas pelo menos antes de lançarem os livros confirmem se bate tudo certo. É o minímo...

Parte desta receita, adaptada do livro "Dias Felizes com Jamie Oliver", é um exemplo disso. Quando percorremos a lista de ingredientes não vemos nenhuma referência a tomates cereja, só que ao olhar para a foto lá estão eles, vermelhos e viçosos. A primeira vez que fiz os espargos assados incluí os tomates cereja, já que davam cor ao prato. Na altura achei que com algumas alterações o prato tinha potencial como entrada ou como um almoço tardio de domingo. As alterações de base já estavam há uns tempos na minha cabeça, só que não conseguia decidir se usava tarte com tomates crus ou tomates assados, daí a receita final ter demorado a materializar-se.

Desta vez usei uma haste de alecrim, como indicado na receita original, mas como tive um trabalhão a "catar" as pontas de alecrim que ficaram coladas aos espargos da próxima vez vou usar o azeite de alecrim que a minha irmã nos deu pelo Natal, penso que a diferença no sabor não será muita. A lista de ingredientes é longa mas o prato é simples de fazer e bastante saboroso.

Para 4 pessoas
- 24 espargos
- azeite de alecrim
- 4 fatia de presunto
- 1/2 limão
- 1 base de massa quebrada
- 24 tomates cereja, cortados ao meio
- 24 azeitonas, sem caroço
- manjericão, grosseiramente picado
- azeite
- queijo da ilha ralado
- 1 noz de manteiga

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.
 
2. Apara os pés dos espargos, dobrando-os e partindo por onde estalarem naturalmente. Envolve bem todos os pés no azeite de alecrim. Pega em 6 espargos e enrola a fatia de presunto à volta do centro para atar tudo. Faz outros três molhos iguais e alinha-os num tabuleiro de forno com meio limão. Reserva.
 
3. Corta a base de massa quebrada ao meio (guarda a outra metade no congelador para outra altura). Corta a base em 8 tiras. Coloca as tiras de massa quebrada no centro de 8 formas de queque e com a ajuda dos  polegares pressiona e molda as tiras de massa de maneira a esta cobrir a forma toda. Pica a massa com um grafo. Leva os espargos e a massa quebrada ao forno.

5. Entretanto, numa taça, mistura os tomates cereja com as azeitonas e o manjericão. Adiciona um fio de azeite e reserva.

6. Quando a massa estiver dourada (mais ou menos 10 minutos) retira as formas do forno e usa uma colher para pressionar a massa de volta aos lados da forma (cuidado para não te queimares, que foi o que me aconteceu). Distribui a mistura de tomate pelas formas e polvilha com o queijo da ilha.

7. Leva as mini-tartes de novo ao forno até o presunto ficar estaladiço e o queijo gratinado (aproximadamente mais 10 minutos). Tira do forno, junta uma noz de manteiga e espreme o sumo de limão assado sobre os espargos e serve-os ainda quentes, acompanhados com as mini-tartes.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tarte de Requeijão e Morangos

Hoje almocei com a minha amiga A.P. e esta foi a nossa sobremesa. Já andava para postar a receita da tarte de requeijão há algum tempo. Da primeira vez as fotos não ficaram bem, da segunda não sobrou tarte a tempo de ser fotografada e entretanto já tive os ingredientes para a fazer e acabei por deixar passar o prazo.

A semana passada li numa revista que segundo um estudo da ONU um terço da comida produzida em todo o mundo é desperdiçada. Nos países em desenvolvimento a maioria das perdas acontece na produção ou no aprovisionamento, enquanto que nos países industrializados grande parte do desperdício acontece já em nossas casas, onde muita comida acaba no lixo. Não nos orgulhamos disso mas ao ler o estudo sabemos que contribuimos para este número tão assustador. Infelizmente, devido ao ritmo de trabalho e à falta de tempo ou perguiça para cozinhar, ultimamente temos deixado estragar alimentos mais do que o normal. Algumas vezes compramos produtos frescos a achar que nessa semana vamos fazer mais refeições em casa ou pomos peixe a descongelar para o jantar e depois por algum motivo acabamos por não o confeccionar e com uma "dor na alma" lá vai a comida para o lixo.`

Conversámos e combinámos que isto de deitar alimentos fora tinha de  acabar, nem que para isso tenhamos de ir mais vezes ao mercado e que vamos passar a planear as refeições ao fim-de-semana, tendo em conta os nossos horários. Claro que imprevistos vão surgir sempre mas se tivermos um "guião" para seguirmos isso é mais difícil de acontecer e não nos sentimos tão tentados a mandar vir comida de fora ou a optar por refeições que é só pôr no microondas e plim "está pronto".

Tendo isso em mente, este fim-de-semana não deixei escapar os ingredientes para este post, já que tinha o género de ingredientes que não se podem deixar estragar: morangos muito saborosos trazidos pelo Miguel do quintal dos pais e requeijão de Seia comprado religiosamente todos os sábados pela minha avó.

Para 8 fatias
- 1 requeijão de Seia
- 5 ovos
- 50 g de manteiga derretida
- 100 g de açúcar
- 100 g de farinha
- 15 morangos, arranjados e cortados em quartos

1. Pré-aquece o forno a 180ºC.

2. Bate o requeijão esfarelado com as gemas. Junta a manteiga e mexe. Adiciona o açúcar, a farinha e por fim as claras em castelo. Envolve os morangos na mistura anterior.

3. Verte a mistura para uma forma redonda untada e leva ao forno durante 45 minutos ou até sair um palito limpo. Deixa arrefecer antes de desenformares.

sábado, 28 de maio de 2011

Palitos de Curgete com Ovo Escalfado

E ao vigésimo dia eis que surge uma nova receita... que pode servir como salada numa refeição leve ou então como entrada.
A receita é do Henrique Sá Pessoa, para o programa Ingrediente Secreto, num episódio dedicado à curgete. É mais ou menos o que nós vamos andar a fazer nos próximos dias para podermos gastar as curgetes que a minha "irmã" do Oeste nos trouxe, directamente do quintal dos pais dela, juntamente com nozes e alecrim. Os ovos vieram das galinhas dos meus pais que ultimamente andam muito poedeiras!

Para 2 pessoas
- 4 curgetes pequenas
- azeite
- 3 cubos de manteiga
- sal
- 2 ovos
- cebolinho picado
- vinagre
- 1 iogurte natural

1. Utiliza o exterior das curgetes e corta-o em forma de palitos grossos. Aquece o azeite numa frigideira com a manteiga. Quando estiver bem quente, junta as curgetes e tempera com uma pitada de sal. Vai mexendo os palitos de curgete e quando estiverem dourados junta o cebolinho, mexe e retira do lume.

2. Entretanto, coloca água a ferver para fazer o ovo escalfado. Quando a água estiver a ferver junta o vinagre (para 10 partes de água junta 1 parte de vinagre). Mexe a água com as varas no sentido dos ponteiros do relógio. Baixa o lume da água e coloca o ovo no centro do remoinho. Escalfa o ovo durante 2/3 minutos. Retira o ovo pronto e escorre-o. Tempera com uma pitada de sal.

3. Serve tudo com um pouco de iogurte natural e um fio de azeite.

domingo, 8 de maio de 2011

Compota de Pêssego e Cardamomo

Ontem fomos ao mercado procurar ruibarbo para fazer compota de morangos e ruibarbo, mas como não encontrámos e pareceu-nos que não sabiam bem do que estávamos a falar, mudámos de ideias. Comprámos os legumes que precisávamos para a sopa, fruta para durante a semana e uns pêssegos carecas que estavam mesmo a olhar para nós. Como já devem ter percebido os pêssegos tiveram como destino a panela e adicionei-lhes umas sementes de cardamomo que andava mortinha por usar. 

A combinação é perfeita! A doçura dos pêssegos e o travo a citrinos do cardamomo tornam a compota uma explosão de frescura e ao abrirmos o frasco sentimos um suave perfume a Primavera. Para tornares o sabor ainda mais intenso, serve a compota com queijo amanteigado de vaca e ovelha por cima duma língua de veado estaladiça...

Para 2 frascos
- 1 kg de pêssegos cortados (precisas de mais ou menos 1,5 kg de pêssegos inteiros)
- 500 g de açúcar
- 4 sementes de cardamomo

1. Numa panela de tamanho médio coloca o pêssego cortado em cubos e o açúcar. Leva a lume médio durante 5 minutos. Retira do lume e junta as sementes de cardamomo partidas, dentro duma bola de rede para chá (assim é mais fácil depois retirares as sementes). Deixa repousar de um dia para o outro.

2. Leva a panela a lume médio durante meia hora, mexe de vez em quando e vai esmagando o pêssego com a ajuda de um garfo.

3. Quando tiveres obtido a consistência desejada (eu gosto da compota mais líquida), passa a mistura para frascos esterilizados e enche até cima. Fecha os frascos com a compota ainda quente e vira-os ao contrário até arrefecerem.

sábado, 30 de abril de 2011

Requeijão Assado

Foto: P.P.
Ontem algumas ruas da capital, a dos meus tios incluida, vestiram-se de branco e para não ficarmos a destuar fizemos uma entrada da cor da neve para o pré-almoço de Dia da Mãe.
A entrada foi um sucesso, principalmente junto do meu cunhado J. que gosta de coisas picantes, e é um mix de inspiração entre a receita com queijo feta do The Closet Chef e da receita de requeijão assado da Mafalda Pinto Leite.

Para 4 a 6 pessoas
- 1 requeijão de Seia
- 1 mão-cheia de ervas aromáticas - salsa, coentros, manjericão, etc.
- 1 malagueta vermelha fresca, picada e sem sementes
- raspa de 1/2 limão
- azeite de piri-piri
- sal

1. Pré-aquece o forno a 200ºC.

2. Cobre um prato de ir ao forno com azeite. Coloca o requeijão no prato, polvinha com as ervas aromáticas, tempera com sal e rega com um pouco mais de azeite. Leva ao forno durante 15 minutos, até o requeijão ficar ligeiramente dourado.

3. Numa tigela junta a malagueta picada, a raspa de limão, azeite e sal. Serve o requeijão assado quente, com o molho de malagueta por cima, sobre fatias de pão.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sandes de Presunto

Hoje não trabalhei de manhã. Depois de levar o Miguel ao trabalho, ainda meio ensonada, voltei para casa e aproveitei para tomar o pequeno-almoço com calma enquanto via as notícias da manhã e desfolhava pela n-ésima vez o livro "2780 Taberna - Cozinha Experimental".  Consigo passar horas a desfolhar este livro, para mim é um excelente livro de receitas, com uma apresentação retro e muito sentido de humor.  

Pastar no sofá estava a saber muito bem só que estava bom tempo e por isso decidi ir dar uma volta até ao mercado para comprar fruta e legumes. Ia na ideia de comprar espargos para uma salada, mas como não havia no mercado e não me apetecia enfiar num supermercado tinha de pensar numa alternativa. Não sabia muito bem o que havia de ser, mas alguma coisa me havia de ocorrer enquanto bebia uma água numa das esplanadas do mercado e lia umas páginas do livro "O Elefante Evapora-se" do Haruki Murakami.

E foi isso mesmo que aconteceu... lá me lembrei dum folhado de presunto que tinha marcado hoje de manhã com um post it no livro da Taberna. Como me tinha distraído com as leituras não tinha muito tempo para preparar o almoço e comprar os ingredientes em falta, por isso fiz algumas adaptações à receita. Substituí o folhado com sementes de sésamo por pão de sementes e a compota feita com figos secos e vinho do Porto por doce de figo.

A sandes é uma combinação simples e deliciosa de ingredientes. O picante da rúcula combina muito bem com a doçura do doce de figo e com o salgado do presunto e do queijo da ilha.

Para 1 pessoa
- pão de sementes
- rúcula
- presunto em fatias
- queijo da ilha em lascas
- compota de figo

Abre o pão ao meio e coloca folhas de rúcula, fatias de presunto, queijo da ilha em lascas (usa um descascador de legumes para conseguires lascas fininhas) e compota de figo ao teu gosto.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lisboa

Lembram-se do post das pipocas e da importância de conseguirmos desligar duma semana de trabalho? Pois bem este fim-de-semana rumámos até Lisboa. Fomos ter com o F. e o Z. e foram dois dias de puro relax e sem horas para nada.
Demos início a uma manhã de sobe e desce pelo centro de Lisboa no Quiosque de Refresco do Largo de Camões (todos os dias, das 7h30 à 1h00), onde parámos para um café e um delicioso queque de baunilha. Já há muito tempo que eu queria ir conhecer os antigos quiosques e antes de partir para a capital tinha planeado ir até ao Quiosque do Príncipe Real, mas vai que o do Largo de Camões se atravessou primeiro no nosso caminho e uma paragem na sua esplanada cheia de vida pareceu-nos uma boa maneira de começar o nosso passeio. Este é um sítio onde se vendem refrescos e sabores tradicionais portugueses e onde se pode descontrair de dia ou de noite, sem corantes nem conservantes. No Domingo, antes de regressarmos para Aveiro, voltámos lá para comprar uma garrafa de xarope de groselha e dois queques para a viagem, trazendo connosco um pouco dos sabores da nossa infância e um cheirinho das horas de dolce far niente.
De queque no bucho arrancámos para o Príncipe Real para irmos espreitar o Mercado Biológico, que funciona todos os Sábados de manhã no Jardim do Princípe Real (das 8h00 às 14h00), deambularmos pelas suas ruas e apreciarmos as vistas sobre Lisboa. Numa dessas ruas fomos dar com uma gulosa surpresa... a pequena chocolataria Claudio Corallo (Rua Cecílio de Sousa, 85; 2ª a 6ª, das 10h00 às 19h00, Sábado, das 10h00 às 14h00).
O nome não me era estranho e veio-me à memória a foto dum gelado. Estava calor e eu começava a ficar cansada de andar rua acima e rua abaixo, por isso fomos até lá para um gelado de chocolate. Azar dos azares a sorveteira estava avariada e não havia gelado para ninguém. A senhora apresentou-nos como alternativa um chocolate quente. Apesar do calor claro que aceitei a sugestão, o chocolate era maravilhoso, no entanto soube a pouco e com tanto chocolate à vista era pecado ficar apenas por ali. Com a lista de chocolates na mão decidimo-nos por um bocado de chocolate com frutos secos, uns quadradinhos de chocolate com café e uma tira de chocolate com avelãs. É difícil sair desta loja sem perder a cabeça e já de saquinha na mão e conta a começar a ser feita não consegui resistir às mini fatias de salame que estavam à minha frente. Por minha vontade assentávamos arraiais na loja, mas tínhamos de seguir caminho e partir para outras paragens. Voltámos até ao Chiado e depois descemos a Rua do Alecrim até ao Cais do Sodré, para darmos uma volta junto ao rio Tejo e pelo Mercado da Ribeira.

Ao descer a rua dois espaços chamaram a minha atenção, um devido à porta vermelha da entrada e à montra com um cesto de pão com um aspecto maravilhoso (Quinoa, padaria biológica, mas também casa de chá e loja gourmet) e outro devido ao mega Galo de Barcelos que tinha na parede. Ao fazermos o regresso ao Chiado, desta vez a subir, lá comecei a choramingar uma pequena pausa para beber uma água e comermos qualquer coisa para enganar o estômago. Entrámos então no Cais do Chiado (Rua do Alecrim, 26M; 2ª a 6ª, das 8h30 à 0h00, Sábado, das 10h00 à 0h00 e Domingo, das 10h00 às 16h00), que conforme ao que fores é cafetaria, mercado biológico e restaurante e aos fins-de-semana tens direito a brunch. O espaço é agradável e podes beber uma água ou comer qualquer coisa enquanto descansas ao som da bossa-nova. O atendimento é simpático mas não me convenceu muito.
Já estávamos sentados quando pedimos um folhado de frango, uma "cestinha" de queijo de cabra (um bocado enjoativa) e uma água e o empregado nos diz que nos podiamos levantar para ir "escolher" a bebida. Ora nós já tinhamos escolhido a bebida, por isso não havia necessidade de nos levantarmos. A meu ver, uma vez o cliente estando sentado e já tendo escolhido o que vai beber, não faz muito sentido ter de se levantar para ir buscar a bebida. Mas enfim, devem ser modernices da capital, aquele género de coisas que quem vem da "santa terrinha" não entende. Apesar disso o lugar merece uma visita pelo ambiente informal ou para ganhares forças antes de chegares ao cimo da rua.
O resto do dia foi passado a não fazer nenhum, na Esplanada/ Miradouro do Adamastor (Rua de Santa Catarina; horário de Verão: todos os dias, das 10h00 às 04h00; horário de Inverno: todos os dias, das 12h00 às 21h00), enquanto comíamos um gelado, bebíamos uns finos, apreciávamos o rio Tejo a correr ao fundo e trocávamos dois dedos de conversa. Este é um sítio descontraído e ideal para recuperar dos dias de trabalho, da rotina do dia-a-dia e recarregar baterias enquanto fazes a fotossíntese em dias de sol.

Por um lado sinto uma inveja tremenda dos lisboetas por poderem usufruir de espaços como aqueles por onde passámos sempre que quiserem, por outro acho que não conseguiríamos viver ao ritmo acelerado a que eles vivem, onde tudo é a correr, sempre cheios de pressa (até mesmo ao fim-de-semana) e a buzinar por tudo e por nada...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Linguine de Azeitonas Pretas

Sou perdida por azeitonas, então pretas e rijinhas, venham elas! Quando andava a estudar comia azeitonas com quase tudo, com pão, com banana, com iogurte... Aliás toda a minha família tem uma paixão por azeitonas, tanto que se comprou uma taça azul com tampa da tupperware só para as azeitonas. E quando a minha mãe ia ao sábado de manhã à praça não saía de lá sem uma saquinha cheia de azeitonas, que era suposto durar para toda a semana. Há famílias que têm de ter sempre pão na mesa às refeições, nós temos de ter azeitonas.

Outra coisa que também adoro é massa, por isso juntar estes dois ingredientes num prato é ouro sobre azul!

Para ficar ainda melhor recomendo manjericão fresco no final. Eu queria ter usado, mas como não havia no supermercado teve de ser mesmo só com oregãos em pó. O prato é rápido e simples de preparar e muito saboroso. É ideal para um almoço solitário de dia de semana, naqueles dias que nos apetece comida caseira mas não grande tempo para pratos muito elaborados.

Para 1 pessoa
- 60 g de linguine
- azeite
- 1 dente de alho esmagado
- sal
- 1 c. de chá de pasta de azeitonas pretas
- 1 c. de café de oregãos em pó
- 1 gema de ovo
- azeitona pretas em rodelas
- folhas de manjericão fresco

1. Coze o linguine num tacho com água a ferver, sal, o dente de alho e um fio de azeite até estar al dente.

2. Enquanto a massa coze, junta a pasta de azeitona com os oregãos, a gema de ovo e adiciona um fio de azeite e mistura muito bem.

3. Escorre a massa, deita num prato fundo, mistura com a pasta anterior e mexe de maneira a que o linguine fique todo coberto pela pasta. Serve polvilhado com a azeitona às rodelas e o manjericão fresco.

sábado, 26 de março de 2011

Pipocas de Piri-Piri

Ouvir o barulho das pipocas a estoirar dentro do tacho fez-me pensar nas nossas vidas rotineiras casa-trabalho e onde os fins-de-semana passam a correr e nem sequer dão para aliviarmos a pressão e suprimir o cansaço duma semana de trabalho. Tal como o milho das pipocas por vezes é preciso livrarmo-nos do stress e recarregarmos baterias para evitar "estoirarmos" e hoje está a ser um desses dias...

Há fins-de-semana que só me apetece ficar a pastar por casa, ir até ao café e não ter horas para nada, nem mesmo para comer, mas este não foi o caso. Comecei por me levantar bem cedo para ir até Salreu fazer uma caminhada de 11 km organizada pela Adefacec. Este percurso não é novo para mim, apesar de hoje ter ido por um caminho mais longo, mas na minha opinião menos bonito do que aquele que costumo fazer. Não foi por isso que deixou de ser uma manhã muito bem passada entre os arrozais e donde vim como nova. Claro que o cansaço físico era muito e a meio do percurso as pernas já se estavam a queixar, mas nada que não tenha sido compensado pela horas passadas a pôr a conversa em dia com o meu amigo K. (a língua trabalhou quase tanto como as pernas), pelo voo das cegonhas e das garças-reais e pelo contacto com a Natureza.
Chegada a casa o corpo pedia descanso, já que ainda me esperava uma noite de gaijas (para exercitar mais um pouco a língua, pois as pernas já deram o que tinham a dar). Para tal nada melhor do que um longo banho de imersão, uma massagem e uma taça de pipocas especiais...

Pelo Natal a minha irmã A. ofereceu-nos dois azeites do José Gourmet e ainda não tinhamos experimentado nenhum deles. Decidimos usar o de piri-piri nas pipocas, para fujir da rotina. Eu quis juntar açúcar com uma mistura de especiarias que também recebemos pelo Natal, só que o esquisito do Miguel não foi na cantiga. Nestas coisas ele não é nada aventureiro e é muito conservador. As pipocas ficaram um estoiro e para quem as preferir salgadas pode perfeitamente substituir o açúcar por sal e juntar pimenta ou ainda piri-piri em pó.

Para 2 pessoas
- 75 g de milho para pipocas
- 3 c. de sopa de azeite aromático de piri-piri
- 4 c. sopa de açúcar baunilhado

Aquece o azeite em lume médio num tacho de fundo grosso. Junta o milho e tapa o tacho. Quando o milho começar a estoirar agita o tacho. Assim que deixares de ouvir o milho a estoirar desliga o lume, retira o testo e espalha o açúcar, misturando bem. Transfere as pipocas para uma taça grande e come-as ainda quentes.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Panaché" de Frutas com Manjericão

Finalmente chegou a Primavera e o tempo quente. E tempo quente pede saladas frescas com os primeiros frutos da estação. Esta soube às mil maravilhas depois de uma manhã primaveril de limpeza da mata, plantação de árvores e apanha de pinhas, numa comemoração do Dia Mundial da Árvore.

A receita foi adaptada dum livro do Expresso da colecção "Boa Cama, Boa Mesa", com receitas de sobremesas do José Avillez. A receita original utiliza poejo, mas como não havia no mercado tomei a liberdade de substituir por manjericão, que também vai bem em saladas de fruta. O sorvete de limão dá-lhe o toque final e quando se mistura no fim com o sumo da laranja fica sublime.

Para 8 pessoas
- 2 maçãs Grammy Smith
- 2 pêssegos maduros
- 40 bagos de uva
- 20 morangos
- 4 folhas de manjericão (se forem folhas pequeninas usa 8)
- 4 c. de sopa de açúcar
- sumo de 4 laranjas
- 8 bolas de sorvete de limão

1. Retira o pedúnculo e corta os morangos em quartos. Corta as uvas em metades e retira as grainhas. Descasca e corta os pêssegos em cubos. Descasca e parte a maçã também em cubos. Junta a fruta numa saladeira e acrescenta o sumo das laranjas.

2. Num almofariz desfaz as folhas de manjericão com o açúcar. Acrescenta à salada e deixa no frigorífico a aromatizar durante uma hora.

3. Retira do frigorífico 15 minutos antes de servires e divide o "panaché" por oito copos. Finaliza com uma bola de sorvete de limão e serve de imediato.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Frango Assado com Rosmaninho e Tomilho

Continuamos na saga de esvaziar o congelador. Esta semana foi a vez de despacharmos os frangos que por lá andavam. Achei que por esta altura a tarefa já estivesse concluída, mas não... tem sido um entra e sai no congelador e esvaziá-lo não está a ser tão simples como pareceu no início.

Os dias têm estado solarengos e pedem pratos que nos reconfortem e que nos recordem a Primavera, que chega já no próximo mês. Este frango é uma excelente opção para uma refeição enquanto aproveitamos os dias quentes neste Inverno. O frango fica suculento e sentes as notas das ervas aromáticas com um toque de citrinos, tornando-se numa refeição muito fresca.

Para 4 pessoas
- 1 frango
- 2 limões
- azeite
- 6 hastes de tomilho
- 3 hastes de rosmaninho
- 3 dentes de alho

1. Pré-aquece o forno a 180ºC.

2. Pica grosseiramente três hastes de tomilho e mistura-as com uma quantidade generosa de azeite. 

3. Coloca o frango numa travessa de ir ao forno. Espreme o sumo de limão e reserva as cascas. Pincela o frango com o azeite aromatizado. Enche a cavidade com o rosmaninho, as restantes hastes de tomilho, os dentes de alho esmagados com a casca e as metades de limão cortadas às rodelas.

4. Assa o frango durante duas horas ou até a pele ficar dourada e estaladiça. Serve com uma salada ou acompanhado de batatas novas assadas com rosmaninho.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Canastra do Fidalgo

"Neste brinde se deseija uma longa uniao e que juntos sempre andem o meu e o teu curação"*

Dois anos depois, brindámos ao mesmo, com o espumante que nos foi oferecido à chegada da Canastra do Fidalgo. Há restaurantes cujo valor vai muito além daquilo que nos servem e que não nos conquistam só pelo estômago. E este é um desses restaurantes, onde tudo parece perfeito e onde podemos encontrar o nosso norte. Lembrando as refeições que aqui já fizemos pergunto-me como seria não termos conhecido este espaço que tanto marcau o início "oficial" da nossa vida a dois.
O restaurante é informal e existe sempre um sorriso no rosto de quem nos recebe. A decoração do espaço remete-nos para os icones da região: as típicas casas às riscas da Costa Nova, alinhadas de frente para a ria, as velas de moliceiros e as canastras, usadas para nos apresentar a ementa. Junto às janelas, ou então na esplanada, é possível ver a Ria de Aveiro, mesmo do outro lado da estrada. Não fossem os carros estacionados mesmo em frente e mais se poderia ver deste grande espelho de água.

Então, e a comida? É tradicional e cada garfada é um prazer! O destaque vai para os pratos de peixe, desde as enguias fritas, como entrada ou acompanhadas por arroz de tomate, aos chocos fritos ou ao peixe fresco grelhado. A carne também deve ser boa, mas nunca fomos por aí. Quando lá vamos o Miguel escolhe sempre o magnífico bacalhau à canastra e eu costumo acompanhá-lo, só que desta vez apetecia-me variar. Escolhi o polvo à lagareiro e não me arrependi nadinha.
Se há uns anos atrás me tivessem dito que um dia o polvo à lagareiro ia ser um dos meus pratos favoritos, teria mandado internar a pessoa na hora. Nesses tempos, a simples imagem da minha mãe a molhar o pão no azeite arrepiava-me toda, quanto mais pensar em comer algo a nadar em azeite. Mas agora abri as portas do meu paladar ao ouro líquido e aqui comi o melhor polvo à lagareiro da minha vida. Era tenro e a faca cortava aqueles tentáculos maravilhosos como se fossem manteiga.  
A terminar a refeição, chegada a hora da sobremesa, as natas do céu são a escolha certa. De tão leves e fofas levam-nos até ao paraíso, que pode muito bem ser ali, entre a ria e o mar...

Canastra do Fidalgo
Av. José Estevão, n.º 240 r/c
Costa Nova, Ílhavo
Tel.: 234 394 859
Preço médio: 30€/pessoa

* Os erros nesta quadra são propositados, não vá alguém ficar a pensar que andamos para aqui a assassinar a nossa língua.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ovos Mexidos com Compota de Piripiri

Na 5ª feira aproveitei que estava um lindo dia de sol, para recuperar um hábito antigo, passear sem destino por Aveiro. Os meus passos levaram-me até à loja de mercearia fina Pé de Videira.

A montra alusiva ao Dia dos Namorados estava tão bonita, com os corações em feltro, os cupcakes e o lenço dos namorados, que entrei para ver se encontrava alguma coisa para supreender o Miguel.  Trouxe um frasco de geleia e um dos novos produtos em loja, a compota de piripiri da marca Maria Gourmet.

Enquanto pagava começámos a falar dos lenços dos namorados e das suas escritas de amor e de como é uma pena muitas pessoas não conhecerem a história que está por trás desta tradição minhota e da sua escrita peculiar. No decorrer da conversa lembrei-me do lenço que nos foi oferecido pela G. no dia do nosso casamento, quando estávamos cobertos de pétalas e de arroz e que tem uma frase relativa ao Dia dos Namorados. Perguntei se queriam que o emprestasse e foi assim que o nosso lenço foi parar à montra da loja e por lá deve ficar até ao final do mês. 

Saí da loja bem disposta e continuei a minha caminhada a pensar no que iria fazer com a compota. Só quando cheguei a casa é que me lembrei dum post de pequeno-alomoço do Donal Skehan que envolvia ovos mexidos e compota de piripiri. Como andamos há muito tempo a falar de  experimentar um pequeno-almoço diferente esta receita pareceu-nos perfeita para começar a comemorar o Dia dos Namorados.
Nós sabemos que o dia é só amanhã, mas decidimos começar já hoje a acender a chama, com estes ovos mexidos que nos puseram "on fire" logo pela "manhã".

A compota tem uma textura muito suave e ao início nem parece muito picante, mas passado uns minutos é mesmo de chamar os bombeiros. Eu como sou um bocado fraquinha fiquei-me só por uma torrada, a outra barrei-a com manteiga e pus os ovos por cima.

Para 2 pessoas
- 4 ovos
- 3 c. sopa de leite
- sal q.b.
- 1 c. sopa de manteiga
- 2 padas, cortadas ao meio e torradas
- 4 c. de sopa de compota de piripiri

1. Numa taça bate os ovos para misturares as claras e as gemas. Junta o leite e uma pitada de sal. Bate energeticamente até obteres uma mistura homogénea.

2. Numa frigideira antiaderente derrete a manteiga. Junta os ovos e mexe com uma colher de pau, evitando que a mistura solidifique. Quando os ovos começarem a ficar cozinhados retira do lume e espalha-os por cima da pada torrada, barrada com a compota de piripiri.

3. Se estiveres a servir os ovos ao pequeno-almoço acompanha com um copo de leite, mas se for uma refeição ligeira serve com uma mini fresquinha.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Risotto de Ananás e Tâmaras com Bacon

Tâmaras com bacon é sem dúvida alguma um aperitivo que não precisa de grande apresentação, mas aqui há uns meses ocorreu-nos transformá-lo numa refeição.

Quando tivemos esta ideia soubemos logo que o acompanhamento tinha de ser risotto. Começámos por experimentar com um risotto simples de queijo da ilha, no entanto a combinação não resultou. Precisávamos de alguma coisa que cortasse o doce das tâmaras. Depois de muito puxarmos pela cabeça fomos buscar inspiração ao "2780 Taberna - Cozinha Experimental" e encontrámos lá exactamente o que procurávamos, risotto de ananás!

A junção é brutal e só ficou mesmo a faltar a hortelã, que nos esquecemos de comprar na véspera e não nos apeteceu sair de casa só por causa dum ingrediente. Foi pena, porém a vontade de passar o dia todo a pastar em pijama falou mais alto.

Para 4 pessoas
- 1 ananás dos Açores
- 0,75 l de caldo de legumes
- 200 g de arroz arborio
- 2 cebolas picadas
- 2 dentes de alho
- 1 copo de vodka
- azeite de limão (ou normal se não conseguires arranjar de limão)
- 1 c. sopa de manteiga
- 50 g de queijo da ilha ralado
- 1 ramo de hortelã picada
- 32 tâmaras
- 32 fatias de bacon finissímas

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.

2. Arranja o ananás descascando-o, retirando a parte dura do centro e partindo-o em pequenos cubos.

3. Retira o caroço às tâmaras. Enrola cada tâmara numa fatia de bacon e prende com um palito. Dispõe-as numa travessa que possa ir ao forno. Leva ao forno durante 20 minutos ou até o bacon estar dourado.

4. Entretanto vai fazendo o risotto. Num tacho começa por saltear em azeite as cebolas e o alho bem picados, juntamente com o ananás. Junta o arroz e envolve bem até começar a ficar translúcido. Nesta altura junta a vodka e mexe até que o álcool evapore. Adiciona o caldo bem quente, concha a concha, mexendo sempre em redor de todo o tacho. Quando estiver a ficar al dente junta a hortelã bem picada, o queijo ralado e no final a colher de manteiga.

5. Serve de imediato, acompanhado pelas tâmaras com bacon.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Inverno em Veneza

Sou uma apaixonada por Itália e desde a lua-de-mel que a vontade de voltar a Veneza era muita. Desejava percorrer as suas ruas estreitas e que não se sabe bem onde vão dar, descansar nas numerosas praças, espreitar os pátios e observar os estendais virados para os canais nas zonas menos turísticas. E ansiava sobretudo pelo cair da noite, quando as ruas ficam desertas e Veneza é só nossa.
O regresso foi feito com a minha irmã J. para ela ir visitar a sua amiga I. (obrigada pela companhia e pela estadia) e porem a conversa em dia. Partimos do Porto com pouco mais do que uma mochila e a máquina fotográfica. Além das fotografias trouxemos connosco o cansaço de uma visita relâmpago e a promessa, feita numa Piazza San Marco vazia, de um dia voltar com mais tempo. Quando isso acontecer quero andar sem pressas no Mercado do Rialto, perder-me por um dia na zona leste do sestiere de Dorsoduro e quem sabe andar de gôndola...
Para a minha irmã viajar significa lojas e recuerdos, mas para mim significa passear tranquilamente pelas ruas, parar numa esplanada para uma bebida, passear pelas praças, descansar num jardim, andar pelos mercados e comer gelados. E nenhum sítio é melhor para isso do que Itália, pena termos descoberto que em Veneza a maioria das gelatarias artesanais está fechada entre o dia de Reis e o Carnaval. Foi este facto que nos levou ao Dorsoduro, um dos lugares mais genuínos de Veneza.
Depois duma refeição desastrosa num restaurante gerido por chineses, mas disfarçado de trattoria tradicional, tudo o que eu queria era um bom gelado. Estávamos no sestiere de Santa Croce e a gelataria Alaska ficava perto, só que quando lá chegámos estava fechada. Após uma consulta rápida ao guia que levávamos e que tinha algumas indicações tiradas da internet, apanhámos um vaporetto para Záttere para irmos à gelataria Nico. Porém, ao vermos os toldos azuis da gelataria reparámos que esta também estava encerrada. Na parede tinha um papel que informava que abririam na segunda-feira seguinte, se tivessem vontade (voglia). A coisa não estava a correr bem e eu continuava sem gelado. 
O povo diz que "Deus dá com uma mão e tira com a outra", no entanto a nós aconteceu exactamente o contrário. Tirou-nos a Alaska e a Nico mas deu-nos o que mais nos marcou pela positiva nesta viagem, o Squero di S. Trovaso, local onde são recuperadas as gôndolas e, virando à direita para a Fodamenta Nani, a gelataria Lo Squero. A gelataria não nos conquistou logo e ainda tivemos vai não vai para não entrar, mas como eu precisava mesmo dum gelado decidimos entrar. E ainda bem que o fizemos. Os gelados eram muito bons e descobrimos que a gelataria é frequentada pela Angelina Jolie nas suas idas à cidade. Os sabores variam conforme a época e são confeccionados de forma artesanal. É verdade que a loja não tem lá grande aspecto, mas quem vê caras não vê sabores, e eu deliciei-me com uma bola de pêra e outra de avelâ.
Quando cumprirmos a promessa feita numa noite fria e voltarmos a este bocado de Itália quero visitar a Galeria dell'Accademia, onde é possível apreciar a pintura veneziana do séc. XIV ao séc. XVIII, o Palazzo Venier dei Leoni, que alberga a colecção de arte moderna de Peggy Guggenheim e, na foz do Grande Canal, a Chiesa di Santa Maria della Salute, obra-prima da arquitectura dedicada à S. Maria della Salute depois desta ter libertado os venezianos da peste de 1630. A seguir à visita a estas três pérolas do Dorsoduro faço tençao de contornar a Punta  D. Dogma, onde se encontram os armazéns da outrora alfândega marítima, e iniciar uma longa caminhada pela Fondamenta Záttere que me vai levar de novo ao cantinho mais pitoresco de Veneza, o Squero di S. Trovaso e à gelataria Lo Squero para saborear um gelado enquanto descanso num dos mais belos jardins da Sereníssima, por trás da Chiesa di San Trovaso.
Até que esse dia chegue vou continuando a sonhar com mais um Inverno em Veneza...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Lula Recheada na Telha

Janeiro já vai a mais de meio, mas aqui estamos nós para iniciar 2011 com uma missão: esvaziar o congelador.

A nossa estratégia é simples: abrimos o congelador, tiramos o que estiver à mão e depois decidimos o que fazer. Apesar de prático este método não é infalível. Ontem quando estava a tirar alguma coisa para o jantar saiu-me um sargo e um carapau, que não é coisa que combine. Tive sorte que à terceira surgiu outro carapau. Assim, o sargo voltou para o congelador e os carapaus foram para a grelha.

A "limpeza" foi iniciada pelo Miguel e a primeira coisa que agarrou foi uma mega lula, pescada por ele e que aguardava por ser recheada. Era a oportunidade perfeita para estrear a telha que a minha mãe me deu no Natal.

No caso de não conseguires encontrar uma lula grande, podes substituir pela mesma quantidade de lulas mais pequenas.

Para 4 pessoas
- 800 g de lula inteira
- azeite q.b.
- 1 cebola picada
- 1 dente de alho picado
- 4 fatias de bacon, cortadas em palitos
- 180 g de frango desfiado (podes usar sobras doutro tipo de carne)
- sal e piri-piri q.b.
- 2 ovos cozidos, grosseiramente picados
- 1/2 frasco de azeitonas às rodelas

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.

2. Amanha a lula de forma a que o corpo desta fique como um "tubo". Escalda o saco da lula, os tentáculos e as abas numa panela de água a ferver. Retira a lula da água e pica grosseiramente os tentáculos e as abas da lula.

3. Leva ao lume uma panela com o azeite, a cebola e o alho e deixa refogar. Quando a cebola estiver translúcida junta o bacon, os tentáculos e as abas da lula, o frango e deixa refogar mais um bocado. Adiciona a polpa de tomate e o vinho branco e cozinha durante mais 15 minutos. Tempera com sal e piri-piri. Retira do lume e acrescenta o ovo cozido, as azeitonas e mistura tudo muito bem.

4. Com a ajuda duma escumadeira retira o recheio do molho do estufado e recheia o saco da lula. Coloca a lula na telha e rega-a com o molho que ficou na panela. Leva ao forno durante 20 minutos.

5. Retira do forno corta a lula às rodelas e acompanha com batatas cozidas ou puré de batata.