quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Porto Novo

Estava anunciado temporal para o início da tarde e tínhamos planeado passar o dia no "ninho", leia-se sofá e manta acompanhados de filmes domingueiros, quando o meu telemóvel tocou. Era a A. a convidar as suas queridas irmãs para um almoço em Vale de Cambra, para gastar os vouchers que lhe tínhamos oferecido no Natal. Depois de uma noite de pândega as manas das "pontas" demoraram mais tempo a responder ao convite, e foi mesmo precisa a ajuda da nossa mãe para acordar a mana mais nova, mas mesmo ensonadas lá apareceram à hora combinada.
Volta e mais volta, subimos a serra até chegarmos a um moderno restaurante em pedra e de cozinha tradicional no lugar de Porto Novo. No seu interior descobrimos um sítio com excelente comida, muito bem acompanhada de um atendimento simpático e descontraído. Na ementa o destaque é dado às carnes, embora tenha estado quase para pedir a espetada de polvo. Começámos com uma entrada deliciosa de misto de enchidos em cama de broa frita. A seguir veio para a mesa o bacalhau em massa pão, os nacos de vitela com queijo e bacon e o costeletão de vitela, que dá para alimentar uma família de tão grande que é, tudo regado pelo magnífico vinho tinto da casa.
Enquanto a anunciada chuva começava a cair na serra só mantinha uma preocupação, será que tinha guardado espaço suficiente para a sobremesa? Num local como o Porto Novo, esta é uma questão primordial, já que as opções são muitas e todas soam maravilhosamente! As que nos marcaram e fecharam a refeição em beleza, foram a tarte de natas quente e fria e o "orgásmico" carpaccio de ananás com calda de pimenta rosa e gelado de baunilha. Impecável, é o que podemos dizer! Este é um espaço que nos agradou muito e que merece com toda a certeza uma nova visita.

Porto Novo
Maceira de Cambra
3730-301 Vale de Cambra
Tel.: 256 472 343
GPS: 8º20'56''W,40º52'32''N
Preço médio: 25€/pessoa

domingo, 23 de outubro de 2011

O Quintal e as Silvas

Era uma vez um quintal cultivado pelo meu avô e que era abundante em frutas e legumes saborosos. Após a sua morte esse quintal começou a ser engolido pelas silvas e pelas ervas daninhas. Debaixo do matagal estão guardadas muitas memórias e brincadeiras, entre elas os lanches com figos, tomados na eira sob o olhar atento do nosso avô. Podiamos brincar mas não podiamos estragar...
Recordando com saudade o tempo em que o quintal se parecia com um jardim, decidimos despertá-lo do seu sono profundo para o voltar a cultivar e para que a geração que vem a caminho o encha de novas memórias e brincadeiras...
Foi uma primeira manhã de muito trabalho dividido por toda a família. Limpar o chão, arrancar silvas, cortar árvores secas e fazer montes de lenha para o Inverno. Hoje as dores no corpo são muitas, tal como a alegria de fazer algo de novo. O único que percebe alguma coisa do assunto é o Miguel, que até sabe o nome das alfaias, mas este é um esforço conjunto de ver nascer vida na nossa terra. Para a semana espera-nos mais uma manhã de muito trabalho...

domingo, 9 de outubro de 2011

Julieta 2010

Hoje de madrugada fez sete anos que nos conhecemos e quisemos assinalar a data com a nossa primeira refeição biológica. Estamos cada vez mais rendidos aos produtos biológicos e ontem fui ao Porto à Feira Nacional de Agricultura Biológica Terra Sã 2011. Além de produtos frescos era possível comprar mel, compotas, azeite e vinho. No stand da Quinta do Romeu os produtos captaram a minha atenção por causa dos nomes e não resisti a trazer uma garrafa de azeite "Romeu" e uma garrafa de vinho branco "Julieta" para coroar o almoço biológico que tínhamos planeado para hoje. E ainda bem que os trouxe pois foi o vinho que salvou a nossa refeição de cuscuz com beterraba e cenoura assada...
A primeira vez que provei beterraba devia ter uns 15 anos e lembro-me de não ter gostado. Acontece que no outro dia as beterrabas do mercado biológico estavam com um óptimo aspecto e achei que estava na altura de dar outra oportunidade à beterraba. Infelizmente, tantos anos depois, a minha opinião mantém-se: as beterrabas sabem a terra! E o Miguel concorda. Ainda tentámos "reparar" os cuscuz tirando a beterraba e misturando atum mas o sabor desta herbácea já se tinha espalhado por todo o prato. Valeu-nos o vinho que era bom. Mas como eu não sou apreciadora de sumo de uva, apesar do fascínio que o mundo vinícola exerce sobre mim, deixo a tarefa de comentar o valor deste vinho branco biológico para o Miguel...
Julieta vale cada cêntimo gasto na sua compra. É um vinho fantástico que cai estruturado e envolve-se no copo de forma sedosa. No paladar proporciona uma agradável surpresa, também surpreendente foi o facto da Sara ter dado três ou quatro goles sem fazer cara feia!!! Não sei se isso se deve à ausência de madeira durante o estágio que se nota no sabor límpido e na cor amarela vítrea, mas sei que este vinho vai tornar-se num habitué na mesa cá de casa. Com aroma e sabor prolongados, na boca solta notas de frutos maduros, sendo excelente para acompanhar pratos frescos.

Produzido em: Quinta do Romeu
Região: Douro
Tipo: Branco
Castas: mistura de castas tradicionais do Douro, Verdelho e Moscatel

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sul

Apontámos novamente para Sul! Iniciámos o fim-de-semana em Lisboa no Quiosque de Refresco, com uma limonada bem fresquinha a ver se disfarçava os 40ºC à sombra. Para o almoço eu queria ir até Santos mas com o calor que estava a vontade de caminhar era pouca. Por sugestão do F. fomos espreitar o Sul (Rua do Norte, 13; 3ª a Domingo das 12h00 às 15h00 e das 20h00 às 02h00). O espaço pareceu-nos acolhedor, com decoração rústica e boa música ambiente, por isso detivemo-nos por lá. Infelizmente não se deve julgar um livro pela capa e ficámos desapontados. O serviço era pouco agradável, a comida não era nada de especial e o preço era muito exagerado.
A ementa é pouco variada - anda muito à volta da carne grelhada - e para escolher tens de ler dum quadro colocado numa parede atrás das mesas, o que não facilita em nada o processo da escolha. Pedimos para entrada o duo do Sul (salada de polvo e mousse de beringela com focaccia) e depois lombo sul-americano acompanhado de chutney de uva e de arroz basmati com cardamomo e tomilho. A salada de polvo estava saborosa, no entanto não passava de uma amostra de polvo paga quase a peso de ouro. O lombo era mediano e o arroz era pouco aromatizado e muito parecido com um qualquer arroz branco. Nada do que comemos justifica os preços praticados e acreditamos que é possível comer bem melhor em Lisboa pelo mesmo preço ou até por menos...

Desconsolados com a refeição fomos até à Esplanada do Adamastor comer um gelado, beber um fininho e aproveitar o resto do dia.

domingo, 25 de setembro de 2011

Compota de Marmelo no Forno

"Dois caminhos bifurcavam, e eu
O menos pisado tomei como meu."
Robert Frost

Tínhamos marmelos para fazer marmelada. Ia seguir a receita da minha avó, só que no último minuto ocorreu-me assar os marmelos no forno. O Miguel começou logo a torcer o nariz, "Ah, não sei se é boa ideia, nunca ouvi falar em tal coisa, se depois não fica bem desperdiçaste os marmelos e blá blá blá". Entendo que devemos evitar ao máximo o desperdício de alimentos, mas se não corrermos riscos não inovamos. E eu queria muito tentar fazer uma marmelada diferente. Uma marmelada que pudesse ficar UAU!!!

Mas a coisa não correu bem como desejava, a começar pela consistência, que ficou mais parecido com compota do que marmelada. Como compota ficou boa, mas não se nota a diferença dos marmelos assados, ao contrário do que estava à espera. Apesar disso fiquei muito satisfeita com o sabor e, depois de um dia na cozinha, ficou a experiência.
 
- 2 kg de marmelos, descascados e sem sementes
- 0,75 l de água
- 1 kg de açúcar
- 2 paus de canela
- 1 vagem de baunilha
- 4 hastes de alecrim
- casca e sumo de 1 laranja

1. Pré-aquece o forno a 130ºC.

2. Numa travessa de ir ao forno espalha metade dos marmelos. Por cima dispõe o açúcar, os paus de canela, as hastes de alecrim, as cascas de laranja, as sementes e a vagem de baunilha. Espalha por cima a outra metade de marmelos. Adiciona o sumo de laranja e água.

3. Leva ao forno durante duas horas. De vez em quando mexe os marmelos.

4. Retira os marmelos do forno e passa-os para uma panela grande. Retira as cascas de laranja, os paus de canela, as hastes de alecrim e a vagem de baunilha. Leva ao lume durante 1 hora e vai esmagando os marmelos com as costas da colher de pau. Tritura os marmelos com a varinha mágica. Leva outra vez ao lume até atingir a consistência que desejas. (Mexer sempre para não colar no fundo.) 

5. Enche frascos esterelizados com a mistura. Fecha os frascos com a compota ainda quente e vira-os ao contrário, de forma a fazer vácuo, até arrefecerem.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Salada de Polvo

Esta é a minha altura do ano favorita! Oficialmente o Verão ainda não terminou, no entanto as manhãs já começam a cheirar a Outono. Aproveitando o polvo que sobrou do jantar de 2ª feira fiz uma salada que juntava estas duas estações do ano. A salada fria recorda-nos do Verão, que ainda não se despediu, mas os bagos de romã dizem-nos que o Outono já anda por aí e quer aparecer. 

As romãs nacionais atraiçoaram-me um bocado, já que estava à espera de bagos rubi para contrastar com o tom rosado do polvo, mas o que importa é mesmo o sabor e esse estava excelente!

Para 4 pessoas
- 1 polvo cozido (600 g) limpo
- 1 cebola picada
- sumo de 1/2 limão
- azeite
- salsa picada
- rúcula
- bagos de romã

1. Corta o polvo em pedaços. Numa taça mistura o sumo de limão, o azeite, a cebola e a salsa picada. Junta o polvo e envolve muito bem no molho. Leva ao frigorífico até à hora de servires.

2. Dispõe a rúcula num prato de servir. Deita o polvo com o molho na cama de rúcula e polvilha com os bagos de romã. Serve com pão torrado.

domingo, 11 de setembro de 2011

Frango 11/9

No dia 11 de Setembro de 2001, à hora do ataque às torres, estava em casa a almoçar. Tinha falado ao N. e ao P. para irem lá casa almoçar e aproveitei para experimentar uma receita nova de frango.Tínhamos acabado de almoçar quando o Paulo Camacho se preparava para terminar o Primeiro Jornal com a notícia da colisão de um avião com uma das torres do World Trade Center. Enquanto passavam as imagens da torre envolta em fumo vemos em directo o segundo avião a chocar na outra torre. Ainda hoje me lembro da cara do Paulo Camacho a tentar perceber o que se passava. Inicialmente achámos que o segundo embate tivesse sido um acidente, que o avião se tivesse desorientado com o fumo. Já no café, percebemos que afinal tinha sido um atentado! Voltei para casa e passei o resto do dia sentada na mesa da sala a terminar o relatório de espectroscopia de fluorescência, enquanto via o que se passava em Nova Iorque. Era uma sensação estranha, poder assistir em directo a uma catástrofe deste género... As imagens das pessoas a saltarem das janelas e das torres a cair eram impressionantes e mostravam-nos como a nossa vida é passageira. 
Dez anos depois do dia que marcou o início do século XXI repito a receita de frango, para lembrar o momento em que todos percebemos que vivemos num mundo global, frágil e vulnerável...

Para 2 pessoas
- 4 coxinhas de frango
- 4 dentes de alho laminados
- 1 cebola picada
- sumo de 1 limão
- 1 copo de vinho branco
- 1 c. sopa de paprika
- 1 mão-cheia de salsa picada
- azeite
- sal

1. Tempera as coxinhas de frango com o alho laminado, o sal e o sumo de limão. Deixa marinar durante 1 hora.

2. Numa panela larga aquece o azeite e refoga a cebola picada, juntamente com a paprika. Acrescenta as coxinhas de frango, sem o líquido da marinada, e deixa alourar. Junta o vinho e deixa evaporar. Adiciona água até cobrir as coxinhas de frango e polvilha com salsa. Cobre a panela e cozinha até as pernas estarem macias e o molho reduzido.

3. Serve as coxinhas de frango com esparguete e azeitonas descaroçadas. 

sábado, 3 de setembro de 2011

Molho de Tomate Assado

Hoje fizemos lasanha para o almoço. Em vez de usarmos tomates de lata, como aparece nesta receita, optámos por assar os tomates que tínhamos no frigorífico antes que se estragassem. Tínhamos meia dúzia de tomates cereja do quintal dos pais do Miguel, meia caixa de tomates cereja do mercado biológico e outra meia dúzia de tomates berry do supermercado. Este "molho" dá um pouco mais de trabalho e é mais moroso, mas vale a pena a espera, pois dá mais cor e sabor à lasanha.

- 500 g de mistura de tomates (cereja, berry)
- 4 dentes de alho
- 4 hastes de alecrim
- 4 hastes de tomilho
- azeite
- sal
- 1 cebola picada
- 1 c. sopa de compota de piri-piri

1. Pré-aquece o forno a 150ºC.

2. Coloca os tomates cereja e os tomates berry numa travessa de ir ao forno, juntamente com os dentes de alho, as hastes de tomilho e de alecrim. Rega com um fio de azeite e uma pitada de sal. Leva ao forno durante 2 horas. Retira do forno. Retira o alho e as ervas aromáticas e reserva.

3. Num tacho refoga a cebola picada num fio de azeite. Junta os tomates, o líquido que se formou e a compota de piri-piri. Mistura bem e deixa levantar fervura. A partir daqui segue a receita de lasanha de bolonhesa.

Nota: Se fizeres esta receita só até ao ponto 2 podes usar os tomates assados como acompanhamento. Fica delicioso!

Nota: Pode ser necessário acrescentar um pouco de polpa de tomate à carne. Nós tivemos de juntar um pacote de 200 ml, mas tudo depende da qualidade dos tomates.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Salada de Tomates Cereja

Quando fui cortar manjericão para a salada dei com dois visitantes verdes a depenicar as suas folhas... Não faço ideia há quanto tempo andavam por ali, mas desconfio que fizeram uma longa viagem desde as Caldas da Rainha, com direito a dias de férias em São Martinho do Porto. Entretanto fizeram as malas para a varanda, a ver se lhes dá o vento e seguem para outras paragens.
Esta salada tem sido um hit deste Verão. Temo-la feito com frequência, tanto para acompanhar peixe como carne.

- tomates cereja
- manjericão fresco
- azeite de piri-piri
- sumo de limão
- sal

Numa taça coloca os tomates cortados em metades ou em quartos. Junta as folhas de manjericão grosseiramente picadas. Tempera com um fio de azeite, sumo de limão e sal.

domingo, 28 de agosto de 2011

Bifes com Cogumelos

Num dia frio de Inverno, estava eu de cama depois de uma ida à serra da Estrela, chegou a casa dos meus pais um novo "inquilino", o Lucky. Era um husky novinho e vinha só por uns tempos, até os donos terminarem as obras da casa. Acabou por ficar connosco muitos e bons anos, tornando-se um membro da família. Na brincadeira dizíamos que era o filho predilecto dos meus pais, visto que era macho (o sonho do meu pai) e o único com olhos azuis (o grande desgosto da minha mãe). Hoje foi o dia em que nos deixou.

Fez-nos companhia durante muitos anos, cheios de alegrias e também preenchidos com algumas tristezas. Ontem, enquanto preparavamos os bifes com cogumelos (Ingrediente Secreto), a sua chama começava a apagar-se...

Para 4 pessoas
- 4 bifes finos
- 150 g de cogumelos paris
- 150 g de cogumelos portobello pequenos
- 1 c. sopa de manteiga
- 3 hastes de tomilho
- 1 copo de vinho do Porto
- azeite
- sal

1. Corta os cogumelos em quartos ou lâminas. Reserva.

2. Aquece um fio de azeite numa frigideira. Quando estiver bem quente coloca os bifes. Deixa fritar cerca de 30 segundos de cada lado. Retira os bifes para uma travessa, tempera com sal e reserva.

3. Junta os cogumelos no azeite dos bifes e deixa cozinhar. Junta as hastes de tomilho e tempera com sal. Quando os cogumelos estiverem quase prontos adiciona o vinho do Porto e a manteiga. Retira os cogumelos do lume e coloca-os por cima dos bifes.

4. Acompanha com batatas fritas ou abóbora assada.

sábado, 27 de agosto de 2011

Abóbora Assada

Esta semana andei a "cravar" almoço e lanche à minha queridíssima mãe que, ao contrário das filhas, ainda está de férias. Foi uma bela semana a recordar outros tempos... Lembrei-me do tempo em que fazia o almoço para mim e para a minha irmã mais nova, quando ainda andávamos as duas a estudar e também reencontrei a minha saca de pano cor-de-rosa aos quadradinhos onde costumava levar o meu pão com tulicreme para a escola quando era miúda e que agora passou a ir comigo para o trabalho. Ainda perguntei pela minha lanjeira cor-de-laranja da tupperware para um verdadeiro revival, mas ao que parece essa já foi para o lixo há muitos muitos anos. 

Para lhe agradecer o trabalho todo hoje fiz o almoço lá em casa. Fiz bifes com cogumelos. Para mim e para a minha mãe fiz esta maravilhosa abóbora assada para acompanhar. Costumamos fazer abóbora assada para o risotto de abóbora e frango, mas desta vez dé-mos-lhe "aquele" toque com o tomilho-laranja que a minha mãe nos trouxe da praça das Caldas da Rainha. Nunca pensei que ficasse tão deliciosa. Tem um sabor fresco e a abóbora derrete-se por completo na boca...

Para 2 pessoas
- 300 g de abóbora, sem sementes (mantém a casca) e cortada em fatias
- 1 c. de sobremesa de alho em pó
- 4 hastes de tomilho-laranja, usar só as folhas
- azeite
- sal

1. Pré-aquece o forno a 190ºC.

2. No tabuleiro do forno estende uma folha de papel vegetal. Distribui as fatias de abóbora pelo tabuleiro. Polvilha a abóbora com o alho em pó, o sal, as folhas de tomilho-laranja e rega com azeite. Leva a abóbora ao forno até estarem douradas (mais ou menos 20 minutos).

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Robalo Assado com Manjericão e Hortelã

Este ano Agosto não está para praia, mas pelo menos tem dado para a pesca! De ano para ano este é o mês para o Miguel ir à procura dos robalos. Para ele só o robalo pescado à linha é que é bom, por isso se quero comer robalo em casa esta é a altura, já que é muito difícil convencê-lo a comprar robalo. Entendo que pescado à linha o robalo é consumido muito mais fresco, já que não leva gelo e também não anda aos trambolhões dentro duma rede, mas não sou tão fundamentalista quanto ele. É uma luta da qual saio sempre perdedora quando me apetece robalo fora da época. Assim tenho de aproveitar enquanto ele anda aqui pelas nossas águas.
Há muitas maneiras de comer este peixe, mas o melhor é mantê-lo simples. Nós gostamos dele grelhado na brasa e acompanhado por batatas ou uma salada. Mas, mais uma vez, quis aproveitar esta maré de abundância e de sorte do Miguel para experimentar outra receita. 
Desta vez inspirámos-nos numa receita da Mafalda Pinto Leite do livro "Dias com Mafalda".
Para 4 pessoas
- 2 robalos médios
- 2 limões, em rodelas
- 1 mão-cheia de folhas de manjericão
- 8 ramos de hortelã
- 6 dentes de alho laminados
- sal
- 1 copo de vinho branco
- 2 c. sopa de azeite
- papel vegetal

1. Aquece o forno a 180ºC. Por cima de uma travessa de ir ao forno coloca uma folha de papel vegetal.

2. Por cima da folha dispõe metade do limão, do alho, da hortelã e do manjericão. Coloca o peixe por cima desta cama aromática. Tempera com sal. Cobre o peixe com o restante manjericão, hortelã, alho e limão. Polvilha com mais sal. Rega com o vinho e o azeite. Embrulha bem com o papel.

3. Leva ao forno durante 30 minutos, abre o embrulho com cuidado e deixa dourar por uns minutos ou até estar cozinhado. Serve acompanhado de uma salada.

Nota: Se quiseres obter um aroma mais intenso coloca as ervas aromáticas na barriga do robalo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

São Martinho do Porto

Gosto de chegar a São Martinho do Porto de comboio. Não é a forma mais cómoda, nem mesmo a mais chique, mas é de longe a mais interessante. É tão bom poder olhar pela janela e ver as praias de arroz, enquanto vais ouvindo as famílias a tomar conta das carruagens. Mais os seus farnéis, os sacos dos brinquedos e os gritos das crianças. Todos preparadíssimos para um dia de praia no "bidé das marquesas".
Quando aqui passei as minhas primeiras férias não morri de amores pela vila. Achei que eram lisboetas a mais. Muito colégio privado, mas pouca educação. Muitos nomes sonantes, mas também muitas vidas de aparências. Lembro-me de as pessoas olharem para mim e para a minha irmã como se fossemos de outro planeta. Vinhamos do Norte, trocávamos o "v" pelo "b" e tratavamo-nos por "tu", coisa pouco conhecida nestas bandas, onde até o cão e o gato são tratados por "você". Enfim, betinhos de Lisboa... Só que como diz o poeta "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Agora é raro o ano que não damos um salto a São Martinho, onde recordo com saudade aqueles dias de Verão.
Para um regresso ao passado o frenesim do 15 de Agosto é o ideal. Posso estar anos sem aqui vir, mas sei que quando regressar vai estar tudo igual. Vou ver os mesmos meninos burgueses, com as mesmas camisolas pelos ombros, a mesma calcinha beje, o mesmo sapato de vela e exactamente o mesmo penteado. Não sei se ainda se mudam para aqui de armas, bagagens e criadagem, mas sei que em São Martinho Agosto não muda, apesar da passagem dos anos. De manhã desce-se à baía, o final da tarde é passado numa das esplanadas da marginal a beber um fino, depois de jantar desce-se a ladeira até à Rua dos Cafés e quando a fome aperta vai de crise (salsicha, ovo estrelado e batatas fritas).
Dito assim até parece que é um sítio desagradável, mas não é! Não foi à toa que as antigas famílias abastadas de Lisboa construíram aqui os seus palacetes de Verão. Além disso, a par destes palacetes e da baía, a imutabilidade dá-lhe um certo charme. Adoro São Martinho! Até gosto dos dias de Verão enublados e de ouvir os miúdos de quatro anos a tratarem-se por você. E gosto também dos rituais que fomos criando com o passar dos anos.
Não podemos ir a São Martinho sem parar na Casa do Pão de Ló de Alfeizerão.  Mesmo antes da entrada da A8 é a paragem ideal para um café ou um lanche antes de regressarmos a Aveiro. Se formos com os meus pais sei que quando acordar vão estar à nossa espera pães de leite fresquinhos, trazidos do mercado pelo meu pai. E, por falar em mercado, havendo tempo aproveitamos para ir à Praça da Fruta (Caldas da Rainha) para nos abastecermos de fruta e legumes.
Também é certo que vamos à Pastelaria Concha, uma pequena maravilha em bolos perto da igreja matriz. Aqui reina quase sempre a confusão (tens de tirar senha para seres atendido), principalmente ao domingo, antes e depois da hora da missa ou ao fim da tarde quando chega a hora de muitos regressarem a casa. Com ou sem confusão esta é uma paragem obrigatória para comer uma trança e trazer argolas (podes precisar de encomendar), miniaturas de palmiers, bolachas e areias para acompanhar um chá. Igualmente imperdível é o russo, a torta de chocolate e os palmiers recheados com creme de manteiga fresca, iguaizinhos aos que comia no ciclo e que me levam numa verdadeira viagem ao passado! Difícil é escolher o que comer...
Se procuras descanso e boa gastronomia São Martinho do Porto é um excelente destino de férias ou de fim-de-semana, mas se andas atrás de água e tempo quentes, então o microclima de São Martinho não é para ti, já que é aqui que o Inverno vem passar férias, com ou sem criados.

domingo, 7 de agosto de 2011

Robalo ao Vapor com Baunilha e Kumquat


O bom de se viver numa cidade perto do mar é conseguirmos com facilidade peixe fresco, seja comprado num dos mercados de peixe (Aveiro ou Costa Nova), trazido do mar pelo meu pai ou pescado à linha pelo Miguel. Não há nada que se compare à qualidade do peixe mesmo fresquinho, quando numa só garfada conseguimos sentir todo o sabor do mar. Como o meu pai é embarcado, habituei-me desde cedo ao encanto  deste pequeno prazer. Se à 6ª feira ligo à minha mãe a perguntar o que é o jantar, responde-me sempre: "Depende do que o vosso pai trouxer...". Lá no fundo rezo para que ele traga carapauzinho pescado no dia e que a minha mãe tenha vontade de o fritar... O Miguel, mesmo não tendo um pai que ande ao mar, também está acostumado ao sabor fresco do peixe. Toda a família pratica pesca desportiva e sabem bem como conseguir as maravilhas que o mar e a ria têm para oferecer.
Esta é a altura de o mar dar robalos e ontem à noite o Miguel e o irmão foram ver se apanhavam algum. A pesca não correu tão bem como tinham planeado, mas ainda assim deu para ele trazer um robalo para o nosso jantar. O Miguel queria escalá-lo para depois o grelhar, mas a mim apetecia-me algo diferente. Sugeri uma receita do Jamie Oliver que tinha guardada há mais de quatro anos. Um prato delicado e sofisticado de robalo cozido ao vapor, perfeito para supreender alguém especial. Substituímos o limão por kumquat de Sever do Vouga e o alho francês por espargos. Também reduzimos a quantidade de baunilha e achamos melhor cozer as cenouras juntamente com as batatas. No final obtens uma refeição saudável, com um robalo muito suculento e ligeiramente adocicado pela baunilha.

Para 2 pessoas
- 2 filetes de robalo
- 1/2 vagem de baunilha
- sumo e casca de 4 kumquats
- 1 c. sopa de azeite
- 500 ml de leite
- 8 espargos
- 2 cenouras, cortadas em palitos
- 6 batatas novas pequenas
- sal

1. Faz uns cortes nos filetes de robalo. Retira as sementes da vagem de baunilha e coloca tanto as sementes como a vagem num prato, com o sumo e a casca dos kumquats e o azeite. Com um garfo mistura bem as sementes de baunilha no líquido. Coloca o peixe no prato e cobre bem os filetes com esta marinada.

2. Coze as batatas e a cenoura em água a ferver com sal. Quando estiverem quase cozidas escorre a água. Mistura com os espargos e uma pitada de sal.

3. Num tacho coloca o leite com a vagem de baunilha em lume brando e por cima do tacho a panela de bambu. No primeiro andar da panela coloca a mistura de vegetais e no segundo andar os filetes de robalo, com a pele virada para cima. Abre os cortes feitos na pele do robalo e despeja por cima o molho da marinada (sem a casca de kumquat). Coloca a tampa e deixa cozinhar no vapor do leite durante 15 minutos.

domingo, 31 de julho de 2011

Aldeia da Mata Pequena

Estávamos a precisar de passar uns dias num sítio onde pudéssemos não fazer nada e onde o tempo parasse... Encontrámos esse lugar na Aldeia da Mata Pequena, uma aldeia à moda de antigamente, onde o tempo andou para trás. Nestes dias só chegámos perto do fogão para fazer chá ou café e a nossa única preocupação foi garantir que os gatos que por ali andavam não entravam em casa ou levavam a comida…
Quem nos “contou” sobre esta aldeia perdida em Mafra foi a Evasões de Junho de 2011. Antes de te fazeres ao caminho confirma que tens tudo o que precisas para a estadia, pois assim que te tiveres instalado vais ter pouca vontade de sair! Para lá chegares o melhor é ignorares as novas tecnologias e apontares as indicações que vêm no site da aldeia. É preferível seguires indicações como “a seguir a um moinho vire à direita” do que colocar as coordenadas no GPS que te vai mandar para caminhos de cabras e de terra batida.
À chegada fomos recebidos pelo Diogo que nos falou da recuperação da aldeia e nos “abriu” a porta para a Casa do Feno. Mal atravessámos a porta de madeira ficámos apaixonados! A casa era simplesmente deliciosa e estava cheia de pormenores à espera de serem descobertos. Ali tínhamos tudo o que necessitávamos para uns dias desligados do Mundo e sem hora marcada para nada, nem sequer para o pequeno-almoço.
O primeiro dia amanheceu ligeiramente encoberto, mas isso não nos preocupou. Ainda em pijama tomámos o pequeno-almoço na varanda da casa e deliciámo-nos com o pão saloio, pendurado todos os dias na porta dentro de um saco de pano. Depois disso deixámo-nos estar na antiga eira a ler.
A aldeia disponibiliza muitas actividades, mas não aderimos a nenhuma delas. Não existiu vontade para nada, excepto para desfrutar da vista e ouvir o silêncio, apenas interrompido pelo cantar das carriças ou o zurrar dos burros. Houve um dia que iamos perdendo a cabeça e que quase cozinhámos. Levantámo-nos das espreguiçadeiras para ir fazer uma bruschetta de tomate cereja, só que o pão era tão saboroso que à medida que o fomos cortando em fatias também o fomos comendo…
No meio da nossa inércia conseguimos encontrar forças para fazer um pequeníssimo passeio pela aldeia e petiscar qualquer coisa na Tasca do Gil. A tasca fica logo no inicio da aldeia e pode ser um excelente aliado para quem não quer cozinhar. Também têm serviço de take way, para os que levam a preguiça mesmo a sério e cestos de piquenique.
Após estes dias perfeitos foi difícil vir embora. A tarefa de arrumar as malas que vieram com roupa que não chegou a ver a luz do dia e tirar do frigorífico os ingredientes que nunca viram o tacho foi quase penosa... Ficámos completamente enamorados e pretendemos voltar um dia a esta aldeia que não é nossa, mas nos faz sentir em casa!

domingo, 24 de julho de 2011

Sumo de Amoras Vermelhas

Sabe tão bem estar de FÉRIAS!!! Podermos acordar tarde, tomar o pequeno almoço descontraidamente no sofá, acompanhar momentos relaxantes com um sumo natural fresco, recordar o Tarzan na televisão e lembrar que amanhã não é dia de trabalho...

Para 2 copos
- 1 embalagem (125 g) de amoras vermelhas congeladas
- 1 banana
- 250 g de sumo de maçã

Num copo misturador tritura o sumo de maçã, a banana cortada em bocados e as amoras congeladas. Divide o sumo por dois copos e bebe fresco.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bolachas de Chocolate

Somos uns padrinhos desnaturados e só agora é que demos à nossa afilhada o folar deste ano e do ano passado. Diga-se a nosso favor que no ano passado, por altura da Páscoa, a G. estava do outro lado do Atlântico e por isso é que não teve o folar. O tempo foi passando e a certa altura decidimos acumular as prendas. Acho que ela não se chateou muito com isso, até porque assim parece que recebeu muitas prendas. Oferecemos um kit infantil para bolachas (com formas, rolo da massa, tabuleiro, etc.) que é uma fofura e um avental da Sushie Design que fez um sucesso. Equipados a rigor passámos um belo fim de tarde todos juntos na cozinha a fazer bolachas, que ficaram rústicas e um bocado amargas, mas que mesmo assim a G. achou que estavam muito boas (o bom de cozinhar com crianças é elas gostarem sempre daquilo que é feito por elas)!
Duas coisas contribuíram para o pequeno fracasso das bolachas. A primeira foi falha humana, usei cacau em pó em vez de chocolate em pó e a segunda foi culpa do material, a nossa balança, que é muito muito linda, não se dá bem com pesagens pequenas e mais precisas, por isso pode-se dar o caso de ter posto açúcar a menos e cacau a mais...

Apesar desse pequeno pormenor conseguimos atingir o objectivo que era passarmos juntos uma tarde divertida na cozinha a pesar os ingredientes, partir ovos e fazer bolinhas de chocolate. Depois de termos estado com as mãos na massa, ainda houve tempo para ouvir a "chuva" de peças do Master Mind a cair, "jogar" às cartas, mandar torres de paralelepípedos a baixo e brincar com bolas de sabão gigantes...  

Para cerca de 20 bolachas
- 50 g de açúcar em pó
- 150 g de manteiga, à temperatura ambiente
- 200 g de farinha
- 50 g de chocolate em pó
- 1 ovo

1. Pré-aquece o forno a 170ºC.

2. Numa taça junta o açúcar com a manteiga, cortada em pequenos pedaços. Bate bem até obteres um creme. Adiciona a farinha e o chocolate até obteres uma mistura homogénea. Por fim, junta o ovo, batendo sempre. Tapa a taça com película aderente e leva ao frigorífico durante 30 minutos ou até a massa estar dura.

3. Faz bolas com a massa e achata-as com as palmas da mão, formando bolachas. Distribui as bolachas por um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal. Leva ao forno durante cerca de 15 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer as bolachas no tabuleiro.

domingo, 3 de julho de 2011

Feira do Mirtilo

Hoje foi o último dos três dias da Feira do Mirtilo, em Sever do Vouga. Era a nossa estreia na feira e íamos cheios de vontade de ver a chef Leonor de Sousa Bastos e comprar mirtilos para fazer umas experiências culinárias, mas a coisa não correu bem como nós tínhamos planeado.
Para começar, quando chegámos às 15h00 para assistir ao workshop da autora do Flagrante Delícia, na tenda estava um homem a fazer um caril de gambas. Poucos minutos depois chegou a desilusão, quando descobrimos que não ia haver nenhuma sobremesa espectacular feita pela chef Leonor. Desconfio que, apesar do nome dela constar do programa, ela nunca tenha estado para vir. No livro de receitas "Mirtilo à Mesa" não vem lá nenhuma receita dela e era suposto estarem lá todas as receitas apresentadas nos workshops realizados durante a feira. A fotografia dela também não aparecia no programa, tal como não aparecia o nome dela no placar com os workshops à entrada da tenda.
Deixámos a tenda e fomos dar uma volta pela feira. O Parque Urbano de Sever do Vouga é um espaço muito agradável, no entanto demasiado pequeno para tantos que se deslocaram no Domingo até à feira. Parecíamos formiguinhas num carreiro e não dava para ver nada... A maioria das estantes das barracas encontravam-se vazias e o tempo de espera nas filas era interminável e cheio de encontrões! Enquanto esperávamos na fila para provar uma fatia de tarte de mirtilos e morangos, estava lá um senhor há mais de meia hora à espera de broa e pães de mirtilo (os pães quentes eram deliciosos, já frios não tinham grande piada) e depois de nos virmos embora com 10 pães no saco e cada um com a sua fatia de tarte o senhor ainda lá ficou à espera da broa pelo menos mais outra meia hora.
Com a tarte já no papo regressámos à tenda dos workshops para assistir ao chef Gonçalo Costa a confeccionar duas versões dum "Magret de pato com foie gras e chutney de mirtilos". A primeira versão era com uma salada quente de rúcula e espargos e na segunta o magret de pato era acompanhado por uma salada fria de rúcula e espinafres. O Miguel provou e não achou nada de especial, mas talvez por não ser grande apreciador de foie gras.
No final do workshop ainda estava para vir a grande surpresa do dia... Fomos até à zona da venda de mirtilos e por inacreditável que pareça não havia mirtilos. Como é que é possível que se deixe acabar o ingrediente principal da feira?!?!?! Tristes lá viemos embora de copo de sumo de mirtilo na mão...  Fazendo um balanço, a feira tem todas as condições para ser um grande acontecimento mas para nós foi um fracasso...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ourense

No fim-de-semana fomos passear até Ourense. Por coincidência calhou irmos num fim-de-semana cheio de festas. Nas ruas e praças da zona histórica da cidade tínhamos o VII Mercado Medieval, incluído nas Festas Ourense 2011. Na vila de Allariz, a cerca de 20 km de Ourense, decorria a Festa do Boi. A única coisa que não ajudou a nenhuma das festas foi o calor que se fazia sentir naquele vale da Galiza e que só deu para suportar graças aos banhos nas termas.
Desde que foi para Ourense de Erasmus a minha irmã J. não falava doutra coisa se não das termas e nós estávamos um bocado curiosos. Quando de manhã saímos a correr de casa para apanhar o comboio turístico (0,78€ bilhete de ida, mais ou menos 40 minutos de viagem) nunca sonhavamos que íamos encontrar um pequeno paraíso. O ambiente das termas é muito zen, não só por causa das suas águas mas também por toda a envolvente verde. Os pequenos jardins que temos de percorrer até chegar às "piscinas" de água quente ou fria, as árvores que fornecem sombra em dias de calor e o rio Minho que corre aos nossos pés são os ingredientes perfeitos para atingir um estado de puro relaxe. Infelizmente naquele dia não tinhamos muito tempo para os banhos, mas ainda assim deu para nos refrescar naquelas águas fantásticas e no espaço público muito bem cuidado.
De volta à cidade e ao calor recuámos no tempo numa das barracas do Mercado Medieval. O cheirinho que vinha do grelhador era inebriante e os contrastes de cor entre os tons castanhos e o verde vivo dos pimentos padrão também eram muito chamativos.
Aproveitando a sombra debaixo das arcadas  comemos uns ossos que estavam muito bons, mais umas salsichas frescas, tudo acompanhado de batatas fritas. Depois de almoço eramos para ir ver as tendas de artesanato, mas esquecemo-nos que aqui nesta parte do mundo existe uma coisa chamada sesta e por isso não havia nada aberto. Como em Roma sê romano, a seguir a um gelado fomos para casa dormir uma sesta e devido ao calor (40ºC à sombra) cancelámos os planos da tarde de ir ver as corridas de bois.
À noite e ainda com 35ºC na rua fomos até Allariz, para jantar na Festa do Boi, uma celebração já antiga, que foi recuperada no ano de 1983, onde se vê muita gente a cair de bêbeda. Tirando isso o ambiente da festa é alegre e a pequena vila é muito bonita, toda em pedra e de ruas estreitas. Fomos à procura de um sítio para comer, mas não estava fácil... As bodegas estavam todas a abarrotar e decidimos ir procurar um sítio no meio da feira, o que se revelou uma má opção, já que para esses lados a comida não era grande coisa, sendo que a carne estava basicamente crua. Mas nem tudo era mau, num evento que dá pelo nome de Festa do Boi o melhor que se conseguia comer era polvo cozido.
Os pratos de polvo que viamos passar tinham um aspecto delicioso e como tinhamos ficado desconsolados com a carne fui para a fila do pulpo.  Apesar da longa fila, a espera valeu a pena e consolámo-nos com a iguaria simples de polvo cozido, apenas temperado com sal, piri-piri e azeite. Quem também se ía consolar por lá era a ASAE, visto que as condições de higiene e de conservação dos alimentos eram inexistentes. A carne estava guardada em várias geleiras, a levar com o calor dos grelhadores. O polvo era cozido numa panela gigantesca no meio dos caminhos de passagem (aos Domingos é possível ver destas panelas nas ruas de Ourense) e a senhora que estava a cortar o polvo, que saía directamente da panela por baixo da tábua de cortar, era a mesma que recebia o dinheiro e nos dava o troco, tudo isto sem lavar as mãos uma única vez!
Para terminar o fim-de-semana em beleza voltámos às termas, mas desta vez para passar lá o dia todo. Primeiro banhos, depois sandocha de atum à sombra das árvores, seguida de sesta, mais banhos nas piscinas, leitura à sombra e contemplação do espaço. Por outras palavras, não fizemos nada, foi só descansar e ganhar forças para o regresso a casa e para mais uma semana de trabalho...