segunda-feira, 31 de Março de 2014

Bochechas de Porco

Conhecem a expressão "Está tempo de Feira de Março"? Se isto não vos diz nada, então é porque não são de Aveiro. Tempo de Feira de Março significa muita água e muito vento, tipo o que estamos a ter nos últimos dias, e que se prevê que continue durante mais alguns. Podem estar dias radiosos, mas assim que chega a feira, voltam logo os dias cinzentos. Nem sei porque continuam a insistir em a fazer nesta altura, já que chuva e vento não é muito convidativo para andar de carrosel. Este tempo convida mais a longas horas a bocejar no sofá, coisas quentes e reconfortantes, como assados ou comida demorada no lume, tipo estas bochechas.

O resultado final não foi bem o que eu queria, e por isso a receita não foi logo publicada, mas o distanciamento fez-me perceber que, ainda assim, é um bom prato, que com tempo pode ser apurado...

Para 4 pessoas
- 800 g de bochechas de porco, arranjadas
- 1 garrafa de Corona
- 4 dentes de alho, picados
- 2 folhas de louro
- 1 c. de chá de cominhos em pó
- 1 c. de chá de oregãos
- 1 cebola, cortada em meia-lua
- 2 cenouras médias, cortadas em rodelas
- 1 c. de sopa de massa de pimentão
- 1 l de caldo de legumes
- azeite
- sal

1. De véspera, prepara a marinada. Numa taça coloca as bochechas, os dentes de alho, os comilhos, os oregãos e o sal. Envolve bem a carne e cobre com a cerveja e um fio de azeite. Deixa marinar de um dia para o outro, ou o tempo que conseguires.

2. Num tacho, refoga a cebola em azeite, com uma pitada de sal. Sela a carne. Adiciona a cenoura, a massa pimentão, a marinada e caldo de legumes, até cobrir a carne. Deixa estufar durante 1h30, ou até o molho ter reduzido.

3. Serve as bochechas acompanhadas de puré de batata.

sexta-feira, 21 de Março de 2014

Bolachas de Leite Condensado

Hoje é o dia mundial da poesia. Também é o dia da árvore, mas hoje apetece-me mais a poesia do que as árvores. 

Tinha as fotos da bolacha guardadas há uns dias e andava a pensar se havia de pôr aqui a receita. Entretanto ontem tive uma espécie de epifania, enquanto ouvia a Praça da Alegria. Falavam do dia mundial da poesia e das comemorações do dia. Na altura falavam duma iniciativa do Inatel - "Poesia em Pessoa", amanhã às 15h00 no Largo de São Carlos - e dos elementos simbólicos de Fernando Pessoa. Sendo um desses elementos o bigode, achei que aquele era um sinal para partilhar com vocês a receita das bolachas. Maravilhosas, como o poeta. 

É um cliché, mas a verdade é que gosto muito de Fernado Pessoa. Da verdade das suas palavras. Da forma como a sua mensagem me toca em momentos diferentes da minha vida e como, às vezes, parece que o poeta fala directamente connosco. Como hoje, um dia molhado, depois de tantos dias de sol. Quantos de nós amaldiçoámos a chuva?, como se ela tivesse alguma culpa dos nossos dias cinzentos. Como se os dias de sol fossem, só por si, melhores do que os outros. Os dias são bons ou maus conforme o que neles acontece, não por causa do tempo. O boletim meteorológico, infelizmente, prevê mais chuva para amanhã, o que pode ser uma excelente oportunidade para passar algum tempo no sofá, na companhia de um livro, de poesia ou não.

Para alguns 45 bigodes
- 250 g de farinha
- 1 c. de chá de sal fino
- 80 g de manteiga
- 180 g de leite condensado

1. Numa taça, mistura a farinha com o sal. Junta a manteiga, dividida em bocados pequenos. Com as mãos mistura a manteiga com a farinha, até obteres uma espécie de areia (a farinha deixa de ficar branca e adquire uma cor amarelada). Adiciona o leite condensado. Com as mãos, ou com a ajuda de uma colher de pau, amassa bem até a massa se soltar das mãos. Forma uma bola com a massa, envolve-a em papel filme e leva-a ao frigorífico durante 30 minutos.

2. Retira a massa do frio e pré-aquece o forno a 200ºC.

3. Divide a massa em vários pedaços mais pequenos e estende-os entre duas folhas de papel vegetal. Corta-os em forma de bigode (ou outra forma qualquer. Podes cortar em círculos e fazer uma espécie de sanduíche com compota ou chocolate).Distribui a massa num tabuleiro forrado com papel vegetal e leva ao forno, durante 10 a 15 minutos, ou até as bolachas ficarem douradas.

4. Retira do forno e deixa as bolachas arrefecerem, por cima de uma grelha. Acompanha as bolachas com um copo de leite e um bom livro de poesia.

sexta-feira, 7 de Março de 2014

Risotto Rico de Cogumelos

Cozinhar com cerveja. Isso quer dizer mesmo o quê? Que usamos a cerveja na comida ou que, enquanto estamos a cozinhar, vamos bebericando uma cerveja? E que tal as duas coisas?

Juntar uma sout a um risotto simples de cogumelos, torna-o muito mais rico e mais cremoso. Ao usar o wok para fazer o risotto, também ajudas a aumentar essa cremosidade, já que ao não mexeres os grãos eles não perdem a goma.

Para 2 pessoas
- 1 embalagem de cogumelos
- 4 cebolas
- 2 a 3 minis stout
- 2 cháv. de café de arroz arboreo
- 1 l de caldo de legumes quente
- 2 c. de sopa de mascarpone
- azeite
- sal

1. Abre uma mini stout, dá um gole e começa a preparar o risotto. Pica uma cebola e, num wok, refoga-a em azeite, com uma mão-cheia de sal. Quando a cebola estiver translúcida, junta os cogumelos cortados em quartos, ao meio ou inteiros (conforme o tamanho deles). Salteia os cogumelos e vai dando vazão à tua stout. Quando os cogumelos tiverem ganho cor, junta-lhes uma mini stout, que eles também merecem "beber" qualquer coisa. Com o lume alto deixa evaporar o álcool.

2. Mais um gole na mini e entretanto começa a preparar a cebola caramelizada. Corta as restantes cebolas (três) em meia-lua e refoga-as em azeite, com uma mão-cheia de sal. Quando a cebola começar a ficar mole, baixa o lume e deixa a cebola caramelizar (mais ou menos meia hora).

3. De volta ao risotto, abre mais uma mini, se a outra já tiver acabado. Assim que os cogumelos começarem a "perder" o líquido da cerveja, junta o arroz. Envolve os grãos de arroz nos cogumelos, até o interior começar a ficar transparente. Adiciona uma concha de caldo quente. Como estás a cozinhar num wok, poisa a colher de pau e vai mexendo o risotto agitando o wok. Aproveita para ir bebendo da mini e vai pondo um olho na cebola. Espera que o líquido evapore antes de juntares outra concha de caldo quente. Vai adicionando caldo até o risotto estar al dente. Desliga o lume e deixa o risotto repousar durante 3 minutos.

4. Serve o risotto com uma colher generosa de cebola caramelizada e outra de queijo mascarpone, acompanhado de uma mini sout.

sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

Pão de Hambúrguer

Iyi. Daacadnimo. Faitotonú. Ärlighet. Onestitate. Eziokwu. Ausus. Gaskiya. Honestidad. Zintzotasuna. Dürüstlük. Honestedat. Onétete. Goīgums. Kejujuran. Macántacht. Onestà. Ehrlichkeit. Poštenje. Rehellisyys. Ukwethembeka. Honnêteté. Düzlük. Katapatan. Trung thực. Honesty. Uaminifu. Honestecon. Honestatis.

Honestidade. Em pequenos ensinam-nos que é feio mentir e levamos essa lição a sério. Acontece que algures pelo caminho do nosso crescimento a sociedade ensina-nos outra coisa completamente diferente. Mostra-nos que a verdade nem sempre é bem-vinda. Que podemos chegar mais longe com a falsidade. Vivemos num mundo com dois pesos e duas medidas. Ora aponta o dedo à mentira, ora incentiva a arte do engano. Como sabemos o que é melhor a cada momento? A verdade ou a mentira politicamente correcta? Como quando nos oferecem uma prenda que não gostamos, que não usamos ou que não nos interessa para nada. Somos sinceros e dizemos que não gostamos, ou pomos o nosso melhor sorriso amarelo e dizemos que amámos?

Não precisei de pôr nenhum sorriso amarelo quando recebi pelo Natal o livro de onde vem esta receita de pão de hambúrguer, Cozinhar em Casa é Fácil. Amei-o mesmo e calhou mesmo bem. Além de adorar o jeito descontraído da Lorraine Pascale na cozinha, andava a precisar de uma receita de pão de hambúrguer que funcionasse. Já tinha experimentado umas quantas receitas, mas todas sem sucesso. Esta receita do livro funciona na perfeição e vem lá tudo muito explicadinho. Só fica a faltar o hambúrguer!

Para 8 pães de hambúrguer
- 525 g de farinha simples
- 2 c. de sopa de sal fino
- 2 c. de sopa de açúcar amarelo
- 1 saqueta de fermento de padeiro
- 150 ml de leite morno, mais um pouco para pincelar
- 150 ml de água morna
- sementes de sésamo e de papoila

1. Coloca a farinha, o sal, o açúcar e o fermento numa tigela. Faz um buraco no centro e junta o leite e a água, para formar uma mistura macia. Amassa durante 10 minutos à mão. Para saber se a massa está pronta, forma uma bola apertada, depois, usando um dedo coberto de farinha, insere-o na massa. Se a massa saltar imediatamente, está pronta. Num lugar quente, deixa levedar numa tigela, untada com azeite e coberta com película aderente, durante duas horas ou até dobrar o tamanho.

2. Com as mãos cobertas de farinha, divide a massa em 8 porções. Pega numa porção e forma uma bola, puxando os lados para baixo e por baixo da massa, para que a parte de cima fique lisa. Coloca a bola no tabuleiro. Repete com o resto da massa, colocando as bolas bem espaçadas porque ainda vão crescer durante a levedação e a cozedura. Assim que as bolas estiverem dispostas, cobre-as com película aderente untada com azeite, para que fique hermético. Deixa a levedar num lugar quente cerca de uma hora ou até que a massa tenha duplicado de tamanho.

3. Aquece previamente o forno a 200ºC. Assim que as bolas tiverem levedado, retira a película aderente e pincela-as com leite. Salpica-as com sementes de sésamo e de papoila. Coloca o tabuleiro no forno e deixa cozer cerca de 30 a 35 minutos, ou até estarem dourados. Uma vez prontos, retira-os do forno e deixa-os arrefecer.

quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

Soufflé de Emmental e Rúcula

Ainda me lembro da primeira vez que comi queijo emmental. Foram precisas umas férias na Holanda, com muito gouda, para começar a dar uma oportunidade aos queijos típicos de outros países. O primeiro a ter esse privilégio foi mesmo o emmental, num serão passado a fazer o puzzle de 1000 peças (Country road in Provence by night), que trouxemos como lembrança das nossas aflições no país de Van Gogh.

Foram as nossas primeiras férias juntos e se fossem um prenúncio para alguma coisa, elas antecipavam muitos imprevistos e sempre uma maneira de solucionar os problemas. E realmente a nossa vida a dois tem sido um pouco assim. Altos e baixos, mas capazes de ir encontrando um final feliz pelo caminho. Eu a entrar em pânico, o Miguel mais paz e amor. A verdade é que o meu pânico e a paz dele resultam, ajudam a resolver os imprevistos. 

Aconteceram-nos todo o tipo de contratempos. Conseguimos sair em estações de comboio diferentes, sem termos como comunicar um com o outro e o Miguel de bolsos vazios, sem bilhete de comboio, sem dinheiro, sem um documento que o identificasse; Dormimos encharcados até aos ossos, já que choveu no único dia que escolhemos para acampar e o chão da tenda ficou todo ensopado assim que estendemos os sacos-cama; Passámos pelo stress de, numa cidade quase fantasma, sem bilhete de autocarro, sem jantar, sem dormida e com apenas 10€ no bolso, não conseguirmos levantar dinheiro em lado nenhum, por falta de comunicação com o banco.

Felizmente, tal como no emmental, estes buracos estavam rodeados de bom queijo e a verdade é que voltaria a fazer as malas para umas férias como aquelas num piscar de olhos.  

Para 4 a 6 formas (Fine Dining Lovers)
- 100 g de rúcula
- 4 ovos, separadas as claras das gemas
- 150 g de queijo emmental ralado
- 90 g de béchamel
- noz moscada
- sal fino

1. Pré-aquece o forno a 180ºC. Unta as formas com manteiga e pão ralado.

2. Branqueia a rúcula em água a ferver, temperada com sal. Escorre a rúcula e pica-a grosseiramente.

3. Tempera as gemas com uma pitada de sal fino e de noz moscada e bate-as, até começarem a ficar esbranquiçadas. Mistura a rúcula, o queijo emmental e o béchamel. Bate as claras em castelo, com uma pitada de sal, e envolve-as na mistura. Acerta os temperos.

4. Verte a mistura para as formas e leva ao forno, durante 20 a 30 minutos, até o soufflé ficar dourado. Serve, ainda quente, acompanhado de uma salada e azeitonas pretas.

segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2014

Chocolate Quente

Começou por ser um bom Domingo. Acabou um Domingo perfeito, num fim-de-semana perfeito, alimentado a chocolates! Os ingredientes? Mimos do meu amor, logo pela manhã. Um dia cheio de sol, ansiado há muito tempo. Café e passeio junto à praia, cheia de crianças e cães na areia. Lareira acesa, assim que chegou o fim da tarde. A companhia de um bom livro. E um chocolate quente, a escaldar, acompanhdo de biscoitos. 

A segunda-feira é que já não está a ser tão perfeita assim, com o regresso a casa cinzento e chuvoso...

Para 2 pessoas
- 1/2 l de leite
- 75 g de chocolate Milka leite
- 75 g de chocolate Milka caramelo

Coloca o leite num púcaro e junta os chocolates, partidos em quadrados. Leva ao lume até o chocolate derreter. Serve a fumegar, acompanhado de biscoitos.

sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2014

Tarte de Acelgas e Cogumelos

Ou a tarte do que estava no frigorífico em vias de se estragar. As acelgas já estavam a começar a murchar, os cogumelos, dizia a etiqueta, já estavam fora do prazo uns dois dias, as natas e o queijo terminavam agora. Como tinha massa, decidi arriscar com uma tarte. Ainda estou viva e de saúde.

Para 1 tarte
- 1 base de massa quebrada
- 1 embalagem de cogumelos frescos
- 1 molho de folhas de acelga
- 1 cebola média, cortada em meias-luas
- 1 pacote de natas
- 3 ovos
- meio queijo de cabra pequeno
- salsa
- azeite
- sal

1. Pré-aquece o forno a 200ºC. Reveste uma forma de tarte com a massa quebrada. Com um garfo pica a massa, para não enfolar. Cobre a massa com papel vegetal e depois com feijões cerâmicos. Leva ao forno, enquanto preparas o recheio da tarte.

2. Numa frigideira anti-aderente aquece o azeite. Refoga a cebola com uma pitada de sal. Quando a cebola começar a ficar mole junta os cogumelos, cortados em quartos e os talos das acelgas, cortados em cubos. Deixa saltear. Quando os cogumelos estiverem cozinhados junta as folhas de acelga, cortadas em juliana. Envolve bem e polvilha com a salsa picada.

3. Retira a massa do forno. Retira os feijões cerâmicos e o papel vegetal. Cobre a massa com o recheio. Esfarela o queijo de cabra por cima do recheio. (Se não gostares do sabor intenso do queijo de cabra cozinhado podes substituir por outro queijo. Também podes usar queijo ralado.) Reserva.

4. Bate os ovos, com uma pitada de sal. Adiciona as natas e bate bem. Verte o líquido por cima da tarte e leva ao forno durante 20 minutos, ou até o recheio estar dourado.

5. Serve ainda a fumegar, acompanhada de legumes salteados ou uma salada.

quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014

Salmão Confitado com Batatas Assadas e Funcho

Este ano vai ser um ano para cozinhar ingredientes que raramente são a nossa, ou a minha, primeira escolha. Aquele tipo de ingredientes que normalmente torcemos o nariz. E os primeiros a serem experimentados foram o salmão e o funcho. Nenhum de nós é fã de salmão cozinhado, nem de funcho. Na nossa lua-de-mel, na maravilhosa Itália, tivemos oportunidade de experimentar salada de funcho e não ficámos muito interessados. Em vez de cru, tentámos uma aproximação diferente ao funcho e fizemos uma escolha segura ao assá-lo com batatas novas. O salmão confitado, apesar de cozinhado, aproxima-se muito do salmão cru, que ADORAMOS! Um prato para repetir mais vezes.

Para 2 pessoas
Salmão confitado
- 2 lombos de salmão, sem pele e sem espinhas
- 1 c. de chá de açúcar
- 1 c. de chá de sal
- 1 c. de chá de raspa de limão
- 2 hastes de tomilho
- 1 c. de chá rama de funcho
- 500 ml de azeite
Batatas assadas e funcho
- 8 batatas novas com pele
- 2 bolbos pequenos de funcho
- 2 dentes de alho
- 1 c. de chá de raspa de limão
- 2 c. de sopa de azeite
- pitada de sal

1. Começa por preparar o salmão. Mistura o açúcar, o sal e a raspa de limão. Esfrega esta mistura nos lombos de salmão e deixa curar durante 1 hora no frigorífico.

2. Se as batatas forem grandes corta-as ao meio ou em quartos. Numa taça, que possa ir ao forno, junta as batatas e os dentes de alho, esmagados e com a casca. Mistura a raspa de limão, o azeite e o sal. Cobre bem as batatas e o alho com os temperos. Leva a forno pré-aquecido a 180ºC, durante 30 a 40 minutos.

3. Corta os bolbos de funcho em tiras finas ou em quartos, conforme o teu gosto. A meio do tempo de cozedura das batatas,  adiciona-lhes o funcho e começa a confitar o salmão.

4. Num tacho ou numa frigideira anti-aderente aquece o azeite, com o tomilho e o funcho, até aos 65ºC. Retira o sal dos lombos do salmão e coloca-os a confitar no azeite durante 15 minutos. Retira do lume e mantém-os no azeite até à hora de servires.

5. Com a ajuda de uma espátula retira, com muito cuidado, os lombos de salmão do azeite. Acompanha com as batatas assadas e funcho.

segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

Creme de Iogurte Grego e Mascarpone

Era para ser um pequeno-almoço elegante. Pan perdu de pão de passas e frutos secos, acompanhado de creme branco e calda de dióspiros. Era, mas não foi. Ou foi, mas não como planeado. As línguas de dióspiro desfizeram-se por completo e pareciam papa de bebé. Olhando para elas ninguém lhes percebia a vivacidade apresentada minutos antes. O pan perdu não ficou mal, nem ficou bem. Talvez tirando a côdea resulte melhor. Já o creme de iogurte grego e mascarpone ficou de bradar aos céus. Hum... estava perfeito! Perfeito, mas mal acompanhado... Quase como um vestido deslumbrante na passadeira vermelha, que é completamente arruinado pela má escolha de acessórios. Tinha de lhe arranjar os acessórios certos. Dar-lhe o destaque que merecia. E, como tantas vezes menos é mais, acompanhei o creme com uma salada de fruta simples e uns palitos de champanhe. Se fores amante de café, também podes acrescentar uma chávena de café bem forte, para começares o dia com os olhos bem abertos.

- 80 g de iogurte grego
- 80 g de mascarpone
- 80 g de natas
- 20 g de açúcar baunilhado

Numa taça junta todos os ingredientes. Bate até o creme começar a engrossar e a formar picos suaves. Conserva no frigorífico até à hora de servires. Acompanha com uma salada de fruta, à tua escolha, biscoitos e uma pinga de café.

segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

Creme de Requeijão com Pêra e Presunto

O fim-de-semana das festas de São Gonçalinho aproximava-se e eu estava a ver que o "menino" se tinha esquecido de mim. Começava a achar que tinha de esperar pelas festas de 2015 para poder subir à cúpula da capela e cumprir a promessa feita no ano passado. Mas não, na véspera de começar a grande festa de Aveiro, o santo lá correspondeu com a sua parte do acordo.

Levantados os 5 kg de cavacas, encomendados à Mordomia de São Gonçalinho, lá fui com as minhas irmãs e o Miguel para a fila, que dava a volta à capela. Depois de uma hora de espera, subimos as estreitas escadas de pedra, e mandámos, pela primeira vez, as cavacas cá para baixo. Dizem que não podes dizer que és genuinamente aveirense enquanto não subires lá acima. Assim, este sábado, tornei-me uma aveirense genuína, mesmo sendo uma aveirense de gema. Nascida e criada.

A hora de espera deu para aprender umas coisas novas sobre as tradições da festa. Não fazia ideia que se te cair uma cavaca na cabeça, isso quer dizer que te casas nesse ano. Faz todo o sentido, já que o santo é conhecido por ser casamenteiro. Não sei se ao requeijão, às pêras e ao presunto caiu alguma cavaca em cima, mas sei que eles casam lindamente nesta entrada. Meia doce, meia salgada.

Para 4 pessoas (inspirado em Delicious Tapas)
- 1 embalagem de requeijão
- 1 c. de sopa de leite ou natas
- sal fino q.b.
- 1 + 2 c. de sopa de mel
- 6 pêras pequenas (ou 4 grandes), descascadas e cortadas em quartos
- 6 hastes de poejo fresco
- 4 fatias de presunto

1. Põe o requeijão numa taça e bate, juntamente com o leite ou as natas, até estar cremoso. Tempera com sal fino e adiciona uma colher de sopa de mel. Bate mais um pouco.

2. Numa frigideira antiaderente, junta o restante mel, as pêras e o poejo. Cozinha durante 10 minutos, até as pêras começarem a ficar tenras.

3. Distribui o creme de requeijão por quatro pratos, com um quarto das pêras e o presunto. Rega tudo com o líquido da cozedura das pêras e decora com mais poejo. Serve quente, acompanhado com tostas.

segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014

Bolo de Iogurte Grego e Limão com Mirtilos

Foram doces as vossas entradas em 2014? As nossas foram. Cheias de resoluções que esperamos conseguir cumprir. Uma delas é mesmo aprender a dançar à chuva... Aprender a ver coisas boas no menos bom que surge no nosso dia-a-dia. Em geral somos muito negativos e um bocado por isso o blog esteve mais parado este ano. A cozinha é um espaço emotivo e quando as nossas emoções não são boas os pratos também não. O que nos leva a outra resolução: cozinhar com o coração, só assim é possível confeccionar receitas saborosas. E para começar o ano decidi-me por um bolo, a minha praia, que é ao mesmo tempo doce e amargo. Um bocado como a vida...

Para 8 a 10 pessoas
- 1 copo de iogurte grego
- 1 copo de óleo
- 2 copos de açúcar baunilhado
- 2 ovos
- 2 copos de farinha
- sumo e casca de 2 limões
- 1 copo de mirtilos congelados

1. Pré-aquece o forno a 180ºC. Unta uma forma redonda de buraco com manteiga e farinha.

2. Numa taça junta o iogurte grego, o açúcar, o óleo e os ovos inteiros. Bate tudo muito bem, até a mistura começar a ficar esbranquiçada. Junta a farinha e mistura. Acrescenta os mirtilos e envolve-os bem na massa com o Salazar. Verte a massa para a forma.

3. Leva ao forno até o bolo estar cozido e sair um palito limpo, entre 30 e 45 minutos.

sexta-feira, 8 de Novembro de 2013

Bolachas com Sementes de Papoila e Doce

Em poucas alturas o nosso nome se torna tão especial como quando amassado na voz de uma criança... É um nome que nos derrete! Então quando é dito pela primeira vez até nos pára o coração. Aconteceu esta semana, quando a minha sobrinha disse tia Sala, virada para uma foto minha, tendo-se saído muito melhor do que a mãe dela, que durante muito tempo o melhor que conseguia era Cáca (irmã mais velha sofre muito, mas depois elas pagam tudo!). O J.G., dos primeiros putos desta geração a dizer o meu nome, dizia-o quase como se fosse um conhecido pastel frito indiano, era a Shauça. A R. diz Shára com uma ternura, que só apetece apertar-lhe as bochechas. "Shára, ajjuda!", "Shára, não vamos pa casa, vamos às compras...", "Shára, quero fazher bolachas.". E pronto, a Shára lá fez as bolachas com as duas pestinhas e digo-vos que são uns bolacheiros de mão-cheia. Também têm futuro como provadores, já que a massa crua passou pelo crivo dos dois. A técnica de manuseamento da farinha é que tem de ser melhorada, mas isso é uma técnica que demora tempo a controlar e é apenas dominada por grandes chefs.
Para 30 a 35 bolachas
- 1 chávena (de chá) de manteiga, à temperatura ambiente
- 1 chávena de açúcar baunilhado
- 1 ovo
- 2 chávenas (bem cheias) de farinha
- 2 c. de sopa de sementes de papoila
- 1 frasco de doce de abóbora (ou outro doce qualquer)
- 30 a 35 avelãs, sem pele
 
1. Pré-aquece o forno a 180ºC.
 
2. Numa taça coloca a manteiga e o açúcar. Com as mãos amassa a manteiga até o açúcar estar "dissolvido". Adiciona o ovo e continua a amassar com as mãos, até o ovo estar completamente envolvido na massa. Junta primeiro as sementes de papoila, misturando bem e, por fim, a farinha. Amassa tudo muito bem e tem atenção à massa que vai começar a "voar" das mãos dos mini-chefs. No final, já com as mãos livres de massa, dá uma mexidela com uma colher de pau.
 
3. Faz pequenas bolas com a massa e coloca-as num tabuleiro de ir ao forno, forrado com papel vegetal. Espalma a bola ligeiramente e, com a ponta do polegar, "abre" um pequeno buraco no meio da bolacha. Enche o buraco com uma colher de chá de doce de abóbora e uma avelã. Polvilha com mais sementes de papoila (sugestão do mini-chef J.G.). Leva ao forno durante 15 minutos ou até as bolachas estarem douradas. Deixa arrefecer ligeiramente e serve com um pacote de leite achocolatado ou então come, só porque sim...

quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

Cenoura e Pastinaga Assada

Pastinaga, espécie de cenoura. De casca bege e sabor mais parecido ao da batata. Mas se é uma espécie de cenoura vai bem com cenoura, com certeza. Trouxe-as do nosso fim-de-semana no Algarve e a ideia era fazer um puré. Quando chegou à altura de as fazer apetecia-me algo rústico para acompanhar uma costeleta do cachaço e por isso escolhi assá-las. Para obter uma maior caramelização acrescentei duas colheres de mel, pouco antes de estarem prontas, só que é completamente desnecessário. As cenouras e os alhos assados já dão doçura mais do que suficiente ao prato. Uma salada de Outono, para voltar a repetir nestes dias chuvosos.
 
Para 2 pessoas
- 3 pastinagas médias
- 3 cenouras médias
- 4 dentes de alho, por descascar
- salva seca (se tiveres fresca tanto melhor)
- azeite
- sal
 
Descasca as pastinagas e as cenouras. Corta-as em quartos e distribui-as num tabuleiro de ir ao forno. Junta os dentes de alho, com casca e esmagados, as folhas de salva, grosseiramente desfeitas. Rega tudo com um fio de azeite e tempera com uma pitada de sal. Com as mãos envolve bem os legumes no azeite. Leva ao forno, pré-aquecido a 200ºC, durante 20 a 30 minutos. A meio do tempo dá uma viradela aos legumes. Serve como acompanhamento de carne ou peixe grelhado.

quarta-feira, 16 de Outubro de 2013

Padaria 5 Bicas

Sr. João, João e Joana representam duas gerações na Padaria 5 Bicas, a melhor padaria da cidade! Em 2010 o Sr. João assumiu o comando a tempo inteiro e começou uma nova história nesta padaria de bairro, onde se conhecem os clientes pelo tipo e quantidade de pão que levam todos os dias. As dez pessoas que lá trabalham transformam farinha e água em pão de qualidade. Daquele tipo de pão guloso que se come de uma assentada, sozinho ou com manteiga, só porque está a saber bem. Com essa mudança veio mais variedade de produtos, cestos de pão mais bonitos e vitrinas mais recheadas. Colocando amor e esforço no que fazem, as coisas vão fermentando bem. Tudo cozido em forno de lenha, vendido com o sorriso da Joana e o cuidado da Dª. Alice, já sem ser preciso dizer o que queremos: 6 pães branquinhos, em saco de plástico.
Há quantos anos a padaria 5 Bicas abriu as suas portas?
Quando tivemos que pedir o licenciamento andámos a ver isso e o registo mais antigo que encontrámos foi de 1857. Muitos anos, mais de cento e cinquenta!
Como tem sido a sua história?
Tem sido uma padaria passada de geração em geração, até à altura em que a comprei ao Sr. Rodrigo, em 1986. Os meus avós eram padeiros na Rua das Salineiras, e entretanto eu comprei esta padaria. Para alguns clientes mais antigos ainda é a padaria do Sr. Rodrigo e agora tenho os meus filhos a trabalhar comigo.
Ainda se lembra como foi o seu primeiro dia de trabalho aqui na padaria?
Sim, fui-me inteirando das coisas e do que era preciso na altura. Saber a farinha, o sal, a lenha… O Sr. Rodrigo, que foi quem me passou a padaria, explicou-me as coisas e foi-me dando umas indicações.
Vê o trabalho na padaria como uma herança familiar ou sente-se inspirado por ele?
Os meus avós eram padeiros, os meus pais eram padeiros e eu, por necessidade e para me ir inteirando do ramo, fui começando a trabalhar na padaria. Depois comecei a tomar gosto e segui isto. Dou-me feliz por ter uma situação em que posso trabalhar, tendo em conta que hoje há tanta gente sem trabalho.
Como é trabalhar com os seus filhos?
A coisa mais difícil da padaria… (risos) É bom, eles são responsáveis, são bons e foram aprendendo por eles. Tem sido muito bom.
O que distingue a padaria 5 Bicas das outras padarias da cidade?
Penso que o que distingue é a qualidade do pão. Hoje em dia é tudo muito comercial, faz-se o pão com gorduras, com canela… Nós procuramos fazer o pão à moda tradicional. As pessoas que aqui trabalham também. A Joana é simpática e isso ajuda a cativar os clientes. Temos um rapaz de São Tomé e Príncipe que é competente, honesto e trabalhador, que merece ser ajudado. Mas também temos aqui pessoas que podiam fazer melhor… E temos ainda o forno, que sendo de lenha também ajuda à qualidade do pão, dá-lhe um sabor mais característico.
Qual é o produto que mais lhe aquece o coração quando vê sair do forno?
Gosto de ver o pão d’avó. Porque é um pão escuro, de mistura, mais saudável. É, gosto dos pães escuros…
Lembro-me em miúda vir aqui aos éclairs de chocolate, às escondidas da minha avó e da tristeza que foi, um dia, descobrir que tinham “desaparecido”. Para quando o seu regresso à padaria?
Não sei, ver se até ao fim do ano conseguimos.
A que cheira a sua infância?
Aos sabores genuínos, ir à Ponte Praça e cheirar a maresia. O cheiro das árvores era diferente. Agora os carros com a gasolina já não deixam que os cheiros se entranhem… No Poço de Santiago o cheiro a água salgada. Antigamente quando se ia ver os jogos do Beira-Mar sentiam-se os cheiros do parque, era muito bom. A poluição agora já não deixa que o cheiro da natureza entre por nós adentro. O progresso é muito destrutivo…
Como vê o futuro da padaria 5 Bicas?
Procurar conservar uma padaria típica, para não sermos apenas mais uma. Hoje a vida é mais comercial, com menos qualidade… Queremos uma padaria com qualidade para podermos ser uma referência na cidade, diferente das outras. Mas não ser diferente apenas por ser diferente, queremos manter a padaria tradicional para podermos ser consagrados.

domingo, 13 de Outubro de 2013

Morcegos de Chocolate

Houve um tempo em que achei que ser madrinha de alguém não ia acontecer. Lembro-me até de ter tido este pensamento dias antes de  ser convidada para madrinha da G. Esse foi um dia tornado ainda mais especial com a chegada de tal convite, enquanto a G. dormia no ovo um sono profundo. Olhando para trás vemos como o tempo passa, e como aquele bebé, fascinado pelos tsurus feitos pelos padrinhos, cresceu. Agora já não é nenhum bebé e os animais voadores que povoam os seus sonhos são os morcegos.
Para assinalar os seus cinco aninhos fizemos bolachas de chocolate, em forma de morcego. É sempre uma forma vencedora de passar um bocado com os mais novos e podes trocar os morcegos pelo animal preferido dos teus pequenos.

Para 40 a 50 morcegos
- 65g de manteiga, à temperatura ambiente
- 150g de açúcar
- 1 ovo
- 65g de chocolate
- 3 c. de sopa de leite, quase fervido

- 65g de miolo de amêndoa moído
- 250g de farinha

1. Numa taça junta a manteiga e o açúcar. Pede ajuda ao mini chef para, com as mãos, misturar a manteiga e açúcar, até obter uma "pasta". Acrescenta um ovo e mistura bem, deixando ao critério do mini chef continuar a usar as mãos ou usar a batedeira.

2. Derrete o chocolate no leite quente. Acrescente à mistura anterior e bate bem (agora convém mesmo usares a batedeira, primeiro porque o chocolate está quente e segundo porque fica uma chafurdice, mas podes arriscar...). Adiciona o miolo de amêndoa e a farinha. Mistura bem, até obteres uma massa homogénea. Leva ao frigorífico, durante no mínimo duas horas, para a massa ficar mais firme.

3. Pré-aquece o forno a 190ºC.

4. Numa superfície enfarinhada e com as mãos enfarinhadas, ajuda o mini chef a estender a massa. Usando o cortador que ele escolher, vai cortando as bolachas e estendendo de novo, até terem acabado com a massa.

5. Distribui as bolachas numa folha de papel vegetal e leva ao forno durante 10/12 minutos (esta parte depende muito do forno e é mesmo importante que a partir dos 8 minutos vás vigiando regularmente o forno).
 

sexta-feira, 20 de Setembro de 2013

"Sopa" Doce de Tomate

Há dias bons e há dias maus. Hoje está a ser um daqueles dias mesmo menos bom... Daqueles dias que tudo o que preciso é de um abraço apertado e toneladas de chocolate! "Juntei" as duas coisas nesta espécie de sopa doce de tomate usando tomates chocolate, mais doces que os tomates "normais". O meu avô fazia-me muitas vezes esta "sopa", com todo o seu amor. Quando a comia sentia-me sempre muito especial, pois era a única neta para quem ele a fazia! Usava de toda a sua paciência para não deixar passar nem um bocadinho de pele ou uma semente que fosse e escolhia sempre os seus tomates mais maduros. Para fazer esta "sopa" deves fazer o mesmo: usar tomates bem maduros, muita paciência e todo o teu amor, só assim vais conseguir deixar o teu abraço para sempre.

Para 1 abraço apertado
- 8 tomates chocolate, maduros
- 8 tomates cereja, maduros
- Muita paciência
- Todo o teu amor
- 2 c. sopa de açúcar baunilhado

Pega em muita paciência e retira a pele e as sementes aos tomates. Corta-os em bocados pequenos para um prato fundo. Junta o açúcar baunilhado. Com a ajuda de um garfo e de todo o teu amor esmaga os tomates, reduzindo-os a puré. Serve com um beijo e um abraço muito muito apertado.

Nota: a minha sopa ficou um bocado líquida. Os tomates que tinha em casa ainda não estavam maduros, vai daí acabei de os "esmagar" no 1,2,3. Não é a mesma coisa...
 

segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Praceta

São poucos os restaurantes onde uma pessoa se sente verdadeiramente confortável a almoçar sozinha. Normalmente a opção está entre comer qualquer coisa rápida e de qualidade duvidosa num café ou comer bem num restaurante, mas sentires aquele desconforto de não saberes o que fazer enquanto esperas pelo teu pedido. O que vale é que no Verão esse desconforto é aligeirado pela chegada das esplanadas.
 
Felizmente não sou como a minha mãe que odeia comer sozinha. Apesar de preferir mil vezes almoçar sozinha num espaço público a ter de cozinhar só para mim, confesso que às vezes me sinto pouco à vontade com os olhares vindos das outras mesas. Algumas vezes a escolha de almoçar sozinha é minha. Porque me apetece carregar baterias, porque não estou virada para conversas ou porque quero  aproveitar para ler um livro ou uma revista. Neste campo a leitura é uma estrada de dois sentidos. É uma forma de lidar com o desconforto de fazer a refeição sem companhia, mas pode ser o que me leva a estar a almoçar sozinha.
 
No dia em que fui ao Praceta estes dois sentidos cruzaram-se... Estava sozinha em Santa Maria da Feira e estava perto da hora de almoço. Ainda dava tempo para vir almoçar a casa, mas a minha amiga P. voltou a falar-me do Praceta e das suas sobremesas. Indecisa como sou ainda estive parada no carro um bom quarto de hora sem saber o que resolver. Um, dois, três, vou comer qualquer coisa a casa, cinco, seis, sete, oito, não, vou experimentar as ditas sobremesas, dez, onze, hum vou mas é para Aveiro, treze, catorze, não sejas parva, vais mas é aproveitar a mudança de ares para relaxar um pouco. Assim como assim tens contigo o que ler...
E foi assim que fui parar ao pátio daquele que é um sítio de cozinha portuguesa e também de forte influência italiana. Como estava sozinha optei pelas mesas no exterior, mais descontraídas e perfeitas para ler enquanto esperava que o meu esparguete de amêijoas viesse para a mesa. Enquanto lia a National Geographicmergulhava nos cenotes Maias era inebriada pelo cheiro vindo da cozinha, onde salteavam as minhas amêijoas e preparavam pizzas para a família na mesa ao lado. Naquele pátio tudo te faz sentir em casa. A vista para as escadas e as heras que a acompanham. O atendimento sem grandes cerimónias, que te dá a sensação de pertenceres ali. O forno a lenha como os das casas das nossas avós. A comida que te conforta como só as mães o sabem fazer. E uma deliciosa mousse crocante de chocolate branco que te faz recostar na cadeira de verga, relaxar e desejar ficar ali a tarde inteira, em leituras infinitas...

Praceta
Rua das Fogaceiras, n.º 15
4520-200 Santa Maria da Feira
Tel.: 256 305 245
Preço médio: 18€/pessoa

quarta-feira, 7 de Agosto de 2013

Risotto de Tamboril e Beldroega

As beldroegas estavam irresistíveis na banca do mercado. A ideia era usá-las numa salada, mas com o tempo assim meio chocho apetecia-nos algo mais confortante para o jantar. A inspiração veio do No Soup for You e o resultado final é divinal! O tamboril ficou no ponto, as beldroegas, cheias de sabor e super nutritivas, são a minha nova planta favorita e o milho introduz contraste e textura ao prato. Adorámos!
 
Para 4 pessoas
- 400 g de cubos de tamboril, cortados em quartos
- 1 molho de beldroegas
- 300 g de arroz arbóreo
- azeite q.b.
- 2 alhos-francês, cortado finamente em meias-luas
- 40 cl de cerveja
- 2 l de caldo de peixe
- 1 espiga de milho
- 1 c. de chá de paprika
- 1 c. de chá de alho em pó
- sal q.b.
- 40 g de lascas de queijo da ilha
- 1 noz de manteiga
 
1. Começa por arranjar as beldroegas, separando as folhas do caule principal. Reserva.
 
2. Envolve bem a espiga de milho em azeite, paprika e alho em pó. Leva à grelha, bem quente, até ficar dourada de todos os lados. Corta o milho da maçaroca e reserva.
 
3. Refoga no azeite o alho-francês, com uma pitada de sal. Junta o arroz e envolve no refogado até os grãos estarem translúcidos. Adiciona a cerveja e mexe de vez em quando até o álcool evaporar. Passa para lume brando e acrescenta uma concha de caldo de peixe quente. Quando o caldo tiver evaporado, junta os cubos de tamboril e vai acrescentando conchas de caldo, esperando que o líquido evapore entre cada adição, até o arroz estar al dente. Mexe sempre para o arroz não agarrar ao fundo da panela. Quando juntares a última concha de caldo, envolve as beldroegas no risotto.
 
4. Desliga o lume e envolve o milho, as lascas de queijo da ilha e a noz de manteiga. Mexe até o queijo e a manteiga terem derretido. Tapa a panela e deixa repousar durante 3 minutos. Serve de imediato.

quarta-feira, 31 de Julho de 2013

Massa para Stromboli

Tenho andado a pensar que cozinha e maternidade são coisas iguais, apenas com dimensões diferentes. Nos nossos planos, esta massa era para ter sido um stromboli, mas ficou um pão remendado. Talvez um pouco como os filhos... Dá-se amor, carinho e atenção, mas basta uma desatenção, um descuido e tornam-se numa coisa qualquer que não estava nos nossos planos. Numa espécie de mundo nano, ver a massa sair das nossas mãos quase que pode equivaler a ver nascer um filho. Dar-lhe condições ambientais favoráveis e esperar que cresça. Moldar e desejar que se transforme em algo de maravilhoso... E quando isso não acontece, questionamo-nos onde teremos errado. Qual terá sido o passo que devia ter sido diferente?
 
Será que foi um pouquinho de água a mais? Ou terá sido o tempo que esperou para que a cobríssemos com os ingredientes? A massa ali estendida estava pronta para ser transformada num stromboli perfeito, só que um conjunto de pequenas falhas deu-lhe outro rumo. Os espinafres queimaram no frigorífico. O leitão não era suficiente. A massa ficou à espera e agarrou... Mas, tal como deve ser com um filho, não vamos desistir dela. Pequenas alterações à receita de massa que usámos para a pizza de rabanetes, tornam-na mais saborosa, menos pesada, mais fácil de trabalhar. Só temos de ter mais atenção e cuidado, para evitar que nos troque outra vez as voltas e se transforme num pão mal cozido.
 
Para 4 a 6 pessoas (BBC)
- 450 g de farinha de trigo forte
- 50 g de sémola de trigo
- 5 g de fermento activo (a alteração com mais efeito)
- 2 c. de chá de sal fino
- 2 c. de sopa de azeite
- 325 ml de água morna
 
1. Numa taça larga coloca a farinha, a sémola e o fermento. Usando as mãos mistura bem e faz um buraco no meio. Noutra taça, mistura o sal, o azeite e a água. Verte a mistura líquida no buraco. Mexe com uma colher de pau, até que a massa forme uma bola.
 
2. Coloca a massa numa superfície enfarinhada. Enfarinha as tuas mãos e amassa durante 5 minutos, até que a massa fique mais macia e lustrosa. Cobre a bola com um pouco de azeite e envolve-a com filme. Deixa repousar e crescer, num à temperatura ambiente, durante duas horas ou até a bola ter dobrado o tamanho.
 
3. Quando tiveres os ingredientes preparados, estende a massa num rectângulo.

sexta-feira, 26 de Julho de 2013

Tarte de Crumble de Mirtilos

O tempo voa  e nós gostamos de ter a sensação de que, às vezes, o conseguimos comprar. Aqui em casa achávamos que ganhávamos tempo comprando as bases já prontas para pizzas, tartes e sobremesas. Na realidade era um tempo que ganhávamos mas que não era aplicado em nada de realmente importante. O que não perdíamos em tempo perdíamos em sabor e em variedade. Cansada da repetibilidade dos sabores, sem espaço para as imperfeições, decidi experimentar começar a fazer as nossas próprias massas. Tudo do zero! Até agora tem corrido bem e o retorno do tempo investido tem sido elevado.
 
Para a massa (Vincent Gadan)
- 90 g de manteiga
- 50 g de açúcar
- 1/2 vagem de baunilha
- 1 ovo
- 20 g de farinha de amêndoa
- 160 g de farinha
 
Para o crumble
- 80 g de línguas de gato
- 50 g de amêndoa
- 2 c. de chá de extracto de baunilha
- 2 c. de sopa de açúcar amarelo
- 30 g de manteiga
 
Para o recheio
- 500 g de mirtilos
- 1 c. de sopa de maizena
- 6 c. de sopa de açúcar
- Raspa de 1 limão
- pitada de sal
 
1. Começa por ter todos os ingredientes para a massa todos à mão e já medidos. Numa taça mistura, com as mãos, a manteiga e o açúcar. Adiciona as sementes da vagem de baunilha e o ovo. Mistura bem. Junta as duas farinhas e amassa bem. Envolve a massa em película aderente e leva ao frigorífico durante 2 horas.
 
2. Numa superfície polvilhada com farinha estende a massa, até obteres a espessura desejada. Pica a massa com um grafo e cobre a forma com a massa. Passando o rolo da massa por cima, retira o excesso de massa. Leva a massa ao frigorífico durante uma hora.
 
3. Pré-aquece o forno a 170ºC. Leva a massa a cozer, coberta com papel vegetal e feijões cerâmicos, durante 15 minutos.
 
4. Num copo 1,2,3 junta todos os ingredientes do crumble. Desfaz os ingredientes até obteres a consistência desejada (eu, por exemplo, gosto de sentir os pedaços um pouco maiores).
 
5. Numa taça coloca os mirtilos e mistura com a farinha maizena. Adiciona o açúcar, a raspa de limão e o sal. Envolve tudo muito bem.
 
6. Retira a massa do forno e cobre a base com os mirtilos. Por cima,, faz uma espécie de cama com o crumble. Leva novamente ao forno até o crumble ficar dourado (mais ou menos 15/20 minutos). Retira do forno e serve morno, acompanhado por uma bola de gelado de nata.