Sábado, 5 de Maio de 2012

Pavlova de Framboesa e Pistácio

Para mim o Dia da Mãe, e o do pai também, não é amanhã, mas sim no dia do meu aniversário. Foi nesse dia maravilhoso que eles se tornaram pai e mãe, até lá eram um homem e uma mulher! Claro que com isto quem ganha são eles, que recebem prenda duas vezes, das minhas irmãs nos dias "normais" e depois noutro dia minha. Quem fica a perder sou eu, que não posso dividir prenda com as maninhas e tenho que pensar sozinha no que oferecer... É por este motivo que normalmente não ligo muito a estes dias, mas este ano é diferente. É o primeiro Dia da Mãe da minha irmã,  reunindo três gerações de mães à mesa!
Para as mães da nossa família e para todas as mães do mundo deixamos uma sugestão muito doce (The Kitchy Kitchen), em forma de coração...

Para 8-10 pessoas
- 4 claras de ovo
- 220 g de açúcar baunilhado
- 2 c. de sopa de maizena
- 1 c. de chá de vinagre branco

- 200 ml de natas
- 1 c. de sopa de açúcar
- 1 caixa de framboesas
- pistácios
- molho de framboesa*

1. Pré-aquece o forno a 150ºC.

2. Bate as claras até começarem a ficar brancas. Adiciona o açúcar, dividido por quatro vezes, e bate até formarem picos bem firmes e brilhantes. Junta a maizena e o vinagre e mistura com um salazar, apenas o suficiente para incorporar bem a mistura.

3. Num papel vegetal desenha um coração grande! Preenche o coração com  o merengue. No meio faz uma espécie de ninho (coisa que eu não fiz e não correu lá muito bem) para que a pavlova consiga aguentar com o creme.

4. Reduz o forno para 120ºC e leva o coração ao forno durante 1h20. Deixa o coração arrefecer no forno. (O ideal é fazer a pavlova de véspera, para que possa arrefecer com tempo)

5. Bate as natas com o açúcar até formarem picos suaves. Um pouco antes de servires, espalha as natas por cima da pavlova. Encima com as framboesas e os pistácios. Verte o molho de framboesa.

*Mistura meia caixa de framboesas com açúcar e leva a lume médio, durante 5 a 10 minutos. Passa por um coador para retirar as grainhas e deixa arrefecer ligeiramente antes de verteres.

Domingo, 29 de Abril de 2012

Creme de Ervilhas

Já somos tios e quando olho para a minha sobrinha, nova princesa da família e pequena como uma ervilha, lembro-me do meu conto de fadas favorito, A Princesa e a Ervilha. Sempre fui apaixonada por este conto pois ele era mesmo um conto de fadas, não havia bruxas más, nem ninguém a querer caçar ninguém. Nele apenas existe um princípie que deixa o seu castelo à procura da sua alma-gémea, uma princesa à procura de abrigo no meio da tempestade e uma mãe que quer ajudar o filho a encontrar a felicidade... Era puro e cor-de-rosa! Mostra como por vezes corremos o mundo à procura da nossa felicidade e ela está mesmo à nossa porta, podendo aparecer quando menos esperamos. Também nos fala de como podemos perceber quem é verdadeiramente importante para nós através de pequenas coisas, como a partilha de um creme de ervilhas aveludado.
Para 4 pessoas
- azeite
- 1 cebola, cortada em meia-luas
- 2 dentes de alho, laminados
- 1 c. de café de sementes de erva-doce
- 1/2 c. de café de piri-piri em pó
- sal
- 600 g de ervilhas (frescas ou congeladas)
- 1,5 l de caldo de legumes
- leite (opcional)

- 8 ovos de codorniz, cozidos
- tostas

1. Cobre o fundo de uma panela com azeite. Leva ao lume com a cebola, o alho, as sementes de erva-doce, o piri-piri e o sal. Deixa refogar durante 10 minutos. Adiciona as ervilhas e deixa-as cozinhar durante 5 minutos, para absorver todos os sabores. Acrescenta o caldo de legumes, deixa levantar ferfura e deixa cozinhar durante 15 minutos.

2. Retira parte do caldo para  uma taça. Reserva também algumas ervilhas inteiras. Passa o creme com a varinha mágica. Se tiveres princesas em casa passa o creme por um coador para retirar possíveis cascas que tenham ficado por passar. Se o creme estiver muito grosso acrescenta ou pouco mais do caldo que reservaste ou leite. Rectifica os temperos.

3. Coloca em pratos de sopa e serve com os ovos de cordoniz, ervilhas e tostas.

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Bolo de Chocolate e Framboesas

O Miguel completou 30 anos de vida e festejámos com uma "montanha" de chocolate!

No meu último aniversário já tinha tentado fazer este bolo só que não correu muito bem, o bolo ficou demasiado cozido e o creme de mascarpone demasiado líquido. Como desta vez o bolo era para uma data especial tinha que ficar o mais perto possível da perfeição, daí ter acrescentado um ovo à receita original, a amêndoa ao creme para o tornar mais espesso e também as framboesas que ajudam a dar mais estabilidade às camadas. O resultado final agradou bastante e só faltaram mesmo as velas para assinalar a entrada nos trinta...

Creme de Mascarpone
- 2 pacotes (400 g) de natas
- 1 embalagem (250 g) de mascarpone
- 100 g de açúcar
- 50 g de amêndoa moída

Bate as natas até estarem firmes. Adiciona o mascarpone, o açúcar e a amêndoa até ficar uma mistura homogénea. Leva ao frigorífico durante mais ou menos 3 horas, para ter a consistência desejada para barrar.

Ganache de Chocolate
- 200 g de chocolate, partido em bocados pequenos
- 150 ml de natas

Coloca os bocados de chocolate numa taça resistente ao calor. Leva as natas ao lume e aquece-as até começarem a ferver. Retira do lume e verte por cima do chocolate. Deixa repousar durante 1 minuto e mexe até teres uma mistura homogénea.

Bolo de Chocolate
Acrescenta um ovo a esta receita. Em vez de uma forma de fundo amovível utiliza uma forma de mola (o bolo fica mais "direito" e mais alto). Deixa o bolo arrefecer antes de o retirares da forma. Divide o bolo em três camadas.

Montagem
- doce de framboesa
- framboesas frescas
- raspas de chocolate

Coloca a base do bolo num prato de servir. Espalha o doce de framboesa e a seguir o creme de mascarpone na primeira camada de bolo. Junta uma mão-cheia de framboesas por cima do creme. Cobre com a segunda camada de bolo e repete o recheio. Cobre com o topo do bolo e espalha a ganache de chocolate e decora com mais framboesas e raspas de chocolate. Leva o bolo ao frio até à hora de servir.

Sábado, 7 de Abril de 2012

Salada de Espargos e Ervilhas

Abençoada chuva de Páscoa que veio regar os espargos do nosso quintal e assim "ajudá-los" a ganharem corpo. Os espargos foram plantados há muitos anos pelo meu avô e, devido ao antigo domínio das silvas, a minha avó já os dava por perdidos. Foi com muita alegria que ela os descobriu compridos e fininhos lá no meio do quintal, mas ainda fraquinhos para serem colhidos. Enquanto esperamos por eles vamos-nos enganando com os espargos de supermercado, nesta salada luminosa tirada do livro "As Voluptuosas Receitas de Miss Dahl", de Sophie Dahl, um livro cheio de pratos descomplicados!

Para 2 pessoas
- 2/3 de molho de espargos
- 1 chávena de chá de ervilhas, congeladas
- 1 mão-cheia de rúcula
- 1 ramo de hortelã fresca, picada
- 2 c. de sopa de azeite
- 2 c. de sopa de sumo de laranja
- 1 c. de chá de mel
- sal
- 50g de queijo da ilha, cortado em lascas

1. Coloca as ervilhas num tacho com água a ferver e sal e deixa-as ferver durante 5 minutos. Adiciona os espargos e deixa-os ferver durante 2 minutos. Escorre e lava bem com água fria.

2. Numa pequena taça mistura o azeite, com o sumo de laranja, o mel e o sal. Mexe bem até o mel de dissolver no líquido.

3. Coloca as pontas dos espargos e as ervilhas numa pequena saladeira e junta a hortelã e arúcula. Deita o molho e envolve bem as verduras. Adiciona o queijo.

$. Serve simples ou a acompanhar uns lombinhos grelhados.

Sábado, 31 de Março de 2012

Macarons de Chocolate

quase tão trabalhoso como conseguir o macarron perfeito.
Já queria experimentar fazer macarons há uns anitos, mas como parecia que uns singelos macarons tinham tanta ciência como uma equação de Schrödinger fui deixando-os na gaveta. No inicio do mês decidi que era altura de lhes dar uma hipótese e tenho sentido o mesmo fascínio por estes pequenos biscoitos de amêndoa, como o que sentia, nos meus tempos de estudante de física, pela teoria da relatividade de Einsten, fractais, poços de potencial ou equação de Schrödinger.
tal como com os macarons, no inicio não se acerta logo com o resultado,
mas a prática leva-nos lá.
Iniciei a confecção dos macarons como quem resolve uma equação... Primeiro analisa-se o problema (ou seja, ler a receita), de seguida faz-se uma lista dos dados e das variáveis (leia-se, mise-en-place) e depois então começa-se a resolver o problema (neste caso, mãos à obra e macarons para o forno). Em física enquanto não conseguia resolver um qualquer exercício andava com ele às voltas até chegar à solução. Enquanto isso não acontecesse andava com as folhas dos livros para trás e para a frente, na esperança de descer sobre mim uma inspiração divina. Chegava a sonhar com os exercícios e houve até uma vez que cheguei a sonhar com a solução para o exercício, acho que era mesmo a equação de Schrödinger, e rabisquei-a meia a dormir num papel. Claro que quando acordei, o que tinha gatafunhado não me deixou mais perto de resolver a equação...
Com os macarons passa-se mais ou menos a mesma coisa. As variáveis para conseguir O Macaron perfeito são quase tantas como as da equação de Schrödinger e há duas noites sonhei que trabalhava na Ladurée de Saint-Germain de Prés! Claro que quando acordei a realidade era outra e ainda não tinha conseguido fazer uns macarons em condições.
Os primeiros que fiz tinham o tão desejado pé, mas devido ao tempo excessivo a descansar estalaram todos e o sabor não era aquela delicia que se espera. Na segunda tentativa já consegui que ficassem deliciosos, só que perdi o pé (descansaram pouco tempo) e continuei sem obter uns biscoitos agradáveis à vista. Acho que me está a faltar mesmo um Pai Nosso e uma Avé Maria para ver se entra alguma inspiração divina no forno.

Para 20 Macarons
Ganache de Chocolate (retirado de London Eats)
- 200 g de chocolate, partido em bocados
- 130 g de natas
- 25 g de açúcar baunilhado
- 38 g de azeite de baunilha

1. Coloca os bocados de chocolate numa taça à prova de calor.

2. Aquece as natas e o açúcar num púcaro. Deixa ferver durante 30 segundos e verte sobre o chocolate. Deixa repousar durante 1 minuto e mexe até que a mistura fique lustrosa e homogénea. Deixa a mistura arrefecer ligeiramente e adiciona o azeite baunilhado, mexendo constantemente.

3. Leva ao frigorífico enquanto fazes as conchas.

Conchas (retirado de David Lebovitz)
- 100 g de claras de ovo, à temperatura ambiente
- 50 g de amêndoa em pó
- 100 g de açúcar em pó
- 25 g de cacau em pó
- 65 g de açúcar granulado

1. Marca 20 círculos de 3 cm de diâmetro e separados 3 cm em duas folhas de papel vegetal. Coloca as folhas num tabuleiro de forno, com os círculos virados ao contrário. Num copo alto prepara um saco de pasteleiro.

2. Começa por peneirar a amêndoa, o açúcar em pó e o cacau em pó para uma taça. Mistura bem os três pós num 1,2,3 para garantir que fica tudo bem misturado e fininho.

3. Numa taça bate as claras até começarem a ficar em castelo. Junta o açúcar granulado e bate as claras até ficarem bem firmes e ganharem a consistência de merengue.

4. Com um salazar mistura cuidadosamente os ingredientes secos, em duas vezes, às claras batidas. Quando a mistura estiver suave pára de misturar e passa-a para o saco de pasteleiro e "fecha" o saco com uma mola para sacos (assim prevines que o creme saia por cima se te distraires, que foi o que me aconteceu da primeira vez).

5. Espreme o saco de pasteleiro e preenche os círculos que desenhaste. Bate com o tabuleiro na banca para retirar o ar dos macarons e deixa-os descansar durante 30 minutos. (Entretanto pré-aquece o forno a 150ºC). Passado esse tempo leva-os ao forno durante 15-18 minutos. Retira do forno e deixa-os arrefecer completamente antes de os retirares do tabuleiro.

Quando a ganache estiver a ficar firme, mas ainda ligeiramente fluída, passa metade para um saco de pasteleiro (guarda a outra metade no frigorífico para outra fornada). Cobre uma concha de macaron com a ganache e coloca outra concha por cima, como se fosse uma sandes. Espera pelo dia seguinte para saboreares e apreciares a tua obra de arte (ou não).

Domingo, 25 de Março de 2012

Frango Cremoso com Cogumelos

Hoje o ponteiro das horas avançou sorrateiro durante a noite e deixou o nosso "relógio" desorientado. Para o nosso almoço/lanche/quase jantar, já perto das 6h da tarde, optámos por repetir esta receita de frango do blog Food Figure. Da primeira vez a fotografia ficou horrorosa e a mim pareceu-me uma boa maneira de aproveitar este primeiro dia de anoitecer mais tardio.

Fizemos pequenas alterações, como por exemplo, não adicionámos o bacon frito todo ao molho. O bacon acrescenta sabor ao molho mas também perde a sua componente estaladiça, daí termos guardado algum para adicionar só no fim. Também não acrescentámos sal, pois o bacon e o caldo de galinha já têm sal mais do que suficiente.

Para 2 pessoas
- 2 peitos de frango sem pele, cortados em tiras grossas
- 1 embalagem de cogumelos, cortados em quartos
- 6 fatias de bacon, cortadas em tiras grossas
- azeite
- 3 dentes de alho picados
- 1 chávena de caldo de galinha
- 1 pacote de natas
- salsa picada

1. Num wok untado com um pouco de azeite cozinha o bacon em lume médio até estar estaladiço e dourado (cerca de 5 minutos). Retira o bacon do wok e reserva.

2. Adiciona 1 c. de sopa de azeite ao wok e junta os cogumelos. Cozinha os cogumelos até que eles comecem a ganhar cor (10 minutos). Retira os cogumelos do wok e reserva.

3. Adiciona mais uma c. de sopa de azeite e junta os peitos de frango. Salteia o peito de frango durante mais ou menos 5 minutos.

4. Acrescenta os cogumelos, metade das tiras de bacon, o caldo de galinha e as natas. Deixa o molho reduzir durante 10 a 15 minutos em lume alto ou até ter a consistência pretendida.

5. Polvilha o frango com a salsa picada e o restante bacon. Serve acompanhado com pão saloio ou arroz branco.

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Come chocolates, pequena

Desde pequena que sou uma gulosa inveterada e no topo das gulodices sempre esteve o chocolate, de todas as cores, formas e feitios! Também em pequena, apaixonei-me por Óbidos. O Festival Internacional de Chocolate é por isso a desculpa ideal para juntar dois amores antigos. Desta vez foi também a oportunidade perfeita para um doce fim-de-semana em família.
O melhor é chegar à vila de manhã, para se conseguir ver as coisas antes das extensas filas e da grande confusão. É dentro da cerca do castelo que a maior parte da magia acontece, ou não fosse a Disney o tema deste ano. A a par dos pontos de venda a grande atracção são as esculturas de chocolate. Podes ver esculturas do Pirata das Caraíbas, do Nemo e, a mais espectacular de todas, do Castelo da Bela Adormecida. Não faltam actividades ligadas a este ingrediente, como espetáculos de dança, workshops e cursos de chocolataria. Eu fiz o de nível I e logo à entrada fiquei um pouco desiludida com a pouca complexidade do curso. Mesmo sendo um nível muito básico deu para aprender alguns truques e no final comemos um bocado de brownie e de trufa italiana.  
Nas barraquinhas encontras todo o tipo de comida e bebidas "condimentadas" com chocolate, nem mesmo o queijo escapa ao rei da festa. A oferta é tanta que o difícil é mesmo escolher... Abrimos as hostes com uma ginja em copo de chocolate e depois do almoço, com vista para as muralhas, dividi um crepe de nutella e morangos com a minha irmã. Para casa trouxe uma caixa de estimulador de paciência (Funmácia) e uma caixa sortida de bom-bokas, que têm sido saboreadas devagar.
Nem imaginam as saudades que tinha destas bombas de chocolate... As que se vendem nos supermercados não chegam nem aos calcanhares das antigas da Imperial, mas as que vieram do festival chegam bem lá perto e fazem mesmo lembrar as bom-bokas da minha infância. Ainda me lembro da alegria que senti quando, numa viagem de comboio com os meus avós para Lisboa, um casal que ia na mesma carruagem que nós me ofereceu uma caixa inteira de bom-bokas de morango. Deliciei-me com todas elas e devo ter ficado como as crianças que vi a passear no festival, de olhos a brilhar e toda lambuzada de chocolate...

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Mousse M

Hoje os convites sabem a chocolate negro, sabem a rosas e a suspiros. E os instantes são femininos e delicados...

Para 6 a 8 mulheres
- 200g de chocolate
- 3 c. sopa de leite
- 6 ovos
- 6 c. sopa de açúcar
- 3 c. de sopa de azeite de baunilha (se não tiveres deixa marinar, durante 15 minutos, no azeite as sementes de baunilha)
- suspiros
- geleia de rosas
- framboesas

1. Em banho-maria derrete o chocolate partido em bocados com o leite. Mexe bem até a mistura estar homogénea.

2. Parte os ovos e separa as claras das gemas. Bate as claras em castelo e reserva.

3. Bate as gemas com o açúcar e o azeite de baunilha, até a mistura começar a ficar esbranquiçada. Junta o chocolate derretido e mexe bem. Com a ajuda do salazar envolve bem as claras em castelo. Verte para uma taça e leva ao frigorífico até ficar firme.

4. Serve a mousse de chocolate e baunilha com os suspiros desfeitos em bocados, a geleia de rosas e as framboesas.

Terça-feira, 6 de Março de 2012

Compota de Banana e Pêra

A continuar assim um dia destes temos de mudar o nome do blog para "Três Galos Fora da Cozinha". Ultimamente temos andado afastados dos tachos e das experiências culinárias... Não quer isto dizer que não nos andemos a alimentar, apenas significa que a inspiração para testar novos pratos tem sido pouca. Mas ainda assim uma pessoa tem que comer e de cada vez que ia à cozinha o monte de frascos de compota vazios em cima do armário andava-me a inquietar. Vai daí, a semana passada decidi que era hora de fazer  alguma coisa para encher alguns dos frascos e assim mudá-los de sítio. Ainda pensei em fazer geleia e compota de marmelo, mas isso ia dar muito trabalho e assim nasce a compota de banana e pêra.

O bom desta compota são os pequenos pedaços de pêra mergulhados numa suave polpa de banana e o toque de citrinos. Por cima de uma bolacha faz-me voltar à infância e voar para perto do meu avô, que tinha o cuidado de garantir que havia sempre bananas em casa dos meus avós. Banana e queijo da serra amanteigado também é uma junção que me traz muitas memórias, por isso estou mortinha por juntar ao doce uma boa colher de queijo derretido...  

Para 4 frascos (de 220 ml)
- 500 g de bananas da madeira
- 500g de pêra rocha madura
- 500 g de açúcar
- sementes de 1 vagem de baunilha
- 1 pau de canela
- 250 ml  de sumo de laranja
- casca de 1/2 laranja
- 2 cálices de champanhe

1. Corta as bananas em rodelas. Corta as pêras em quartos e depois em tiras finas. Com a ajuda de um descascador retira a casca a meia laranja e depois corta em tiras muito fininhas.

2. Coloca todos os ingredientes numa panela e deixa marinar durante 15 minutos. Leva a panela a lume médio, mexendo suavemente. Deixa a mistura cozer durante 1h15min. Retira o pau de canela e verte a compota para frascos esterelizados. Enche bem os frascos e feche-as logo de seguida, com a compota ainda quente. Deixa-os virados para baixo até arrefecerem.

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Sargo da Galega

Às vezes o verdadeiro luxo encontra-se em coisas simples, como na frescura dum peixe grelhado na brasa.

Para 4 pessoas
- 4 sargos
- sal
- azeite
- 1 limão

1. Amanha o peixe. Tempera com sal no interior da barriga e na pele. Pincela a pele com azeite e umas gotas de limão antes de levar a grelhar. Coloca os sargos no meio de uma grelha bem quente. Leva a grelhar quando se tiverem formado brasas e já não houver chamas vivas. Mantém constante o calor e grelha de cada lado cerca de 10 minutos.

2. Acompanha com batata cozida e grelos.

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

A cana, o peixe e o amanhar

Dar a cana e ensinar a pescar. Dar o peixe e ensinar a amanhar. 

Da última vez que o Miguel foi à pesca houve alguns felizes contemplados com peixinho fresco, mas recebemos uma ou outra chamada a perguntar como é que faziam para amanhar o peixe e sabemos que alguns negociaram com os pais para conseguir o peixe amanhado. Por isso o post de hoje é para aqueles que às vezes recebem peixinho pescado à linha e não sabem como o limpar e arranjar.
Corta as barbatanas e o rabo do peixe com uma tesoura de cozinha.
Coloca o peixe sobre uma tábua. Prende bem a cabeça do peixe com a mão esquerda e com uma faca na mão direita raspa as escamas desde o rabo até à cabeça (sentido contrário ao das escamas. É como depilar as pernas!). Lava bem o peixe com água corrente fria.
Com a tesoura abre a barriga ao peixe e faz um corte entre a cabeça e o corpo. Extrai-lhe as entranhas e as ovas, se houver. Corta as guelras. Lava muito bem com água corrente fria.

Depois de amanhado seca-o com cuidado e está pronto para ser consumido de imediato, guardado no frigorífico ou congelado. No frigorífico aguenta 2/3 dias, devendo de qualquer maneira ser consumido o mais fresco possível. No caso de ser para congelar divide-o por doses, conservando-o no máximo durante 3 meses.

Nota: O Miguel só corta as barbatanas e o rabo no final. Tem a mania que é macho e gosta de se picar!

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Namorar em Amares

"Amares, o lugar ideal para amares!", podia ser o slogan dum regresso à Quinta do Esquilo, o refúgio perfeito para uns dias a dois.
Em tempos idos a quinta funcionou como casa de retiro dos frades beneditinos do imponente Mosteiro de Rendufe. Onde em tempos se rezava, agora recebe-se os hóspedes com simpatia e alimenta-se-lhes o corpo e o espírito.  Na casa principal da quinta funciona a recepção, o bar e o restaurante, onde é servido o pequeno-almoço, com croissants, pão, compotas, sumo e cereais. Durante o dia sabe bem sentar junto ao fontanário a ler um livro ou uma revista, enquanto o sol de Inverno, que há-de derreter a água ainda congelada do lago, nos aquece. Já as noites frias "empurram-nos" para o aconchego dos quartos ou até à sala de convívio, o espaço de eleição para um jogo de Scrabble.
Só deixámos a quinta para um passeio até Vila Verde, à procura do bolo dos namorados e dos chocolates inspirados nos lenços dos namorados. Na Aliança Artesanal - um verdadeiro museu vivo do amor - indicaram-nos a Pastelaria Luena para comprar o bolo dos namorados e a Pastelaria da Vila para os chocolates. Este último espaço só vale a pena pelos chocolates que não se encontram em mais nenhum local. Mas a Pastelaria Luena faz-nos querer voltar. É uma boa pastelaria, marcada pela passagem do tempo e com bolos que são réplicas quase perfeitas dos lenços. Verdadeiras obras de arte para comer! (Além de pastelaria também tem dormida e restaurante. Pena já termos almoçado, porque a refeição neste espaço prometia...)
De volta à quinta esperava-nos um jantar antecipado de São Valentim, já que não devemos esperar pelo dia para termos mais um abraço, mais um beijo, mais uma jura de amor...  pequenos deleites para serem celebrados todos os dias e não apenas num dia! O bom do restaurante da quinta é que tem várias salas, por isso conseguimos comemorar o nosso Dia dos Namorados sem estarmos rodeados por casalinhos pseudo-apaixonados, pudemos conversar e discutir à vontade! Pudemos falar das pequenas coisas que nos acontecem todos os dias, que nos fazem felizes e que nos inquietam... e depois das pazes desejar ainda mais quem está ao nosso lado.

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Prefácio 2007

Este era mais um almoço de domingo, juntamente com parte da família, já que os meus sogros tinham ido passar o fim-de-semana a Lisboa e só eram esperados ao fim da tarde. Para que não fosse apenas mais uma refeição de frango churrasco, a Sara lembrou-se do vinho da Quinta do Pôpa que me tinha oferecido na altura do Natal.

Como já devem saber a Sara não percebe nada de vinho e compra-os pelo rótulo ou pelo nome. Depois de ver um programa de vinhos falou-me nesta quinta, mas quando foi ver a página online deles não gostou muito dos rótulos e por isso os vinhos ficaram no esquecimento até ao dia em que viu este Prefácio 2007 na Pé de Videira. Na mão, achou que a garrafa tinha melhor aspecto e então trouxe o vinho para casa. Verdade seja dita, de todos os vinhos da quinta este é o que tem o rótulo mais bonitinho, os outros são difíceis de convencer numa prateleira, se não conhecermos o vinho.

Bonitezas à parte, este é um vinho produzido nos belos solos escarpados e xistosos das encostas do Douro e que nasce do sonho de um lavrador duriense. Sonhava ter uma quinta numa das melhores regiões demarcadas e a pulso juntou pequenas parcelas de terrenos que agora compõem a Quinta do Pôpa, nome dado em homenagem ao seu pai, uma pessoa alegre e jovial, características que são transmitidas por este vinho! Mal o vertes para o copo ele pisca-te o olho com a sua cor ruby, que apetece logo levar à boca e degustar com calma. Algo difícil de fazer se tens ao teu lado alguém a pressionar-te e a perguntar "É alguma coisa de jeito o vinho?". A resposta é sim, o vinho é muito de "jeito" e tem uma boa relação qualidade preço. Quando o provas é realmente jovem, intenso e frutado, bom para acompanhar pratos de carne e ser apreciado em amena cavaqueira, na companhia de amigos ou família.

E por falar em família... Já estávamos a terminar de comer quando a minha sogra liga a perguntar se havia comida para mais dois. Regressaram antes do previsto e de barriga vazia! Em qualquer boa casa portuguesa, que tenha "pão e vinho sobre a mesa", há sempre maneira de alimentar mais duas bocas. No nosso caso, pão ainda havia muito, vinho é que já era pouco, mas mesmo assim ainda deu para o meu sogro beber dois copos, acompanhados de batatas fritas.

Produzido em: Adorigo, Tabuaço
Região: Douro
Tipo: Tinto
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Nacional

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Cheesecake de Framboesas

Cheesecake de framboesa para a minha mãe que faz S? anos. Sem velas porque os anos não passam por ela e também porque já são muitas para soprar, mesmo tendo a ajuda das filhas, que este ano vão estar todas juntinho a ela enquanto pensa num desejo...

- 1 pacote de bolacha torrada
- 1/2 pacote de manteiga amolecida
- 2 pacotes de natas
- 1 pacote de queijo philadelphia
- 6 c. sopa de açúcar
- sumo de 1 laranja e raspa de 1/2
- 2 folhas de gelatina
- 2 caixas de framboesas
- 1 frasco de doce de framboesa

1. Para a base do cheesecake, tritura a bolacha torrada e mistura com a manteiga amolecida até formar uma massa homogénea. Cobre a base de uma forma redonda de mola com essa massa e leva ao forno a tostar durante 10 minutos.

2. Para o recheio bate as natas e adiciona o queijo creme e a raspa de laranja. Num pequeno fervedor coloca o sumo de laranja juntamente com o açúcar e leva ao lume. Quando tiver fervido adiciona as folhas de gelatina, já demolhadas em água fria e escorridas, e mexe bem. Junta o sumo às natas.

3. Espalha as framboesas por cima da base de bolachas torrada e verte o recheio por cima. Leva ao frigorífico de um dia para o outro ou então, se tiveres com pressa, ao congelador por umas horas.

4. Serve fresco com doce de framboesa.

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Gelatina de Tangerina

Tal como a maioria das pessoas, pensávamos que boas churrascadas era só no Verão... Não sonhávamos como andávamos enganados! Em não chovendo e havendo sol, no Inverno também é possível fazer excelentes churrascos, apesar de terem que terminar mais cedo.
No segundo churrasco na eira repetimos as espetadas no pau de loureiro e voltámos a terminar o convívio com a fruta da nossa tangerineira, só que na forma de gelatina.

Para 8 pessoas
- 750 ml de sumo de tangerina
- 10 c. de sopa de açúcar baunilhado
- 5 folhas de gelatina
- 5 folhas de hortelã

1. Deixa as folhas de gelatina a amolecer num copo de água.

2. Leva o sumo de tangerina ao lume, juntamente com o açúcar baunilhado e as folhas de hortelã, durante 20 minutos. Escorre as folhas de gelatina e adiciona ao sumo de tangerina. Mexe bem até a gelatina estar bem dissolvida e incorporada no sumo.

3. Passa o sumo de tangerina para tacinhas individuais e leva ao frigorífico durante pelo menos 4 horas. Serve simples ou acompanhada com iogurte.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Brownies de Chocolate Branco com Framboesas

Lá fora chove, para não falar do frio... Mas nada disso nos importa quando temos brownies e panquecas fumegantes para partilhar com os amigos.

A receita original é da Leonor de Sousa Bastos. Quando os fiz pela primeira vez achei que sabiam demasiado a chocolate branco e que os pistachios não acrescentavam nada aos brownies. Depois de algumas experiências esta é a minha versão dos brownies de chocolate branco. Juntei amêndoas e troquei os pistachios por framboesas. O resultado final é surpreendente, com a acidez das framboesas a ser envolvida pela doçura do chocolate branco.

Para 8 pessoas
- 200g de chocolate branco, partido em bocados
- 125g de manteiga
- 150g de açúcar
- 5 ovos
- 100g de farinha
- 20g de maizena
- sumo de 1 tangerina
- 125g de framboesas congeladas
- amêndoas laminadas

1. Pré-aquece o forno a 170ºC.

2. Em lume muito brando derrete o chocolate branco com a manteiga. Mexe bem até obteres uma mistura homogénea.

3. Numa taça bate os ovos com o açúcar, até obteres uma mistura esbranquiçada. Junta o chocolate derretido com a manteiga. Incorpora a farinha e a a maizena. Adiciona o sumo de tangerina.

4. Verte a mistura para uma forma rectangular untada. Espalha as amêndoas laminadas por cima da massa. Leva ao forno durante 45 minutos.

5. Desenforma e deixa arrefecer antes de cortares em rectângulos.

Nota: Normalmente compro as framboesas frescas e depois congelo-as, para ser mais fácil envolvê-las na massa. Como estão rijas não são desfeitas pelo salazar.

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

A Eira e o Loureiro

Após uma pausa para nos dedicarmos a outros afazeres, retomámos os trabalhos no quintal. À nossa espera tínhamos a eira, com muita terra para ser retirada. A enxada, a pá e o carrinho-de-mão foram ferramentas indispensáveis, mas não sei o que teria sido de nós sem a "ajuda" do Lasko - o novo cão dos meus pais. Aquilo é que é um animal que gosta de trabalhar... pouco! Para ele o trabalho no campo é andar aos saltos ao nosso lado, encher-nos de terra, correr no meio das galinhas e descansar, muito, do esforço despendido no quintal.
Mesmo com o Lasko a empatar o trabalho, no final da manhã a eira já começava a dar o ar da sua graça. A maioria da terra já tinha sido espalhada pelo quintal e estava na hora de pensarmos no almoço. Era preciso decidir se mandávamos vir comida ou se nos dávamos ao trabalho de cozinhar alguma coisa. Estávamos nesta indecisão quando a minha irmã se lembrou, e bem, que podíamos aproveitar os paus de loureiro que tinham sido cortados para fazermos umas espetadas.
Assim que as minhas irmãs saíram para comprar a carne, o Miguel libertou o Bear Grylls que há dentro dele. Depois de varrer a eira, improvisou uma churrasqueira com uns blocos de granito e para as brasas utilizou uns paus que estavam de lado para a lareira. Num piscar de olhos o lume estava acesso e os lombos no espeto. Enquanto a carne grelhava restava-nos esperar e ir pensando em aprender alguma coisa com as capacidades de "sobrevivência" do Miguel. Improvisar um almoço no quintal não é um feito digno do Guinness, mas é bom saber que com ele por perto vou estar sempre safa. Aqui que ninguém nos ouve, em parte foi por isso que me casei com ele! Admiro muito a maneira como ele olha para coisas perfeitamente banais e as transforma naquilo que lhe convêm ou como está atento à natureza, aproveitando aquilo que ela lhe dá...
Conheci esta sua faceta bem cedo, ainda antes de namorarmos, quando  o vi a apanhar uma truta, dentro de um pequeno tanque, com uma rede de pingue-pongue. Quem assistiu ficou impressionado com a sua habilidade para a pesca e nesse dia eu fiquei a saber que com ele o almoço é sempre garantido, mesmo que estejamos no meio do nada. Desta vez estávamos bem perto de casa, por isso era mais fácil pôr comida no prato. O almoço na eira estava impecável e é para repetir mais vezes, até porque ainda temos muito trabalho para fazer no quintal.

Sábado, 31 de Dezembro de 2011

Sumo de Romã

Aproxima-se mais uma noite de passagem de ano e quando damos por isso estamos a pensar nos momentos mais marcantes do ano que estamos a deixar para trás e a olhar para o ano que se aproxima cheio de promessas. Para quem procura uma bebida não alcoólica para brindar nesse instante repleto de nostalgia e esperança, nada melhor do que este sumo expremido de pequenos rubis. Para aqueles que preferem brindar com álcool é só acrescentar espumante ou vodka.

Para 1 jarro
- sumo de 2 romãs
- 2 garrafas de água com gás
- sumo de 1 limão
- 2 c. sopa de açúcar baunilhado
- folhas de hortelã

1. Retira os bagos às romãs. Com a varinha mágica tritura os bagos e passa a "papa" por um coador.

2. Colocar num jarro o sumo de romã. Adicionar a hortelã e o sumo de limão. Adiciona a água com gás e o açúcar baunilhado. Mexe bem com o cabo de uma colher de pau.

3. Serve o sumo com gelo e brinda a um Excelente 2012, acompanhado de boa comida.

Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Chutney de Ameixas

Um toque de especiarias adicionado a uma receita que vem na Visão Gourmet Outono/Inverno 2011. Para usar com carnes assadas ou simplesmente por cima de uma fatia de queijo ou de pão torrado.

Para 1 frasco
- 8 ameixas pretas
- 2 cálices de vinho de Porto
- 1 cálice de sumo de limão
- 2 sementes de cardamomo
- 1 pau de canela
- sal
- 1 c. de chá de mel

Descasca as ameixas e pica-as em cubos pequeninos. Leva a lume brando com o vinho do Porto, o sumo de limão, os grãos de cardamomo e o pau de canela. Tempera com sal e deixa reduzir durante 15 minutos, mexendo de vez em quando. Adiciona o mel e deixa caramelizar. Retira do lume. Remove o pau de canela e passa o chutney para um frasco esterelizado. Fecha o frasco e vira-o ao contrário. Deixa-o estar virado até arrefecer, de maneira a criar vácuo.

Domingo, 18 de Dezembro de 2011

Polvo à Lagareiro

Nunca imaginei que só agora é que iamos conseguir esvaziar o congelador, e assim poder ver o frigorífico completamente limpo e arrumado. A comida tem destas coisas e o nosso congelador parecia uma central de camionagem, tal era o chega e parte de peixe e carne. Cada vez que eu achava que ia poder descongelar o dito, o Miguel ia à pesca, o meu pai trazia peixe ou os meus sogros mandavam carne. Até que chegou um dia que acordei e pensei "Hoje está um dia perfeito para desligar o frigorífico!". E assim foi... Directamente do congelador para o frigorífico saíram uns peixinhos que mais tarde se transformaram em sopa de peixe e um polvo que se converteu num polvo à lagareiro, o meu substituto preferido do bacalhau cozido com todos na consoada.
Não tenho nada contra o senhor bacalhau cozido, mas quando descobri que havia zonas do país onde o rei da noite de Natal era o polvo fiquei encantada e passei a sonhar com o dia em que ia comer polvo na ceia de Natal. Esse dia chegou há dois anos atrás, pela mão da mãe do Miguel,  sob a forma de um tenrissímo polvo à lagareiro e desde aí nunca mais cheguei perto do tradicional bacalhau.

Para 4 pessoas
- 2 kg de polvo
- 1 cebola com casca
- 800g de batatas novas
- azeite
- 4 dentes de alho picados
- piri-piri em pó
- sal
- 1 molho de grelos

1. Coloca o polvo e a cebola com casca numa panela. Cobre com água e leva a panela ao lume até a cebola estar cozida e o polvo tenro (mais ou menos 30/40 minutos). Escorre o polvo e reserva-o.

2. Coze ligeiramente as batatas com pele. Depois de escorridas, deixa arrefecer um pouco e dá um murro em cada uma (podes cobrir a mão com um pano da loiça para não te queimares ao "esborrachares" as batatas. Também podes aproveitar para imaginar a cara de alguém que não gostes. Bastante terapêutico).

3. Coloca o polvo inteiro no centro de uma travessa de ir ao forno, com as batatas à volta. Coloca o alho picado, tempera com sal e piri-piri a gosto e rega com uma boa quantidade de azeite. Leva ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 30 minutos, até que as batatas estejam douradas e o polvo tostado.

4. Serve quente acompanhado com grelos cozidos e broa de abóbora.